Saiba como tratar o linfoma alimentar em gatos

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Comum, câncer afeta cerca de 70% dos pacientes diagnosticados com linfoma

Com um pouco mais de oito anos, em 2019, Zeca era um gato ativo que adorava dar voltas pelo condomínio onde morava. Com o tempo, passou a ficar mais amuado e, de repente, começou a apresentar um quadro constante de vômito. A tutora, Darly Scheavinato, de Indaiatuba, cidade no interior de São Paulo, não perdeu tempo e levou o bichano ao veterinário. O diagnóstico foi determinado como problemas renais, porém, Zeca não reagia ao tratamento.

Zeca era um gato ativo, mas durante o desenvolvimento da doença passava muito mais tempo deitado. Foto: arquivo.

“Foi uma fase muito difícil. Ele chegou a ficar só pele e osso. Eu oferecia ração renal e ele já nem queria mais comer”, relembra Darly. “Foi só quando eu pedi uma segunda opinião e fizemos uma biopsia que soube o real diagnóstico: linfoma”.

Com sintomas que podem ser confundidos com outras doenças, o linfoma é uma patologia que vem levando muitos tutores aos consultórios veterinários. Considerada uma espécie de câncer que afeta os linfócitos, a doença interfere em células que estão envolvidas nas respostas imunológicas. Em gatos domésticos, o linfoma gastrointestinal é considerado o mais comum, representando 70% dos casos diagnosticados.

Apesar de ser o mais comum, esse tipo de linfoma apresenta sintomas que são facilmente confundidos com outros problemas gastrointestinais, como a síndrome do intestino irritável, por isso, é necessário que o tutor se atente, ainda mais, aos sinais.

“Nenhum vômito é normal, mas tolerado, e desde que nunca aconteça mais do que duas vezes em um único mês”, alerta a médica veterinária especializada em medicina felina e proprietária da clínica veterinária Gato é Gente Boa, localizada em Itu/SP, Vanessa Zimbres. Além deste reflexo, estrias de sangue nas fezes que não amenizam, e diarreia constante já são motivos para levar seu amigo ao especialista.

O linfoma alimentar afeta o sistema gastrointestinal, tendo mais reflexo nos intestinos, mas também pode ser diagnosticado no estômago, fígado, pâncreas e entre outros órgãos que formam o sistema.

“O ultrassom é o primeiro exame a ser pedido e ele precisa ser feito com muita atenção a todos os detalhes do trato alimentar, como as alças do intestino”, explica Vanessa. “O outro meio é por cirurgia, assim é feita a coleta de fragmentos do intestino para a realização do diagnóstico”, conta.

O linfoma pode afetar gatos ao longo da vida, contudo, os idosos são mais propensos a desenvolver esse quadro clínico. Quando diagnosticados em gatinhos jovens, o linfoma pode ter ligação com o vírus FeLV, a leucemia felina.

“O tratamento é feito com quimioterapia, muitas vezes de forma oral, com poucos efeitos adversos. Em casos mais sérios, é administrado de forma intravenosa”, explica a especialista. “Quando tratado com antecedência, os resultados são bem efetivos”, complementa.

Para detectar o linfoma Vanessa recomenda a realizacao de um criterioso ultrassom. Foto: JulioSalvo-JF.

Com o cuidado certo, o gato tem tudo para recuperar a saúde e voltar a vida normal. Zeca mesmo já ganhou peso e agora está lutando contra a balança. “O Zeca se recuperou tão bem que agora temos que controlar a sua alimentação com dietas balanceadas para que a obesidade não se desenvolva”, finaliza Vanessa.

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