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Moda

Com desfile teatral e provocativo, Schiaparelli abre semana de alta-costura de Paris

O desfile da grife italiana Schiaparelli abriu a semana de alta-costura de Paris, na França JULIEN DE ROSA/AFP
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Marca italiana causou ao entrar na passarela com acessórios extravagantes, joias imensas, muito dourado e lookinhos que abusam dos decotes 

Suas roupas surreais chocaram há quase um século e suas ideias agora inspiram ícones de estilo. O desfile da grife italiana Schiaparelli abriu a semana de alta-costura de Paris, na França, que começou nesta segunda-feira (4) com um desfile teatral da marca.

Chapéus, joias enormes e exuberantes, além de roupas provocantes e decotes decorados com flores marcaram a exibição da casa italiana de moda, que ocorreu no Museu de Artes Decorativas da capital francesa – onde, na próxima quarta-feira (6), será inaugurada uma exposição dedicada à estilista Elsa Scaparelli (1890-1973), que deu nome à maison.

Famosos do mundo da moda internacional prestigiaram a abertura do evento, que contou com a presença do ícone fashion Anna Wintour, da Vogue norte-americana, além da atriz espanhola Rossy de Palma e do estilista Olivier Rousteing na primeira fila.

A toda-poderosa da Vogue, Anna Wintour (à direita), acompanhou tudo da primeira fila

A toda-poderosa da Vogue, Anna Wintour (à direita), acompanhou tudo da primeira fila

AFP

Na coleção apresentada pela Schiaparelli, modelos desfilaram usando espartilhos, vestidos com as costas nuas, decotes com joias imensas, muito dourado, tops transparentes e sutiãs usados ​​como elementos visíveis de looks para a noite.

‘De tirar o fôlego’

A moda muitas vezes já foi descrita como algo “bobo”, mas também “provocativo, arrebatador”, e que pode “pode ​​tirar o fôlego”, escreveu na nota do desfile o estilista americano Daniel Roseberry, nomeado em 2019 e a quem Schiaparelli deve seu grande sucesso.

Elsa Schiaparelli foi a primeira estilista que ousou misturar arte e moda. fue la primera diseñadora que mezcló el arte con la moda. Em 1954, ela se declarou falida, em Paris, na França, e decidiu se exilar nos Estados Unidos, onde morreu, em 1973. Com isso, seu estúdio de moda se manteve inativo por 60 anos.

Porém, de alguns anos para cá, ícones como Beyoncé e Lady Gaga usaram looks da Schiaparelli a eventos de destaque, como a posse do presidente norte-americano, Joe Biden.

Colares imensos e muito dourado marcaram o desfile da Schiaparelli

Colares imensos e muito dourado marcaram o desfile da Schiaparelli

AFP

Em 2021, para subir os degraus do Festival de Cinema de Cannes, na França, a modelo Bella Hadid usou um vestido preto com decote enorme e o busto coberto por um colar de ouro em formato de pulmão, assinado pela casa italiana.

Essas peças fazem parte da coleção que será exibida no museu francês, ao lado de outros looks icônicos de Elsa Schiaparelli, como o chapéu-sapato criado em colaboração com Salvador Dalí e um vestido inesquecível, de lagosta, usado pela Duquesa de Windsor em 1937.

Vestido com estampa de jornal

Schiaparelli tem todo um histórico de causar na moda. Em 1935, usou estampas de jornal para compor algumas de suas peças. “É genial, foi [Andy] Warhol antes de Warhol e John Galliano remotmou o mesmo princípio 60 anos depois”, com um estampado de jornal para a Dios em 2001, como contou Olivier Gabet, diretor do Museu de Artes Decorativas de Paris, à AFP.

Elsa Schiaparelli foi contemporânea de Gabrielle Coco Chanel, mas é, ainda, muito menos conhecida do que a grande dama da moda francesa.

As duas estilistas, ao que consta, se odiavam e foram “muito diferentes: Schiaparelli vinha de uma origem muito privilegiada, era uma mulher muito culta e que formava parte da aristocracia romana, e cuja cultural visual e literária permitia a ela ocupar um lugar surpreendente na moda e na sociedade”, explica Gabet.

Chanel, por sua vez, teve que esperar até 2020 para ganhar uma retrospectiva no Palais Galliera, o museu da moda de Paros.

Atualmente, exposições como a “Pioneiras”, no Museu de Luxemburgo, sobre o papel primordial das mulheres no desenvolvimento dos grandes movimentos artísticos da modernidade, formam parte de um movimento ainda maior para colocar em destaque as artistas que, durante muito tempo, foram subestimadas ou colocadas longe dos holofotes.

“Em suas memórias, Elsa Schiaparelli fala dos artistas com quem trabalhou, dizendo que foi tudo muito emocionante, mas quando se leem as memórias de Dalí ou de Man Ray, as menções a Schiaparelli são irrelevantes ou até inexistentes”, finaliza Olivier Gabet.

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