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Fósseis de cavernas do “Berço da Humanidade” são mais antigos que previsto

Diferentes crânios de Australopithecus que foram encontrados nas cavernas de Sterkfontein, na África do Sul (Foto: Jason Heaton e Ronald Clarke/ Museu de História Natural Ditsong)
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Com novo método de datação, pesquisadores concluíram que as ossadas das cavernas Sterkfontein, na África do Sul, são 1 milhão de anos mais velhas do que se imaginava

Fósseis de Australopithecus encontrados nas cavernas de Sterkfontein, na África do Sul, são mais de 1 milhão de anos mais velhos do que se pensava. A descoberta torna as ossadas mais antigas do que as de Lucy, o fóssil mais famoso do mundo desse gênero de hominídeo.

O estudo foi publicado nesta segunda-feira (27) no jornal Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). As cavernas de Sterkfontein ficam em uma área conhecida como o “Berço da Humanidade”, que é um Patrimônio Mundial da Unesco e compreende uma variedade de depósitos com fósseis de humanos antigos. 

Darryl Granger, professor da Universidade de Purdue, nos Estados Unidos, desenvolveu um novo método para datar os sedimentos do lugar, incluindo os ossos de Australopithecus. Em estudo anterior, o especialista datou um esqueleto conhecido como Little Foot encontrado nas mesmas cavernas como tendo cerca de 3,7 milhões de anos.

Na nova pesquisa, Granger e seus colaboradores apontam que, não apenas esse exemplar, mas todos os de Sterkfontein têm de 3,4 a 3,7 milhões de anos. A idade coloca os fósseis no início da era do Australopithecus, e não mais perto do fim, como se imaginava. Antes, os cientistas estimavam que a idade deles ia de 2 a 2,5 milhões de anos.

Darryl Granger, da Universidade de Purdue, desenvolveu a tecnologia que atualizou a idade de um Australopithecus encontrado na caverna de Sterkfontein (Foto: Universidade de Purdue/Lena Kovalenko)
Darryl Granger, da Universidade de Purdue, desenvolveu a tecnologia que atualizou a idade de um Australopithecus encontrado na caverna de Sterkfontein (Foto: Universidade de Purdue/Lena Kovalenko)

Para realizar as novas estimativas, os pesquisadores usaram espectrometria de massa para medir nuclídeos radioativos nas rochas das cavernas, mais precisamente, aqueles elementos produzidos por raios cósmicos que bombardeiam a Terra e causam reações nucleares dentro das rochas.

Os especialistas também fizeram um mapeamento geológico dos depósitos das cavernas, mostrando como fósseis de diferentes idades teriam sido misturados durante escavações nas décadas de 1930 e 1940, causando uma enorme confusão nas pesquisas.

Granger destaca que Sterkfontein têm mais fósseis de Australopithecus do que em qualquer outro lugar do mundo, mas explica que a datação dos ossos passou por uma série de contradições. “O que nossos dados fazem é resolver essas controvérsias. Isso mostra que esses fósseis são antigos – muito mais antigos do que pensávamos originalmente”, afirma, em comunicado.

“O que espero é que isso convença as pessoas de que esse método de datação dá resultados confiáveis”, acrescenta o pesquisador. “Usando esse método, podemos colocar com mais precisão os humanos antigos e seus parentes nos períodos de tempo corretos, na África e em outros lugares do mundo”.

Fonte Galileu

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