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Tecnologia

O que é o metaverso, a mais nova ambição do Meta, ex-Facebook

CHRIS DELMAS / AFP
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Empresa dona de algumas das redes sociais mais usadas do mundo mudou de nome para investir em ambientes de realidade virtual

O Facebook anunciou uma importante mudança estratégica durante uma cúpula para investidores nesta quinta-feira (28). A empresa que gere alguns dos aplicativos mais usados do mundo, como Facebook, Instagram, Whatsapp e outros, vai passar a se chamar Meta. De acordo com o diretor-executivo Mark Zuckerberg, a ideia é que a companhia deixe de ser conhecida pelas redes sociais e seja vista como um metaverso.

Mas o que é um metaverso?

Para especialistas, é o próximo passo na digitalização de serviços e experiências. Algo como um mundo virtual imersivo, no qual os usuários podem se encontrar, interagir, comprar, assistir. Tudo a partir de um headset de realidade virtual.

“A ideia é você ter interações em um universo digitializado, mas que seja imersivo o suficiente para que a pessoa se sinta uma parte daquilo. Não é um jogo, um aplicativo de óculos. É como se tivesse dentro de um jogo como The Sims. A ideia é que você vai ter mais integração, uma promessa de estar nesse ambiente, que vai se tornar um local de compra, interação pessoal, entretenimento, numa integração dessas experiências. Entendo que vai demorar”, afirma o especialista em tecnologia Arthur Igreja.

Realidades digitais

O que está disponível para as pessoas atualmente, com a integração de serviços dentro dos smartphones, por exemplo, seria um primeiro passo no rumo desse metaverso, mas ainda falta um pouco para se chegar até lá.

“Na verdade, nós já estamos vivendo uma realidade digitalizada, para muitas pessoas o dia só começa quando ela se conecta ao celular, recebe as notificações. Ainda vai precisar de uma evolução dos sistemas, especialmente de hardware. Até hoje os dispositivos de RV são pesados, desconfortáveis e caros. Até chegar à facilidade de uso que o smartphone tem hoje, foram décadas de evolução. Com relação aos headsets, a gente ainda tá no meio dessa caminhada”, explica.

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Para ele, a distância entre o anúncio feito por Zuckerberg e uma adoção real do metaverso ainda é muito grande, em razão de uma questão básica para toda essa tecnologia: a velocidade de acesso à internet. O serviço 4G, mais difundido hoje, chega a no máximo 100 Mbps (megabytes por segundo). Para a imersão em realidade virtual e tempo real, o ideal é o uso do 5G, que está em implantação, mas quando estiver em funcionamento poderá chegar a até 10 Gbps.

“Tem uma demanda de banda incrível para ter esse ambiente imersivo; precisa ter uma largura muito grande, latência muito baixa, para sincronizar, e não pode ter muita quebra de sinal. Hoje, para ver um vídeo você faz buffer, armazena um pouco além do que está executando para não parar, mas, quando for para ter uma interação em tempo real, isso não vai funcionar. Entendo que ainda vai demorar um pouco”, analisa Igreja.

Outro aspecto importante para ser levado em conta é que o próprio Facebook (atual Meta) está em um momento complicado de sua trajetória, por causa de diversas denúncias de ex-funcionários, e anunciar uma mudança estratégica sem ainda ter muito para mostrar pode ser uma estratégia para trocar o foco das discussões.

“Pode ser que estejam criando um fato novo, o extremo disso é uma marca nova. Além disso, na próxima semana tem um evento muito importante, a Websummit (que acontece de 1º a 4 de novembro em Lisboa). A ex-funcionária que denunciou o Facebook (Frances Haugen) vai falar lá. É muito mais um comunicado de direção estratégica do que uma entrega realmente de algo concreto”, completa o especialista.

R7

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