{"id":11148,"date":"2023-01-10T15:36:33","date_gmt":"2023-01-10T18:36:33","guid":{"rendered":"https:\/\/imais.online\/portal\/?p=11148"},"modified":"2023-01-10T15:36:47","modified_gmt":"2023-01-10T18:36:47","slug":"estudo-associa-a-esquizofrenia-com-alteracoes-vasculares-no-cerebro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imais.online\/portal\/estudo-associa-a-esquizofrenia-com-alteracoes-vasculares-no-cerebro\/","title":{"rendered":"Estudo associa a esquizofrenia com altera\u00e7\u00f5es vasculares no c\u00e9rebro"},"content":{"rendered":"<div class=\"imais-before-content-placement\" id=\"imais-2373268591\"><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8787528412751566\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display:block;\" data-ad-client=\"ca-pub-8787528412751566\" \ndata-ad-slot=\"\" \ndata-ad-format=\"auto\"><\/ins>\n<script> \n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); \n<\/script>\n<\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A esquizofrenia \u00e9 considerada um transtorno mental grave e multifatorial, que pode afetar at\u00e9 1% da popula\u00e7\u00e3o mundial<\/h2>\n\n\n\n<p>Estudo publicado na\u00a0<strong>revista Molecular Psychiatry<\/strong>\u00a0sugere que a esquizofrenia pode estar relacionada a altera\u00e7\u00f5es na vasculariza\u00e7\u00e3o de determinadas regi\u00f5es do c\u00e9rebro. No trabalho, pesquisadores da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), do Instituto D&#8217;Or de Pesquisa e Ensino (Idor) e da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) observaram que c\u00e9lulas neurais (astr\u00f3citos) derivadas de pacientes com a doen\u00e7a induzem a forma\u00e7\u00e3o de um maior n\u00famero de vasos \u2014 s\u00f3 que mais finos \u2014, o que pode afetar a rede vascular de algumas \u00e1reas cerebrais.<\/p>\n\n\n\n<p>A esquizofrenia \u00e9 considerada um transtorno mental grave e multifatorial, que pode afetar at\u00e9 1% da popula\u00e7\u00e3o mundial. Entre os sintomas comuns est\u00e3o a perda de contato com a realidade (psicose), alucina\u00e7\u00f5es (ouvir vozes, por exemplo), falsas convic\u00e7\u00f5es (del\u00edrios), pensamento e comportamento an\u00f4malos, diminui\u00e7\u00e3o da motiva\u00e7\u00e3o e piora da fun\u00e7\u00e3o mental (cogni\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>No estudo, os pesquisadores centraram as aten\u00e7\u00f5es no papel dos astr\u00f3citos \u2014 c\u00e9lulas essenciais para a manuten\u00e7\u00e3o dos neur\u00f4nios e que funcionam como usinas energ\u00e9ticas do sistema nervoso central \u2014 no desenvolvimento da doen\u00e7a. Al\u00e9m de apontar novos alvos terap\u00eauticos, o estudo avan\u00e7a no entendimento de mecanismos moleculares da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMostramos que os astr\u00f3citos podem estar envolvidos com uma altera\u00e7\u00e3o na espessura dos vasos do c\u00e9rebro. E isso pode estar relacionado a um fator importante da esquizofrenia: a diminui\u00e7\u00e3o no fluxo metab\u00f3lico [produ\u00e7\u00e3o de energia] em certas regi\u00f5es cerebrais. \u201cIsso refor\u00e7a o papel dos astr\u00f3citos como um elemento central da doen\u00e7a, tornando-os um alvo para novas terapias\u201d, explica Daniel Martins-de-Souza, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp) e um dos autores do artigo.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho foi apoiado pela Fapesp por meio de um projeto tem\u00e1tico e uma bolsa de p\u00f3s-doutorado concedida a Juliana Minardi Nascimento, primeira autora do artigo, ao lado de Pablo Trindade, da UFRJ e do Idor.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Altera\u00e7\u00e3o na vasculariza\u00e7\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores compararam astr\u00f3citos derivados de c\u00e9lulas da pele de pacientes com esquizofrenia com aqueles de pessoas sem a doen\u00e7a. Essa parte do estudo foi realizada no laborat\u00f3rio de Stevens Rehen, pesquisador do Idor e professor do Instituto de Biologia da UFRJ.<\/p>\n\n\n\n<p>Para isso, a equipe reprogramou as c\u00e9lulas epiteliais de pacientes com esquizofrenia e as do grupo-controle para que regredissem a um est\u00e1gio de pluripot\u00eancia caracter\u00edstico de c\u00e9lula-tronco (c\u00e9lulas-tronco pluripotentes induzidas ou iPSCs). Em seguida, induziu a diferencia\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas e transformou as iPSCs em c\u00e9lulas-tronco neurais (que podem dar origem tanto a neur\u00f4nios quanto a astr\u00f3citos).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Estudos anteriores j\u00e1 haviam sugerido que tanto anormalidades moleculares quanto funcionais dos astr\u00f3citos poderiam estar envolvidas na patog\u00eanese da esquizofrenia. Em nosso trabalho, comprovamos essa rela\u00e7\u00e3o a partir de estudos com c\u00e9lulas-tronco pluripotentes induzidas. Sem essa t\u00e9cnica, seria imposs\u00edvel estudar os astr\u00f3citos da maneira como fizemos\u201d, explica Martins-de-Souza.<\/p>\n\n\n\n<p>Com os astr\u00f3citos derivados de pacientes e de controles saud\u00e1veis, os pesquisadores realizaram dois testes. Primeiramente, foi feita uma an\u00e1lise prote\u00f4mica (que identifica o conjunto de prote\u00ednas presentes na amostra), no Laborat\u00f3rio de Neuroprote\u00f4mica da Unicamp, para verificar a varia\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas expressas nas c\u00e9lulas-controle e nas de pacientes com esquizofrenia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAo avaliarmos a prote\u00f4mica das c\u00e9lulas com esquizofrenia, observamos altera\u00e7\u00f5es imunes associadas aos astr\u00f3citos. Tamb\u00e9m encontramos diferen\u00e7as em citocinas inflamat\u00f3rias e diversas outras prote\u00ednas que indicavam uma a\u00e7\u00e3o angiog\u00eanica [que favorece o crescimento de novos vasos] na vasculariza\u00e7\u00e3o cerebral\u201d, informa Nascimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois da an\u00e1lise prote\u00f4mica, os pesquisadores realizaram ensaios funcionais. Observou-se que a resposta inflamat\u00f3ria dos astr\u00f3citos de pacientes estava alterada e que as subst\u00e2ncias que liberavam afetavam a vasculariza\u00e7\u00e3o. A realiza\u00e7\u00e3o desses ensaios foi parte do p\u00f3s-doutorado de Trindade.<\/p>\n\n\n\n<p>Para isso, os pesquisadores utilizaram um modelo de sistema vascular baseado na membrana que envolve o embri\u00e3o de galinha. Conhecida como CAM (sigla em ingl\u00eas para membrana corioalantoica embrion\u00e1ria de ovos de galinhas), a metodologia tem sido empregada para estudar o efeito de subst\u00e2ncias na vasculariza\u00e7\u00e3o de tecidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse ensaio foi conduzido por colaboradores da Universidad de Chile. \u201cBasicamente, colocamos os meios condicionados de astr\u00f3citos, com todas as subst\u00e2ncias que essas c\u00e9lulas secretam, dentro da regi\u00e3o vascular de ovos fertilizados. Conforme as c\u00e9lulas vasculares v\u00e3o se multiplicando, \u00e9 poss\u00edvel verificar como ocorre a forma\u00e7\u00e3o dos vasos. Assim, pode-se observar se as subst\u00e2ncias secretadas pelas c\u00e9lulas cultivadas induzem ou inibem a vasculariza\u00e7\u00e3o do ovo&#8221;, conta Trindade.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de modificarem a vasculariza\u00e7\u00e3o, os astr\u00f3citos derivados de pacientes com esquizofrenia apresentavam um perfil cr\u00f4nico de inflama\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 sabido que os astr\u00f3citos s\u00e3o c\u00e9lulas neurais que t\u00eam o papel de regular a resposta imune na regi\u00e3o. Portanto, \u00e9 poss\u00edvel que eles estejam promovendo uma vasculariza\u00e7\u00e3o mais imatura ou menos eficiente. Verificamos que, em compara\u00e7\u00e3o ao grupo-controle, os astr\u00f3citos derivados de pacientes secretam uma quantidade maior de interleucina-8, um sinalizador de inflama\u00e7\u00e3o e suspeito de ser o principal agente da disfun\u00e7\u00e3o vascular associada \u00e0 esquizofrenia\u201d, explica o pesquisador \u00e0 Fapesp.<\/p>\n\n\n\n<p>Os autores afirmam que os achados refor\u00e7am o papel do neurodesenvolvimento na esquizofrenia, que, ao que tudo indica, \u00e9 mediado pelos astr\u00f3citos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os sintomas da doen\u00e7a geralmente se manifestam quando se \u00e9 um jovem adulto. Mas, como mostramos no trabalho, as c\u00e9lulas gliais nesses pacientes s\u00e3o diferentes desde o princ\u00edpio, o que interfere no neurodesenvolvimento ainda no \u00fatero. A diferencia\u00e7\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro ocorrem de forma alterada. Portanto, pode ser que, durante a matura\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro, aconte\u00e7am fatos como o que verificamos no estudo: uma vasculariza\u00e7\u00e3o sistematicamente alterada, que leva \u00e0 malforma\u00e7\u00e3o de circuitos cerebrais que pode desencadear a esquizofrenia na idade adulta\u201d, diz Nascimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra contribui\u00e7\u00e3o do estudo foi alertar para a import\u00e2ncia dos astr\u00f3citos nas doen\u00e7as neurol\u00f3gicas. \u201cO papel das c\u00e9lulas da glia, como \u00e9 o caso dos astr\u00f3citos, n\u00e3o s\u00f3 na esquizofrenia, mas nas doen\u00e7as neurol\u00f3gicas em geral, \u00e9 um achado recente, pois havia uma vis\u00e3o muito neuroc\u00eantrica de investiga\u00e7\u00e3o do papel dos neur\u00f4nios. N\u00e3o deixa de ser uma forma de ampliar nossa vis\u00e3o e nosso entendimento da doen\u00e7a\u201d, avalia Martins-de-Souza.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte R7 <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A esquizofrenia \u00e9 considerada um transtorno mental grave e multifatorial, que pode afetar at\u00e9 1% da popula\u00e7\u00e3o mundial Estudo publicado na\u00a0revista Molecular Psychiatry\u00a0sugere que a esquizofrenia pode estar relacionada a altera\u00e7\u00f5es na vasculariza\u00e7\u00e3o de determinadas regi\u00f5es do c\u00e9rebro. 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