{"id":11593,"date":"2023-02-03T07:39:30","date_gmt":"2023-02-03T10:39:30","guid":{"rendered":"https:\/\/imais.online\/portal\/?p=11593"},"modified":"2023-02-03T07:39:32","modified_gmt":"2023-02-03T10:39:32","slug":"zika-causa-anormalidade-em-quase-um-terco-dos-filhos-de-mulheres-infectadas-na-gravidez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imais.online\/portal\/zika-causa-anormalidade-em-quase-um-terco-dos-filhos-de-mulheres-infectadas-na-gravidez\/","title":{"rendered":"Zika causa anormalidade em quase um ter\u00e7o dos filhos de mulheres infectadas na gravidez"},"content":{"rendered":"<div class=\"imais-before-content-placement\" id=\"imais-1313394214\"><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8787528412751566\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display:block;\" data-ad-client=\"ca-pub-8787528412751566\" \ndata-ad-slot=\"\" \ndata-ad-format=\"auto\"><\/ins>\n<script> \n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); \n<\/script>\n<\/div>\n<p class=\"has-text-align-center\">Meta-an\u00e1lise conduzida por grupos de pesquisa do Brasil consolida os principais achados sobre o v\u00edrus, da epidemia de 2015 at\u00e9 hoje<\/p>\n\n\n\n<p>Foi&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.thelancet.com\/journals\/lanam\/article\/PIIS2667-193X(22)00212-5\/fulltext\"><strong>publicada<\/strong><\/a>&nbsp;na revista&nbsp;<em>The Lancet Regional Health \u2013 Americas<\/em>&nbsp;a maior e mais abrangente meta-an\u00e1lise j\u00e1 feita at\u00e9 o momento sobre os efeitos do v\u00edrus zika em filhos de mulheres infectadas durante a gesta\u00e7\u00e3o. A partir de 13 estudos nacionais que re\u00fanem dados de 1.548 gestantes, o artigo chega a conclus\u00f5es robustas, como a de que quase um ter\u00e7o das crian\u00e7as apresenta alguma anormalidade em decorr\u00eancia da infec\u00e7\u00e3o e 4% manifestam microcefalia propriamente. Com isso, estabelece as bases para pol\u00edticas p\u00fablicas assertivas, melhores cuidados e para prioriza\u00e7\u00f5es do ponto de vista de novas pesquisas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2015, quando a explos\u00e3o de casos de microcefalia em crian\u00e7as foi associada ao zika e o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade declarou estado de emerg\u00eancia nacional, pesquisadores brasileiros foram obrigados a apertar o passo para trazer respostas sobre a epidemia o mais rapidamente poss\u00edvel. \u201cDiante disso, n\u00e3o houve tempo para uma grande articula\u00e7\u00e3o nacional e diferentes grupos conduziram estudos independentes\u201d, lembra o epidemiologista Ricardo Arraes de Alencar Ximenes, um dos autores da pesquisa e professor da P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Medicina Tropical da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Essa pulveriza\u00e7\u00e3o resultou em amostras menores de pacientes, protocolos com crit\u00e9rios d\u00edspares e variabilidade de resultados, que aumentavam as incertezas sobre as descobertas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMas j\u00e1 em 2016 come\u00e7amos a conversar com esses grupos para harmonizar os protocolos e, a partir da\u00ed, consolidar os dados dos diferentes estudos. A ci\u00eancia brasileira mostrou sua maturidade e capacidade nessa epidemia\u201d, ressalta Ximenes, que tamb\u00e9m \u00e9 professor da P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o de Ci\u00eancias da Sa\u00fade da Universidade de Pernambuco. Dessas intera\u00e7\u00f5es surgiu o Cons\u00f3rcio Brasileiro de Coortes do Zika, que hoje conta com cientistas de 26 institui\u00e7\u00f5es e que possibilitou a meta-an\u00e1lise recentemente divulgada. \u201cO grande valor do artigo, o primeiro do cons\u00f3rcio, \u00e9 a uni\u00e3o de for\u00e7as, que permite chegar a resultados mais confi\u00e1veis\u201d, destaca o especialista.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho contou com o apoio da FAPESP (Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo) por meio de seis projetos: (<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/96332\/infeccao-vertical-pelo-virus-zika-e-suas-repercussoes-na-area-materno-infantil\/\"><strong>16\/08578-0<\/strong><\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/175978\/coorte-retrospectiva-de-gestantes-expostas-ao-virus-zika-em-sao-jose-do-rio-preto-em-2016\/?q=2017\/21688-1\"><strong>17\/21688-1<\/strong><\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/89473\/estudo-epidemiologico-da-dengue-sorotipos-1-a-4-em-coorte-prospectiva-de-sao-jose-do-rio-preto-sao-p\/\"><strong>13\/21719-3<\/strong><\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/95462\/estudo-clinico-epidemiologico-em-coorte-prospectiva-de-gestantes-infectadas-pelo-virus-zika-em-sao-j\/\"><strong>16\/15021-1<\/strong><\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/162944\/diagnostico-de-arboviroses-brasileiras-e-emergentes-em-pacientes-e-mosquitos-em-duas-regioes-distint\/?q=2015\/12295-0\"><strong>15\/12295-0<\/strong><\/a>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/94258\/genes-de-resposta-imune-inata-e-adaptativa-na-infeccao-por-virus-zika\/?q=2016\/05115-9\"><strong>16\/05115-9<\/strong><\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sistematiza\u00e7\u00e3o do conhecimento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para serem inclu\u00eddos na meta-an\u00e1lise, os estudos deveriam ter confirmado o diagn\u00f3stico de infec\u00e7\u00e3o por zika em mulheres gr\u00e1vidas por meio de exames de RT-PCR, considerados os mais confi\u00e1veis, antes de qualquer anormalidade ser detectada no feto. Eles tamb\u00e9m precisavam ter sido conduzidos no Brasil e acompanhar as mulheres e seus filhos at\u00e9 pelo menos o fim da gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os estudos incorporados na revis\u00e3o contemplaram as quatro regi\u00f5es mais afetadas pela epidemia de zika \u2013 Nordeste, Norte, Centro-Oeste e Sudeste. Os dados de cada participante foram analisados de forma individualizada e organizados em uma s\u00e9rie de poss\u00edveis desfechos provocados pelo v\u00edrus nas crian\u00e7as. Eles iam de baixo peso ao nascer at\u00e9 microcefalia, passando por quest\u00f5es oftalmol\u00f3gicas e neurol\u00f3gicas, como convuls\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Ximenes destaca que, como a epidemia de zika foi detectada pelo aumento de casos de microcefalia, parte da popula\u00e7\u00e3o ainda acredita que essa \u00e9 a \u00fanica anormalidade mais preocupante ligada \u00e0 infec\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, ele reitera que a s\u00edndrome cong\u00eanita ligada ao v\u00edrus pode se manifestar de variadas formas, que incluem dificuldades de vis\u00e3o e d\u00e9ficits motores, entre outras.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando os epis\u00f3dios de microcefalia e as anormalidades neurol\u00f3gicas, oftalmol\u00f3gicas e de neuroimagem (altera\u00e7\u00f5es nos exames que miram o c\u00e9rebro), foram encontradas altera\u00e7\u00f5es em 31,5% das crian\u00e7as \u2013 quase um ter\u00e7o da amostra. \u201cN\u00e3o \u00e9 uma surpresa encontrar um n\u00famero t\u00e3o alto, mas agora temos maior confian\u00e7a nele\u201d, diz Ximenes.<\/p>\n\n\n\n<p>O virologista&nbsp;<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/2733\/mauricio-Nogueira-nogueira\"><strong>Maur\u00edcio Lacerda Nogueira<\/strong><\/a>, professor da Faculdade de Medicina de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto (Famerp) e membro do Cons\u00f3rcio Brasileiro de Coortes do Zika, pondera que as gestantes e as crian\u00e7as foram superavaliadas justamente por participarem das pesquisas: \u201cIsso gera uma detec\u00e7\u00e3o acima da&nbsp;m\u00e9dia de altera\u00e7\u00f5es menores, que talvez passassem despercebidas\u201d. \u00c9 poss\u00edvel, por exemplo, que uma anormalidade no c\u00e9rebro encontrada na meta-an\u00e1lise fosse assintom\u00e1tica, ou provocasse apenas sintomas leves. \u201cIndependentemente disso, um ter\u00e7o de crian\u00e7as afetadas \u00e9 um dado muito impactante, que mostra o potencial do zika\u201d, complementa.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, Ximenes argumenta que mesmo manifesta\u00e7\u00f5es menores podem, com o passar dos anos, desencadear problemas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A microcefalia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a meta-an\u00e1lise, 2,6% dos filhos de m\u00e3es infectadas apresentaram microcefalia logo na primeira avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. No entanto, outras crian\u00e7as receberam o mesmo diagn\u00f3stico com o passar do tempo \u2013 no total, 4% manifestaram o quadro ao longo dos primeiros anos de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNossos resultados indicam que, entre crian\u00e7as com microcefalia, a fra\u00e7\u00e3o diagnosticada de maneira tardia n\u00e3o \u00e9 negligenci\u00e1vel\u201d, dizem os autores no artigo. \u201cO risco de microcefalia p\u00f3s-natal associada ao zika n\u00e3o havia sido documentado antes. Isso demonstra a relev\u00e2ncia de monitorar o crescimento da cabe\u00e7a de todas as crian\u00e7as expostas ao v\u00edrus antes do nascimento, mesmo se elas tiverem uma circunfer\u00eancia normal de cr\u00e2nio ao nascimento\u201d, arrematam.<\/p>\n\n\n\n<p>Ali\u00e1s, crian\u00e7as com microcefalia associadas ao zika tendem a apresentar diferentes disfun\u00e7\u00f5es simultaneamente. \u201cIsso levou pessoas a acreditarem que a s\u00edndrome cong\u00eanita ligada ao zika \u00e9 caracterizada, via de regra, por uma s\u00e9rie de problemas\u201d, diz Ximenes. \u201cMas isso, na verdade, n\u00e3o ocorre na maioria dos casos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a meta-an\u00e1lise, menos de 1% das crian\u00e7as afetadas pela infec\u00e7\u00e3o da m\u00e3e exibiam mais de uma anormalidade. \u201cOu seja, verificamos que as manifesta\u00e7\u00f5es costumam surgir de forma isolada\u201d, reitera o epidemiologista.<\/p>\n\n\n\n<p>A descoberta serve como alerta inclusive para profissionais, que \u00e0s vezes podem n\u00e3o relacionar um quadro ao zika \u2013 ou mesmo deix\u00e1-lo passar \u2013 por se tratar de um sintoma isolado. \u201cE o diagn\u00f3stico precoce da s\u00edndrome possibilita interven\u00e7\u00f5es precoces, que beneficiam os pacientes\u201d, afirma Ximenes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fatores associados?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com o avan\u00e7ar da epidemia de zika, passou-se a avaliar se alguns fatores modulariam o risco de microcefalia causada pela infec\u00e7\u00e3o durante a gesta\u00e7\u00e3o. Dengue, uso de larvicidas e mesmo quest\u00f5es socioecon\u00f4micas foram levantadas como poss\u00edveis catalisadoras dessas complica\u00e7\u00f5es. \u201cIsso aconteceu porque muitos casos de microcefalia foram detectados no Nordeste, mas nem tantos em outras regi\u00f5es. Ent\u00e3o se postulou que algum fator ligado \u00e0 pobreza influenciaria na associa\u00e7\u00e3o entre zika e essas anormalidades\u201d, esclarece Ximenes.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, essa hip\u00f3tese perdeu for\u00e7a com a publica\u00e7\u00e3o da meta-an\u00e1lise em quest\u00e3o. \u201cO risco [de microcefalia ap\u00f3s infec\u00e7\u00e3o por zika na gesta\u00e7\u00e3o] foi similar em todos os locais estudados e em diferentes condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas. Isso indica que provavelmente n\u00e3o h\u00e1 outros fatores modificando essa associa\u00e7\u00e3o\u201d, aponta o artigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, a concentra\u00e7\u00e3o de casos de microcefalia no Nordeste resulta simplesmente do maior n\u00famero de infec\u00e7\u00f5es. \u201cOnde h\u00e1 pobreza, h\u00e1 mais mosquito\u201d, destaca Ximenes. \u201cEm muitos munic\u00edpios do Nordeste, o fornecimento de \u00e1gua n\u00e3o \u00e9 di\u00e1rio. Ent\u00e3o a popula\u00e7\u00e3o precisa estocar \u00e1gua, o que aumenta os criadouros de mosquito\u201d, complementa.<\/p>\n\n\n\n<p>Nogueira acrescenta que, como o Nordeste foi a primeira regi\u00e3o a ser afetada pelo zika no Brasil, a popula\u00e7\u00e3o local foi a que mais sofreu com a falta de informa\u00e7\u00f5es: \u201cQuando o v\u00edrus chegou ao interior de S\u00e3o Paulo, por exemplo, j\u00e1 havia mais not\u00edcias e at\u00e9 recomenda\u00e7\u00f5es como a de evitar gesta\u00e7\u00f5es, que obviamente evitaram casos de microcefalia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele, ali\u00e1s, orientou um trabalho que descartou a hip\u00f3tese de que uma infec\u00e7\u00e3o pr\u00e9via por dengue aumentaria o risco de microcefalia ap\u00f3s o zika (<em>leia mais em:&nbsp;<\/em><a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/35942\/\"><strong><em>agencia.fapesp.br\/35942\/<\/em><\/strong><\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pr\u00f3ximos passos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTalvez a maior limita\u00e7\u00e3o do nosso trabalho seja a falta de um grupo-controle\u201d, afirma Ximenes. Essa aus\u00eancia \u00e9 justific\u00e1vel, na medida em que os estudos inclu\u00eddos na meta-an\u00e1lise foram aqueles conduzidos durante a epidemia de zika e que, portanto, precisavam trazer respostas r\u00e1pidas. De qualquer forma, futuros levantamentos podem fazer compara\u00e7\u00f5es com crian\u00e7as cujas m\u00e3es n\u00e3o foram infectadas com o v\u00edrus durante a gesta\u00e7\u00e3o para sedimentar ou aprimorar os achados.<\/p>\n\n\n\n<p>Os autores da meta-an\u00e1lise sugerem pelo menos dois caminhos no artigo que futuras pesquisas podem trilhar: uma investiga\u00e7\u00e3o aprofundada, com m\u00e9todos de diagn\u00f3stico avan\u00e7ados, para identificar complica\u00e7\u00f5es que podem aparecer ou se tornar mais evidentes em crian\u00e7as com microcefalia, para al\u00e9m de mortes e hospitaliza\u00e7\u00f5es; e, em crian\u00e7as sem microcefalia, seria poss\u00edvel estudar o risco de manifesta\u00e7\u00f5es relacionadas ao desenvolvimento comportamental e neuropsicomotor que seriam diagnosticadas com o avan\u00e7ar da idade, a partir de ferramentas espec\u00edficas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m disso, Ximenes e Nogueira concordam que os dados desse trabalho refor\u00e7am a necessidade de um monitoramento constante do zika. E, para isso, os centros de pesquisa e as autoridades devem priorizar o desenvolvimento de testes precisos e baratos para diagnosticar o v\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSeu uso ajudaria a minimizar o risco de novas infec\u00e7\u00f5es se disseminarem e causarem ondas de doen\u00e7a e complica\u00e7\u00f5es\u201d, raciocina Ximenes. Seria poss\u00edvel, por exemplo, empregar esses testes para fazer uma vigil\u00e2ncia ativa em locais estrat\u00e9gicos ou grupos populacionais espec\u00edficos. A partir da\u00ed, as autoridades p\u00fablicas adotariam medidas de controle para evitar surtos e epidemias. \u00c9 importante lembrar tamb\u00e9m que, al\u00e9m dessas estrat\u00e9gias, interven\u00e7\u00f5es p\u00fablicas para melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o, o saneamento e o controle de mosquitos podem ser mais eficazes e ter um efeito duradouro para reduzir o risco de transmiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esfor\u00e7os tamb\u00e9m deveriam ser concentrados na cria\u00e7\u00e3o de uma vacina contra o zika. \u201cH\u00e1 trabalhos nacionais e internacionais em andamento que podem contribuir para definir uma composi\u00e7\u00e3o ideal desse imunizante. Mas deve&nbsp;demorar anos antes que se chegue a essa candidata a vacina, para ent\u00e3o come\u00e7armos a avaliar sua seguran\u00e7a e efic\u00e1cia\u201d, estima Nogueira.<\/p>\n\n\n\n<p>Em paralelo, Ximenes d\u00e1 o recado de que os filhos de m\u00e3es infectadas durante a gravidez deveriam ser avaliados pelo menos uma vez por especialistas e acompanhados de perto mesmo se n\u00e3o tiverem exibido sintomas. \u201cNo mais, a epidemia vai, mas as crian\u00e7as ficam. Precisamos cuidar bem delas e fazer de tudo para amenizar seus problemas\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vai vir de novo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A aten\u00e7\u00e3o dada ao zika arrefeceu, em especial durante a pandemia de COVID-19. Tanto Nogueira quanto Ximenes concordam que isso \u00e9 compreens\u00edvel, at\u00e9 porque os laborat\u00f3rios tiveram de se dedicar ao SARS-CoV-2 e ao tremendo impacto que ele provocou na sociedade. Mas a verdade \u00e9 que os novos epis\u00f3dios de s\u00edndrome cong\u00eanita associada ao zika tamb\u00e9m diminu\u00edram. Se em 2015 e 2016 foram notificados 12.716 casos suspeitos, em 2022 o n\u00famero ficou em 419, segundo&nbsp;<a href=\"http:\/\/plataforma.saude.gov.br\/anomalias-congenitas\/boletim-epidemiologico-SVS-35-2022.pdf\"><strong>Boletim Epidemiol\u00f3gico<\/strong><\/a>&nbsp;de setembro, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Dos casos identificados no ano passado, 76% seguem em investiga\u00e7\u00e3o, mas apenas um foi confirmado \u2013 e a crian\u00e7a nasceu em 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso \u00e9 da din\u00e2mica natural de doen\u00e7as transmitidas por vetores como os mosquitos. Elas v\u00eam, causam uma epidemia e a\u00ed desaparecem por um per\u00edodo\u201d, analisa Nogueira. \u201cAgora, podemos n\u00e3o estar vendo mais o zika porque tamb\u00e9m n\u00e3o estamos fazendo testes. S\u00f3 gestantes ou pacientes com sintomas neurol\u00f3gicos costumam ser avaliados atualmente\u201d, pondera.<\/p>\n\n\n\n<p>O virologista da Famerp explica que o sobe e desce de casos de arboviroses \u00e9 multifatorial. Os n\u00fameros podem cair porque parte da popula\u00e7\u00e3o desenvolveu imunidade por um curto per\u00edodo de tempo ao ser exposta, por alguma rea\u00e7\u00e3o cruzada com outro v\u00edrus (como a dengue), pela adapta\u00e7\u00e3o aos mosquitos que funcionam como vetores etc. \u201c\u00c9 um fen\u00f4meno complexo, que inclusive estudamos no nosso grupo. Mas acredito que daqui a alguns anos poderemos ter um aumento de casos de zika e, com isso, de suas complica\u00e7\u00f5es\u201d, alerta.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante dessa previs\u00e3o, ele refor\u00e7a a necessidade de uma vacina e de novos exames, al\u00e9m de incentivar medidas de conscientiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o sobre o zika e outras arboviroses.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo&nbsp;<em>Risk of adverse outcomes in offspring with RT-PCR confirmed prenatal Zika virus exposure: an individual participant data meta-analysis of 13 cohorts in the Zika Brazilian Cohorts Consortium<\/em>&nbsp;pode ser acessado em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.thelancet.com\/journals\/lanam\/article\/PIIS2667-193X(22)00212-5\/fulltext\"><strong>www.thelancet.com\/journals\/lanam\/article\/PIIS2667-193X(22)00212-5\/fulltext<\/strong><\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meta-an\u00e1lise conduzida por grupos de pesquisa do Brasil consolida os principais achados sobre o v\u00edrus, da epidemia de 2015 at\u00e9 hoje Foi&nbsp;publicada&nbsp;na revista&nbsp;The Lancet Regional Health \u2013 Americas&nbsp;a maior e mais abrangente meta-an\u00e1lise j\u00e1 feita at\u00e9 o momento sobre os efeitos do v\u00edrus zika em filhos de mulheres infectadas durante a gesta\u00e7\u00e3o. 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