{"id":11628,"date":"2023-02-04T09:57:06","date_gmt":"2023-02-04T12:57:06","guid":{"rendered":"https:\/\/imais.online\/portal\/?p=11628"},"modified":"2023-02-04T09:57:07","modified_gmt":"2023-02-04T12:57:07","slug":"maioria-das-mortes-por-tumores-no-brasil-atinge-pessoas-de-baixa-renda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imais.online\/portal\/maioria-das-mortes-por-tumores-no-brasil-atinge-pessoas-de-baixa-renda\/","title":{"rendered":"Maioria das mortes por tumores no Brasil atinge pessoas de baixa renda"},"content":{"rendered":"<div class=\"imais-before-content-placement\" id=\"imais-4002221333\"><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8787528412751566\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display:block;\" data-ad-client=\"ca-pub-8787528412751566\" \ndata-ad-slot=\"\" \ndata-ad-format=\"auto\"><\/ins>\n<script> \n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); \n<\/script>\n<\/div>\n<p class=\"has-text-align-center\">Mais escolaridade e aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria \u00e0 sa\u00fade podem melhorar quadro<\/p>\n\n\n\n<p>Mais da metade das mortes por tumores no Brasil (55%) ocorre entre pessoas com baixa escolaridade e baixa renda, revela estudo do&nbsp;<a href=\"http:\/\/https\/\/observatoriodaaps.com.br\/\">Observat\u00f3rio de Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria da Umane<\/a>, com base no \u00faltimo levantamento do Sistema de Informa\u00e7\u00e3o sobre Mortalidade (SIM) do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade de 2020. A Umane \u00e9 uma associa\u00e7\u00e3o civil independente, sem fins lucrativos, voltada para a articula\u00e7\u00e3o e fomento de iniciativas de apoio ao desenvolvimento do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS).<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1508045&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1508045&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo os dados do SIM, das 229.300 pessoas que morreram por neoplasias (malignas ou benignas) no Brasil em 2020, 126.555 (55%) tinham at\u00e9 7 anos de estudo; 20% tinham entre 8 e 11 anos de escolaridade e 9,2% tinham entre 12 anos ou mais de estudo. Os dados mostram que a mortalidade \u00e9 maior entre os que t\u00eam menos escolaridade e renda.<\/p>\n\n\n\n<p>A maioria (52%) das mortes por neoplasias (malignas ou benignas) s\u00e3o de homens e 48%, de mulheres, e 59,2% das v\u00edtimas t\u00eam mais de 65 anos de idade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A melhoria global da qualidade de vida poderia evitar parte desses casos, afirma a diretora de Comunica\u00e7\u00e3o da Sociedade Brasileira de Medicina de Fam\u00edlia e Comunidade, Rafaela Alves Pacheco, que \u00e9 m\u00e9dica sanitarista e professora da Universidade Federal de Pernambuco.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs c\u00e2nceres s\u00e3o m\u00faltiplos, mas t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima com a qualidade de vida, a organiza\u00e7\u00e3o das cidades, a preserva\u00e7\u00e3o dos biomas, a alimenta\u00e7\u00e3o, as condi\u00e7\u00f5es emocionais, de trabalho e de acesso aos direitos humanos, assim como com a educa\u00e7\u00e3o, o transporte, a qualidade de vida e os acessos \u00e0 sa\u00fade. Todas essas perspectivas v\u00e3o nos aproximar ou distanciar de um cuidado efetivo em rela\u00e7\u00e3o aos c\u00e2nceres de um modo geral\u201d, diz Rafaela.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a especialista, a aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria \u00e0 sa\u00fade, a medicina de fam\u00edlia e comunidade podem melhorar esse quadro. \u201c\u00c9 preciso garantir o cuidado integral em sa\u00fade, a preven\u00e7\u00e3o, a promo\u00e7\u00e3o e o acesso [a tratamentos] em qualquer situa\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer. Ent\u00e3o, \u00e9 garantir o fortalecimento dos sistemas de sa\u00fade\u201d, recomenda.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a m\u00e9dica, o c\u00e2ncer n\u00e3o escolhe classe social, mas as popula\u00e7\u00f5es pobres sofrem mais. \u201cEm rela\u00e7\u00e3o ao c\u00e2ncer, todas as classes sociais s\u00e3o atingidas, mas existem os rinc\u00f5es de pobreza e mis\u00e9ria. Ent\u00e3o, \u00e9 bastante diferente para quem \u00e9 mais pobre e n\u00e3o tem acesso e, por conseguinte, acabam tendo maior incid\u00eancia de c\u00e2nceres, de um modo geral.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a especialista, a solu\u00e7\u00e3o s\u00e3o a\u00e7\u00f5es de equidade em sa\u00fade. \u201cPrecisa dar mais para quem precisa mais. Se temos popula\u00e7\u00f5es que s\u00e3o mais vulner\u00e1veis aos c\u00e2nceres, estas precisar\u00e3o ter aporte de recursos e de provid\u00eancias sanit\u00e1rias e sociais diferenciados. Nesse sentido, fortalecer o sistema universal de sa\u00fade \u00e9 fortalecer a aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, com as equipes de estrat\u00e9gia de sa\u00fade da fam\u00edlia que est\u00e3o mais pr\u00f3ximas de onde as pessoas moram e trabalham.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Promo\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade<\/h2>\n\n\n\n<p>Na vis\u00e3o da sanitarista, \u00e9 preciso garantir que esse p\u00fablico tenha aporte maior de promo\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade, bem como f\u00e1cil acesso aos servi\u00e7os de aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria em sa\u00fade. \u201cNa perspectiva da preven\u00e7\u00e3o de sa\u00fade, precisamos ter protocolos estruturados, linhas de cuidado que far\u00e3o a detec\u00e7\u00e3o precoce, o rastreamento baseado em evid\u00eancias e protocolos cl\u00ednicos, quando realmente s\u00e3o necess\u00e1rios e podem diminuir tanto a morbidade quanto a mortalidade, inclusive garantindo cuidados paliativos, garantindo que o paciente consiga ter uma sobrevida e uma qualidade de vida diante do que \u00e9 poss\u00edvel.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Rafaela destaca que nem todas essas dimens\u00f5es s\u00e3o da \u00e1rea de trabalho da aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria \u00e0 sa\u00fade. \u201cEst\u00e3o em outros n\u00edveis de aten\u00e7\u00e3o, mas podem e devem estar de forma conectada com a aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria \u00e0 sa\u00fade, com o melhor para cada uma dessas situa\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e9dica ressalta que existem pol\u00edticas p\u00fablicas que visam aumentar o acesso da popula\u00e7\u00e3o de baixa escolaridade \u00e0s informa\u00e7\u00f5es, mas que a complexidade dos problemas necessita de a\u00e7\u00f5es intersetoriais. \u201cO problema \u00e9 sanit\u00e1rio, mas tamb\u00e9m \u00e9 ambiental e social. Ent\u00e3o n\u00f3s vamos precisar de muitas m\u00e3os, e de muitos setores da sociedade civil organizada e das pol\u00edticas p\u00fablicas que estejam atuando conjuntamente\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e9dica aponta uma s\u00e9rie de fatores que devem ocorrer junto com os cuidados em educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade. \u201cO pr\u00f3prio sistema educacional brasileiro pode e deve ajudar, sobretudo com as crian\u00e7as, adolescentes e adultos jovens, garantindo esse conhecimento, esse automonitoramento, a melhora da pr\u00f3pria escolaridade, o que vai fazer tamb\u00e9m com que o acesso \u00e0 pr\u00f3pria educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 sa\u00fade aconte\u00e7a de forma mais partilhada e impactante. A garantia da alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, de atividade f\u00edsicas, do combate ao tabagismo, da melhora dos \u00edndices ponderais, na perspectiva da obesidade\u201d, exemplifica Rafaela.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ela, o controle e a melhora alimentar tamb\u00e9m dizem respeito ao combate ao uso de agrot\u00f3xicos e aditivos qu\u00edmicos e ao controle da polui\u00e7\u00e3o do ar, das \u00e1guas e das florestas. &nbsp;\u201cCom o respeito aos nossos biomas, a garantia de pol\u00edticas p\u00fablicas indutoras de acesso \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, \u00e0 comida de verdade, que n\u00e3o seja repleta de ultraprocessados, para que haja melhora metab\u00f3lica e de bem-estar. Precisamos diminuir o sal na alimenta\u00e7\u00e3o, de um modo geral. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o saleiro da pessoa, precisa ter um regramento que garanta que as op\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis sejam de fato compat\u00edveis com a sa\u00fade de boa parte da popula\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Rafaela lembra que o Brasil tem grande n\u00famero de hipertensos e diab\u00e9ticos e que estes s\u00e3o fatores para o surgimento de c\u00e2nceres e outros adoecimentos. \u201cA alimenta\u00e7\u00e3o melhorando, torna-se menos inflamat\u00f3ria e menos cancer\u00edgena\u201d, destaca.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Papel dos agentes<\/h2>\n\n\n\n<p>O m\u00e9dico Gilberto Amorim, da Oncologia D&#8217;Or do Rio de Janeiro, ressalta que muitos dos fatores de risco para diferentes tipos de c\u00e2ncer podem ser de alguma maneira modificados ou reduzidos e que, para isso, o agente de sa\u00fade tem papel fundamental.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA popula\u00e7\u00e3o com baixa escolaridade precisa conhecer mais esses fatores de risco e, a\u00ed, o alcance dos agentes de sa\u00fade \u00e9 maior do que de qualquer outro profissional da \u00e1rea. Por exemplo, a obesidade \u00e9 um fator de risco para v\u00e1rios tipos de doen\u00e7a. Por isso, \u00e9 fundamental que o agente de sa\u00fade alerte aquela pessoa sobre os riscos para o diabetes e doen\u00e7as vasculares e tamb\u00e9m para v\u00e1rios c\u00e2nceres\u201d, diz o oncologista.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o oncologista, o agente b\u00e1sico de sa\u00fade alcan\u00e7a essa popula\u00e7\u00e3o mais desfavorecida porque tem uma linguagem que \u00e9 f\u00e1cil de ser entendida, menos rebuscada do que a dos m\u00e9dicos, e conseguem ter uma capilaridade incr\u00edvel no Brasil inteiro. \u201cEles podem falar de muitas coisas e contribuir para reduzir o risco de determinados tipos de c\u00e2ncer.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>As medidas de preven\u00e7\u00e3o para os tipos de c\u00e2ncer mais prevalentes em adultos s\u00e3o, de modo geral, relacionadas ao controle dos principais fatores de risco, como tabagismo, consumo excessivo de \u00e1lcool, alimenta\u00e7\u00e3o inadequada e obesidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais escolaridade e aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria \u00e0 sa\u00fade podem melhorar quadro Mais da metade das mortes por tumores no Brasil (55%) ocorre entre pessoas com baixa escolaridade e baixa renda, revela estudo do&nbsp;Observat\u00f3rio de Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria da Umane, com base no \u00faltimo levantamento do Sistema de Informa\u00e7\u00e3o sobre Mortalidade (SIM) do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade de 2020. 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