{"id":12337,"date":"2023-03-19T15:29:07","date_gmt":"2023-03-19T18:29:07","guid":{"rendered":"https:\/\/imais.online\/portal\/?p=12337"},"modified":"2023-03-19T15:29:10","modified_gmt":"2023-03-19T18:29:10","slug":"epidemia-da-solidao-por-que-afinal-todo-mundo-se-sente-sozinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imais.online\/portal\/epidemia-da-solidao-por-que-afinal-todo-mundo-se-sente-sozinho\/","title":{"rendered":"Epidemia da solid\u00e3o: por que, afinal, todo mundo se sente sozinho?"},"content":{"rendered":"<div class=\"imais-before-content-placement\" id=\"imais-719927424\"><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8787528412751566\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display:block;\" data-ad-client=\"ca-pub-8787528412751566\" \ndata-ad-slot=\"\" \ndata-ad-format=\"auto\"><\/ins>\n<script> \n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); \n<\/script>\n<\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">No Brasil, metade da popula\u00e7\u00e3o se sente solit\u00e1ria, e a mesma sensa\u00e7\u00e3o cresce em outras partes do mundo. Especialistas avaliam como podemos repensar nossas rela\u00e7\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p>Os \u00faltimos anos t\u00eam sido barra-pesada para mim.\u00a0Isolamento social\u00a0causado pela pandemia de\u00a0Covid-19, mortes na fam\u00edlia e solavancos feios na minha\u00a0vida profissional,\u00a0pessoal e financeira, somados \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de apocalipse global trazida pelo notici\u00e1rio, me abalaram a ponto de ter, n\u00e3o muito tempo atr\u00e1s, a pior\u00a0crise depressiva\u00a0que j\u00e1 enfrentei.<\/p>\n\n\n\n<p>Nenhuma das pessoas que eu considerava minhas amigas me ligou para saber se eu estava bem ou precisava de alguma coisa, embora elas soubessem da minha situa\u00e7\u00e3o. Trocar\u00a0mensagens de texto\u00a0foi insuficiente para me sentir apoiado no pior momento da minha vida. Eu queria desaparecer. Nunca me senti t\u00e3o sozinho quanto nesse per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>A ironia \u00e9 que eu n\u00e3o estava sozinho. Metade dos brasileiros tamb\u00e9m se sentiram solit\u00e1rios na pandemia, segundo o levantamento\u00a0<em>Perceptions of the Impact of Covid-19,<\/em>\u00a0da Ipsos, empresa especialista em pesquisas de mercado. Ainda de acordo com o relat\u00f3rio, 52% dos mil entrevistados perceberam que o sentimento havia se intensificado nos seis meses anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses dados colocam o Brasil em primeiro lugar num ranking de 28 pa\u00edses analisados pela Ipsos na pesquisa. Na sequ\u00eancia v\u00eam\u00a0Turquia\u00a0(com 46% se sentindo sozinhos) e\u00a0\u00cdndia\u00a0(com 43% da popula\u00e7\u00e3o alegando ser solit\u00e1ria). A m\u00e9dia global foi de 33%.<\/p>\n\n\n\n<p>Pode parecer natural se sentir s\u00f3 em um momento t\u00e3o esquisito quanto esse, no qual passamos a sair bem menos de casa e nossas intera\u00e7\u00f5es sociais se restringiram em grande parte ao online. No entanto, mesmo antes da Covid-19, a chamada \u201cepidemia da solid\u00e3o\u201d j\u00e1 vinha gerando preocupa\u00e7\u00f5es em escala global. Em 2018, a ent\u00e3o primeira-ministra do\u00a0Reino Unido, a conservadora Theresa May, referiu-se \u00e0 crise como \u201cuma triste realidade da\u00a0vida moderna\u201d \u2014 e decidiu tomar medidas pr\u00e1ticas, inaugurando o \u201cminist\u00e9rio da solid\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A premi\u00ea incumbiu a Tracey Crouch, ent\u00e3o ministra do esporte e da sociedade civil, a lideran\u00e7a da Comiss\u00e3o Jo Cox sobre a Solid\u00e3o, ligada \u00e0 Jo Cox Foundation. A \u201cpasta\u201d durou apenas um ano, mas gerou efeitos positivos. Por meio de\u00a0um estudo, ela identificou que 9 milh\u00f5es de habitantes do\u00a0Reino Unido\u00a0declaravam se\u00a0sentir sozinhos\u00a0sempre ou frequentemente. Cerca de 200 mil idosos disseram n\u00e3o ter conversado com um amigo ou familiar em mais de um m\u00eas, e 85% das pessoas com\u00a0defici\u00eancia\u00a0entre 18 e 34 anos alegaram se sentir solit\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio atestou que\u00a0empresas privadas,\u00a0l\u00edderes comunit\u00e1rios, grupos de volunt\u00e1rios e cidad\u00e3os em geral tinham de apoiar o\u00a0Estado\u00a0no combate \u00e0 solid\u00e3o. A quantia de 1,8 milh\u00e3o de libras esterlinas (aproximadamente R$ 11,4 milh\u00f5es) foi distribu\u00edda em iniciativas em prol desses indiv\u00edduos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outros pa\u00edses, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o diferente. Nos Estados Unidos, uma\u00a0pesquisa da Escola de Sa\u00fade P\u00fablica Mailman, da Universidade Columbia, constatou que, em 2019, 61% do p\u00fablico acima de 18 anos se declararam\u00a0solit\u00e1rios\u00a0\u2014 uma alta de 50 pontos percentuais em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 d\u00e9cada de 1970.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o levantamento\u00a0<em>International Survey of Youth Attitude<\/em>, de 2018, mostra que, entre os japoneses de 13 a 29 anos, 19,9% reconhecem \u201cn\u00e3o ter ningu\u00e9m para conversar\u201d sobre problemas e preocupa\u00e7\u00f5es. Na investiga\u00e7\u00e3o, feita pelo governo japon\u00eas e pela Funda\u00e7\u00e3o de Comunica\u00e7\u00f5es Nippon, o pa\u00eds ficou \u00e0 frente da\u00a0Coreia do Sul\u00a0(12,2%), da Fran\u00e7a (10,8%), da Alemanha (8,8%) e da Su\u00e9cia (6,9%).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 comum ver o conceito de solid\u00e3o definido de acordo com o que propuseram os pesquisadores estadunidenses Letitia Anne Peplau e Daniel Perlman no artigo\u00a0<em>Toward a Social Psychology of Loneliness<\/em>\u00a0(\u201cPara uma Psicologia Social da Solid\u00e3o\u201d, em livre tradu\u00e7\u00e3o), de 1981. A dupla determinou o termo como uma\u00a0sensa\u00e7\u00e3o subjetiva\u00a0e desconfort\u00e1vel que resulta das defici\u00eancias que percebemos em nossas rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o psiquiatra Thyago Antonelli Salgado, que estudou o tema em\u00a0seu mestrado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), existem dois tipos de solid\u00e3o: a tempor\u00e1ria e a\u00a0cr\u00f4nica. Se voc\u00ea se muda para uma cidade na qual n\u00e3o tem amigos ou fam\u00edlia, provavelmente se sentir\u00e1 sozinho. \u201cNesse contexto, ela n\u00e3o \u00e9 ruim, e sim\u00a0adaptativa\u00a0e necess\u00e1ria\u201d, avalia Salgado. \u201cSe voc\u00ea n\u00e3o se sentisse s\u00f3, talvez n\u00e3o desenvolvesse boas rela\u00e7\u00f5es que propiciem uma vida mais colorida.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA solid\u00e3o est\u00e1 associada a uma frustra\u00e7\u00e3o de pertencimento e se sentir \u00fatil, que s\u00e3o necessidades para estarmos bem\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Thyago Antonelli Salgado, psiquiatra e mestre pela UFRGS<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o segundo tipo \u00e9 mais preocupante. Assim como doen\u00e7as e\u00a0transtornos mentais, ele \u00e9 multifatorial, o que pode incluir at\u00e9 gen\u00e9tica, al\u00e9m das dificuldades de conex\u00e3o t\u00edpicas de quadros de\u00a0depress\u00e3o\u00a0e\u00a0ansiedade, por exemplo. Nesses casos \u00e9 poss\u00edvel que haja at\u00e9 mesmo mudan\u00e7as cognitivas, como o desenvolvimento de hipervigil\u00e2ncia a\u00a0amea\u00e7as sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 como se essas pessoas imaginassem que, ao se relacionarem com algu\u00e9m, algo vai dar errado, mesmo quando essa amea\u00e7a n\u00e3o existe de fato\u201d, ilustra o m\u00e9dico. \u201cSe algo negativo acontece, ocorre tamb\u00e9m a confirma\u00e7\u00e3o de um vi\u00e9s. \u00c9 um ciclo que tem\u00a0repercuss\u00f5es biol\u00f3gicas, pois nosso organismo n\u00e3o suporta o\u00a0estresse cont\u00ednuo. O processo ativa mecanismos neurobiol\u00f3gicos que nos deixam mais propensos a ter um aumento da morbidade e at\u00e9 da mortalidade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com uma an\u00e1lise de 2010 publicada pela Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA, realizada em 148 pa\u00edses, h\u00e1 50% de chance de sobreviv\u00eancia quando o indiv\u00edduo percebe ter\u00a0rela\u00e7\u00f5es sociais fortes. \u201cA solid\u00e3o est\u00e1 associada a uma frustra\u00e7\u00e3o de pertencimento e se sentir \u00fatil, que s\u00e3o necessidades para o ser humano estar bem\u201d, resume o\u00a0psiquiatra mestre\u00a0pela UFRGS. \u201cSe elas n\u00e3o s\u00e3o atendidas, ele pode pensar que a vida n\u00e3o tem sentido e se sente desesperan\u00e7ado sobre as coisas mudarem para melhor.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Como destaca Salgado, os efeitos da solid\u00e3o n\u00e3o se restringem aos\u00a0impactos psicol\u00f3gicos. Os danos f\u00edsicos \u00e0 sa\u00fade tamb\u00e9m preocupam \u2014 ela pode ser t\u00e3o letal quanto fumar 15\u00a0cigarros\u00a0por dia, afirmam especialistas da Universidade Harvard, nos EUA, em um artigo publicado\u00a0no jornal americano\u00a0<em>Boston Globe<\/em>. No texto, eles defendem que o tema deve ser prioridade dos governos, equiparando-o \u00e0 obesidade, \u00e0\u00a0depend\u00eancia qu\u00edmica\u00a0e ao\u00a0sedentarismo.<\/p>\n\n\n\n<p>A solid\u00e3o tamb\u00e9m pode aumentar em 40% o risco de desenvolver\u00a0dem\u00eancia, de acordo com estudo publicado no\u00a0<em>Journals of Gerontology<\/em>\u00a0em 2018. J\u00e1\u00a0segundo a Associa\u00e7\u00e3o Americana do Cora\u00e7\u00e3o, a solid\u00e3o aumenta em 30% a probabilidade de sofrer ataque card\u00edaco e AVC. Como cravou Theresa May, estamos diante de uma crise.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Desde que o mundo \u00e9 mundo<\/h2>\n\n\n\n<p>A solid\u00e3o acompanha a humanidade desde sempre. A depender da \u00e9poca, por\u00e9m, ela foi considerada uma\u00a0b\u00ean\u00e7\u00e3o\u00a0ou uma maldi\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma b\u00ean\u00e7\u00e3o para aqueles que buscam a introspec\u00e7\u00e3o e uma maldi\u00e7\u00e3o para os \u201cabandonados, incompreendidos,\u00a0exclu\u00eddos\u201d, escreve o historiador franc\u00eas Georges Minois, no livro Hist\u00f3ria da Solid\u00e3o e dos Solit\u00e1rios (Editora Unesp, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Isolar-se ou ser isolado \u00e9 visto como um comportamento desviante da norma desde a Antiguidade. Veja bem: na B\u00edblia, Deus criou Eva para\u00a0Ad\u00e3o\u00a0n\u00e3o ficar sozinho. Cinco s\u00e9culos antes de Jesus Cristo nascer, a filosofia\u00a0greco-romana\u00a0j\u00e1 defendia o conv\u00edvio social. Arist\u00f3teles,\u00a0fil\u00f3sofo grego\u00a0cuja obra \u00e9 crucial para o pensamento ocidental, afirmava que o homem \u00e9 um sujeito social. Em seus escritos sobre\u00a0pol\u00edtica, ele dizia que a solid\u00e3o n\u00e3o \u00e9 humana, pois quem vive desse modo seria um \u201cmonstro\u201d ou um \u201cdeus\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No decorrer da\u00a0Idade M\u00e9dia, a percep\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi diferente \u2014 a n\u00e3o ser entre intelectuais, visto que a leitura \u00e9 uma atividade que, a priori, praticamos no isolamento. Minois analisa que, no s\u00e9culo 18, a caixa de pandora foi aberta com a\u00a0Revolu\u00e7\u00e3o Francesa. A\u00a0Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos do Homem e do Cidad\u00e3o, de 1789, enfatiza a autonomia individual para os cidad\u00e3os frente \u00e0s normas de costumes impostas pela\u00a0Igreja\u00a0e pelo Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>A inspira\u00e7\u00e3o\u00a0iluminista\u00a0da Constitui\u00e7\u00e3o de 1791 da Fran\u00e7a, por exemplo, tornou o casamento um\u00a0contrato civil\u00a0que, assim como qualquer outro, poderia sofrer ajustes \u2014 e, \u00e9 claro, ser encerrado. O\u00a0div\u00f3rcio\u00a0passou a ser resguardado pela lei. Os\u00a0burgueses, por sua vez, pediam privacidade na vida \u00edntima e nos contratos.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa distin\u00e7\u00e3o era vista como uma qualidade na nova cultura em forma\u00e7\u00e3o \u2014 e o individualismo, como uma necessidade moderna, o que deu a t\u00f4nica ao desenrolar dos s\u00e9culos seguintes. Ap\u00f3s a\u00a0Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, no in\u00edcio do s\u00e9culo 19, o liberalismo passou a atestar que o\u00a0Estado\u00a0n\u00e3o deveria meter o\u00a0nariz\u00a0onde n\u00e3o foi chamado, isto \u00e9, na soberania da vida \u00edntima das pessoas \u2014 e que todos temos direito ao trabalho, \u00e0\u00a0propriedade privada\u00a0e ao ac\u00famulo de riquezas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO neoliberalismo mudou a forma de pensarmos sobre n\u00f3s mesmos e nossas responsabilidades uns em rela\u00e7\u00e3o aos outros\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Noreena Hertz, economista e autora de O S\u00e9culo da Solid\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Mas havia quem discordasse. Com esp\u00edrito rebelde, alguns fil\u00f3sofos europeus decidiram contrariar a \u201ctirania do interesse geral\u201d. Ren\u00e9 de La Tour du Pin chamou a cultura liberal de \u201cdoutrina negativa do la\u00e7o social\u201d, e o papa Le\u00e3o 13 excomungou o individualismo\u00a0econ\u00f4mico\u00a0e social. F\u00e9licit\u00e9 de La Mennais,\u00a0padre\u00a0e\u00a0te\u00f3rico pol\u00edtico, afirmou que \u201co homem est\u00e1 s\u00f3\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a contrapress\u00e3o a esse movimento n\u00e3o se tornou t\u00e3o forte quanto o que buscava recha\u00e7ar \u2014 o\u00a0individualismo\u00a0j\u00e1 estava consolidado como um s\u00edmbolo da\u00a0vida burguesa. A figura do solit\u00e1rio, segundo Minois, mudou de enigma antissocial a her\u00f3i da\u00a0liberdade individual. Assumindo as pr\u00f3prias responsabilidades, o homem \u00e9 livre na teoria \u2014 e, na pr\u00e1tica, solit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Os alem\u00e3es\u00a0Karl Marx\u00a0e\u00a0Friedrich Engels\u00a0condenam essa vis\u00e3o em Manifesto do\u00a0Partido Comunista, publicado em 1848. Eles consideravam que a m\u00e3o de obra da\u00a0classe oper\u00e1ria\u00a0estava sendo explorada pelos patr\u00f5es e donos dos\u00a0meios de produ\u00e7\u00e3o. A dupla defendia uma sociedade estruturada no coletivismo, e n\u00e3o no conceito do eu autocentrado que, segundo\u00a0Marx, \u00e9 ego\u00edsta e burgu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>A classe oper\u00e1ria, no entanto, a princ\u00edpio deu de ombros: ela estava mais interessada na nova prosperidade poss\u00edvel da \u00e9poca. O aumento da expectativa de vida abria caminho para\u00a0velhos\u00a0viverem sozinhos com suas pens\u00f5es. A popula\u00e7\u00e3o\u00a0carcer\u00e1ria, por sua vez, crescia expressivamente, fazendo das pris\u00f5es os poucos lugares sem isolamento, dado o fato de que celas individuais passaram a ser raras.<\/p>\n\n\n\n<p>Na\u00a0Fran\u00e7a\u00a0de 1860, 1,13 milh\u00e3o de pessoas viviam em isolamento volunt\u00e1rio ou involunt\u00e1rio, entre prisioneiros, pensionistas, monges e religiosos. Em toda a Europa, a predomin\u00e2ncia era de um sentimento de profunda solid\u00e3o, o que Minois associa em seu livro ao aumento no n\u00famero de\u00a0suic\u00eddios\u00a0no s\u00e9culo 19. Na Fran\u00e7a, saltou de 2.814 em 1841 para 5.114 em 1869. Na\u00a0Pr\u00fassia, considerando os mesmos anos, escalou de 1.630 a 3.544; na\u00a0Dinamarca, de 337 para 462. A\u00a0Inglaterra\u00a0tamb\u00e9m registrou crescimento: em 1857, foram 1.349 casos, ao passo que em 1869 chegaram a 1.588.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos s\u00e9culos 20 e 21, a solid\u00e3o se tornou uma patologia, analisa Minois. A\u00a0independ\u00eancia\u00a0conquistada pelas mulheres abalou a tradi\u00e7\u00e3o do casamento. A diversidade contempor\u00e2nea de formas de se\u00a0relacionar sexual\u00a0e afetivamente, em rompimento com\u00a0conven\u00e7\u00f5es sociais\u00a0estritas, dificultou o poss\u00edvel encontro com um parceiro com o qual se possa desenvolver um relacionamento profundo e duradouro.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem contar as\u00a0redes sociais. Para o historiador franc\u00eas, a exibi\u00e7\u00e3o do eu \u00e9 t\u00e3o expl\u00edcita que a comunica\u00e7\u00e3o prometida pelo Instagram e pelo Twitter, por exemplo, tem o efeito reverso. \u201cUma verdadeira sociabilidade requer\u00a0regras\u00a0e barreiras, que delimitam o indiv\u00edduo, lhe d\u00e3o uma personalidade, uma consist\u00eancia e uma necess\u00e1ria parte de mist\u00e9rio\u201d, ele escreve. Em resumo, nos escancaramos tanto que acabamos sendo indiferentes uns aos outros. A desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica e \u00e0s institui\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m colabora com o nosso ref\u00fagio para a\u00a0esfera privada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cada um por si<\/h2>\n\n\n\n<p>No livro\u00a0<em>O S\u00e9culo da Solid\u00e3o<\/em>\u00a0(Record, 2021), a economista brit\u00e2nica Noreena Hertz associa o aumento da sensa\u00e7\u00e3o de solid\u00e3o ao\u00a0neoliberalismo. Essa \u00e9 uma ideologia popularizada nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980 que prop\u00f5e a interven\u00e7\u00e3o estatal m\u00ednima na\u00a0economia, o consumo a todo vapor, a privatiza\u00e7\u00e3o de\u00a0empresas p\u00fablicas\u00a0e a ideia de que indiv\u00edduos s\u00e3o respons\u00e1veis por seu destino, entre outros pontos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO neoliberalismo mudou a forma de pensarmos sobre n\u00f3s mesmos e nossas\u00a0responsabilidades\u00a0uns em rela\u00e7\u00e3o aos outros\u201d, explica Hertz, em entrevista a GALILEU. A ideia predominante \u00e9 \u201cpense apenas em si mesmo\u201d. Como disse o personagem de\u00a0Michael Douglas\u00a0no filme\u00a0<em>Wall Street \u2014 Poder e Cobi\u00e7a<\/em>\u00a0(1987), \u201ca gan\u00e2ncia \u00e9 boa\u201d. A fala, vinda de um investidor de megacorpora\u00e7\u00f5es na trama, tornou-se s\u00edmbolo dos valores daquela d\u00e9cada, a mesma em que\u00a0ricos\u00a0passaram a ser celebridades.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, em vez de a\u00a0riqueza\u00a0escoar pela sociedade, ela se acumulou nas m\u00e3os de pouqu\u00edssimos, e o mundo ficou radicalmente mais desigual. Com a\u00a0crise econ\u00f4mica\u00a0de 2008, o neoliberalismo perdeu credibilidade quando o mercado precisou recorrer ao Estado para pedir investimentos e tentar se recuperar. E, durante a atual pandemia de\u00a0Covid-19, vimos que diversos governos tamb\u00e9m intervieram ao distribuir renda para os\u00a0cidad\u00e3os\u00a0\u2014 nossos boletos, afinal, precisam ser pagos.<\/p>\n\n\n\n<p>O empobrecimento causado pela crise da \u00faltima d\u00e9cada, somado ao\u00a0enfraquecimento\u00a0dos sindicatos, \u00e0 automatiza\u00e7\u00e3o e ao sucateamento do estado de\u00a0bem-estar social,\u00a0abriu as portas para o not\u00e1vel crescimento dos populistas da\u00a0direita radical, que temos visto ser eleitos mundo afora. \u201cSeja no Brasil, nos EUA ou em qualquer outro pa\u00eds, o que um populista faz, \u00e0 direita ou \u00e0 esquerda, \u00e9 dizer ao\u00a0povo: \u2018eu te vejo, eu te escuto\u2019\u201d, analisa Hertz. \u201cEles d\u00e3o \u00e0s pessoas a sensa\u00e7\u00e3o de comunidade em com\u00edcios, refor\u00e7ando e ampliando um sentimento de tribalismo que tamb\u00e9m teve apoio de quem sentia precisar de pertencimento.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>No livro\u00a0<em>As Origens do Totalitarismo<\/em>\u00a0(1951), a pensadora alem\u00e3\u00a0Hannah Arendt\u00a0j\u00e1 havia defendido que esse tipo de discurso aos solit\u00e1rios foi o mesmo que ajudou o\u00a0nazifascismo\u00a0a crescer na Alemanha dos anos 1930, economicamente arrasada ap\u00f3s a\u00a0Primeira Guerra.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Solid\u00e3o em rede<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m de\u00a0capital eleitoral, a solid\u00e3o tem sido tratada como neg\u00f3cio. Gabriela, Erick e Natane s\u00e3o apenas tr\u00eas exemplos de brasileiros dispon\u00edveis para ser sua companhia pelo servi\u00e7o Rent A Friend. Sim, conforme voc\u00ea j\u00e1 deve ter especulado, a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 alugar pessoas para passarem tempo com voc\u00ea. Segundo o site da empresa, a maioria cobra US$ 10 por hora para conversar presencialmente ou \u00e0 dist\u00e2ncia, por\u00a0videochamadas\u00a0ou telefonemas. O sistema sugere o\u00a0aluguel\u00a0de \u201camigos\u201d para servir de companhia em idas \u00e0\u00a0academia\u00a0(\u201cpode ser bem mais barato que contratar um\u00a0personal trainer\u201d) ou mesmo eventos como festas de casamento e anivers\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Achou al\u00e9m da conta? Caso voc\u00ea n\u00e3o se importe em conversar com uma\u00a0intelig\u00eancia artificial\u00a0(IA), o aplicativo Replika pode ajudar. Sucesso durante o isolamento social na\u00a0pandemia, ele j\u00e1 foi baixado por mais de 1,5 milh\u00e3o de brasileiros \u2014 no mundo, mais de 15 milh\u00f5es de pessoas o utilizaram. Uma das vantagens oferecidas \u00e9 a disponibilidade de 24 horas e sete dias por semana do servi\u00e7o. \u00c9 poss\u00edvel que a IA seja sua amiga, mentora ou at\u00e9\u00a0parceira rom\u00e2ntica.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, se a tecnologia pode ser \u201caliada\u201d, ela tamb\u00e9m pode ser inimiga. As\u00a0redes sociais\u00a0favorecem a sensa\u00e7\u00e3o de solid\u00e3o, por mais contradit\u00f3rio que isso possa parecer. Uma pesquisa de 2017 publicada no\u00a0<em>American Journal of Preventive Medicine<\/em>\u00a0revelou que, entre 2 mil adultos estadunidenses<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/sociedade\/comportamento\/noticia\/2023\/03\/atacar-obras-de-arte-em-defesa-do-planeta-virou-moda-mas-funciona.ghtml\">\u00a0<\/a>de 19 a 32 anos, usar as redes por mais de duas horas di\u00e1rias dobrou o risco de se sentir isolado, alimentando o sentimento de exclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, os\u00a0jovens brasileiros\u00a0tamb\u00e9m preocupam. O educador Hugo Monteiro Ferreira, l\u00edder do Grupo de Estudos da Transdisciplinaridade, da Inf\u00e2ncia e da Juventude (GETIJ), vinculado \u00e0 Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), tem olhado de perto para esse grupo. Segundo o autor de A Gera\u00e7\u00e3o do Quarto (Record, 2022), brasileiros de 11 a\u00a018 anos,\u00a0muitos deles com o emocional fr\u00e1gil, passam em m\u00e9dia\u00a0seis horas\u00a0por dia isolados no quarto e em frente a telas.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de um p\u00fablico atravessado pelas\u00a0m\u00eddias sociais, destaca Ferreira. \u201cNa\u00a0sociedade contempor\u00e2nea\u00a0voc\u00ea tem uma dificuldade muito grande de desenvolver rela\u00e7\u00f5es profundas. Prefere-se as rela\u00e7\u00f5es mais r\u00e1pidas e\u00a0org\u00e1sticas. \u00c9 a sociedade da rapidez, voltada ao \u2018eu\u2019, o que acoberta muito medo de frustra\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/LrtjORvnbirAkeFAU1FfVNVwRPk=\/0x0:700x850\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542\/internal_photos\/bs\/2023\/I\/i\/VrnwS2TEycjPKIdiEWtw\/imgs-site-3712.jpg\" alt=\"Nos s\u00e9culos 20 e 21, a solid\u00e3o se tornou uma patologia, analisa Minois. \u2014 Foto: Daniel Almeida\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Nos s\u00e9culos 20 e 21, a solid\u00e3o se tornou uma patologia, analisa Minois. \u2014 Foto: Daniel Almeida<\/p>\n\n\n\n<p>Os \u00faltimos dois anos foram especialmente cru\u00e9is aos\u00a0adolescentes, bruscamente tirados do dia a dia na escola para dar continuidade aos estudos em casa. No entanto, segundo o especialista pernambucano, o\u00a0lar\u00a0n\u00e3o foi necessariamente acolhedor para muitos da \u201cgera\u00e7\u00e3o do quarto\u201d. \u201cEles buscaram um mundo na internet que respondesse \u00e0s suas\u00a0inquieta\u00e7\u00f5es\u201d, resume Hugo Ferreira.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Encontros e desencontros<\/h2>\n\n\n\n<p>O cen\u00e1rio preocupa, mas existem caminhos para melhor\u00e1-lo. Em\u00a0<em>A Hist\u00f3ria da Solid\u00e3o<\/em>, Minois afirma que se trata de um \u201cerro fundamental\u201d querer eliminar a solid\u00e3o para tentar fazer a tristeza desaparecer. Para ele, sentir-se solit\u00e1rio \u00e9 uma\u00a0dimens\u00e3o essencial\u00a0e \u00fatil para o ser humano encontrar a si mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante tamb\u00e9m nos lembrarmos da diferen\u00e7a entre\u00a0solid\u00e3o\u00a0e solitude. Se a primeira implica desconforto, a segunda se refere a momentos em que estamos sozinhos, mas sem sofrer por isso, seja para\u00a0trabalhar, descansar ou ler um livro. Experi\u00eancias assim nos ajudam a nos conectarmos com n\u00f3s mesmos e a recarregar as\u00a0baterias.<\/p>\n\n\n\n<p>O psicanalista Lucas Liedke, analista de tend\u00eancias de\u00a0cultura\u00a0e\u00a0comportamento, se diz contr\u00e1rio ao uso do nome \u201cepidemia da solid\u00e3o\u201d, pois ele refor\u00e7a o estigma de que se trata de um mal a ser eliminado a todo custo.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 sobre\u00a0Instagram, Twitter,\u00a0TikTok\u00a0e afins, ele acredita que o melhor termo para se referir a essas plataformas \u00e9 \u201cm\u00eddias sociais\u201d, e n\u00e3o \u201credes\u201d. \u201cA gente n\u00e3o se coloca nelas como uma comunidade, mas como competidores pela aten\u00e7\u00e3o do outro\u201d, considera Liedke.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente n\u00e3o se coloca nelas [m\u00eddias sociais] como comunidade, mas como competidores pela aten\u00e7\u00e3o do outro\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Lucas Liedke, psicanalista e analista de tend\u00eancias de cultura e comportamento<\/p>\n\n\n\n<p>Combater a solid\u00e3o buscando mais conex\u00f5es talvez n\u00e3o seja o\u00a0ponto central\u00a0nessa discuss\u00e3o. \u201cA gente combate esse\u00a0mal-estar\u00a0buscando lidar melhor com a gente mesmo. \u00c9 necess\u00e1rio enfrentar esses momentos sem que isso gere\u00a0vergonha\u00a0por voc\u00ea n\u00e3o estar performando socialmente\u201d, enfatiza o psicanalista. \u201cO discurso da independ\u00eancia, do empoderamento do\u00a0ego, que h\u00e1 quase duas d\u00e9cadas tem se apresentado com for\u00e7a na nossa\u00a0cultura, \u00e9 problem\u00e1tico, pois somos seres sociais e n\u00e3o tem como fugir disso. \u00c9 da nossa constitui\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Noreena Hertz compara as redes sociais \u00e0 ind\u00fastria do\u00a0tabaco\u00a0no s\u00e9culo 20. Para a economista, elas precisam ser reguladas \u2014 seja por causa pelas\u00a0bolhas\u00a0formadas por algoritmos, seja pela sensa\u00e7\u00e3o de solid\u00e3o que podem nos trazer.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela comemora a discuss\u00e3o levantada pelo projeto de lei Online Safety Bill, ao parlamento do Reino Unido. O texto prop\u00f5e que diretores de empresas de\u00a0redes sociais\u00a0sejam criminalmente respons\u00e1veis como pessoas f\u00edsicas, caso haja conte\u00fados que possam causar danos psicol\u00f3gicos aos usu\u00e1rios, a exemplo de postagens com imagens de menores se autoflagelando.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 projetos de\u00a0arquitetura\u00a0e urbanismo podem melhorar as rela\u00e7\u00f5es. Hertz menciona uma iniciativa da cidade de\u00a0Chicago, nos EUA, em que habita\u00e7\u00f5es sociais t\u00eam sido constru\u00eddas com unidades da biblioteca p\u00fablica no\u00a0andar t\u00e9rreo\u00a0apenas para que os residentes e moradores da vizinhan\u00e7a tenham onde se encontrar e interagir uns com os outros.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs bibliotecas p\u00fablicas t\u00eam um grande papel como \u2018\u00e2ncoras\u2019 do conv\u00edvio comunit\u00e1rio, aproximando pessoas de diferentes grupos\u00a0socioecon\u00f4micos\u201d, conta a brit\u00e2nica, que faz sugest\u00f5es ao Brasil. \u201cAs bibliotecas p\u00fablicas brasileiras t\u00eam sofrido um desmonte e um novo\u00a0governo\u00a0assumiu o pa\u00eds, ent\u00e3o \u00e9 um momento inspirador para pensar em solu\u00e7\u00f5es e reconhecer que emo\u00e7\u00f5es e\u00a0economia\u00a0se influenciam mutuamente.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A especialista tamb\u00e9m d\u00e1 dicas para quem busca sa\u00eddas mais pr\u00e1ticas. Em vez de pedir\u00a0comida pelo aplicativo, por exemplo, v\u00e1 ao\u00a0restaurante. Se poss\u00edvel, v\u00e1 a uma aula de ioga ao inv\u00e9s de faz\u00ea-la online. Intera\u00e7\u00f5es pelo celular simplesmente n\u00e3o t\u00eam a mesma qualidade que aquelas cara a cara.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto a mim, estou tocando a vida. Tenho tido conversas profundas com minha\u00a0psicanalista\u00a0sobre meus relacionamentos; estou tentando ter uma dimens\u00e3o da minha\u00a0responsabilidade\u00a0na fragilidade deles. Se voc\u00ea estiver se sentindo sozinho e ler esta reportagem, espero que agora esteja um pouco menos s\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte Revista Galileu<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil, metade da popula\u00e7\u00e3o se sente solit\u00e1ria, e a mesma sensa\u00e7\u00e3o cresce em outras partes do mundo. Especialistas avaliam como podemos repensar nossas rela\u00e7\u00f5es Os \u00faltimos anos t\u00eam sido barra-pesada para mim.\u00a0Isolamento social\u00a0causado pela pandemia de\u00a0Covid-19, mortes na fam\u00edlia e solavancos feios na minha\u00a0vida profissional,\u00a0pessoal e financeira, somados \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de apocalipse global trazida [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":12338,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"rop_custom_images_group":[],"rop_custom_messages_group":[],"rop_publish_now":"initial","rop_publish_now_accounts":[],"rop_publish_now_history":[],"rop_publish_now_status":"pending","footnotes":""},"categories":[205],"tags":[],"class_list":["post-12337","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12337","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12337"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12337\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12339,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12337\/revisions\/12339"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12338"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12337"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12337"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12337"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}