{"id":17068,"date":"2023-08-01T07:03:48","date_gmt":"2023-08-01T10:03:48","guid":{"rendered":"https:\/\/imais.online\/portal\/?p=17068"},"modified":"2023-08-01T07:06:41","modified_gmt":"2023-08-01T10:06:41","slug":"dna-revela-que-habitante-de-sp-ha-10-mil-anos-era-amerindio-como-os-indigenas-atuais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imais.online\/portal\/dna-revela-que-habitante-de-sp-ha-10-mil-anos-era-amerindio-como-os-indigenas-atuais\/","title":{"rendered":"DNA revela que habitante de SP h\u00e1 10 mil anos era amer\u00edndio, como os ind\u00edgenas atuais"},"content":{"rendered":"<div class=\"imais-before-content-placement\" id=\"imais-762995835\"><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8787528412751566\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display:block;\" data-ad-client=\"ca-pub-8787528412751566\" \ndata-ad-slot=\"\" \ndata-ad-format=\"auto\"><\/ins>\n<script> \n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); \n<\/script>\n<\/div>\n<p class=\"has-text-align-center\">Pesquisadores acreditavam que pudesse pertencer a uma popula\u00e7\u00e3o biologicamente diferente destes ind\u00edgenas, teoria foi refutada pelo estudo<\/p>\n\n\n\n<p>Estudo&nbsp;divulgado&nbsp;nesta segunda-feira (31\/07) na revista&nbsp;<em>Nature Ecology &amp; Evolution<\/em>&nbsp;revela que Luzio, o esqueleto humano mais antigo identificado no Estado de S\u00e3o Paulo, descende da mesma popula\u00e7\u00e3o ancestral que povoou a Am\u00e9rica h\u00e1 16 mil anos e deu origem a todas as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas atuais, como os tupi. A pesquisa, que compilou o maior conjunto de dados gen\u00f4micos arqueol\u00f3gicos brasileiros, ajuda ainda a desvendar como desapareceram as comunidades mais antigas do litoral, respons\u00e1veis pela constru\u00e7\u00e3o dos sambaquis \u2013 enormes montes de conchas e ossos de peixes intencionalmente erguidos na costa brasileira e usados como habita\u00e7\u00f5es, cemit\u00e9rios e demarca\u00e7\u00e3o territorial, que s\u00e3o \u00edcones da arqueologia nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDepois das civiliza\u00e7\u00f5es andinas, os sambaquis da costa atl\u00e2ntica brasileira s\u00e3o o fen\u00f4meno humano de maior densidade demogr\u00e1fica da Am\u00e9rica do Sul pr\u00e9-colonial\u201d, afirma&nbsp;Andr\u00e9 Menezes Strauss, arque\u00f3logo do&nbsp;<a href=\"https:\/\/mae.usp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE)<\/a>&nbsp;da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e pesquisador s\u00eanior do estudo, cujo primeiro autor \u00e9 o pesquisador&nbsp;Tiago Ferraz. \u201cEles foram os \u2018reis da costa\u2019 por milhares e milhares de anos e sumiram de forma repentina h\u00e1 cerca de 2 mil anos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo, que contou com apoio da FAPESP &nbsp;e a colabora\u00e7\u00e3o de pesquisadores do Senckenberg Centre for Hu-man Evolution and Palaeoenvironment da Universidade de T\u00fcbingen (Alemanha), baseou-se na extra\u00e7\u00e3o do genoma de 34 amostras de quatro regi\u00f5es diferentes da costa leste do Brasil, com at\u00e9 10 mil anos de idade, entre sambaquis e outros f\u00f3sseis dos s\u00edtios Cabe\u00e7uda, Capelinha, Cubat\u00e3o, Lim\u00e3o, Jabuticabeira II, Palmeiras Xingu, Pedra do Alexandre e Vau Una.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre esse material est\u00e1 Luzio, o esqueleto mais antigo de S\u00e3o Paulo, encontrado no Vale do Rio Ribeira de Iguape pela equipe de&nbsp;Levy Figuti, professor do MAE-USP, no sambaqui ribeirinho Capelinha. Por sua morfologia craniana semelhante \u00e0 de Luzia (f\u00f3ssil humano mais antigo da Am\u00e9rica do Sul, com cerca de 13 mil anos), pesquisadores acreditavam que ele pudesse pertencer a uma popula\u00e7\u00e3o biologicamente diferente dos ind\u00edgenas atuais (amer\u00edndios), que teriam ocupado o Brasil h\u00e1 cerca de 14 mil anos. N\u00e3o \u00e9 o caso.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gen\u00e9tica mostra que Luzio \u00e9 um amer\u00edndio, assim como um tupi, um qu\u00e9chua ou um cherokee\u201d, afirma Strauss. \u201cIsso n\u00e3o quer dizer que sejam iguais, mas que, em uma perspectiva global, todos derivam de uma \u00fanica leva migrat\u00f3ria, que chegou \u00e0 Am\u00e9rica h\u00e1 n\u00e3o mais de 16 mil anos e, se houve uma outra popula\u00e7\u00e3o por aqui 30 mil anos atr\u00e1s, ela n\u00e3o deixou descendentes entre esses grupos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O DNA de Luzio esclareceu ainda uma outra d\u00favida: considerado um sambaqui fluvial, ele n\u00e3o \u00e9 semelhante aos exemplares da costa e, portanto, n\u00e3o pode ser considerado um ancestral direto dos grandes sambaquis cl\u00e1ssicos que apareceram na sequ\u00eancia. Essa descoberta indica que, desde muito cedo, houve duas movimenta\u00e7\u00f5es distintas, com um grupo pelo interior e outro, pela costa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que aconteceu com os povos sambaquieiros?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O material gen\u00e9tico extra\u00eddo revela comunidades diversas que, apesar de compartilharem semelhan\u00e7as culturais, n\u00e3o representavam uma \u00fanica popula\u00e7\u00e3o do ponto de vista biol\u00f3gico. Havia diferen\u00e7as principalmente entre os grupos da costa sul e da costa sudeste.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEstudos dos anos 2000 com morfologia craniana j\u00e1 indicavam uma diferen\u00e7a sutil entre essas comunidades e, agora, os dados gen\u00e9ticos trazem essa confirma\u00e7\u00e3o\u201d, diz Strauss. \u201cIdentificamos que uma das causas para isso \u00e9 o fato de essas popula\u00e7\u00f5es costeiras n\u00e3o estarem isoladas na costa, mas \u2018trocando genes\u2019 com outras do interior e, ao longo dos milhares de anos, esse processo deve ter contribu\u00eddo para as diferencia\u00e7\u00f5es regionais dos sambaquis.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o mist\u00e9rio do desaparecimento dessa civiliza\u00e7\u00e3o costeira, composta pelos primeiros ca\u00e7adores-coletores do Holoceno, as amostras de DNA s\u00e3o claras: ao contr\u00e1rio do que ocorreu no Neol\u00edtico europeu, quando houve um processo de substitui\u00e7\u00e3o populacional total, o que se viu por aqui foi uma mudan\u00e7a de pr\u00e1ticas, com o decl\u00ednio da constru\u00e7\u00e3o de sambaquis com conchas e a introdu\u00e7\u00e3o da cer\u00e2mica, entre os pr\u00f3prios sambaquieiros. Isso porque o material gen\u00e9tico encontrado no s\u00edtio mais emblem\u00e1tico da \u00e9poca, o Galheta IV, em Santa Catarina, que j\u00e1 n\u00e3o apresenta restos de conchas, mas de cer\u00e2mica, \u00e9 semelhante ao dos sambaquis cl\u00e1ssicos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssa informa\u00e7\u00e3o \u00e9 compat\u00edvel com um estudo de 2014, que analisou as cer\u00e2micas dos sambaquis e constatou que elas n\u00e3o eram usadas para cozinhar vegetais domesticados, mas peixe, ou seja, houve a apropria\u00e7\u00e3o de uma tecnologia do interior para processar alimentos que j\u00e1 estavam tradicionalmente ali\u201d, explica Strauss.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores acreditavam que pudesse pertencer a uma popula\u00e7\u00e3o biologicamente diferente destes ind\u00edgenas, teoria foi refutada pelo estudo Estudo&nbsp;divulgado&nbsp;nesta segunda-feira (31\/07) na revista&nbsp;Nature Ecology &amp; Evolution&nbsp;revela que Luzio, o esqueleto humano mais antigo identificado no Estado de S\u00e3o Paulo, descende da mesma popula\u00e7\u00e3o ancestral que povoou a Am\u00e9rica h\u00e1 16 mil anos e deu origem a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":17072,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"rop_custom_images_group":[],"rop_custom_messages_group":[],"rop_publish_now":"initial","rop_publish_now_accounts":[],"rop_publish_now_history":[],"rop_publish_now_status":"pending","footnotes":""},"categories":[195],"tags":[73],"class_list":["post-17068","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sao-paulo","tag-featured"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17068","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17068"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17068\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17070,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17068\/revisions\/17070"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17072"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17068"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17068"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17068"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}