{"id":17221,"date":"2023-08-02T23:57:00","date_gmt":"2023-08-03T02:57:00","guid":{"rendered":"https:\/\/imais.online\/portal\/?p=17221"},"modified":"2023-08-02T23:57:00","modified_gmt":"2023-08-03T02:57:00","slug":"desmonte-das-politicas-publicas-levou-a-aumento-da-violencia-contra-mulheres-afirmam-debatedoras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imais.online\/portal\/desmonte-das-politicas-publicas-levou-a-aumento-da-violencia-contra-mulheres-afirmam-debatedoras\/","title":{"rendered":"Desmonte das pol\u00edticas p\u00fablicas levou a aumento da viol\u00eancia contra mulheres, afirmam debatedoras"},"content":{"rendered":"<div class=\"imais-before-content-placement\" id=\"imais-2099603818\"><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8787528412751566\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display:block;\" data-ad-client=\"ca-pub-8787528412751566\" \ndata-ad-slot=\"\" \ndata-ad-format=\"auto\"><\/ins>\n<script> \n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); \n<\/script>\n<\/div><p>Participantes de audi\u00eancia p\u00fablica na C\u00e2mara dos Deputados sustentaram que o aumento da viol\u00eancia contra as mulheres no Brasil decorre do desmonte das pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o e acolhimento de mulheres nos \u00faltimos anos. De acordo com a assessora pol\u00edtica do Instituto de Estudos Socioecon\u00f4micos (Inesc), Carmela Zigoni, a execu\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria de a\u00e7\u00f5es voltadas ao p\u00fablico feminino sofreu redu\u00e7\u00e3o de 75% entre 2014 e 2019. No per\u00edodo, passou de R$ 185 milh\u00f5es para R$ 46 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Ainda conforme a especialista, para 2022, o Executivo enviou ao Congresso uma proposta de lei or\u00e7ament\u00e1ria que destinava nada mais que R$ 13 milh\u00f5es para todas as pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o a mulheres. Com a posse do novo governo, houve uma recomposi\u00e7\u00e3o das verbas, que chegaram a R$ 120 milh\u00f5es.<\/p>\n<div class=\"image-container\">\n<div class=\"midia-creditos\"><em>Vinicius Loures\/C\u00e2mara dos Deputados<\/em><\/div>\n<div class=\"media-wrapper\"><\/div>\n<div class=\"midia-legenda\">Ana Pimentel (C), autora do requerimento da discuss\u00e3o<\/div>\n<\/div>\n<p>Dados do Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, divulgados no final de julho pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, mostram crescimento de 6,1% dos casos de feminic\u00eddio, e 1,2% de homic\u00eddios de mulheres em 2022 em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00fameros de 2021. O aumento ocorreu no mesmo momento em que houve queda de 2,4% nas mortes violentas intencionais.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora Let\u00edcia Godinho, da Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Pinheiro, a explica\u00e7\u00e3o para o aumento est\u00e1 na ascens\u00e3o do \u201cultraconservadorismo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEu vou chamar a aten\u00e7\u00e3o para esse movimento, para esse per\u00edodo que a gente viveu de ultraconservadorismo, n\u00e3o s\u00f3 viveu, mas est\u00e1 vivendo, porque em 2022 a gente esperava uma redu\u00e7\u00e3o dessas viol\u00eancias justamente por conta da sa\u00edda do isolamento social, a Covid arrefeceu, e esses registros deveriam ter diminu\u00eddo, mas, ao contr\u00e1rio, eles aumentaram\u201d, disse.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do crescimento das mortes violentas de mulheres, o anu\u00e1rio de seguran\u00e7a p\u00fablica mostrou aumento recorde dos casos de estupro no \u00faltimo ano, de 8,2%. Ainda houve crescimento de 49,7% dos registros de ass\u00e9dio sexual e de 37% de importuna\u00e7\u00e3o sexual. A concess\u00e3o de medidas protetivas aumentou em 13,7% em rela\u00e7\u00e3o a 2021.<\/p>\n<p>A secret\u00e1ria de Enfrentamento da Viol\u00eancia contra a Mulher do Minist\u00e9rio das Mulheres, Denise Mota Dau, pontuou que o pr\u00f3prio F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica aponta o desmonte das pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o como causa do aumento da viol\u00eancia contra mulheres. Assim como Let\u00edcia Godinho, a secret\u00e1ria acredita que, na origem do problema, est\u00e1 a ascens\u00e3o de \u201cmovimentos ultraconservadores\u201d.<\/p>\n<p>Segundo afirma, esses movimentos colocam a igualdade de g\u00eanero como o inimigo principal a ser combatido, o que gera como rea\u00e7\u00e3o a viol\u00eancia contra mulheres que tentam romper com seus papeis hist\u00f3ricos e estere\u00f3tipos.<\/p>\n<p>De acordo com Denise Mota Dau, v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina que conseguiram conter outras formas de viol\u00eancia n\u00e3o tiveram sucesso em debelar a viol\u00eancia contra mulheres. Para isso, ela defende serem necess\u00e1rias a\u00e7\u00f5es espec\u00edficas com foco em g\u00eanero. A secret\u00e1ria adiantou que, al\u00e9m do fortalecimento das a\u00e7\u00f5es de acolhimento de mulheres, o Minist\u00e9rio da Mulher lan\u00e7a ainda em agosto uma campanha nacional de combate \u00e0 misoginia.<\/p>\n<p><strong>Desigualdade<\/strong><br \/>\nAutora do requerimento para a realiza\u00e7\u00e3o do debate, a deputada Ana Pimentel (PT-MG) concorda que a viol\u00eancia de g\u00eanero tem como origem os estere\u00f3tipos sociais de g\u00eanero.<\/p>\n<p>\u201cA viol\u00eancia n\u00e3o \u00e9 natural: \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o social e se fundamenta na desigualdade estrutural entre homens e mulheres. Sabemos que existe base material, que \u00e9 a divis\u00e3o sexual do trabalho, que, ainda hoje, coloca as mulheres como respons\u00e1veis pelo trabalho de cuidado, colocando isso, inclusive, como destino natural da vida das mulheres, as aprisionam em papeis sociais historicamente produzidos. E, ao fazer isso, todas as vezes que as mulheres ousam sair desses lugares, elas sofrem diversas viol\u00eancias\u201d, explica a deputada.<\/p>\n<p>Para a presidente da Comiss\u00e3o de Defesa dos Direitos das Mulheres, deputada L\u00eada Borges (PSDB-GO), a melhor maneira de quebrar o ciclo da viol\u00eancia \u00e9 a independ\u00eancia econ\u00f4mica das mulheres. Para isso, considera fundamentais medidas como casas de acolhimento e inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Atualmente, existem apenas sete Casas da Mulher Brasileira, que abrigam v\u00edtimas de viol\u00eancia, em funcionamento no Pa\u00eds. O governo federal tem projeto de construir mais 40 dessas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A audi\u00eancia p\u00fablica foi organizada em conjunto pelas comiss\u00f5es de Defesa dos Direitos das Mulheres e de Direitos Humanos.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Participantes de audi\u00eancia p\u00fablica na C\u00e2mara dos Deputados sustentaram que o aumento da viol\u00eancia contra as mulheres no Brasil decorre do desmonte das pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o e acolhimento de mulheres nos \u00faltimos anos. 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