{"id":18886,"date":"2023-08-24T20:22:00","date_gmt":"2023-08-24T23:22:00","guid":{"rendered":"https:\/\/imais.online\/portal\/?p=18886"},"modified":"2023-08-24T20:22:00","modified_gmt":"2023-08-24T23:22:00","slug":"mulheres-sao-apenas-1-3-de-pos-graduandos-em-ciencias-exatas-e-tecnologicas-e-tem-financiamento-menor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imais.online\/portal\/mulheres-sao-apenas-1-3-de-pos-graduandos-em-ciencias-exatas-e-tecnologicas-e-tem-financiamento-menor\/","title":{"rendered":"Mulheres s\u00e3o apenas 1\/3 de p\u00f3s-graduandos em ci\u00eancias exatas e tecnol\u00f3gicas e t\u00eam financiamento menor"},"content":{"rendered":"<div class=\"imais-before-content-placement\" id=\"imais-2713660614\"><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8787528412751566\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display:block;\" data-ad-client=\"ca-pub-8787528412751566\" \ndata-ad-slot=\"\" \ndata-ad-format=\"auto\"><\/ins>\n<script> \n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); \n<\/script>\n<\/div><p><span>As mulheres j\u00e1 s\u00e3o maioria entre os titulados na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o no Brasil, al\u00e9m de serem maioria entre estudantes de gradua\u00e7\u00e3o e bolsistas de mestrado e de doutorado, mas ainda existe disparidade de g\u00eanero por \u00e1reas de conhecimento e financiamento, al\u00e9m de dificuldade para as mulheres alcan\u00e7arem o topo da carreira. A avalia\u00e7\u00e3o foi feita por especialistas ouvidos em audi\u00eancia p\u00fablica conjunta das comiss\u00f5es de Defesa dos Direitos da Mulher e de Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara dos Deputados, nesta quinta-feira (24).<\/span><\/p>\n<p><span>Coordenadora-geral de Populariza\u00e7\u00e3o da Ci\u00eancia e Tecnologia do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTCI), Luana Bonone disse que a disparidade de g\u00eanero por \u00e1reas de conhecimento reflete a divis\u00e3o sexual tradicional do trabalho. \u201cNas ci\u00eancias exatas e da terra, 35% dos bolsistas s\u00e3o mulheres; em engenharias e computa\u00e7\u00e3o, elas s\u00e3o 33,6% das bolsistas \u2013 ou seja, 1\/3 apenas, enquanto em outras \u00e1reas, como lingu\u00edstica, letras, artes e \u00e1reas da sa\u00fade, 66% dos bolsistas s\u00e3o mulheres, percentual mais pr\u00f3ximo da participa\u00e7\u00e3o feminina na gradua\u00e7\u00e3o\u201d, apontou.<\/span><\/p>\n<div class=\"image-container\">\n<div class=\"midia-creditos\"><em>Bruno Spada \/ C\u00e2mara dos Deputados<\/em><\/div>\n<div class=\"media-wrapper\"><\/div>\n<div class=\"midia-legenda\">Luana Bonone (ao microfone) citou iniciativas do MCTCI e defendeu pol\u00edticas p\u00fablicas interministeriais<\/div>\n<\/div>\n<p><span>Luana Bonone acredita que sejam necess\u00e1rias pol\u00edticas p\u00fablicas interministeriais e do Legislativo, com aten\u00e7\u00e3o ainda do Judici\u00e1rio e da sociedade civil, para garantir equidade nas carreiras cient\u00edficas e tecnol\u00f3gicas. Entre as iniciativas do governo, citou o Futuras Cientistas, programa do Centro de Tecnologias Estrat\u00e9gicas do Nordeste (Cetene), vinculado ao MCTCI, o qual estimula o contato de alunas e professoras da rede p\u00fablica de ensino com as \u00e1reas de Ci\u00eancia, Tecnologia, Engenharia e Matem\u00e1tica. O programa foi criado em 2012, mas passou a ter alcance nacional em 2023, contemplando 470 estudantes no m\u00f3dulo imers\u00e3o cient\u00edfica e 100 em bancas de estudo (orienta\u00e7\u00e3o para o Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio). Segundo ela, em m\u00e9dia, 70% das participantes do programa s\u00e3o aprovadas no Enem e em torno de 83% escolhe as \u00e1reas cient\u00edficas e tecnol\u00f3gicas.<\/span><\/p>\n<p><span>Luana citou tamb\u00e9m o Programa Mulheres Inovadoras, iniciativa da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) em conjunto com o MCTI, para estimular startups lideradas por mulheres. Por meio do programa, 30 startups ser\u00e3o selecionadas para receber capacita\u00e7\u00e3o e premia\u00e7\u00e3o em dinheiro. Al\u00e9m disso, o minist\u00e9rio promove o programa Meninas e Mulheres na Ci\u00eancia, que concede bolsas para pesquisadoras coordenadoras de projetos e estudantes participantes.<\/span><\/p>\n<p><span><strong>Recorte por regi\u00e3o e ra\u00e7a<\/strong><br \/>\n<\/span><span>Presidente da Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes), Mercedes Bustamante destacou que as mulheres s\u00e3o maioria entre os professores nas universidades brasileiras apenas nas mat\u00e9rias da sa\u00fade e de linguagem, letras e artes &#8211; \u00e1reas em grande parte associadas ao cuidado. Al\u00e9m disso, ressaltou que muitos estados do Norte e do Nordeste t\u00eam \u00edndices ainda menores de mulheres professoras, abaixo da m\u00e9dia nacional. Nos programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o das universidades, dados de 2021 da plataforma Capes mostram que elas representavam 42% dos pesquisadores. Por\u00e9m, no doutorado acad\u00eamico (n\u00edvel mais alto de forma\u00e7\u00e3o), eram apenas 38%. J\u00e1 no p\u00f3s-doutorado, as mulheres representam 54% dos pesquisadores. Apesar disso, Mercedes ressalta que os n\u00fameros n\u00e3o t\u00eam rendido mais contrata\u00e7\u00f5es (por concurso p\u00fablico) para mulheres como professoras das universidades. Ela salientou ainda que, entre as mulheres com bolsas de produtividade do CNPq, apenas 7% eram negras e 1% eram ind\u00edgenas (dados de 2015).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Mercedes apresentou ainda dados da Capes de 2019, quando mais mulheres do que homens foram tituladas doutoras e elas tamb\u00e9m tinham mais empregos formais como doutoras do que os homens, e ainda assim tinham remunera\u00e7\u00e3o mensal menor. \u201cIsso pode estar associado a dois fatores: a menor participa\u00e7\u00e3o das mulheres em cargos gerenciais e de lideran\u00e7a e a maior participa\u00e7\u00e3o das mulheres em \u00e1reas e ocupa\u00e7\u00f5es com menores m\u00e9dias de remunera\u00e7\u00e3o\u201d, disse.<\/span><\/p>\n<p><span>A presidente da Capes apresentou algumas quest\u00f5es que, na sua avalia\u00e7\u00e3o, devem ser objetos de pol\u00edticas p\u00fablicas: \u201cPor que hoje formamos mais mulheres com os n\u00edveis mais altos de titula\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds e elas continuam sendo pouco absorvidas nas universidades? Por que as doutoras tituladas geralmente recebem uma menor remunera\u00e7\u00e3o do que os homens\u00a0 no emprego formal? E, por fim, como n\u00f3s podemos democratizar sobretudo as carreiras de tecnologia, ci\u00eancias exatas e da terra e tamb\u00e9m promover uma educa\u00e7\u00e3o global inclusiva que traga mais equidade de g\u00eanero?\u201d. Ela disse que \u00e9 preciso desmistificar a no\u00e7\u00e3o de que essas carreiras s\u00e3o mais dif\u00edceis e mais apropriadas para os homens.<\/span><\/p>\n<p><span>A reitora da Universidade Federal de Pelotas, Isabela Andrade, que representou a Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Dirigentes das Institui\u00e7\u00f5es Federais de Ensino Superior (Andifes) na audi\u00eancia, observou que muitas mulheres n\u00e3o conseguem chegar ao topo da carreira e t\u00eam que optar entre carreira e fam\u00edlia. \u201cMuitas n\u00e3o aceitam determinados cargos por n\u00e3o se sentirem aptas, capazes ou por falta de suporte familiar\u201d, acrescentou, citando ainda a barreira do ass\u00e9dio sexual. Al\u00e9m de uma mudan\u00e7a cultural, ela citou iniciativas que podem ajudar a alterar esse quadro, como a presen\u00e7a obrigat\u00f3ria de mulheres em bancas examinadoras de concursos p\u00fablicos para professores, al\u00e9m de crit\u00e9rios compensat\u00f3rios para pesquisadoras que usufru\u00edram de licen\u00e7a maternidade durante a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. <\/span><span><br \/>\n<\/span><span><br \/>\n<\/span><strong>Financiamento menor<\/strong><span><br \/>\n<\/span> <span>Diretora de Coopera\u00e7\u00e3o Institucional, Internacional e Inova\u00e7\u00e3o do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), Dalila Oliveira afirmou que, embora as mulheres sejam maioria nas bolsas, os valores totais aprovados por projeto podem chegar a quantias at\u00e9 60% menores. Segundo ela, as \u00e1reas de Ci\u00eancia, Tecnologia, Engenharia e Matem\u00e1tica, em geral dominadas por homens, recebem recursos maiores do que as das ci\u00eancias humanas e sociais.<\/span><\/p>\n<p><span>Dalila informou que ainda este ano o CNPq vai lan\u00e7ar o edital \u200bMeninas nas Ci\u00eancias Exatas, Engenharias e Computa\u00e7\u00e3o, com investimento de R$ 100 milh\u00f5es para o per\u00edodo de tr\u00eas anos. Al\u00e9m disso, dever\u00e1 ser lan\u00e7ado em breve o <\/span><span>Atl\u00e2nticas &#8211; Programa Beatriz Nascimento de Mulheres na Ci\u00eancia<\/span><span>, para o desenvolvimento da carreira cient\u00edfica de mais mulheres negras, ind\u00edgenas, quilombolas e ciganas. Ela citou ainda, entre as iniciativas do conselho, prorroga\u00e7\u00e3o de bolsas para mulheres em licen\u00e7a maternidade e a inser\u00e7\u00e3o da maternidade no chamado curr\u00edculo Lattes. \u201cPorque faz diferen\u00e7a\u201d, frisou.\u00a0<\/span><\/p>\n<div class=\"image-container\">\n<div class=\"midia-creditos\"><em>Bruno Spada \/ C\u00e2mara dos Deputados<\/em><\/div>\n<div class=\"media-wrapper\"><\/div>\n<div class=\"midia-legenda\">Ana Pimentel, autora do requerimento para a realiza\u00e7\u00e3o do debate<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Maternidade e sa\u00fade mental<br \/>\n<\/strong><span>Vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos P\u00f3s-Graduandos (ANPG), Ana Priscila Alves lembrou que hoje a licen\u00e7a maternidade \u00e9 de quatro meses e apenas para bolsistas, sendo necess\u00e1rio avan\u00e7ar na licen\u00e7a de seis meses para todas as p\u00f3s-graduandas. Ela pediu ainda compromisso do Parlamento para a derrubada urgente do decreto (997\/93) que pro\u00edbe a cria\u00e7\u00e3o de novas creches nas universidades. E chamou\u00a0 a aten\u00e7\u00e3o ainda para dados do Dossi\u00ea Florestan Fernandes, documento que tra\u00e7a panorama sobre a condi\u00e7\u00e3o dos p\u00f3s-graduandos no Brasil, mostrando que mulheres brancas e negras relatam, entre as dificuldades enfrentadas, problemas emocionais, o que n\u00e3o afeta os homens. Ela considera importante pesquisar o que tem levado ao adoecimento das mulheres na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e citou, por exemplo, a necessidade de coibir o ass\u00e9dio sexual dentro da universidade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>O requerimento para realiza\u00e7\u00e3o do debate foi apresentado pela deputada Ana Pimentel (PT-MG). Ela destaca que a redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de mulheres \u00e0 medida que aumenta o grau de forma\u00e7\u00e3o e as oportunidades na carreira docente ficou conhecida como \u201cefeito tesoura\u201d. \u201cEsse fen\u00f4meno de exclus\u00e3o, de dificuldade de acesso e continuidade na carreira acad\u00eamica e cient\u00edfica se expressa ainda mais quando acrescentamos recortes raciais e de classe, al\u00e9m da maternidade&#8221;, resumiu a deputada.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div><\/div>\n<p>\u00a0<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As mulheres j\u00e1 s\u00e3o maioria entre os titulados na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o no Brasil, al\u00e9m de serem maioria entre estudantes de gradua\u00e7\u00e3o e bolsistas de mestrado e de doutorado, mas ainda existe disparidade de g\u00eanero por \u00e1reas de conhecimento e financiamento, al\u00e9m de dificuldade para as mulheres alcan\u00e7arem o topo da carreira. 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