{"id":20255,"date":"2023-11-06T10:18:45","date_gmt":"2023-11-06T13:18:45","guid":{"rendered":"https:\/\/imais.online\/portal\/?p=20255"},"modified":"2023-11-06T10:18:46","modified_gmt":"2023-11-06T13:18:46","slug":"por-que-o-brasil-tem-a-populacao-mais-depressiva-da-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imais.online\/portal\/por-que-o-brasil-tem-a-populacao-mais-depressiva-da-america-latina\/","title":{"rendered":"Por que o Brasil tem a popula\u00e7\u00e3o mais depressiva da Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<div class=\"imais-before-content-placement\" id=\"imais-3617848223\"><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8787528412751566\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display:block;\" data-ad-client=\"ca-pub-8787528412751566\" \ndata-ad-slot=\"\" \ndata-ad-format=\"auto\"><\/ins>\n<script> \n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); \n<\/script>\n<\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mulheres s\u00e3o as mais afetadas, segundo especialistas. Brasil tem apenas 19 psic\u00f3logos para cada 100 mil habitantes no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) do Brasil.<\/h2>\n\n\n\n<p>Foi a dificuldade para dormir e o constante des\u00e2nimo que fizeram Maria*, de 60 anos, procurar ajuda m\u00e9dica.<\/p>\n\n\n\n<p>Na consulta, ela descobriu uma doen\u00e7a que nunca imaginou ter, mas que tem se tornado cada vez mais comum nos consult\u00f3rios brasileiros:<strong>&nbsp;a depress\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 uma doen\u00e7a que vai te afundando, pois voc\u00ea fica angustiada constantemente. Tanto que voc\u00ea n\u00e3o quer levantar da cama, pois \u00e9 s\u00f3 dormindo que voc\u00ea n\u00e3o sente nada\u201d, descreve.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como Maria, 300 milh\u00f5es de pessoas no mundo sofrem de depress\u00e3o, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade (Opas).<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>O Brasil \u00e9 o pa\u00eds com a maior preval\u00eancia desta doen\u00e7a na Am\u00e9rica Latina, de acordo com o relat\u00f3rio \u201cDepress\u00e3o e outros transtornos mentais\u201d, da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>\ud83e\udee5 Dados do \u00faltimo mapeamento sobre a doen\u00e7a realizado pela OMS apontam que 5,8% da popula\u00e7\u00e3o brasileira sofre de depress\u00e3o, o equivalente a 11,7 milh\u00f5es de brasileiros.<\/li>\n\n\n\n<li>\ud83e\udee5 Em seguida, aparecem Cuba (5,5%), Barbados (5,4%), Paraguai (5,2%), Bahamas (5,2%), Uruguai (5%) e Chile (5%).<\/li>\n\n\n\n<li>\ud83e\udee5 A n\u00edvel continental, o Brasil aparece atr\u00e1s apenas dos Estados Unidos, onde segundo a OMS, 5,9% da popula\u00e7\u00e3o sofre de transtornos de depress\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Um estudo epidemiol\u00f3gico mais recente do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade revela que nos pr\u00f3ximos anos at\u00e9 15,5% da popula\u00e7\u00e3o brasileira pode sofrer depress\u00e3o ao menos uma vez ao longo da vida. Uma soma de fatores explica a alta incid\u00eancia de depress\u00e3o entre os brasileiros, segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Dificuldade de acesso a tratamento de qualidade na rede p\u00fablica de sa\u00fade;<\/li>\n\n\n\n<li>Forte estigma social ainda existente no pa\u00eds em rela\u00e7\u00e3o aos transtornos mentais;<\/li>\n\n\n\n<li>Falta de um protocolo de atendimento para a depress\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>A OMS aponta que o n\u00famero de pessoas que sofrem de doen\u00e7as mentais comuns est\u00e1 aumentando no mundo inteiro, principalmente em pa\u00edses de baixa renda.<\/p>\n\n\n\n<p>E alerta que, apesar da depress\u00e3o atingir pessoas de todas as idades e n\u00edvel de renda, o risco de algu\u00e9m ficar deprimido aumenta com a pobreza, o desemprego e com fatos da vida, como a morte de uma pessoa pr\u00f3xima, o fim de um relacionamento, debilita\u00e7\u00e3o f\u00edsica ou problemas causados pelo consumo de \u00e1lcool ou drogas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Brasil \u00e9 um pa\u00eds com uma carga tribut\u00e1ria alta e com uma remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia baixa. Isso faz com que a popula\u00e7\u00e3o tenha que trabalhar muito mais do que outras para conseguir atingir servi\u00e7os b\u00e1sicos que n\u00e3o s\u00e3o oferecidos com qualidade pelo Estado, o que acaba sobrecarregando a sa\u00fade mental dos brasileiros e desencadeando transtornos mentais, como a depress\u00e3o\u201d, diz Volnei Costa, m\u00e9dico psiquiatra e presidente do conselho cient\u00edfico da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata).<\/p>\n\n\n\n<p>O chefe do grupo de Psiquiatria Intervencionista do Instituto de Psiquiatria da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Andr\u00e9 Brunoni, destaca a forte desigualdade existente no pa\u00eds, inclusive no acesso a tratamento adequado.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Estudos mostram que pessoas expostas a situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia, estresse e vulnerabilidade social tendem a ter maiores chances de diagn\u00f3stico e sabemos que, infelizmente, ainda existe essa diferen\u00e7a at\u00e9 no tratamento oferecido entre a rede p\u00fablica e particular.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Volnei Costa, m\u00e9dico psiquiatra e presidente do conselho cient\u00edfico da Abrata<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda segundo os pesquisadores ouvidos pela BBC News Brasil, o menor \u00edndice de subnotifica\u00e7\u00e3o de casos de transtornos mentais, em rela\u00e7\u00e3o aos demais pa\u00edses, pode tamb\u00e9m explicar o Brasil ter mais casos de depress\u00e3o na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mulheres s\u00e3o mais suscet\u00edveis<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Na lista de pessoas mais suscet\u00edveis a ter depress\u00e3o, mulheres aparecem na lideran\u00e7a<\/strong>. Segundo a OMS, elas apresentam duas vezes mais chances de terem o diagn\u00f3stico da doen\u00e7a do que os homens.<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista biol\u00f3gico, os menores n\u00edveis de testosterona acabam deixando a mulher mais exposta \u00e0 doen\u00e7a. Por outro lado, na quest\u00e3o social e psicol\u00f3gica, a mulher corriqueiramente est\u00e1 em uma posi\u00e7\u00e3o de maior vulnerabilidade que o homem e acaba ficando com muitas obriga\u00e7\u00f5es, o que aumenta as chances delas terem mais diagn\u00f3sticos do que eles.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Volnei Costa, m\u00e9dico psiquiatra e presidente do conselho cient\u00edfico da Abrata<\/p>\n\n\n\n<p>Dartiu Xavier da Silveira, pesquisador da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), que estuda depress\u00e3o h\u00e1 anos, tamb\u00e9m ressalta que historicamente idosos e adultos jovens (18 a 29 anos) apresentam mais chances de terem o diagn\u00f3stico da doen\u00e7a do que outras faixas et\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTrata-se de uma doen\u00e7a cuja g\u00eanese \u00e9 multifatorial. Ocorre em decorr\u00eancia da somat\u00f3ria de fatores diversos, tais como: predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, meio ambiente adverso ou hostil, rela\u00e7\u00f5es interpessoais insatisfat\u00f3rias, dificuldades em ser reconhecido dentro de uma comunidade. No entanto, quanto melhor for a qualidade de vida como um todo, menores ser\u00e3o as chances de uma pessoa desenvolver um quadro de depress\u00e3o\u201d, ressaltou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Preconceito ainda \u00e9 barreira<\/h2>\n\n\n\n<p>Maria, que resolveu procurar ajuda ap\u00f3s diversas tentativas de se &#8220;curar&#8221; sozinha da depress\u00e3o, considera que o forte estigma ainda existente sobre a doen\u00e7a cerceia mulheres de procurar ajuda.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cInfelizmente, o preconceito contra a depress\u00e3o \u00e9 real. Cansei de ouvir gente dizer que o que tinha era frescura. No meu antigo trabalho, por exemplo, nunca pude falar que tinha depress\u00e3o, pois eles n\u00e3o queriam me entender. Em uma das minhas crises, a gerente de RH subiu para falar comigo e me deu uma bronca por estar chorando na frente dos meus colegas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Volnei Costa, da Abrata, diz que a percep\u00e7\u00e3o estigmatizada do passado sobre transtornos mentais \u00e9 um problema que precisa ser encarado pelo Brasil junto com o aumento de casos da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPor cerca de 16 s\u00e9culos, os transtornos mentais ficaram retardos de serem cientificamente pesquisadas e ficaram no controle da igreja, que tratava os fen\u00f4menos de sa\u00fade mental como manifesta\u00e7\u00f5es demon\u00edacas. Isso cravou na percep\u00e7\u00e3o humana o entendimento que transtorno mental \u00e9 algo errado, algo de quem n\u00e3o tem f\u00e9, \u00e9 fraco ou n\u00e3o consegue se comunicar com o divino. \u00c9 um pensamento que at\u00e9 hoje tentamos combater\u201d, afirmou Volnei.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema \u00e9 que o estigma muitas vezes desencadeia o diagn\u00f3stico tardio, tornando a doen\u00e7a cr\u00f4nica, segundo especialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO ideal \u00e9 que desde cedo o paciente seja tratado, mas o que acontece muitas vezes \u00e9 que procurar ajuda especializada \u00e9 um dos \u00faltimos atos. Antes, o paciente tenta de tudo para evitar ser taxado como doente mental pela sociedade\u201d, disse Mariza Theme, pesquisadora da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz).<\/p>\n\n\n\n<p>Com o objetivo de combater este preconceito, desde 2014, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psiquiatria (ABP) lan\u00e7ou uma campanha contra a psicofobia \u2013 como \u00e9 chamado o preconceito sofrido pelas pessoas que padecem de doen\u00e7as mentais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO combate ao estigma e a psicofobia s\u00e3o primordiais para salvar vidas e auxiliar a sociedade a compreender e identificar casos. \u00c9 extremamente importante falar sobre sa\u00fade mental, discutir os principais sinais e fatores de alerta para identificar uma doen\u00e7a, assim tratar do assunto sem preconceito e o tabu que j\u00e1 lhe s\u00e3o atribu\u00eddos\u201d, diz Ant\u00f4nio Geraldo da Silva, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psiquiatria (ABP).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Atendimento especializado<\/h2>\n\n\n\n<p>Contudo, engana-se quem pensa que o preconceito \u00e9 a \u00fanica barreira enfrentada por quem tem depress\u00e3o no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>O acesso ao atendimento especializado na rede p\u00fablica de alguns munic\u00edpios brasileiros tamb\u00e9m dificulta a vida de quem tem depress\u00e3o no pa\u00eds, segundo especialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Levantamento feito pelo Instituto Rep\u00fablica.org com base em dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Sa\u00fade (CNES),&nbsp;<strong>mostra que existem apenas 19 psic\u00f3logos para cada 100 mil habitantes no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) do Brasil.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em alguns pa\u00edses da Europa, esse n\u00famero de profissionais chega a ser superior a 40 para cada 100 mil habitantes.<\/p>\n\n\n\n<p>A aus\u00eancia desses profissionais nas unidades p\u00fablicas de sa\u00fade, seja no suporte individual ou coletivo, contribui para uma falta de preven\u00e7\u00e3o de transtornos e tamb\u00e9m dificulta um tratamento mais adequado em rela\u00e7\u00e3o a transtornos e doen\u00e7as mentais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Paula Frias, mestre em Ci\u00eancia Pol\u00edtica da UERJ e analista de dados da Rep\u00fablica.org<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, os estados do Par\u00e1, Cear\u00e1, Amazonas e Maranh\u00e3o aparecem como os que possuem o menor n\u00famero de psic\u00f3logos atendendo na rede p\u00fablica de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso acaba dificultando o diagn\u00f3stico, fazendo com que muitas pessoas sejam subtratadas e, quando tratadas, o tratamento \u00e9 feito de forma tardia ou at\u00e9 com medicamentos incorretos\u201d, disse Elton Kanomata, m\u00e9dico psiquiatra do Hospital Israelita Albert Einstein.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, segundo a cientista pol\u00edtica Paula Frias, ainda paira no senso comum do brasileiro uma ideia de que o cuidado com a sa\u00fade mental \u00e9 um luxo ou algo que deve ficar em segundo plano<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso se deve muito a uma no\u00e7\u00e3o de que apenas a sa\u00fade f\u00edsica importa e em primeira inst\u00e2ncia \u00e9 ela que torna a pessoa \u2018funcional\u2019. Essa ideia de tornar o indiv\u00edduo funcional e n\u00e3o ter uma preocupa\u00e7\u00e3o com o seu completo bem-estar afasta, muitas vezes, o senso de urg\u00eancia em absorver para a compet\u00eancia do Estado essa assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade mental e ps\u00edquica\u201d, afirmou Paula.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">&#8216;Falta protocolo de atendimento&#8217;<\/h2>\n\n\n\n<p>Para o m\u00e9dico psiquiatra Andr\u00e9 Brunoni, da USP, muito al\u00e9m de profissionais, falta um protocolo de atendimento aos pacientes com depress\u00e3o na rede p\u00fablica de sa\u00fade do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Nossa rede de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade mental n\u00e3o \u00e9 bem estruturada de ponta a ponta. Hoje em dia, por exemplo, \u00e9 muito dif\u00edcil ter acesso a psicoterapia pelo SUS. Sem contar que muitos antidepressivos que existem na rede p\u00fablica n\u00e3o s\u00e3o atualizados h\u00e1 anos. Isso cria um abismo de tratamento de transtornos mentais entre rede particular e p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Andr\u00e9 Brunoni, m\u00e9dico psiquiatra da USP<\/p>\n\n\n\n<p>Para ele, \u00e9 necess\u00e1rio um&nbsp;maior investimento do poder p\u00fablico brasileiro na rede de atendimento as v\u00edtimas de transtornos mentais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPode parecer que o tratamento de transtornos mentais \u00e9 caro, mas isso nem se compara com outras \u00e1reas da Medicina. Hoje, infelizmente, os gastos com sa\u00fade mental normalmente representam apenas 2% do or\u00e7amento da sa\u00fade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A opini\u00e3o \u00e9 compartilhada pelo presidente do conselho cient\u00edfico da Abrata, Volnei Costa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA maior parte da popula\u00e7\u00e3o brasileira precisa do SUS e muitas vezes os profissionais da rede n\u00e3o est\u00e3o treinados para diagnosticar precocemente a sa\u00fade mental, fazendo com que o quadro da doen\u00e7a avance para uma depress\u00e3o mais grave\u201d, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p>Volnei tamb\u00e9m defende uma amplia\u00e7\u00e3o do hor\u00e1rio de atendimento especializado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cHoje, o sistema de sa\u00fade a n\u00edvel ambulatorial do Brasil n\u00e3o est\u00e1 preparado para atender aquelas pessoas com depress\u00e3o que trabalham no hor\u00e1rio comercial. \u00c9 preciso facilitar esse atendimento para que mais pessoas tenham acesso&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que diz o governo<\/h2>\n\n\n\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade disse \u00e0 BBC News Brasil, por meio de nota, que vem trabalhando para aumentar o atendimento em sa\u00fade mental e que presta atendimentos para pessoas com depress\u00e3o na Rede de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial (RAPS).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPara promo\u00e7\u00e3o de amplo atendimento em sa\u00fade mental, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade ampliou o or\u00e7amento da Rede de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial (RAPS) com investimento de mais de R$ 200 milh\u00f5es em 2023. Ao todo, o recurso destinado para todos os estados e Distrito Federal ser\u00e1 de R$ 414 milh\u00f5es no per\u00edodo de um ano. A expectativa \u00e9 que a Rede de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial tenha crescimento anual superior a 5% nos pr\u00f3ximos quatro anos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda segundo a pasta, o repasse ser\u00e1 direcionado para os 2.855 Centros de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial (CAPS) existentes no pa\u00eds e para os 870 Servi\u00e7os Residenciais Terap\u00eauticos (SRT).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAl\u00e9m do investimento, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade habilitou novos servi\u00e7os para expans\u00e3o da rede em todo pa\u00eds. Desde mar\u00e7o, foram 27 novos CAPS, 55 SRT, 4 Unidades de Acolhimento e 159 leitos em hospitais gerais &#8211; a maioria nos estados do Nordeste. Os novos servi\u00e7os foram habilitados em Alagoas, Bahia, Maranh\u00e3o, Cear\u00e1, Para\u00edba, Pernambuco, Piau\u00ed, Rio Grande do Norte, Sergipe, Acre, Minas Gerais, Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Paran\u00e1 e Rio Grande do Sul. Para o custeio desses novos servi\u00e7os ser\u00e3o investidos R$ 32.389.256,00 ao ano\u201d, disse a nota.<\/p>\n\n\n\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade tamb\u00e9m informou que, atualmente, a organiza\u00e7\u00e3o da rede p\u00fablica para atendimento de pacientes com transtornos mentais est\u00e1 configurada em quatro n\u00edveis:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Organiza\u00e7\u00e3o por n\u00edveis de cuidado:<\/strong>&nbsp;a Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria \u00e9 a principal porta de entrada para o SUS. Esta envolve promo\u00e7\u00e3o, preven\u00e7\u00e3o, prote\u00e7\u00e3o, diagn\u00f3stico, tratamento, reabilita\u00e7\u00e3o, redu\u00e7\u00e3o de danos, vigil\u00e2ncia em sa\u00fade, com atendimento preferencial para casos de depress\u00e3o e ansiedade leve e moderada. At\u00e9 junho de 2023, foram realizados 10.866.381 atendimentos na Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria \u00e0 Sa\u00fade (APS) a pessoas que apresentavam condi\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 sa\u00fade mental.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Servi\u00e7os especializados:<\/strong>&nbsp;para casos mais complexos, o acompanhamento \u00e9 prioritariamente realizado pelos servi\u00e7os especializados da RAPS. Isso inclui atendimento em Centros de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial (CAPS), servi\u00e7os de urg\u00eancia e emerg\u00eancia, UPAs e Pronto Atendimento. Al\u00e9m disso, havendo justificativa cl\u00ednica, h\u00e1 a possibilidade de cuidado em leitos de sa\u00fade mental em hospital geral.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Acolhimento e encaminhamento:&nbsp;<\/strong>outra forma de acesso \u00e9 quando o pr\u00f3prio usu\u00e1rio do SUS procura diretamente os servi\u00e7os de sa\u00fade, ou por meio de encaminhamento de outros setores interligados, como Assist\u00eancia Social, Educa\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Medica\u00e7\u00e3o gratuita:&nbsp;<\/strong>por fim, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade informou que o SUS tamb\u00e9m fornece medica\u00e7\u00e3o para o tratamento de depress\u00e3o em unidades de sa\u00fade p\u00fablica e Centros de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial (CAPS).<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tipos de depress\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Transtorno depressivo maior (depress\u00e3o cl\u00e1ssica):<\/strong>&nbsp;o indiv\u00edduo apresenta humor deprimido quase todos os dias, grande diminui\u00e7\u00e3o do interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades; perda ou ganho significativo de peso sem estar fazendo dieta; ins\u00f4nia ou hipersonia di\u00e1ria; agita\u00e7\u00e3o ou retardo psicomotor; fadiga ou perda de energia; sentimentos de culpa e inutilidade; capacidade reduzida para pensar, concentrar-se ou indecis\u00e3o; e pensamentos de morte (medo de morrer e idea\u00e7\u00e3o suicida).<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Transtorno depressivo persistente (distimia):&nbsp;<\/strong>este transtorno representa uma consolida\u00e7\u00e3o dos transtornos depressivo maior cr\u00f4nico e transtorno dist\u00edmico e tem como sintomas o humor deprimido constante por pelo menos dois anos (para adultos) ou pelo menos um ano (para crian\u00e7as e adolescentes) em conjunto de duas ou mais das seguintes caracter\u00edsticas: apetite diminu\u00eddo ou alimenta\u00e7\u00e3o em excesso; ins\u00f4nia ou hipersonia; baixa energia ou fadiga; baixa autoestima; ou sentimentos de desesperan\u00e7a.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Depress\u00e3o p\u00f3s-parto:&nbsp;<\/strong>\u00e9 um transtorno que acomete mulheres ap\u00f3s o parto, sendo caracterizada por uma tristeza profunda. Pode promover falta de interesse por atividades di\u00e1rias, ins\u00f4nia, cansa\u00e7o extremo, ansiedade, sentimento de culpa, falta de conex\u00e3o com o beb\u00ea, entre outros sintomas.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Transtorno disf\u00f3rico pr\u00e9-menstrual:&nbsp;<\/strong>os sintomas deste transtorno apresentam-se na maioria dos ciclos menstruais na semana final antes do in\u00edcio do ciclo e apresenta melhora poucos dias depois do in\u00edcio da menstrua\u00e7\u00e3o, at\u00e9 se tornarem m\u00ednimos ou ausentes na semana p\u00f3s-menstrual e pode apresentar sintomas como: instabilidade afetiva acentuada; irritabilidade ou raiva acentuada; ansiedade e tens\u00e3o acentuados; e baixo interesse em atividades habituais.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Transtorno bipolar:&nbsp;<\/strong>\u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade mental que causa mudan\u00e7as extremas de humor. Conhecido anteriormente como psicose man\u00edaco-depressiva, se caracteriza pela altern\u00e2ncia de per\u00edodos em que a pessoa fica mais exaltada (mania), de epis\u00f3dios de depress\u00e3o (hipomania) e de normalidade.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><em>*A reportagem resguardou o nome verdadeiro de Maria.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mulheres s\u00e3o as mais afetadas, segundo especialistas. Brasil tem apenas 19 psic\u00f3logos para cada 100 mil habitantes no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) do Brasil. Foi a dificuldade para dormir e o constante des\u00e2nimo que fizeram Maria*, de 60 anos, procurar ajuda m\u00e9dica. 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