{"id":20518,"date":"2023-11-20T12:45:12","date_gmt":"2023-11-20T15:45:12","guid":{"rendered":"https:\/\/imais.online\/portal\/?p=20518"},"modified":"2023-11-20T12:45:14","modified_gmt":"2023-11-20T15:45:14","slug":"esperanca-azul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imais.online\/portal\/esperanca-azul\/","title":{"rendered":"Esperan\u00e7a Azul"},"content":{"rendered":"<div class=\"imais-before-content-placement\" id=\"imais-287429473\"><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8787528412751566\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display:block;\" data-ad-client=\"ca-pub-8787528412751566\" \ndata-ad-slot=\"\" \ndata-ad-format=\"auto\"><\/ins>\n<script> \n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); \n<\/script>\n<\/div>\n<p>Em meados de 2021,&nbsp;Ant\u00f4nio Josu\u00e9 Filho, 69 anos, maestro, m\u00fasico e militar da reserva do Ex\u00e9rcito aposentado, come\u00e7ou a sentir certa dificuldade para urinar. Ele logo fez o que todo homem deve fazer: foi ao m\u00e9dico. No exame, constatou que sua pr\u00f3stata estava com tamanho acima do normal.<\/p>\n\n\n\n<p>Foram duas bi\u00f3psias e o veredito: c\u00e2ncer. Ant\u00f4nio faz parte dos 71.730 brasileiros que anualmente s\u00e3o diagnosticados com a doen\u00e7a, segundo dados de 2022 do Inca (Instituto Nacional de C\u00e2ncer).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu vinha fazendo anualmente os exames de sangue PSA [ant\u00edgeno prost\u00e1tico espec\u00edfico] e de toque da pr\u00f3stata. De um ano para o outro, a equipe de urologia estranhou que os n\u00edveis do PSA dobraram. Os resultados, que eram dois [n\u00edveis], passaram para quatro\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito dif\u00edcil psicologicamente. Mas tive que absorver e resguardar minha sa\u00fade para o que teria que passar<\/p>\n\n\n\n<p>Ant\u00f4nio Josu\u00e9 Filho, 69 anos, que teve c\u00e2ncer de pr\u00f3stata<\/p>\n\n\n\n<p>A equipe pediu outro exame de sangue, que repetiu os mesmos valores. Em uma primeira bi\u00f3psia, que retirou 13 fragmentos da pr\u00f3stata, nada foi encontrado. Ap\u00f3s tr\u00eas meses, em nova retirada de 23 fragmentos da pr\u00f3stata para nova bi\u00f3psia, veio a confirma\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 muito dif\u00edcil psicologicamente [receber essa not\u00edcia]. Mas tive que absorver e resguardar minha sa\u00fade para o que teria que passar.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria de Ant\u00f4nio, que fazia exames peri\u00f3dicos e n\u00e3o titubeou ao notar um sinal de alerta, \u00e9 ainda mais relevante no contexto do Novembro Azul, campanha que h\u00e1 uma d\u00e9cada dedica esse m\u00eas a conscientizar a popula\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia do cuidado com a sa\u00fade masculina no pa\u00eds. E isso envolve muito mais do que a preocupa\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3stata.<br><br>Novos m\u00e9todos, antes inacess\u00edveis, passaram a ser adotados em hospitais nacionais. Embora nem todos tenham chegado ao SUS (Sistema \u00danico de Sa\u00fade), eles s\u00e3o uma mostra de que os tratamentos avan\u00e7aram, tornando-se menos invasivos, e que a recupera\u00e7\u00e3o pode ser mais r\u00e1pida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Rob\u00f4 aliado<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ant\u00f4nio optou por uma novidade: a retirada da pr\u00f3stata por meio de uma cirurgia rob\u00f3tica.<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o veio ap\u00f3s conversar com um amigo que havia passado pela mesma situa\u00e7\u00e3o e com o urologista Jo\u00e3o Manzano, professor da Unifesp (Universidade Federal de S\u00e3o Paulo) e especialista em cirurgia rob\u00f3tica e c\u00e2ncer do Hospital Moriah, refer\u00eancia nacional no assunto.<\/p>\n\n\n\n<p>Meio mais tecnol\u00f3gico e avan\u00e7ado dispon\u00edvel atualmente, esse tipo de opera\u00e7\u00e3o \u00e9 feita no Brasil desde 2008 e dispensa uma incis\u00e3o maior ao contar com pequenas pin\u00e7as que s\u00e3o controladas pelo cirurgi\u00e3o \u2014 como uma laparoscopia \u2014 e inseridas em cortes de 5 mm a 12 mm.<\/p>\n\n\n\n<p>O militar da reserva aposentado desembolsou R$ 24 mil, j\u00e1 que o procedimento n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel no rol de cobertura da ANS (Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade) nem via SUS.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNa maioria das vezes, o paciente fica apenas um dia no hospital, indo embora com uma sonda para fazer o xixi, que \u00e9 retirada ap\u00f3s uma semana. A pessoa pode voltar \u00e0s atividades rotineiras cerca de&nbsp;10 a 14 dias ap\u00f3s o procedimento, com exce\u00e7\u00e3o de atividades que exijam maior esfor\u00e7o f\u00edsico\u201d, diz Manzano.<\/p>\n\n\n\n<p>Na cirurgia tradicional, a urologista&nbsp;Karin Anzolch, diretora de comunica\u00e7\u00e3o da SBU (Sociedade Brasileira de Urologia), explica que \u00e9 feito um corte de 15 cm a 20 cm na transversal, como numa cesariana.&nbsp;Nesse caso, s\u00e3o necess\u00e1rios sete a 14 dias com a sonda.<\/p>\n\n\n\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 lenta. S\u00e3o 20 dias para poder voltar ao trabalho, 30 dias para atividades f\u00edsicas, inclusive a sexual, e 90 para a cicatriza\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00e9todo \u00e9 utilizado no mundo inteiro desde o s\u00e9culo 20 e foi aperfei\u00e7oado em 1982 pelo urologista americano&nbsp;Patrick Walsh, que desenvolveu uma t\u00e9cnica que poupava os nervos respons\u00e1veis pela ere\u00e7\u00e3o, grande trauma da opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do c\u00e2ncer<\/p>\n\n\n\n<p>O empres\u00e1rio Eduardo Spagnuolo, 61 anos, faz acompanhamento urol\u00f3gico anual e h\u00e1 cinco anos come\u00e7ou a sentir dificuldade ao urinar, principalmente \u00e0 noite. Ao buscar ajuda, ele constatou que se tratava de HPB (hiperplasia prost\u00e1tica benigna).<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de um aumento benigno da pr\u00f3stata, que ocorre conforme o homem envelhece. Esse crescimento n\u00e3o possui caracter\u00edsticas cancer\u00edgenas, mas pode gerar dificuldade para fazer xixi ou mic\u00e7\u00e3o mais frequente, com sensa\u00e7\u00e3o de urg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/img.r7.com\/images\/prostata-18112023105718798?no_crop=true\" alt=\"https:\/\/img.r7.com\/images\/prostata-18112023105718798\" title=\"https:\/\/img.r7.com\/images\/prostata-18112023105718798\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Isso porque, com o aumento da pr\u00f3stata, a uretra \u00e9 comprimida, bloqueando o fluxo urin\u00e1rio e, muitas vezes, impedindo o esvaziamento completo da bexiga \u2014 da\u00ed a vontade de urinar mais vezes. As causas n\u00e3o s\u00e3o bem definidas, mas provavelmente decorrem de altera\u00e7\u00f5es hormonais, em especial da testosterona.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, estima-se que metade dos homens com mais de 50 anos possua algum grau de hiperplasia prost\u00e1tica benigna.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A dificuldade de urinar, somada \u00e0s altera\u00e7\u00f5es no exame de PSA, preocupou Spagnuolo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSempre fiz a vigil\u00e2ncia ativa. Com o exame aumentado e o crescimento da pr\u00f3stata, tive medo da possibilidade de ser um c\u00e2ncer\u201d, desabafa. \u201cForam solicitadas tr\u00eas bi\u00f3psias [para verificar se em alguma haveria altera\u00e7\u00e3o]. Fiquei apreensivo e ansioso para saber o resultado.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O laudo negativo tirou um peso dos ombros do empres\u00e1rio. Todas as suspeitas se resumiram \u00e0 HPB.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, ele apenas acompanhou o aumento da gl\u00e2ndula, sem nenhum tratamento, at\u00e9 a pr\u00f3stata pesar 80 g e come\u00e7ar a incomodar (o peso m\u00e9dio \u00e9 de 25 g).<\/p>\n\n\n\n<p>Spagnuolo pediu, ent\u00e3o, a seu m\u00e9dico que lhe indicasse as op\u00e7\u00f5es de tratamento para a redu\u00e7\u00e3o, como a raspagem, o laser ou a retirada da pr\u00f3stata \u2014 esta limitada a casos graves. Por serem m\u00e9todos invasivos, ele optou por adiar ao m\u00e1ximo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A espera valeu a pena, e uma nova op\u00e7\u00e3o chegou: o Rezum.<\/p>\n\n\n\n<p>Novas tecnologias<\/p>\n\n\n\n<p>Em novembro de 2022, a Anvisa (Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria) emitiu o registro do sistema Rezum, t\u00e9cnica pouco invasiva que utiliza vapor de \u00e1gua para reverter o aumento benigno da pr\u00f3stata.<br><br>\u201cNa cirurgia para raspagem e ressecamento da pr\u00f3stata, o paciente precisa ficar internado, pois o procedimento \u00e9 mais longo e tem um maior risco de sangramento. No Rezum, o paciente recebe a seda\u00e7\u00e3o, como num exame de endoscopia. Uma c\u00e2mera, ent\u00e3o, \u00e9 inserida no canal anal com uma agulha, que entra no tecido prost\u00e1tico e libera um vapor a cerca de 100\u00b0C, causando a morte celular&#8221;, afirma o urologista Ricardo Vita, tamb\u00e9m do Hospital Moriah.<\/p>\n\n\n\n<p>O urologista&nbsp;Rodrigo Loureiro, coordenador do departamento de HPB da SBU, explica que a raspagem da pr\u00f3stata \u00e9 feita de modo cir\u00fargico endosc\u00f3pico (por meio de um tubo flex\u00edvel), removendo pequenos fragmentos da gl\u00e2ndula com a ajuda de um bisturi el\u00e9trico. Os pedacinhos extra\u00eddos s\u00e3o enviados para a an\u00e1lise patol\u00f3gica de rotina.<\/p>\n\n\n\n<p>Bem mais invasivo, o procedimento \u00e9 realizado com anestesia espinhal (local) e tem dura\u00e7\u00e3o de uma hora a uma hora e meia. Exige interna\u00e7\u00e3o de at\u00e9 tr\u00eas dias, e o retorno a todas as atividades pode levar um m\u00eas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;[J\u00e1 no Rezum], o procedimento total dura tr\u00eas minutos, e o paciente demora de uma a duas horas para retornar da seda\u00e7\u00e3o, sem necessidade de ficar internado. A gl\u00e2ndula se atrofia em cerca de tr\u00eas meses, diminuindo o volume da pr\u00f3stata em at\u00e9 40%\u201d, afirma Ricardo Vita.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o do vapor causa um processo inflamat\u00f3rio na pr\u00f3stata, e o paciente passa de cinco a sete dias com uma sonda, at\u00e9 a desinflama\u00e7\u00e3o \u2014 o \u00fanico inconveniente. O retorno \u00e0 rotina \u00e9 r\u00e1pido, com poucas restri\u00e7\u00f5es, e preserva a ejacula\u00e7\u00e3o em mais de 90% dos casos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00e9todo come\u00e7ou a ser adotado alguns anos atr\u00e1s, por exemplo, no Hospital Universit\u00e1rio de Cambridge, na Inglaterra, e no&nbsp;Hospital Universit\u00e1rio de Henares, em Coslada, cidade pr\u00f3xima a Madri, na Espanha \u2014 al\u00e9m de locais na Alemanha e na Su\u00e9cia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 aos hospitais brasileiros o Rezum chegou em julho deste ano e ainda \u00e9 um servi\u00e7o restrito: o m\u00e9dico estima que existam 20 m\u00e1quinas que realizam o procedimento no pa\u00eds e o tratamento n\u00e3o tem cobertura de planos de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Spagnuolo gastou cerca de R$ 28,5 mil: R$ 4.000 da interna\u00e7\u00e3o hospitalar, R$ 9.500 referentes ao Rezum e R$ 15 mil de honor\u00e1rios m\u00e9dicos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPode ser que daqui a alguns anos eu precise repetir o procedimento, mas tamb\u00e9m existe a possibilidade de, at\u00e9 l\u00e1, termos tecnologias ainda mais avan\u00e7adas\u201d, diz o empres\u00e1rio.<br><br>Loureiro afirma que, por ter aprova\u00e7\u00e3o recente, a tecnologia ainda est\u00e1 em fase de implementa\u00e7\u00e3o. Mas, sem d\u00favida, \u00e9 um grande passo das pesquisas na \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p>Laser<\/p>\n\n\n\n<p>Outras possibilidades minimamente invasivas para tratar a fase inicial da doen\u00e7a s\u00e3o o iTind e o UroLift.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira t\u00e9cnica consiste em uma \u201cremodela\u00e7\u00e3o\u201d da parte da uretra que passa por dentro da pr\u00f3stata, feita com um aparelho parecido com um stent (usado para evitar interrup\u00e7\u00e3o do fluxo sangu\u00edneo). O dispositivo fica no local por sete dias e, depois, \u00e9 retirado.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, h\u00e1 uma libera\u00e7\u00e3o do canal na pr\u00f3stata, permitindo o fluxo urin\u00e1rio e o fim da sensa\u00e7\u00e3o de urg\u00eancia para fazer xixi.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o segundo recurso envolve a utiliza\u00e7\u00e3o de grampos permanentes e impercept\u00edveis, que abrem o canal da uretra na pr\u00f3stata.<\/p>\n\n\n\n<p>As novidades nas op\u00e7\u00f5es de tratamento para a sa\u00fade da pr\u00f3stata incluem o uso do laser, como o HoLep e o GreenLaser, m\u00e9todos duradouros e minimamente invasivos, que permitem o retorno \u00e0s atividades em at\u00e9 24 horas.<\/p>\n\n\n\n<p>Loureiro afirma que essas t\u00e9cnicas j\u00e1 s\u00e3o utilizadas, al\u00e9m do Moriah, em alguns&nbsp;hospitais universit\u00e1rios de alta complexidade no SUS, como o Hospital Universit\u00e1rio Pedro Ernesto da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e o Hospital das Cl\u00ednicas da USP (Universidade de S\u00e3o Paulo).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No&nbsp;HoLep, um laser de h\u00f3lmio de alta pot\u00eancia,&nbsp;feixe de luz em um comprimento de onda especial, retira o miolo da pr\u00f3stata. A interna\u00e7\u00e3o, com uso de anticoagulantes, demora s\u00f3 24 horas.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o\u00a0Greenlight usa o laser verde e \u00e9 utilizado na vaporiza\u00e7\u00e3o da gl\u00e2ndula,\u00a0indicado para destruir o tecido aumentado de pr\u00f3stata com menos de 60 g.<\/p>\n\n\n\n<p>Outras doen\u00e7as da pr\u00f3stata<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 prostatite: uma inflama\u00e7\u00e3o ou infec\u00e7\u00e3o da gl\u00e2ndula, geralmente causada por bact\u00e9rias, que atinge 10% dos homens de 30 a 50 anos;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 bexiga hiperativa: caracterizada pela urg\u00eancia de urinar e pelo aumento de idas ao banheiro, inclusive durante a noite;<br><br>\u2022 uretrite: inflama\u00e7\u00e3o que provoca fluxo reduzido de urina e dificuldade para fazer xixi, comum em casos de pacientes que usam sonda na regi\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Bi\u00f3psia<\/p>\n\n\n\n<p>Para o diagn\u00f3stico de muitas dessas doen\u00e7as, incluindo c\u00e2ncer, \u00e9 necess\u00e1ria a realiza\u00e7\u00e3o da temida bi\u00f3psia. O procedimento tamb\u00e9m tem sido aprimorado ao longo dos anos, com o avan\u00e7o das pesquisas.<\/p>\n\n\n\n<p>Urologista do Moriah e especialista no exame, Victor Srougi afirma que hoje o m\u00e9todo mais preciso \u00e9 a bi\u00f3psia transperineal, relizada na Europa e em pa\u00edses como Argentina, Chile e M\u00e9xico.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos Estados Unidos, o hospital universit\u00e1rio de Newark, por exemplo, j\u00e1 realiza o procedimento no sistema p\u00fablico. J\u00e1 no Brasil, ele \u00e9 realizado desde 2019, mas ainda n\u00e3o tem cobertura de conv\u00eanios nem \u00e9 oferecido no SUS.<\/p>\n\n\n\n<p>O urologista&nbsp;Jos\u00e9 Pontes, supervisor da disciplina de urologia intervencionista do Departamento de Terapia Minimamente Invasiva da SBU, conta como funciona a bi\u00f3psia transretal, mais comum por aqui, mas infelizmente mais invasiva. Em locais em que o tratamento \u00e9 mais avan\u00e7ado, como na Noruega, ela n\u00e3o \u00e9 mais utilizada.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A agulha coleta o fragmento da pr\u00f3stata pelo reto, naturalmente colonizado por bact\u00e9rias, que acabam sendo levadas para dentro da gl\u00e2ndula. Isso aumenta o risco de infec\u00e7\u00e3o e, consequentemente, a resist\u00eancia a antibi\u00f3ticos&#8221;, diz Pontes.<\/p>\n\n\n\n<p>Em ambos os m\u00e9todos, um aparelho de ultrassom \u00e9 inserido para guiar as agulhas. Na bi\u00f3psia tradicional, elas perfuram o intestino para atingir a gl\u00e2ndula. J\u00e1 na bi\u00f3psia transperineal, as agulhas passam pelo per\u00edneo, a faixa de pele entre o \u00e2nus e o saco escrotal, preservando a parede intestinal.<\/p>\n\n\n\n<p>O risco de ocorrerem complica\u00e7\u00f5es, portanto, \u00e9 menor. \u201cAs principais infec\u00e7\u00f5es de pr\u00f3stata s\u00e3o s\u00e9rias e atingem entre 5% e 6% dos homens ap\u00f3s a bi\u00f3psia convencional, exigindo o uso de antibi\u00f3ticos fortes. H\u00e1 ainda sangramentos retais em 10% a 20% dos pacientes. Na bi\u00f3psia transperineal, que consegue esterilizar a pele, o risco de infec\u00e7\u00f5es cai para praticamente zero e n\u00e3o h\u00e1 necessidade de tomar antibi\u00f3ticos\u201d, esclarece Srougi.<\/p>\n\n\n\n<p>Aumento de casos<\/p>\n\n\n\n<p>Um novo estudo publicado em setembro por um time internacional de pesquisadores na revista cient\u00edfica BMJ Oncology mostra que os casos de c\u00e2ncer em pessoas com menos de 50 anos cresceram 79% pelo mundo nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, de 1990 a 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa prev\u00ea que casos e mortes por c\u00e2ncer na faixa et\u00e1ria v\u00e3o aumentar 31% e 21%, respectivamente, at\u00e9 2030, sendo aqueles na faixa dos 40 anos os mais afetados.<\/p>\n\n\n\n<p>E os tumores de traqueia (nasofaringe) e de pr\u00f3stata foram os que cresceram mais rapidamente durante o per\u00edodo analisado, um aumento anual de 2,28% e 2,23%.<br><br>Segundo o Instituto Nacional de C\u00e2ncer, o aumento observado nas taxas de incid\u00eancia, especificamente no Brasil, pode ser parcialmente justificado pela evolu\u00e7\u00e3o dos m\u00e9todos diagn\u00f3sticos, pela melhoria na qualidade dos sistemas de informa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e pelo aumento na expectativa de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns desses tumores podem crescer de forma r\u00e1pida, espalhando-se para outros \u00f3rg\u00e3os e podendo levar \u00e0 morte. A maioria, por\u00e9m, cresce de forma t\u00e3o lenta que n\u00e3o chega a dar sinais durante a vida nem a amea\u00e7ar a sa\u00fade do homem.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/img.r7.com\/images\/mortes-prostata-18112023105314258?no_crop=true\" alt=\"https:\/\/img.r7.com\/images\/mortes-prostata-18112023105314258\" title=\"https:\/\/img.r7.com\/images\/mortes-prostata-18112023105314258\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Campanha do SUS<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil \u00e9 o \u00fanico pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina a ter uma pol\u00edtica exclusivamente voltada \u00e0 sa\u00fade masculina, seus fatores de risco e suas vulnerabilidades.<\/p>\n\n\n\n<p>A Pol\u00edtica Nacional de Aten\u00e7\u00e3o Integral \u00e0 Sa\u00fade do Homem, do&nbsp;Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, aborda cinco eixos:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2022 acesso e acolhimento:&nbsp;<\/strong>parte da campanha de conscientiza\u00e7\u00e3o de que&nbsp;os homens necessitam de cuidados espec\u00edficos e de quais s\u00e3o eles;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2022 sa\u00fade sexual e sa\u00fade reprodutiva:<\/strong>&nbsp;trata de quest\u00f5es psicol\u00f3gicas, biol\u00f3gicas e sociais, respeitando a vontade de ter filhos ou n\u00e3o;<br><br><strong>\u2022 paternidade e cuidado:&nbsp;<\/strong>busca conscientizar gestores, profissionais de sa\u00fade e a sociedade em geral sobre os benef\u00edcios da participa\u00e7\u00e3o ativa dos homens no exerc\u00edcio da paternidade;<br><br><strong>\u2022 doen\u00e7as prevalentes na popula\u00e7\u00e3o masculina:<\/strong>&nbsp;lembra a import\u00e2ncia da aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria no cuidado \u00e0 sa\u00fade dos homens;<br><br><strong>\u2022 preven\u00e7\u00e3o de viol\u00eancias e acidentes:&nbsp;<\/strong>prop\u00f5e estrat\u00e9gias preventivas na sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Import\u00e2ncia do rastreamento<\/p>\n\n\n\n<p>O urologista Ricardo Vita alerta sobre um h\u00e1bito comum que pode custar a vida de muitos pacientes.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Como muitas das vezes os sintomas [de problemas na pr\u00f3stata] s\u00e3o leves, os homens n\u00e3o buscam aux\u00edlio m\u00e9dico. Eles s\u00f3 v\u00e3o atr\u00e1s quando os sintomas est\u00e3o mais intensos e, nesse momento, geralmente j\u00e1 h\u00e1 uma doen\u00e7a em certa progress\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Mas afirma que as campanhas relacionadas \u00e0 sa\u00fade do homem t\u00eam ajudado a conscientiz\u00e1-los sobre a necessidade de check-ups regulares. \u201cOs exames rotineiros acabam ligando o sinal de alerta em pessoas que n\u00e3o t\u00eam sintomas ou que t\u00eam mas n\u00e3o se incomodam e n\u00e3o teriam procurado um m\u00e9dico por causa disso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A vida \u00e9 mais importante do que tudo. Se eu n\u00e3o tivesse me antecipado ao c\u00e2ncer, ele \u00e9 que teria sa\u00eddo vitorioso<\/p>\n\n\n\n<p>Ant\u00f4nio Josu\u00e9 Filho, 69 anos<\/p>\n\n\n\n<p>Ant\u00f4nio Josu\u00e9 Filho diz que os exames de rastreamento s\u00e3o uma obrigatoriedade. &#8220;Se eu n\u00e3o tivesse esses cuidados, eu n\u00e3o descobriria [o c\u00e2ncer].\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Spagnuolo, por sua vez, afirma que \u201c\u00e9 de uma tremenda ignor\u00e2ncia&#8221; deixar de fazer o exame de toque por preconceito.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA preven\u00e7\u00e3o \u00e9 o primeiro passo para preservar a sa\u00fade e a vida. O que seria de mim se eu n\u00e3o tivesse me preservado, se n\u00e3o tivesse feito essa precau\u00e7\u00e3o? O preconceito \u00e9 tolice. A vida \u00e9 mais importante do que tudo. Se eu n\u00e3o tivesse me antecipado ao c\u00e2ncer, ele \u00e9 que teria sa\u00eddo vitorioso\u201d, finaliza Ant\u00f4nio.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte R7<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meados de 2021,&nbsp;Ant\u00f4nio Josu\u00e9 Filho, 69 anos, maestro, m\u00fasico e militar da reserva do Ex\u00e9rcito aposentado, come\u00e7ou a sentir certa dificuldade para urinar. Ele logo fez o que todo homem deve fazer: foi ao m\u00e9dico. No exame, constatou que sua pr\u00f3stata estava com tamanho acima do normal. Foram duas bi\u00f3psias e o veredito: c\u00e2ncer. 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