{"id":23211,"date":"2024-06-15T11:23:09","date_gmt":"2024-06-15T14:23:09","guid":{"rendered":"https:\/\/imais.online\/portal\/?p=23211"},"modified":"2024-06-15T11:23:10","modified_gmt":"2024-06-15T14:23:10","slug":"ondas-de-calor-do-futuro-podem-mostrar-que-somos-mais-vulneraveis-do-que-pensamos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imais.online\/portal\/ondas-de-calor-do-futuro-podem-mostrar-que-somos-mais-vulneraveis-do-que-pensamos\/","title":{"rendered":"Ondas de calor do futuro podem mostrar que somos mais vulner\u00e1veis do que pensamos"},"content":{"rendered":"<div class=\"imais-before-content-placement\" id=\"imais-1633190809\"><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8787528412751566\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display:block;\" data-ad-client=\"ca-pub-8787528412751566\" \ndata-ad-slot=\"\" \ndata-ad-format=\"auto\"><\/ins>\n<script> \n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); \n<\/script>\n<\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Depend\u00eancia de redes el\u00e9tricas e pr\u00e9dios muito quentes podem piorar qualidade de vida nos pr\u00f3ximos anos<\/h2>\n\n\n\n<p>Em uma noite recente de quinta-feira, uma tempestade de vento anormal chamada\u00a0<em>derecho<\/em>\u00a0(em espanhol, \u201cdireto\u201d) atingiu Houston, cidade com mais de dois milh\u00f5es de habitantes que tamb\u00e9m \u00e9 o epicentro do setor de combust\u00edveis f\u00f3sseis nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em quest\u00e3o de minutos, ventos de at\u00e9 160 km por hora arrancaram janelas de pr\u00e9dios comerciais e derrubaram \u00e1rvores, postes el\u00e9tricos e torres de transmiss\u00e3o. Cerca de um milh\u00e3o de resid\u00eancias ficaram sem energia. Isso significa que n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o havia luz, mas tamb\u00e9m n\u00e3o havia ar-condicionado. Os danos causados pela tempestade foram t\u00e3o extensos que, cinco dias depois, mais de cem mil resid\u00eancias e empresas permaneciam isoladas no calor e na escurid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Felizmente, no dia em que o&nbsp;<em>derecho<\/em>&nbsp;chegou, a temperatura em Houston, cidade famosa por seus ver\u00f5es \u00famidos, estava na casa dos 26\u00baC. Quente, com certeza, mas, para a maioria das pessoas saud\u00e1veis, sem risco de vida. Das pelo menos oito mortes registradas como resultado da tempestade, nenhuma foi causada por exposi\u00e7\u00e3o ao calor.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas se essa tempestade tivesse chegado v\u00e1rios dias depois, talvez no fim de semana do Memorial Day, quando a temperatura em Houston atingiu 35,5\u00baC, com um \u00edndice de calor de at\u00e9 46\u00baC, a hist\u00f3ria poderia ter sido bem diferente. Mikhail Chester, diretor do Centro Metis de Infraestrutura e Engenharia Sustent\u00e1vel da Universidade Estadual do Arizona, me explicou certa vez: \u201c\u00c9 o furac\u00e3o Katrina do calor extremo\u201d, ecoando a mem\u00f3ria do catastr\u00f3fico furac\u00e3o de 2005 que atingiu a Louisiana, devastou Nova Orleans e matou mais de 1.300 pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na ocasi\u00e3o do Katrina, as mortes foram causadas principalmente por afogamento, ferimentos ou problemas card\u00edacos. Mas o dr. Chester estava usando o Katrina como uma met\u00e1fora do que pode acontecer com uma cidade despreparada para uma cat\u00e1strofe clim\u00e1tica extrema. Em Nova Orleans, o sistema de diques foi sobrecarregado por chuvas torrenciais; no fim, 80% da cidade ficaram debaixo d\u2019\u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>E se, em vez disso, a eletricidade faltar por v\u00e1rios dias durante uma onda de calor intenso no ver\u00e3o, em uma cidade que depende de ar-condicionado nesses meses?<\/p>\n\n\n\n<p>No cen\u00e1rio do dr. Chester, uma crise composta de calor extremo e falta de energia em uma grande cidade como Houston poderia levar a uma s\u00e9rie de falhas em cascata, expondo vulnerabilidades na infraestrutura da regi\u00e3o que s\u00e3o dif\u00edceis de prever e que poderiam resultar em milhares ou mesmo em dezenas de milhares de mortes por exposi\u00e7\u00e3o ao calor em quest\u00e3o de dias. O risco para as pessoas nas cidades seria maior, porque todo o concreto e o asfalto amplificam o calor, elevando as temperaturas de 15 a 20 graus no meio da tarde acima das \u00e1reas arborizadas ao redor.<\/p>\n\n\n\n<p>O\u00a0<em>derecho<\/em>\u00a0que atingiu Houston foi um alerta sobre a rapidez com que os riscos est\u00e3o se multiplicando em nosso mundo em r\u00e1pido aquecimento. Como que para provar esse ponto, cerca de dez dias depois do apag\u00e3o de Houston, outra tempestade de vento derrubou a energia de centenas de milhares de resid\u00eancias e empresas em Dallas e nos arredores.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Popula\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel<\/h3>\n\n\n\n<p>Uma das ilus\u00f5es mais perigosas da crise clim\u00e1tica \u00e9 que a tecnologia da vida moderna nos torna invenc\u00edveis. Os seres humanos s\u00e3o inteligentes, temos ferramentas. Sim, vai custar dinheiro, mas podemos nos adaptar ao que vier pela frente. Quanto aos recifes de coral que se branquearam nos oceanos quentes e aos bugios que ca\u00edram mortos das \u00e1rvores durante uma recente onda de calor no M\u00e9xico, bom, isso \u00e9 triste, mas a vida continua.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Obviamente, esse \u00e9 um ponto de vista extremamente privilegiado. Por um lado, mais de 750 milh\u00f5es de pessoas no planeta n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 eletricidade, muito menos ao ar-condicionado.<\/strong>&nbsp;(Na \u00cdndia, Nova D\u00e9li registrou temperaturas de at\u00e9 48\u00baC na semana passada, o que levou a um aumento nos casos de insola\u00e7\u00e3o, ao temor de apag\u00f5es e \u00e0 possibilidade de racionamento de \u00e1gua.) Mas tamb\u00e9m \u00e9 um ponto de vista ing\u00eanuo, mesmo porque nossa bolha de invencibilidade \u00e9 muito mais fr\u00e1gil do que imaginamos. Portanto, o que podemos esperar de um Katrina de calor?<\/p>\n\n\n\n<p>No ano passado, pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Ge\u00f3rgia, da Universidade Estadual do Arizona e da Universidade do Michigan publicaram um estudo analisando as consequ\u00eancias de um grande apag\u00e3o durante uma onda de calor extremo em tr\u00eas cidades: Phoenix, Detroit e Atlanta. No estudo, a causa do blecaute n\u00e3o foi especificada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNa verdade, n\u00e3o importa se o apag\u00e3o \u00e9 resultado de um ataque cibern\u00e9tico ou de um furac\u00e3o. Para os fins de nossa pesquisa, o efeito \u00e9 o mesmo\u201d, me disse Brian Stone, diretor do Laborat\u00f3rio de Clima Urbano do Instituto de Tecnologia da Ge\u00f3rgia e principal autor do estudo. Seja qual for a causa, o estudo observou que o n\u00famero de grandes apag\u00f5es nos EUA mais do que dobrou entre 2015-16 e 2020-21.<\/p>\n\n\n\n<p>O dr. Stone e seus colegas se concentraram nessas tr\u00eas cidades americanas porque elas t\u00eam dados demogr\u00e1ficos, clima e depend\u00eancia de ar-condicionado diferentes.&nbsp;<strong>Em Detroit, 53% dos edif\u00edcios t\u00eam ar-condicionado central; em Atlanta, 94%; em Phoenix, 99%.<\/strong>&nbsp;Os pesquisadores modelaram as consequ\u00eancias para a sa\u00fade dos residentes em um apag\u00e3o de dois dias em toda a cidade durante uma onda de calor, com o restabelecimento gradual da eletricidade nos tr\u00eas dias seguintes.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados foram chocantes: em Phoenix, cerca de 800 mil pessoas (aproximadamente metade da popula\u00e7\u00e3o) precisariam de tratamento m\u00e9dico de emerg\u00eancia para insola\u00e7\u00e3o e outras doen\u00e7as. A enxurrada de pessoas buscando atendimento sobrecarregaria os hospitais da cidade. Mais de 13 mil pessoas morreriam.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante do mesmo cen\u00e1rio em Atlanta, os pesquisadores descobriram que haveria 12.540 visitas a salas de emerg\u00eancia e seis pessoas morreriam. Em Detroit, que tem uma porcentagem maior de residentes mais idosos e uma taxa de pobreza mais alta do que as outras cidades, 221 pessoas morreriam.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez n\u00e3o dev\u00eassemos nos surpreender com esses n\u00fameros.&nbsp;<strong>Os pesquisadores estimam que houve 61.672 mortes relacionadas ao calor na Europa no ver\u00e3o de 2022, a esta\u00e7\u00e3o mais quente j\u00e1 registrada no continente na \u00e9poca.<\/strong>&nbsp;Em junho de 2021, uma onda de calor resultou em quase 900 mortes excessivas no noroeste do Pac\u00edfico.&nbsp;<strong>E, em 2010, cerca de 56 mil russos morreram durante uma onda de calor sem precedentes no ver\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quanto mais quente fica, mais dif\u00edcil \u00e9 para o corpo lidar com a situa\u00e7\u00e3o, aumentando o risco de insola\u00e7\u00e3o e outras doen\u00e7as causadas pelo calor, e as temperaturas est\u00e3o subindo em todo o planeta. O ano passado foi o mais quente j\u00e1 registrado, e os dez anos mais quentes ocorreram todos na \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n\n\n\n<p>No estudo que simulou uma onda de calor nessas tr\u00eas cidades, os pesquisadores conclu\u00edram que o n\u00famero muito maior de mortes em Phoenix foi explicado por dois fatores.&nbsp;<strong>Primeiro, as temperaturas durante uma onda de calor em Phoenix (32\u00baC a 45\u00baC) foram muito mais altas do que as temperaturas em Atlanta (25\u00baC a 36\u00baC) ou Detroit (22\u00baC a 35\u00baC).<\/strong>&nbsp;E, segundo, a maior disponibilidade de sistemas de ar-condicionado em Phoenix significa que os riscos de uma queda de energia durante uma onda de calor s\u00e3o muito maiores.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Medidas de emerg\u00eancia<\/h3>\n\n\n\n<p>Muitas medidas podem ser tomadas para reduzir esses riscos. A constru\u00e7\u00e3o de cidades com menos concreto e asfalto e mais parques, \u00e1rvores e acesso a rios e lagos ajudaria, bem como um sistema de alerta de ondas de calor mais sofisticado e padronizado nacionalmente. As grandes cidades tamb\u00e9m precisam identificar os moradores mais vulner\u00e1veis e desenvolver planos de resposta de emerg\u00eancia direcionados, al\u00e9m de planos de gerenciamento de calor de longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p>Tornar a pr\u00f3pria rede mais resiliente \u00e9 igualmente importante. Melhores barreiras de prote\u00e7\u00e3o digitais nos centros de opera\u00e7\u00e3o da rede impedem as invas\u00f5es de hackers. O aterramento das linhas de transmiss\u00e3o as protege de tempestades. Baterias para armazenar eletricidade para uso em emerg\u00eancias est\u00e3o cada vez mais baratas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mas, quanto mais quente fica, mais vulner\u00e1vel a rede se torna, mesmo quando a demanda por eletricidade aumenta devido ao alto consumo de ar-condicionado. Linhas de transmiss\u00e3o caem, transformadores explodem e usinas el\u00e9tricas falham.<\/strong>&nbsp;Um estudo de 2016 constatou que a possibilidade de falhas em cascata na rede el\u00e9trica do Arizona aumentaria 30 vezes em resposta a um aumento de 1,8 grau nas temperaturas do ver\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA maioria dos problemas com a rede em dias quentes vem de falhas nas usinas de energia ou na rede causadas pelo pr\u00f3prio calor ou pela dificuldade de atender \u00e0 alta demanda por refrigera\u00e7\u00e3o\u201d, me disse Doug Lewin, especialista em rede e autor do boletim informativo \u201cTexas Energy and Power\u201d, acrescentando que a melhor maneira de corrigir isso \u00e9 incentivar as pessoas a reduzir a demanda de energia em casa com sistemas de aquecimento e refrigera\u00e7\u00e3o de alta efici\u00eancia, melhor isolamento e termostatos inteligentes, e a gerar a pr\u00f3pria energia com pain\u00e9is solares e o uso de baterias para armazenamento.<\/p>\n\n\n\n<p>A amea\u00e7a iminente de um \u201cKatrina de calor\u201d \u00e9 um lembrete de como o progresso tecnol\u00f3gico cria novos desafios, mesmo quando soluciona os antigos. Recentemente, em um dia muito quente durante uma viagem a Jaipur, na \u00cdndia, visitei um edif\u00edcio do s\u00e9culo XVIII que tinha uma fonte interna, paredes espessas e um sistema de ventila\u00e7\u00e3o projetado de modo a for\u00e7ar o vento a passar por todos os c\u00f4modos. O pr\u00e9dio n\u00e3o tinha ar-condicionado, mas era t\u00e3o fresco e confort\u00e1vel quanto uma torre de escrit\u00f3rios rec\u00e9m-erguida em Houston.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O ar-condicionado pode, de fato, ser uma necessidade moderna sem a qual muitos de n\u00f3s, que vivemos em regi\u00f5es quentes do mundo, n\u00e3o conseguimos sobreviver. Mas tamb\u00e9m \u00e9 uma tecnologia que favorece o esquecimento.<\/strong>\u00a0Antigamente, as pessoas compreendiam os perigos do calor extremo e criavam maneiras de conviver com ele. E agora, \u00e0 medida que as temperaturas aumentam em decorr\u00eancia de nosso consumo desenfreado de combust\u00edveis f\u00f3sseis, dezenas de milhares de vidas podem depender de nos lembrarmos de como isso foi feito. Ou de encontrar maneiras melhores de faz\u00ea-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte R7<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depend\u00eancia de redes el\u00e9tricas e pr\u00e9dios muito quentes podem piorar qualidade de vida nos pr\u00f3ximos anos Em uma noite recente de quinta-feira, uma tempestade de vento anormal chamada\u00a0derecho\u00a0(em espanhol, \u201cdireto\u201d) atingiu Houston, cidade com mais de dois milh\u00f5es de habitantes que tamb\u00e9m \u00e9 o epicentro do setor de combust\u00edveis f\u00f3sseis nos Estados Unidos. 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