{"id":23311,"date":"2024-06-22T12:35:49","date_gmt":"2024-06-22T15:35:49","guid":{"rendered":"https:\/\/imais.online\/portal\/?p=23311"},"modified":"2024-06-22T12:35:52","modified_gmt":"2024-06-22T15:35:52","slug":"como-deveriam-ser-as-futuras-cidades-uma-linha-no-horizonte-instagramavel-com-certeza-nao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imais.online\/portal\/como-deveriam-ser-as-futuras-cidades-uma-linha-no-horizonte-instagramavel-com-certeza-nao\/","title":{"rendered":"Como deveriam ser as futuras cidades? Uma linha no horizonte instagram\u00e1vel? Com certeza, n\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"imais-before-content-placement\" id=\"imais-459378774\"><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8787528412751566\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display:block;\" data-ad-client=\"ca-pub-8787528412751566\" \ndata-ad-slot=\"\" \ndata-ad-format=\"auto\"><\/ins>\n<script> \n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); \n<\/script>\n<\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cidade monumental constru\u00edda no deserto da Ar\u00e1bia Saudita abrigar\u00e1 9 milh\u00f5es de pessoas, mas deve ser altamente poluente<\/h2>\n\n\n\n<p>De 2020 a 2060, o mundo vai construir o equivalente a uma cidade de Nova York a cada m\u00eas, segundo uma estimativa. Sim, pode at\u00e9 n\u00e3o parecer, mas provavelmente estamos vivendo o maior boom de constru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria. Mas, ainda assim, isso pode n\u00e3o ser o suficiente para atender \u00e0 crescente necessidade de moradias.&nbsp;<strong>A ONU estima que 96 mil unidades financeiramente acess\u00edveis devem ser constru\u00eddas diariamente para abrigar as tr\u00eas bilh\u00f5es de pessoas que v\u00e3o precisar delas at\u00e9 2030.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Muitos pa\u00edses que enfrentam um crescimento populacional intenso est\u00e3o criando cidades inteiramente novas que combinam a sustentabilidade com uma arquitetura impressionante. O Egito est\u00e1 construindo uma capital a leste do Cairo para seis milh\u00f5es e meio de residentes, apresentando o arranha-c\u00e9u mais alto da \u00c1frica.&nbsp;<strong>Para aliviar a press\u00e3o sobre os 30 milh\u00f5es de habitantes da regi\u00e3o metropolitana de Jacarta, na Indon\u00e9sia, uma nova capital est\u00e1 sendo constru\u00edda na ilha de Born\u00e9u.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Talvez o projeto mais famoso seja o Neom, na Ar\u00e1bia Saudita, que inclui uma esta\u00e7\u00e3o de esqui na montanha, um centro log\u00edstico flutuante e&nbsp;<strong>uma cidade conhecida como \u201cThe Line\u201d, com dois arranha-c\u00e9us paralelos conectados por passarelas que se estender\u00e3o por um deserto e por montanhas.<\/strong>&nbsp;Por mais que o governo tenha recentemente reduzido a primeira fase da constru\u00e7\u00e3o, bilh\u00f5es de d\u00f3lares foram alocados para o projeto, que um dia poder\u00e1 abrigar cerca de nove milh\u00f5es de pessoas. A cidade, planejada para ter cerca de 200 metros de largura, 500 metros de altura e cerca de 170 km de extens\u00e3o \u2013 aproximadamente oito vezes o comprimento da Ilha de Manhattan \u2013, ser\u00e1 a maior express\u00e3o de ambi\u00e7\u00e3o, riqueza e avan\u00e7o tecnol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p>The Line oferece uma vis\u00e3o hedonista da vida urbana. Nas representa\u00e7\u00f5es, fam\u00edlias fazem piquenique em pontes suspensas sobre \u00e1trios que lembram c\u00e2nions; a vegeta\u00e7\u00e3o exuberante desce em cascata dos arranha-c\u00e9us, estendendo-se pelo horizonte. E o projeto promete uma vers\u00e3o de sustentabilidade urbana com que a maioria das cidades s\u00f3 pode sonhar: sem estradas, carros ou emiss\u00f5es de gases de efeito estufa provenientes do transporte ou da eletricidade.<\/p>\n\n\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"THE LINE in Progress - February 2024\" width=\"740\" height=\"416\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jJ8qpA8bByE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n\n\n<p><strong>Mas, mesmo com toda sua aud\u00e1cia, a cidade The Line n\u00e3o deve ser nosso modelo para uma vida urbana sustent\u00e1vel.<\/strong>&nbsp;Existem maneiras muito melhores de construir, baseadas em tudo que j\u00e1 sabemos sobre materiais e design. As cidades do futuro devem experimentar novas abordagens na arquitetura, mas com o objetivo de tornar os espa\u00e7os mais habit\u00e1veis e sustent\u00e1veis, e n\u00e3o s\u00f3 ic\u00f4nicos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O futuro n\u00e3o \u00e9 instagram\u00e1vel<\/h3>\n\n\n\n<p>Embora a decis\u00e3o da Ar\u00e1bia Saudita de construir uma cidade linear muito alta possa parecer bizarra, existem benef\u00edcios claros em empilhar pr\u00e9dios uns sobre os outros e conect\u00e1-los com passarelas em diferentes alturas e linhas de tr\u00e2nsito. Os moradores podem ir de uma ponta \u00e0 outra da cidade em apenas 20 minutos sem nunca entrar em um carro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Al\u00e9m disso, empilhando a cidade verticalmente, a densidade de The Line seria de aproximadamente incr\u00edveis 685 mil pessoas por milha quadrada,<\/strong>&nbsp;o que faria dela a cidade mais densa do planeta, muito mais at\u00e9 do que o distrito de Mong Kok, em Hong Kong, que tem cerca de 340 mil pessoas por milha quadrada. Essa superdensidade confere a The Line uma taxa de ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio muito baixa, preservando a natureza de 95% da regi\u00e3o circundante.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, por mais que seja densa, dificilmente eu a consideraria compacta. Sua gigantesca fachada de vidro espelhado vai criar um muro de aproximadamente 85 quil\u00f4metros quadrados que vai atravessar o deserto, representando um risco substancial para as aves migrat\u00f3rias. Vilarejos tamb\u00e9m foram demolidos para dar lugar \u00e0 sua inabal\u00e1vel estrutura linear. Empilhar uma cidade at\u00e9 o c\u00e9u tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 barato \u2013 relatos sugerem que The Line pode custar mais do que o dobro por metro quadrado do que arranha-c\u00e9us convencionais no Oriente M\u00e9dio, n\u00e3o sendo um modelo de habita\u00e7\u00e3o acess\u00edvel a ser replicado em outros lugares.<\/p>\n\n\n\n<p>A altura de The Line tamb\u00e9m traz problemas ambientais pr\u00f3prios. Pr\u00e9dios altos requerem mais material estrutural \u2013 geralmente concreto e a\u00e7o \u2013 para resistir \u00e0 carga de vento que aumenta com a altura, e cuja fabrica\u00e7\u00e3o tem um impacto significativo no clima. O cimento, por exemplo, \u00e9 respons\u00e1vel por cerca de 8% de todas as emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono, enquanto o a\u00e7o gera em torno de sete por cento do total.<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto de The Line prev\u00ea estruturas vertiginosas que se projetam horizontalmente, sem uma sustenta\u00e7\u00e3o direta por baixo, e at\u00e9 um est\u00e1dio que desafia a gravidade, estendendo-se por dois pr\u00e9dios a centenas de metros acima do solo. No total, vai exigir uma quantidade verdadeiramente colossal de materiais, com emiss\u00f5es provavelmente muito mais altas do que aquelas geradas na constru\u00e7\u00e3o de uma cidade t\u00edpica \u2013 algo, portanto, que n\u00e3o se deve imitar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/newr7-r7-prod.web.arc-cdn.net\/resizer\/v2\/VLB6NJ6YWNFINOEXVYYIPX5VJA.jpg?auth=b31061dada0b69dc63724a02078a4877838e52a4d9f77551f07cb158eda7a180&amp;width=5472&amp;height=3078\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Barcelona adota um padr\u00e3o de pr\u00e9dios de altura mediana e alta densidade(ARCHIE MCNICOL\/PEXELS)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Se n\u00e3o conv\u00e9m que sejam muito altas, que forma as novas cidades deveriam adotar?&nbsp;<strong>Alguns pesquisadores sugerem pr\u00e9dios de altura mediana e alta densidade (como Paris ou Barcelona), enquanto outros apoiam uma altura de 18 a 20 andares para uma cidade de dez milh\u00f5es de habitantes.<\/strong>&nbsp;Isso n\u00e3o significa que n\u00e3o devemos construir pr\u00e9dios mais altos, mas sim que uma altura t\u00e3o vertiginosa quanto a de The Line, de aproximadamente 500 metros, deve ser evitada.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto aos materiais, devemos priorizar madeira, pedra, terra compactada e at\u00e9 corti\u00e7a, que s\u00e3o melhores para o clima do que o concreto ou o a\u00e7o. As regulamenta\u00e7\u00f5es na Fran\u00e7a exigem que todos os novos pr\u00e9dios p\u00fablicos sejam constru\u00eddos com pelo menos 50% de madeira ou outro material natural, e atualmente novas constru\u00e7\u00f5es no pa\u00eds est\u00e3o sendo feitas inteiramente em madeira \u2013 que, quando combinada com um pouco de a\u00e7o e concreto, pode at\u00e9 ser usada para construir arranha-c\u00e9us.<\/p>\n\n\n\n<p>O acesso \u00e0 madeira em pa\u00edses como a Ar\u00e1bia Saudita pode ser limitado. Mas no vizinho I\u00eamen, a cidade de Shibam, com 500 anos de idade, mostra como o tijolo de barro pode ser empregado na constru\u00e7\u00e3o de pr\u00e9dios de pelo menos sete andares. Arquitetos est\u00e3o usando terra compactada e tijolo de barro em todos os tipos de constru\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas, como no maravilhoso Complexo Religioso e Secular Hikma, no N\u00edger. Tamb\u00e9m podemos fazer paredes pr\u00e9-fabricadas com esses materiais naturais para construir apartamentos de v\u00e1rios andares.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Sintonia com o clima<\/h3>\n\n\n\n<p>As cidades do futuro tamb\u00e9m precisam estar em sintonia com seu clima local. Pr\u00e9dios de vidro podem necessitar de mais ar-condicionado, com um grande custo energ\u00e9tico. Em vez disso, as cidades deveriam se afastar desse conceito e abra\u00e7ar o sombreamento para bloquear e filtrar o calor indesejado do sol, reduzindo a necessidade de energia e mantendo os moradores confort\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu n\u00edvel mais fundamental, as cidades s\u00e3o destinadas a abrigar pessoas e construir comunidades.&nbsp;<strong>O sucesso n\u00e3o vem de uma linha no horizonte instagram\u00e1vel, mas da forma como os espa\u00e7os s\u00e3o projetados e usados.<\/strong>&nbsp;Qual \u00e9 seu n\u00edvel de seguran\u00e7a para crian\u00e7as pequenas? As pessoas podem permanecer neles o tempo todo? S\u00e3o acess\u00edveis? Essas perguntas podem parecer excessivamente pragm\u00e1ticas, at\u00e9 mesmo entediantes, mas s\u00e3o elas que impulsionam o sucesso de uma cidade \u2013 muito mais do que seu grau de est\u00edmulo visual. Basta olhar para as falhas do Vessel, estrutura arquitet\u00f4nica no bairro de Hudson Yards, em Manhattan, para notar as desvantagens de priorizar o espet\u00e1culo visual em detrimento da funcionalidade, da acessibilidade e da seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda n\u00e3o sabemos como seria viver em um arranha-c\u00e9u linear com pontes suspensas arborizadas; um dos poucos projetos assim \u00e9 o Pinnacle@Duxton, em Singapura. L\u00e1, quase dois mil apartamentos distribu\u00eddos em sete torres de 50 andares s\u00e3o conectados por dois n\u00edveis de pontes suspensas. Fiz parte de uma equipe que estudou como as pessoas usavam esses espa\u00e7os verdes exuberantes em altitudes elevadas. Descobrimos que proporcionam paz e um ref\u00fagio em meio ao denso ambiente urbano. Mas os residentes tamb\u00e9m ficaram frustrados com as regras rigorosas que limitavam sua liberdade de usar os espa\u00e7os como desejassem.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante mil\u00eanios, nossas cidades foram moldadas pelo poder e pela identidade. Na Bolonha do s\u00e9culo XIII, os italianos constru\u00edram torres, provavelmente para demonstrar sua riqueza. Atualmente, Nova York, Hong Kong, Londres, Dubai e Xangai se exibem de maneira similar, criando identidade de marca com seu horizonte em um esfor\u00e7o para seguirem como pot\u00eancias econ\u00f4micas e de talentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por mais que os promotores de The Line digam que o projeto vai ser \u00f3timo para as pessoas e para o meio ambiente, o desejo de criar um \u00edcone global \u00e9, certamente, o principal motivo para a Ar\u00e1bia Saudita constru\u00ed-lo \u2013 e, nesse quesito, devemos admitir: o pa\u00eds j\u00e1 foi muito bem-sucedido.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas esse \u00e9 o futuro da vida urbana? Para o bem dos habitantes da cidade e do meio ambiente, espero que n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>(<em>Philip Oldfield, diretor da Escola de Ambiente Constru\u00eddo da Universidade de Nova Gales do Sul, em Sydney, na Austr\u00e1lia, \u00e9 autor do livro \u201cThe Sustainable Tall Building\u201d.<\/em>)<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte R7<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidade monumental constru\u00edda no deserto da Ar\u00e1bia Saudita abrigar\u00e1 9 milh\u00f5es de pessoas, mas deve ser altamente poluente De 2020 a 2060, o mundo vai construir o equivalente a uma cidade de Nova York a cada m\u00eas, segundo uma estimativa. Sim, pode at\u00e9 n\u00e3o parecer, mas provavelmente estamos vivendo o maior boom de constru\u00e7\u00e3o da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":23312,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"rop_custom_images_group":[],"rop_custom_messages_group":[],"rop_publish_now":"initial","rop_publish_now_accounts":[],"rop_publish_now_history":[],"rop_publish_now_status":"pending","footnotes":""},"categories":[212],"tags":[73],"class_list":["post-23311","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-internacional","tag-featured"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23311","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23311"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23311\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":23313,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23311\/revisions\/23313"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23312"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23311"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23311"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23311"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}