{"id":23686,"date":"2024-07-19T10:58:22","date_gmt":"2024-07-19T13:58:22","guid":{"rendered":"https:\/\/imais.online\/portal\/?p=23686"},"modified":"2024-07-19T10:58:23","modified_gmt":"2024-07-19T13:58:23","slug":"cura-do-hiv-o-que-o-novo-caso-tem-de-diferente-que-aumenta-a-esperanca-de-novos-tratamentos-para-o-virus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imais.online\/portal\/cura-do-hiv-o-que-o-novo-caso-tem-de-diferente-que-aumenta-a-esperanca-de-novos-tratamentos-para-o-virus\/","title":{"rendered":"Cura do HIV: o que o novo caso tem de diferente que aumenta a esperan\u00e7a de novos tratamentos para o v\u00edrus"},"content":{"rendered":"<div class=\"imais-before-content-placement\" id=\"imais-3403008143\"><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8787528412751566\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display:block;\" data-ad-client=\"ca-pub-8787528412751566\" \ndata-ad-slot=\"\" \ndata-ad-format=\"auto\"><\/ins>\n<script> \n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); \n<\/script>\n<\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cientistas anunciaram ontem que alem\u00e3o de 60 anos \u00e9 mais um caso de remiss\u00e3o ap\u00f3s transplante de medula \u00f3ssea cujo doador era resistente ao v\u00edrus<\/h2>\n\n\n\n<p>Nesta quinta-feira, cientistas alem\u00e3es\u00a0anunciaram o 7\u00ba caso de uma cura prov\u00e1vel do HIV. Assim como nos relatos anteriores, o paciente, um homem de 60 anos, precisou passar por um transplante de medula \u00f3ssea para tratar uma leucemia, e o doador escolhido tinha uma muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica que o tornava resistente ao v\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>Os procedimentos n\u00e3o s\u00e3o uma alternativa que ser\u00e1 oferecida a todos que vivem com HIV em larga escala, j\u00e1 que o transplante tem uma s\u00e9rie de riscos, nem sempre funciona e h\u00e1 um n\u00famero escasso de doadores, especialmente que carreguem essa altera\u00e7\u00e3o espec\u00edfica no DNA. Mas pesquisadores ressaltaram que tem uma diferen\u00e7a no novo caso que pode impulsionar\u00a0novos tratamentos em busca de uma cura global.<\/p>\n\n\n\n<p>A muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica buscada entre os doadores \u00e9 chamada de CCR5\u039432\/\u039432. Ela faz com que a pessoa n\u00e3o produza uma prote\u00edna chamada CCR5. Isso porque ela \u00e9 um receptor que fica na superf\u00edcie das c\u00e9lulas T CD4 do sistema imunol\u00f3gico, principais alvos do HIV, e atua como uma esp\u00e9cie de fechadura, por onde o v\u00edrus entra.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, naqueles com a muta\u00e7\u00e3o, e consequentemente sem o receptor, as c\u00e9lulas se tornam resistentes \u00e0 infec\u00e7\u00e3o, interrompendo a replica\u00e7\u00e3o do HIV no organismo e eventualmente o eliminando por completo.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, os pacientes anteriores que alcan\u00e7aram a remiss\u00e3o receberam a medula \u00f3ssea de doadores que herdaram duas c\u00f3pias desse gene mutante, uma de cada um dos pais, o que as tornava \u201cpraticamente imunes\u201d ao HIV. J\u00e1 no caso mais recente, o doador havia herdado apenas uma c\u00f3pia do gene mutante, algo mais comum de se encontrar na popula\u00e7\u00e3o &#8212; j\u00e1 que menos de 1% tem as duas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o conseguimos encontrar um doador de c\u00e9lulas-tronco correspondente que fosse imune ao HIV, mas conseguimos encontrar uma cujas c\u00e9lulas t\u00eam duas vers\u00f5es do receptor CCR5: a normal e, em seguida, uma extra, mutada&#8221;, explicou Olaf Penack, m\u00e9dico do departamento de Hematologia, Oncologia e Imunologia do C\u00e2ncer do hospital Charit\u00e9, em Berlim, que cuidou do paciente, em nota.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, o novo paciente tamb\u00e9m atingiu um quadro de elimina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, o que para Sharon Lewin, presidente da Sociedade Internacional de AIDS, \u00e9 algo animador. Em comunicado, ela diz que \u00e9 &#8220;promissor para futuras estrat\u00e9gias de cura do HIV baseadas em terapia gen\u00e9tica, pois sugere que n\u00e3o precisamos eliminar cada parte do CCR5 para obter a remiss\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Cientistas t\u00eam, por exemplo, buscado desenvolver novas estrat\u00e9gias que utilizam a t\u00e9cnica chamada de CRISPR, uma esp\u00e9cie de &#8220;tesoura&#8221; que consegue fazer cortes no material gen\u00e9tico, justamente para remover o gene que produz o CCR5 das c\u00e9lulas de pessoas que vivem com HIV.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto de busca por novas formas de eliminar o v\u00edrus, Christian Gaebler, do departamento de Doen\u00e7as Infecciosas e Medicina de Cuidados Cr\u00edticos do Charit\u00e9, tamb\u00e9m v\u00ea com bons olhos o novo caso e diz ser um feito &#8220;extremamente surpreendente&#8221;:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Isso significa que o fato de o v\u00edrus ter sido curado aparentemente n\u00e3o \u00e9 atribu\u00edvel somente ao receptor gen\u00e9tico CCR5 do doador, mas sim ao fato de que suas c\u00e9lulas imunes transplantadas eliminaram todas as c\u00e9lulas infectadas pelo HIV do paciente. Ao substituir seu sistema imunol\u00f3gico, aparentemente destru\u00edmos todos os lugares onde o v\u00edrus estava escondido, ent\u00e3o n\u00e3o era mais capaz de infectar as novas c\u00e9lulas imunes do doador&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A principal dificuldade em encontrar uma terapia que elimine a infec\u00e7\u00e3o pelo HIV por completo \u00e9 devido a algo chamado de persist\u00eancia viral, que impede os medicamentos atuais de destru\u00edrem todas as partes do v\u00edrus que circulam pelo organismo. Isso porque ele permanece em estado de dorm\u00eancia em alguns reservat\u00f3rios, e a medica\u00e7\u00e3o atua somente sobre o v\u00edrus ativo. Com isso, toda vez que se interrompe o tratamento, os que est\u00e3o adormecidos eventualmente acordam e voltam a se replicar.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, para Christian, neste novo caso de cura, &#8220;a velocidade com que o novo sistema imunol\u00f3gico substitui o antigo pode desempenhar um papel, j\u00e1 que &#8220;foi feito de forma relativamente r\u00e1pida, em menos de 30 dias&#8221;. Ele tamb\u00e9m considera que outros fatores podem estar envolvidos: &#8220;O sistema imunol\u00f3gico do doador tamb\u00e9m pode ter caracter\u00edsticas especiais, como c\u00e9lulas assassinas naturais altamente ativas, que garantem que at\u00e9 mesmo a atividade menor do HIV seja detectada e eliminada&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Assim que tivermos uma melhor compreens\u00e3o de quais fatores contribu\u00edram para que o v\u00edrus fosse erradicado de todos os seus esconderijos, ent\u00e3o essas descobertas podem ser usadas para desenvolver novos conceitos de tratamento, como terapias imunol\u00f3gicas baseadas em c\u00e9lulas ou vacinas terap\u00eauticas&#8221;, continua.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O &#8216;novo paciente de Berlim&#8217;<\/h2>\n\n\n\n<p>O s\u00e9timo caso relatado de cura, que prefere permanecer an\u00f4nimo, foi apelidado de \u201cnovo paciente de Berlim\u201d, uma refer\u00eancia ao primeiro \u201cpaciente de Berlim\u201d, Timothy Ray Brown, que foi a primeira pessoa a ser declarada curada do HIV em 2008. Timothy, no entanto, morreu de c\u00e2ncer em 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u201cnovo paciente de Berlim\u201d foi diagnosticado com o HIV em 2009. Em 2015, descobriu um quadro de leucemia mieloide aguda (LMA), a forma mais agressiva do c\u00e2ncer, e precisou receber um transplante de medula \u00f3ssea. Os m\u00e9dicos selecionaram um doador que tinha uma muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica que tornava as suas c\u00e9lulas resistentes \u00e0 entrada do HIV.<\/p>\n\n\n\n<p>No final de 2018, o homem interrompeu o tratamento antirretroviral. At\u00e9 agora, quase seis anos depois, o v\u00edrus n\u00e3o voltou a ser detectado no seu organismo, o que indica que ele parou de se replicar, e que o paciente foi curado. Os pesquisadores apresentar\u00e3o o caso em Munique, na Alemanha, na 25\u00aa confer\u00eancia internacional de AIDS, no pr\u00f3ximo dia 25.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Estamos muito satisfeitos que o paciente esteja em boa sa\u00fade e indo bem. O fato de ele estar sob observa\u00e7\u00e3o por mais de cinco anos e estar livre de v\u00edrus o tempo todo indica que realmente conseguimos erradicar completamente o HIV do corpo do paciente. Ent\u00e3o, n\u00f3s o consideramos curado do HIV&#8221;, disse Olaf Penack, m\u00e9dico do departamento de Hematologia, Oncologia e Imunologia do C\u00e2ncer do hospital Charit\u00e9, em Berlim, que cuidou do paciente, em nota.<\/p>\n\n\n\n<p>O alem\u00e3o celebrou a perspectiva de cura cerca de 15 anos ap\u00f3s o diagn\u00f3stico: &#8220;Uma pessoa saud\u00e1vel tem muitos desejos, uma pessoa doente apenas um&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte O Globo <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas anunciaram ontem que alem\u00e3o de 60 anos \u00e9 mais um caso de remiss\u00e3o ap\u00f3s transplante de medula \u00f3ssea cujo doador era resistente ao v\u00edrus Nesta quinta-feira, cientistas alem\u00e3es\u00a0anunciaram o 7\u00ba caso de uma cura prov\u00e1vel do HIV. 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