{"id":23745,"date":"2024-07-24T10:04:15","date_gmt":"2024-07-24T13:04:15","guid":{"rendered":"https:\/\/imais.online\/portal\/?p=23745"},"modified":"2024-07-24T10:04:16","modified_gmt":"2024-07-24T13:04:16","slug":"brainrot-como-o-consumo-excessivo-de-memes-e-modismos-nas-redes-sociais-deteriora-nosso-cerebro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imais.online\/portal\/brainrot-como-o-consumo-excessivo-de-memes-e-modismos-nas-redes-sociais-deteriora-nosso-cerebro\/","title":{"rendered":"Brainrot: como o consumo excessivo de memes e modismos nas redes sociais deteriora nosso c\u00e9rebro"},"content":{"rendered":"<div class=\"imais-before-content-placement\" id=\"imais-2111441742\"><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8787528412751566\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display:block;\" data-ad-client=\"ca-pub-8787528412751566\" \ndata-ad-slot=\"\" \ndata-ad-format=\"auto\"><\/ins>\n<script> \n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); \n<\/script>\n<\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Comunica\u00e7\u00e3o comprometida com excesso de piadas do Twitter ou jarg\u00f5es do TikTok, ansiedade e falta de concentra\u00e7\u00e3o e at\u00e9 isolamento social est\u00e3o na lista de como a &#8216;prodrid\u00e3o cerebral&#8217; pode aparecer<\/h2>\n\n\n\n<p>Dia desses, durante um chope com amigos, a analista de marketing carioca Ant\u00f4nia Batista, de 28 anos, come\u00e7ou a imitar um rapaz \u201cguloso\u201d que segue no TikTok para mostrar o quanto tinha gostado de um aperitivo servido na mesa. Ningu\u00e9m achou gra\u00e7a. N\u00e3o raro, ela tamb\u00e9m tem esses ru\u00eddos de comunica\u00e7\u00e3o com o namorado, que fica sem entender o que ela quer dizer. Ant\u00f4nia reconhece que usa e abusa de jarg\u00f5es ou memes que consome em redes como Instagram, TikTok e Twitter \u2014 diariamente, s\u00e3o sete horas on-line por conta do trabalho, mais tr\u00eas horas de lazer, no m\u00ednimo, segundo seus c\u00e1lculos.<\/p>\n\n\n\n<p>O que a jovem est\u00e1 vivendo pode ser um sinal de brainrot \u2014 em bom portugu\u00eas, \u201cpodrid\u00e3o (ou deteriora\u00e7\u00e3o) cerebral\u201d, estado que pode levar a uma certa dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o, e at\u00e9 a isolamento social e ansiedade, consequentes de um consumo excessivo de conte\u00fado f\u00fatil em redes sociais. Apesar de o termo ainda n\u00e3o aparecer em publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, especialistas j\u00e1 conseguem interpret\u00e1-lo. Quanto mais tempo gastamos curtindo memes, v\u00eddeos de bichinhos, piadas e outras bobagens, mais isso pode comprometer a sa\u00fade mental e mais dificuldade podemos ter de nos comunicarmos para al\u00e9m do l\u00e9xico do meme. Se faltam palavras, sobra brainrot.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 \u00c9 uma consequ\u00eancia do uso excessivo de telas, num est\u00e1gio mais avan\u00e7ado \u2014 diz a terapeuta ocupacional Renata Maria Silva Santos, pesquisadora do Centro de Tecnologia e Medicina Molecular da UFMG. \u2014 E se refere, entre outras coisas, \u00e0 dificuldade de fala, \u00e0 perda de habilidades de comunica\u00e7\u00e3o. As pessoas ficam presas a um esquema t\u00e3o intenso de est\u00edmulos que n\u00e3o focam e come\u00e7am a se comunicar por meio de coisas prontas, tipo um meme.<\/p>\n\n\n\n<p>Para que conste: Ant\u00f4nia Batista consegue enxergar claramente sua situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014As caracter\u00edsticas do brainrot est\u00e3o mesmo presentes no meu dia a dia. Sempre fui de usar o dialeto das redes, e sinto que isso est\u00e1 aumentando \u2014 admite.<\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista ao New York Times, Michael Rich, pediatra do laborat\u00f3rio Digital Wellness Lab, do Hospital Pedri\u00e1trico de Boston, nos Estados Unidos, diz que seus jovens pacientes costumam se referir a brainrot como \u201cuma forma de descrever o que acontece quando se passa muito tempo on-line, e sua consci\u00eancia se desloca para o espa\u00e7o virtual em vez da vida real, filtrando tudo atrav\u00e9s da lente do que foi postado e do que pode ser postado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Detox dif\u00edcil<\/h2>\n\n\n\n<p>Ironia ou n\u00e3o do destino, o termo come\u00e7ou a se popularizar justamente em v\u00eddeos numa rede social, no caso o TikTok, em que influenciadores ora tiravam sarro da forma como a \u201cpodrid\u00e3o cerebral\u201d pode deixar as pessoas sem vocabul\u00e1rio, ora falando em tom mais s\u00e9rio sobre como o excesso de refer\u00eancias a memes e trends pode atrapalhar conversas.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns dos conte\u00fados de maior sucesso com #brainrot (j\u00e1 s\u00e3o mais de 300 mil no TikTok) est\u00e3o em ingl\u00eas e s\u00e3o da influenciadora americana Heidi Becker. Em esquetes de humor, ela interpreta uma jovem que se comunica somente com express\u00f5es que \u201cbombam\u201d na rede, como \u201carrume-se comigo\u201d, desafio de moda onipresente por l\u00e1. Outro influenciador americano, Joel Cave, tamb\u00e9m viralizou ao descrever, de forma mais s\u00f3bria, um colega de faculdade que, a todo momento, \u201cinsere\u201d memes nas conversas. \u201cO fato de que a internet pode se infiltrar tanto em nosso c\u00e9rebro a ponto de as pessoas nem terem controle sobre o que est\u00e3o dizendo \u00e9 louco para mim. Se voc\u00ea \u00e9 esse tipo de pessoa, est\u00e1 na hora de largar o celular\u201d, aconselha.<\/p>\n\n\n\n<p>Deixar as redes de lado \u00e9 o que a servidora p\u00fablica de S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o Andiara Martins, de 34 anos, tem feito h\u00e1 uma semana. Ela n\u00e3o tem os problemas de comunica\u00e7\u00e3o descrito pelos dois tiktokers, mas passa, sim, por excessos de consumo digital que des\u00e1guam num estado de ansiedade improdutivo. Algo n\u00e3o aconselh\u00e1vel para quem estuda para concurso p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Percebo que, em \u00e9pocas\ue808em que estou mais ansiosa, fico mais tempo no Instagram. Isso potencializa a ansiedade e fico angustiada demais \u2014 diz.<\/p>\n\n\n\n<p>O relato de Andiara \u00e9 a clara descri\u00e7\u00e3o de um ciclo vicioso que nem todo mundo percebe e que exige determina\u00e7\u00e3o para ser rompido. Ant\u00f4nia Batista, consciente da rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia com as redes sociais, at\u00e9 tenta fazer um detox nas f\u00e9rias, mas admite ser \u201cpraticamente imposs\u00edvel\u201d:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Quando algu\u00e9m fala sobre um meme ou \u00e1udio que nunca conheci, penso logo: \u201cComo ainda n\u00e3o fui impactada por isso?\u201d Pe\u00e7o rapidamente para me mandarem.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o psicanalista Leonardo Goldberg, autor de \u201cO sujeito na era digital\u201d (Editora Almedina), as redes sociais deixam os processos mentais em modo automatizado, inclusive a forma de lidar com inquieta\u00e7\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014As redes sociais t\u00eam uma estrutura que privilegia um conte\u00fado sem elabora\u00e7\u00e3o e jogam o espectador num flow que serve como anteparo para ang\u00fastia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sem culpa<\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante pensar o papel das plataformas nisso e n\u00e3o apenas o comportamento dos usu\u00e1rios, ressalta Issaaf Karhawi, pesquisadora em Comunica\u00e7\u00e3o Digital e professora da Unip-SP. Ele destaca que redes como Instagram e TikTok s\u00e3o organizadas para que se passe o m\u00e1ximo de tempo ali para \u201cassistir a um an\u00fancio, clicar nele e comprar\u201d:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 N\u00e3o gosto de apontar o dedo s\u00f3 para o usu\u00e1rio. Claro que h\u00e1 impacto psicol\u00f3gicos em rela\u00e7\u00e3o ao tipo de conte\u00fado que consumimos, mas h\u00e1 uma quest\u00e3o importante em jogo que \u00e9 o desenho das plataformas \u2014 explica. \u2014 Fal\u00e1vamos de redes sociais como espa\u00e7o de sociabilidade, mas hoje temos muita clareza de que a finalidade \u00e9 consumo. O que circula e \u00e9 impulsionado pelos algoritmos s\u00e3o conte\u00fados superficiais, ora mais divertidos, ora mais emotivos, \u00e0s vezes mais raivosos, para levar o usu\u00e1rio ao objetivo final: clicar em alguma coisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Adolescentes e jovens adultos da gera\u00e7\u00e3o Z s\u00e3o os mais propensos a sofrerem os efeitos da \u201cpodrid\u00e3o cerebral\u201d, reconhecem especialistas, que ainda divergem sobre como se livrar deles. M\u00e9dicos do Digital Wellness Lab, do Hospital Pedi\u00e1trico de Boston, acredita que o brainrot n\u00e3o \u00e9 um v\u00edcio em redes sociais, mas uma forma de as pessoas se desviarem de outros problemas, \u201crolando infinitamente o feed\u201d. O Newport Institute, centro de tratamento para sa\u00fade mental de adolescentes e jovens adultos espalhado por v\u00e1rias cidades dos EUA, criou protocolos espec\u00edficos de tratamento para mitigar efeitos do brainrot, que incluem limitar hor\u00e1rios para uso de celular. H\u00e1 tamb\u00e9m a indica\u00e7\u00e3o de atividades para \u201cfortalecimento da mente\u201d, como aprender uma nova l\u00edngua, um esporte ou um trabalho manual. Fazer uma curadoria do feed (\u201cN\u00e3o sucumba a not\u00edcias sensacionalistas e negativas. Al\u00e9m disso, deixe de seguir contas que gerem sentimentos de raiva ou ansiedade com frequ\u00eancia\u201d, diz o protocolo) \u00e9 outro conselho.<\/p>\n\n\n\n<p>Em maio, muita gente \u2014 com brainrot ou n\u00e3o \u2014 resolveu seguir essa l\u00f3gica da limpeza do feed para tentar melhorar o espa\u00e7o virtual que habita. Foi o movimento Blockout: a ideia inicial era deixar de seguir celebridades e influenciadores que n\u00e3o se posicionavam sobre o conflito Israel-Hamas e preferiam exibir uma realidade apol\u00edtica no feed. A foice virtual passou para al\u00e9m do assunto Oriente M\u00e9dio e, no TikTok, houve quem fizesse listas com os nomes e raz\u00f5es do Blockout do dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Taylor Swift, bastante cobrada,perdeu, segundo o Crowdtangle, quase 230 mil seguidores no auge do movimento, entre 12 e 18 de maio. Mas, de acordo com dados do Google Trends, tudo parece n\u00e3o ter passado de uma trend, ou seja, um modismo. O auge das buscas por \u201cblockout\u201d aconteceu na semana da mais expressiva perda de seguidores da cantora, e depois a curva caiu vertiginosamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte O Globo <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comunica\u00e7\u00e3o comprometida com excesso de piadas do Twitter ou jarg\u00f5es do TikTok, ansiedade e falta de concentra\u00e7\u00e3o e at\u00e9 isolamento social est\u00e3o na lista de como a &#8216;prodrid\u00e3o cerebral&#8217; pode aparecer Dia desses, durante um chope com amigos, a analista de marketing carioca Ant\u00f4nia Batista, de 28 anos, come\u00e7ou a imitar um rapaz \u201cguloso\u201d que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":23746,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"rop_custom_images_group":[],"rop_custom_messages_group":[],"rop_publish_now":"initial","rop_publish_now_accounts":[],"rop_publish_now_history":[],"rop_publish_now_status":"pending","footnotes":""},"categories":[205],"tags":[],"class_list":["post-23745","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23745","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23745"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23745\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":23747,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23745\/revisions\/23747"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23746"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23745"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23745"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23745"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}