{"id":23913,"date":"2024-08-02T10:50:24","date_gmt":"2024-08-02T13:50:24","guid":{"rendered":"https:\/\/imais.online\/portal\/?p=23913"},"modified":"2024-08-02T10:50:26","modified_gmt":"2024-08-02T13:50:26","slug":"poder-dinheiro-e-medo-como-maduro-mantem-apoio-de-militares-na-venezuela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imais.online\/portal\/poder-dinheiro-e-medo-como-maduro-mantem-apoio-de-militares-na-venezuela\/","title":{"rendered":"Poder, dinheiro e medo: como Maduro mant\u00e9m apoio de militares na Venezuela"},"content":{"rendered":"<div class=\"imais-before-content-placement\" id=\"imais-1172386284\"><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8787528412751566\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display:block;\" data-ad-client=\"ca-pub-8787528412751566\" \ndata-ad-slot=\"\" \ndata-ad-format=\"auto\"><\/ins>\n<script> \n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); \n<\/script>\n<\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Leais ao regime desde Hugo Ch\u00e1vez, os militares t\u00eam raz\u00f5es que v\u00e3o desde poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico at\u00e9 a vigil\u00e2ncia e puni\u00e7\u00e3o para manter-se ao lado de Maduro em um momento em que sua reelei\u00e7\u00e3o e seu governo s\u00e3o duramente questionados no pa\u00eds e no exterior.<\/h2>\n\n\n\n<p>\u201cLeais sempre, traidores nunca\u201d, gritou um grupo de quase 20 militares da alta patente ao redor do ministro da Defesa da Venezuela, o general Vladimir Padrino L\u00f3pez, ap\u00f3s um breve discurso na ter\u00e7a-feira (30\/7).<\/p>\n\n\n\n<p>Um dia depois que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) anunciou a recondu\u00e7\u00e3o do presidente Nicol\u00e1s Maduro ao cargo<a class=\"\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/cxx253y3d92o?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Bg1%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&nbsp;<\/a>por mais seis anos, L\u00f3pez fez um discurso para recha\u00e7ar os questionamentos do resultado da elei\u00e7\u00e3o e os protestos da oposi\u00e7\u00e3o nas ruas, reafirmar a vit\u00f3ria do l\u00edder venezuelano e refor\u00e7ar \u201cabsoluta lealdade\u201d ao sucessor de Hugo Ch\u00e1vez, padrinho pol\u00edtico de Maduro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEstamos diante de um golpe de estado elaborado pelos fascistas da extrema direita e apoiado pelo imperialismo norte-americano\u201d, afirmou o general.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua mensagem faz ecoar o que o pr\u00f3prio presidente Nicol\u00e1s Maduro havia afirmado na segunda-feira (29\/7): \u201cEst\u00e3o tentando impor na Venezuela um golpe de Estado novamente de car\u00e1ter fascista e contra revolucion\u00e1rio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Passadas mais de 96 horas do encerramento da elei\u00e7\u00e3o, que ocorreu no domingo (28\/7),&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/cxw2vnwy2j3o?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Bg1%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">as atas com os registros dos votos ainda n\u00e3o foram apresentada<\/a>s. O site do CNE segue fora do ar, e o governo diz que investigar\u00e1 um suposto \u201cataque hacker\u201d ao sistema eleitoral.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto, em que os holofotes internacionais se voltam para o pa\u00eds sul-americano com d\u00favidas sobre a lisura do processo eleitoral e contesta\u00e7\u00e3o do resultado apresentado, a mensagem de L\u00f3pez marca a posi\u00e7\u00e3o dos militares, leais ao regime \u2014 que d\u00e1 a Maduro um importante respaldo em um momento em que sua reelei\u00e7\u00e3o e seu governo s\u00e3o duramente questionados no pa\u00eds e no exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil apontam, basicamente, tr\u00eas pilares que sustentam essa fidelidade dos militares ao governo: poder, ocupando cargos importantes e uma pol\u00edtica robusta de ascens\u00e3o dentro dos quart\u00e9is; dinheiro, controlando setores importantes do pa\u00eds, como de petr\u00f3leo e min\u00e9rio; e medo, j\u00e1 que s\u00e3o alvos de recha\u00e7o e san\u00e7\u00f5es em caso de oposi\u00e7\u00e3o ao regime.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O papel dos militares no Chavismo<\/h2>\n\n\n\n<p>Os militares ganharam mais for\u00e7a e poder ainda durante o governo de Hugo Ch\u00e1vez, entre 1999 e 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 no primeiro ano de governo, Ch\u00e1vez promulgou uma Constitui\u00e7\u00e3o que garantia, dentre outras coisas, o direito ao voto e \u00e0 disputa de cargos eletivos aos militares.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNaquele momento, eles passaram a ter for\u00e7a pol\u00edtica ativa, com interven\u00e7\u00e3o direta, controlando postos-chave do Estado, al\u00e9m de empresas de setores importantes como o min\u00e9rio e o petr\u00f3leo\u201d, explica Rafael Villa, professor venezuelano de Ci\u00eancias Pol\u00edticas e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n\n\n\n<p>Adriana Marques, professora de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e coordenadora do Laborat\u00f3rio de Estudos de Seguran\u00e7a e Defesa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ressalta que \u201ctoda a trajet\u00f3ria dos militares na Venezuela est\u00e1 muito vinculada ao chavismo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, em 2002, a tentativa de golpe sofrida por Ch\u00e1vez mostrou que era preciso dar mais poder \u00e0s For\u00e7as Armadas, segundo analistas ouvidos pela BBC News Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>A tentativa de destitui\u00e7\u00e3o, que durou dois dias, partiu tamb\u00e9m de uma ala militar, descontente com o autoritarismo exercido pelo presidente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCh\u00e1vez conseguiu sobreviver porque, de um lado, fez uma depura\u00e7\u00e3o nas For\u00e7as Armadas, e, por outro, incorporou os militares em fun\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais, diz Villa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs principais estatais foram para as m\u00e3os dos militares, como, por exemplo, a [petrol\u00edfera] PDVSA, que est\u00e1 sob controle militar desde 2004. \u00c9 uma forma de coopta\u00e7\u00e3o muito eficiente.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Quando Maduro assumiu a Presid\u00eancia, logo ap\u00f3s a morte de Ch\u00e1vez, em 2013,&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-47161281?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Bg1%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ele deu continuidade a essa pol\u00edtica de parceria com os militares<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Nomeou generais em cargos de confian\u00e7a e manteve um sistema de promo\u00e7\u00e3o dentro das For\u00e7as Armadas como forma de garantir o apoio dentre l\u00edderes militares.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA Venezuela tem hoje a maior quantidade de generais do mundo\u201d, diz Villa.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o especialista, s\u00e3o cerca de 1,3 mil generais, dentro de um contingente entre 95 mil a 150 mil oficiais,&nbsp;<a class=\"\" href=\"http:\/\/www.mindefensa.gob.ve\/mindefensa\/fuerza-armada\/#:~:text=La%20Fuerza%20Armada%20Nacional%20Bolivariana,de%20prestar%20servicios%20como%20reservistas.\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">segundo o minist\u00e9rio da Defesa do pa\u00eds<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPara se ter uma ideia, nos Estados Unidos, \u00e9 algo como 800 generais. No Brasil, s\u00e3o cerca de 650. Isso mostra o uso da ascens\u00e3o como forma de barganha.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O reconhecimento tamb\u00e9m os levou a ocupar o alto escal\u00e3o do governo. Um levantamento feito pela BBC News Brasil mostra que cerca de um ter\u00e7o dos 34 ministros de Maduro hoje s\u00e3o militares.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles ocupam cargos estrat\u00e9gicos, como o Minist\u00e9rio do Petr\u00f3leo e o Despacho da Presid\u00eancia, al\u00e9m da Defesa.<\/p>\n\n\n\n<p>O general L\u00f3pez \u00e9 ministro de Maduro h\u00e1 uma d\u00e9cada. Mas sua fidelidade ao regime vem de antes.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda coronel, permaneceu fiel a Ch\u00e1vez na tentativa de golpe em 2002. Depois disso, tornou-se chefe da Defesa e, depois, comandante das For\u00e7as Armadas at\u00e9 ser nomeado ministro por Maduro, em 2014.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Militares sob Maduro<\/h2>\n\n\n\n<p>\u201cMaduro \u00e9 a face vis\u00edvel de um regime que \u00e9 essencialmente militar, mas fala-se pouco dos militares no sentido de que eles n\u00e3o s\u00e3o cobrados [pela popula\u00e7\u00e3o]\u201d, diz Oliver Stuenkel, analista pol\u00edtico e professor de rela\u00e7\u00f5es internacionais na Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV), que j\u00e1 viveu na Venezuela.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDe certa forma, Maduro \u00e9 o para-raios de um regime militar. E, ao mesmo tempo, os militares est\u00e3o faturando muito.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Javier Corrales, cientista pol\u00edtico especialista em Am\u00e9rica Latina e Caribe da Universidade de Amherst, nos Estados Unidos, acrescenta que, geralmente, os militares acabam sendo poupados da atua\u00e7\u00e3o em repress\u00f5es a manifesta\u00e7\u00f5es populares.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cE isso faz com que as For\u00e7as Armadas n\u00e3o sintam que t\u00eam tanto sangue nas m\u00e3os\u201d, diz Corrales, autor de&nbsp;<em>Autocracy Rising: How Venezuela Transitioned to Authoritarianism&nbsp;<\/em>(<em>Autocracia em ascens\u00e3o: Como a Venezuela fez a transi\u00e7\u00e3o para o autoritarismo<\/em>, em tradu\u00e7\u00e3o livre) e co-autor de&nbsp;<em>Un drag\u00f3n en el Tr\u00f3pico&nbsp;<\/em>(<em>Um drag\u00e3o no Tr\u00f3pico<\/em>), que destrincha o populismo de Ch\u00e1vez e analisa toda a hist\u00f3ria contempor\u00e2nea da Venezuela.<\/p>\n\n\n\n<p>A convoca\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas para conter as manifesta\u00e7\u00f5es nas ruas neste momento seria, portanto, uma exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O cientista pol\u00edtico aponta tamb\u00e9m para a exist\u00eancia de um servi\u00e7o robusto de vigil\u00e2ncia dentro dos quart\u00e9is que sustenta a lealdade dos militares.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs for\u00e7as coercitivas durante todo esse tempo aderiram ao regime porque h\u00e1 muitas organiza\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m \u2014 \u00e9 importante dizer \u2014 muitas for\u00e7as cubanas inseridas nelas e que descobrem qualquer problema que pode estar acontecendo l\u00e1 dentro\u201d, diz Corrales.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPor isso, h\u00e1 um medo [por parte dos militares] de que se descubram os compl\u00f4s l\u00e1 dentro, porque h\u00e1 uma intelig\u00eancia interna muito grande.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Corrales explica que Ch\u00e1vez e o ex-presidente cubano Fidel Castro fizeram um acordo para monitorar chavistas e n\u00e3o chavistas e detectar poss\u00edveis pontos de dissid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA Venezuela \u00e9 a nova Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica de Cuba, no sentido de ser sua principal fonte de petr\u00f3leo e outros subs\u00eddios\u201d, explica o especialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse acordo de monitoramento \u00e9 feito ent\u00e3o, de acordo com Corrales, para que Cuba n\u00e3o perca sua principal fonte de petr\u00f3leo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse servi\u00e7o de intelig\u00eancia nas For\u00e7as Armadas atua para que, ao menos aparentemente, a corpora\u00e7\u00e3o mantenha-se fiel a Maduro. Isso porque os que n\u00e3o s\u00e3o, acabam presos.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi o que aconteceu no in\u00edcio deste ano, quando dez militares e policiais foram condenados a 30 anos de pris\u00e3o por \u201cconspira\u00e7\u00e3o, terrorismo e associa\u00e7\u00e3o para cometer um crime\u201d, segundo informou na \u00e9poca a advogada do grupo, Mar\u00eda Alejandra Poleo.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a ONG Foro Penal, metade dos 305 presos pol\u00edticos hoje no pa\u00eds s\u00e3o militares.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">H\u00e1 chance de ruptura?<\/h2>\n\n\n\n<p>Devido ao crescente poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico exercido pelos militares hoje na Venezuela, os especialistas ouvidos pela BBC News Brasil afirmaram ser muito dif\u00edcil<a class=\"\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-48176517?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Bg1%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&nbsp;uma ruptura com o regime de Maduro.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO \u00fanico cen\u00e1rio poss\u00edvel de imaginar [uma ruptura] seria se tivessem milh\u00f5es e milh\u00f5es de venezuelanos mobilizados nas ruas, e os militares escolherem n\u00e3o confrontar esses cidad\u00e3os\u201d, diz Stuenkel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMas, ainda assim, j\u00e1 tivemos situa\u00e7\u00f5es como essa no passado, e os militares ficaram do lado do regime.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para o analista, at\u00e9 mesmo as armas diplom\u00e1ticas parecem ter se esgotado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA comunidade internacional n\u00e3o pode fazer mais do que j\u00e1 fez. A Venezuela j\u00e1 sofre san\u00e7\u00f5es, e os Estados Unidos n\u00e3o querem ampli\u00e1-las, porque isso pode elevar o pre\u00e7o da gasolina e, logo, interferir na infla\u00e7\u00e3o\u201d, explica Stuenkel.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Brasil e Col\u00f4mbia, pa\u00edses que at\u00e9 agora eram vistos como pe\u00e7as importantes em um poss\u00edvel xadrez conciliat\u00f3rio, t\u00eam pouca influ\u00eancia de fato, na avalia\u00e7\u00e3o do especialista.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 bom o Brasil e a Col\u00f4mbia se manifestarem [sobre o resultado da elei\u00e7\u00e3o], mas se voc\u00ea olhar para a rela\u00e7\u00e3o comercial desses pa\u00edses com a Venezuela, fica evidente que eles n\u00e3o possuem uma influ\u00eancia enorme\u201d, diz Stuenkel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, o Brasil n\u00e3o usa a amea\u00e7a de san\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o, na pr\u00e1tica, as na\u00e7\u00f5es mais influentes hoje s\u00e3o os Estados Unidos, China, R\u00fassia, Cuba e depois vem Brasil e Col\u00f4mbia\u201d, explica ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a Venezuela depende pouco do Brasil, porque j\u00e1 que \u00e9 um grande exportador de petr\u00f3leo &#8220;que perfeitamente consegue viver sem uma rela\u00e7\u00e3o funcional com o Brasil\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Rafael Ioris, professor de hist\u00f3ria e pol\u00edtica latino-americana na Universidade de Denver, nos Estados Unidos, diz que uma ruptura \u00e9 improv\u00e1vel, porque os militares &#8220;est\u00e3o encastelados no aparelho do Estado&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Precisaria haver uma amea\u00e7a muito forte [de for\u00e7as internacionais] para que rompessem\u201d, diz Ioris.<\/p>\n\n\n\n<p>Um cen\u00e1rio hipot\u00e9tico, de acordo com Ioris, seria um rompimento por parte da R\u00fassia, que tem na Venezuela a sua principal porta de entrada para o armamento russo na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou com a China, que comprou grande parte da d\u00edvida venezuelana, raz\u00f5es pelas quais ambos os pa\u00edses sa\u00edram em apoio ao resultado proclamado por Maduro na ter\u00e7a-feira (30\/7).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMas ainda assim, precisaria de um grau muito alto de mobiliza\u00e7\u00e3o nas ruas, e mesmo assim n\u00e3o garantiria um rompimento do regime.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sa\u00edda pela oposi\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de n\u00e3o reconhecer o resultado, a l\u00edder da oposi\u00e7\u00e3o, Mar\u00eda Corina Machado, incitou os militares a apoiarem o movimento de recha\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 dever das For\u00e7as Armadas fazer respeitar a soberania popular. Isso \u00e9 o que esperamos. N\u00e3o vamos aceitar a chantagem de que a defesa da verdade \u00e9 a viol\u00eancia.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A esse cabo de guerra pol\u00edtico soma-se o ingrediente popular<a class=\"\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/cl5yq255n89o?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Bg1%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&nbsp;das manifesta\u00e7\u00f5es nas ruas<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Venezuelanos contr\u00e1rios ao regime de Maduro que seguem vivendo no pa\u00eds \u2014 quase 8 milh\u00f5es j\u00e1 foram embora \u2014 protestam em diferentes pontos do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, afirmou que ao menos 749 pessoas j\u00e1 haviam sido presas.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo menos 12 pessoas morreram nas manifesta\u00e7\u00f5es, segundo um comunicado conjunto de organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o general L\u00f3pez, um sargento morreu e dezenas de militares est\u00e3o feridos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um contra-ataque, Maduro convocou seus apoiadores a irem ao Pal\u00e1cio Miraflores, manifestarem-se a seu favor.<\/p>\n\n\n\n<p>E, contrariando a expectativa de Mar\u00eda Corina, anunciou o uso das for\u00e7as armadas e de policiais para conter a oposi\u00e7\u00e3o nas ruas, escalando, ainda mais, a tens\u00e3o, o que levou Edmundo Gonz\u00e1lez a pedir que os militares n\u00e3o reprimam o &#8220;povo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Senhores das for\u00e7as armadas: n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o alguma para reprimir o povo de Venezuela, n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o alguma para tanta persegui\u00e7\u00e3o&#8221;, disse ele diante de apoiadores em Caracas na ter\u00e7a-feira.<\/p>\n\n\n\n<p>Rafael Villa afirma que um caminho mais vi\u00e1vel seria&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-48131451?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Bg1%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">a oposi\u00e7\u00e3o tentar dialogar&nbsp;<\/a>com as For\u00e7as Armadas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUm processo de transi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na Venezuela hoje tem que levar em conta os militares, e a oposi\u00e7\u00e3o tem feito isso de maneira muito err\u00f4nea, chamando para respeitar os resultados, por exemplo\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele menciona a cena em que Mar\u00eda Corina Machado tentou cumprimentar militares ao chegar em seu local de vota\u00e7\u00e3o no domingo (28\/7) e foi ignorada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso \u00e9 muito simb\u00f3lico e mostra a grande desconfian\u00e7a que os militares ainda t\u00eam pela oposi\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Villa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cE, claro, reflete tamb\u00e9m os temores de perder os privil\u00e9gios que eles t\u00eam\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Corrales tamb\u00e9m ressalta que h\u00e1 militares muito leais a Maduro e que desprezam a oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMas isso \u00e9 t\u00edpico, ainda mais na Venezuela, onde houve uma ideologiza\u00e7\u00e3o e a corrup\u00e7\u00e3o dos militares\u201d, diz Corrales.<\/p>\n\n\n\n<p>O apoio ao regime, no entanto, n\u00e3o \u00e9 monol\u00edtico. \u201cDesde 2002, a c\u00fapula militar tem sofrido um processo de expurgo constante onde s\u00f3 sobrevivem aqueles que s\u00e3o capazes de manter-se fi\u00e9is ao regime\u201d, afirma Villa.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leais ao regime desde Hugo Ch\u00e1vez, os militares t\u00eam raz\u00f5es que v\u00e3o desde poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico at\u00e9 a vigil\u00e2ncia e puni\u00e7\u00e3o para manter-se ao lado de Maduro em um momento em que sua reelei\u00e7\u00e3o e seu governo s\u00e3o duramente questionados no pa\u00eds e no exterior. \u201cLeais sempre, traidores nunca\u201d, gritou um grupo de quase [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":23914,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"rop_custom_images_group":[],"rop_custom_messages_group":[],"rop_publish_now":"initial","rop_publish_now_accounts":[],"rop_publish_now_history":[],"rop_publish_now_status":"pending","footnotes":""},"categories":[212],"tags":[73],"class_list":["post-23913","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-internacional","tag-featured"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23913","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23913"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23913\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":23915,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23913\/revisions\/23915"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23914"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23913"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23913"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23913"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}