{"id":24088,"date":"2024-08-14T09:48:20","date_gmt":"2024-08-14T12:48:20","guid":{"rendered":"https:\/\/imais.online\/portal\/?p=24088"},"modified":"2024-08-14T09:48:21","modified_gmt":"2024-08-14T12:48:21","slug":"o-brasil-enfrenta-uma-epidemia-de-burnout","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imais.online\/portal\/o-brasil-enfrenta-uma-epidemia-de-burnout\/","title":{"rendered":"O Brasil enfrenta uma epidemia de &#8216;burnout&#8217;?"},"content":{"rendered":"<div class=\"imais-before-content-placement\" id=\"imais-1643286135\"><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8787528412751566\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display:block;\" data-ad-client=\"ca-pub-8787528412751566\" \ndata-ad-slot=\"\" \ndata-ad-format=\"auto\"><\/ins>\n<script> \n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); \n<\/script>\n<\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">N\u00famero de afastamentos por exaust\u00e3o profissional pelo INSS cresceu quase 1.000% em uma d\u00e9cada. Entenda o que \u00e9 &#8216;burnout&#8217; e como trat\u00e1-lo.<\/h2>\n\n\n\n<p>A jornada de\u00a0trabalho\u00a0que chegava a durar 16 horas por dia, o excesso de responsabilidades e o sentimento de viver em fun\u00e7\u00e3o do\u00a0emprego\u00a0foram cruciais para que Juliana Ramos de Castro, de 41 anos, desenvolvesse uma\u00a0s\u00edndrome de burnout.<\/p>\n\n\n\n<p>Os\u00a0primeiros sinais\u00a0apareceram, em 2020, quando a nutricionista trabalhava como aut\u00f4noma.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNa \u00e9poca, acreditava que o que estava sentido era crise de\u00a0ansiedade\u00a0e fui levando o consult\u00f3rio at\u00e9 conseguir um trabalho em uma empresa em meados de 2022\u201d, conta Juliana.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando assumiu um cargo de gerente, com uma jornada de trabalho extenuante, os sintomas, que at\u00e9 ent\u00e3o oscilavam, tornaram-se frequentes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cComecei a sentir um cansa\u00e7o fora do normal, onde mesmo descansando o fim de semana todo, n\u00e3o me recuperava\u201d, diz ela.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAo mesmo tempo, eram constantes as dores no peito, tontura, crises de choro, confus\u00e3o mental e isolamento social. N\u00e3o havia um gatilho para acontecer, simplesmente vinha, em qualquer lugar e momento.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ao procurar ajuda m\u00e9dica, Juliana descobriu que o que acreditava ser ansiedade era, na verdade, burnout.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa s\u00edndrome ocupacional \u00e9 causada por um estresse cr\u00f4nico na vida profissional e se caracteriza tamb\u00e9m, al\u00e9m da exaust\u00e3o, por um sentimento de negatividade em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho e uma piora do desempenho.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFiquei surpresa, fui afastada pelo m\u00e9dico psiquiatra do trabalho por 60 dias. E quando voltei, resolvi pedir demiss\u00e3o e mudar de \u00e1rea&#8221;, conta Juliana, que hoje trabalha como analista de um escrit\u00f3rio de advocacia, um ambiente de trabalho que ela considera &#8220;mais saud\u00e1vel\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2023, 421 pessoas foram afastadas do trabalho por burnout \u2014 \u00e9 o maior n\u00famero dos \u00faltimos dez anos no Brasil, segundo dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), do Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia Social.<\/p>\n\n\n\n<p>O aumento ocorreu, principalmente, durante a pandemia do coronav\u00edrus. De 178 afastamentos por burnout, em 2019, o Brasil passou para 421, em 2023, um aumento de 136%.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma d\u00e9cada, o n\u00famero de afastamentos por este motivo cresceu quase 1.000%, como mostra o gr\u00e1fico abaixo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, tr\u00eas fatores ajudam a explicar este crescimento de diagn\u00f3sticos de burnout no pa\u00eds:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Maior conhecimento da popula\u00e7\u00e3o sobre transtornos e s\u00edndromes relacionados ao trabalho, principalmente, a partir do reconhecimento da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) do burnout como uma s\u00edndrome ocupacional;<\/li>\n\n\n\n<li>Maior n\u00edvel de cobran\u00e7a sobre trabalhadores no ambiente organizacional, o que culmina em press\u00e3o e estresse, desencadeadores de transtornos e s\u00edndromes;<\/li>\n\n\n\n<li>E confus\u00e3o de especialistas na hora de identificar se o paciente tem burnout ou outros transtornos mentais relacionados ao trabalho.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Hoje, estima-se que 40% das pessoas economicamente ativas sofram de burnout, aponta Alexandrina Meleiro, m\u00e9dica psiquiatra e porta-voz da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Mas nem todos os casos s\u00e3o identificados&#8221;, diz a especialista.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, as \u00fanicas estat\u00edsticas oficiais dispon\u00edveis em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 s\u00edndrome de burnout s\u00e3o contabilizadas pelo Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia Social, que apenas afere os afastamentos do trabalho por mais de 15 dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Os afastamentos por burnout por menos tempo n\u00e3o s\u00e3o contabilizados nas estat\u00edsticas oficiais.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, segundo Ant\u00f4nio Geraldo da Silva, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psiquiatria (ABP), atualmente, uma resolu\u00e7\u00e3o do Conselho Federal de Medicina (CFM) estabelece que o m\u00e9dico \u00e9 obrigado a provar que h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre o trabalho e o esgotamento profissional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAssim, pelo CFM, o m\u00e9dico psiquiatra somente pode afirmar que o paciente tem burnout se visitar pessoalmente o local de servi\u00e7o e fizer nexo causal\u201d, diz Silva.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Atendimentos apenas em consult\u00f3rios n\u00e3o podem fazer tal diagn\u00f3stico.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que explica o aumento de diagn\u00f3sticos?<\/h2>\n\n\n\n<p>Bruno Chapadeiro Ribeiro, pesquisador do Laborat\u00f3rio de Pesquisa em Psicologia, Organiza\u00e7\u00f5es, Sa\u00fade, Trabalho e Educa\u00e7\u00e3o (Laposte) da Universidade Federal Fluminense (UFF), diz que o Brasil enfrenta atualmente uma epidemia n\u00e3o apenas de burnout, mas tamb\u00e9m de transtornos mentais relacionados ao trabalho \u2014 o INSS contabiliza casos de burnout e de transtornos mentais e comportamentais saparadamente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNota-se essa maior incid\u00eancia n\u00e3o s\u00f3 clinicamente, mas tamb\u00e9m nas pesquisas cient\u00edficas que fazemos e nas per\u00edcias trabalhistas&#8221;, afirma Ribeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A judicializa\u00e7\u00e3o sobre a quest\u00e3o, por exemplo, aumentou 72% na pandemia.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Dados do Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia Social apontam que, no ano passado, 27 trabalhadores foram afastados por dia devido a transtornos mentais e comportamentais relacionados ao trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Um total de 10.028 aux\u00edlios doen\u00e7as foram concedidos por este motivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Ribeiro, o aumento de diagn\u00f3sticos de burnout e de transtornos mentais relacionados ao trabalho ajuda a explicar um segundo fen\u00f4meno que ocorre no Brasil:\u00a0o do crescimento de pedidos de demiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTemos atravessado um momento hist\u00f3rico em que mais uma vez as rela\u00e7\u00f5es e formas de trabalho t\u00eam sido questionadas, principalmente, por uma juventude de classe m\u00e9dia insatisfeita com as formas com que o trabalho se organiza\u201d, afirma Ribeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNesse sentido, assistimos a fen\u00f4menos tais com o quiet quitting ou\u00a0great resignation\u00a0\u2014 termo utilizado para descrever a onda de demiss\u00f5es volunt\u00e1rias do p\u00f3s-pandemia \u2014 em que jovens altamente escolarizados pedem demiss\u00e3o de seus trabalhos por n\u00e3o verem mais sentido do trabalho e estarem \u00e0 beira de um colapso por exaust\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Meleiro avalia que isso ocorre devido a uma maior demanda por performance sobre os trabalhadores, em um curto espa\u00e7o de tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA pol\u00edtica econ\u00f4mica globalizada reduz custos com enxugamento de profissionais na empresa, assim, quem fica acaba trabalhando mais\u201d, explica Meleiro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, com a expans\u00e3o da informatiza\u00e7\u00e3o, sem o funcion\u00e1rio ter tempo de se atualizar, um duplo estresse emocional e f\u00edsico \u00e9 gerado no trabalhador. Isso acaba por gerar um aumento de diagn\u00f3sticos de transtornos mentais relacionados ao trabalho.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Descrito pela primeira vez em 1974, pelo m\u00e9dico psicanalista alem\u00e3o-americano Herbert Freudenberger, o termo burnout \u00e9 oriundo de \u201cburn out\u201d, que, em ingl\u00eas, significa \u201cqueimar por completo\u201d ou \u201cesgotamento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ficou mais conhecido entre os trabalhadores a partir de 2022, quando a s\u00edndrome foi incorporada \u00e0 lista de classifica\u00e7\u00e3o internacional de doen\u00e7as da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n\n\n\n<p>Entrou na lista como um dos fatores que influenciam o estado de sa\u00fade de uma pessoa ou a leva a buscar os servi\u00e7os de sa\u00fade \u2014 mas que n\u00e3o s\u00e3o classificados como doen\u00e7as ou condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, quem \u00e9 diagnosticado com burnout tem as mesmas garantias trabalhistas e previdenci\u00e1rias previstas para doen\u00e7as do trabalho, como les\u00e3o por esfor\u00e7o repetitivo (LER) e transtornos de ansiedade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAssim, o que anteriormente era entendido com um quadro de ansiedade aguda ou cr\u00f4nica relacionado ao trabalho, hoje, muitas vezes com o reconhecimento oficial da OMS, m\u00e9dicos diagnosticam como burnout\u201d, ressalta Meleiro.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Isso faz com que tenhamos essa impress\u00e3o de mais casos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Ana Maria Rossi, presidente da International Stress Management Association no Brasil (Isma-BR), organiza\u00e7\u00e3o dedicada \u00e0 pesquisa, preven\u00e7\u00e3o e tratamento do estresse, h\u00e1 um segundo fator: os diagn\u00f3sticos equivocados de burnout.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 muito comum vermos situa\u00e7\u00f5es em que o burnout \u00e9 confundido com a depress\u00e3o no trabalho. Isso faz com que esse aumento de burnout tamb\u00e9m seja reflexo desse n\u00famero de diagn\u00f3sticos equivocados\u201d, afirma Rossi.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-epocanegocios.glbimg.com\/thPBYhpdCXPFLpsCbGFH1vQkFMQ=\/0x0:2121x1193\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_e536e40f1baf4c1a8bf1ed12d20577fd\/internal_photos\/bs\/2024\/I\/c\/AFbs9AQvuKfZRExaqCuQ\/imagem-bbc\" alt=\"BBC News fonte \u2014 Foto: O 'burnout' foi descrito pela primeira vez em 1974 pelo m\u00e9dico psicanalista Herbert Freudenberger\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">BBC News fonte \u2014 Foto: O &#8216;burnout&#8217; foi descrito pela primeira vez em 1974 pelo m\u00e9dico psicanalista Herbert Freudenberger<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sintomas e tratamento do &#8216;burnout&#8217;<\/h2>\n\n\n\n<p>Rossi explica que, para ser burnout, primeiro, os sintomas precisam estar relacionados ao trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDessa forma, um estudante ou gestante que n\u00e3o esteja no mercado de trabalho, por mais que estejam exaustos ou com sintomas similares aos da s\u00edndrome, n\u00e3o podem ter burnout, mas, sim, outros transtornos mentais, como a depress\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A especialista explica que, para o burnout ser diagnosticado, o paciente precisa ter ao menos uma das tr\u00eas dimens\u00f5es que caracterizam a s\u00edndrome:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Exaust\u00e3o emocional<\/strong>: um cansa\u00e7o profissional excessivo. Ocorre quando a pessoa percebe n\u00e3o tem mais a energia que seu trabalho requer.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Despersonaliza\u00e7\u00e3o:<\/strong>&nbsp;uma perda de sentimentos em rela\u00e7\u00e3o a outras pessoas no trabalho, equipe ou clientes. \u00c9 uma dimens\u00e3o t\u00edpica do burnout que o diferencia do estresse.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Reduzida realiza\u00e7\u00e3o profissional:<\/strong>&nbsp;sensa\u00e7\u00e3o de insatisfa\u00e7\u00e3o que a pessoa passa a ter com ela pr\u00f3pria e com a execu\u00e7\u00e3o de seu trabalho, gerando sentimentos de incompet\u00eancia e baixa autoestima.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Elton Kanomata, m\u00e9dico psiquiatra do Hospital Israelita Albert Einstein, destaca que essas dimens\u00f5es podem ser identificadas pelo pr\u00f3prio paciente a partir de sintomas f\u00edsicos, cognitivos e emocionais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDentre os sintomas f\u00edsicos, \u00e9 comum os pacientes com burnout terem fadiga persistente, ins\u00f4nia, tens\u00e3o e dores musculares, cefaleia, sintomas gastrointestinais e aumento ou perda de apetite\u201d, explica Kanomata.<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o aos problemas cognitivos, o psiquiatra ressalta a dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o e racioc\u00ednio, sensa\u00e7\u00e3o de estafa mental e lapsos de mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cJ\u00e1 na esfera emocional, \u00e9 comum o paciente ter esgotamento emocional, baixa autoestima com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s compet\u00eancias e capacidades, sentimento de fracasso, des\u00e2nimo, desmotiva\u00e7\u00e3o, impaci\u00eancia, irritabilidade, diminui\u00e7\u00e3o ou perda de interesses antes prazerosas, sintomas ansiosos e f\u00f3bicos em rela\u00e7\u00e3o ao ambiente de trabalho ou a pessoas e elementos que remetam ao trabalho\u201d, diz Kanomata.<\/p>\n\n\n\n<p>O tratamento da s\u00edndrome de burnout \u00e9 feito com o apoio de profissionais por meio de psicoterapia e medicamentos (antidepressivos e\/ou ansiol\u00edticos).<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo especialistas, os primeiros efeitos s\u00e3o sentidos pelo paciente, entre um e tr\u00eas meses ap\u00f3s o in\u00edcio do tratamento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPor isso, o tratamento deve ser individualizado e estruturado ap\u00f3s uma avalia\u00e7\u00e3o detalhada da sa\u00fade f\u00edsica e mental de um profissional da sa\u00fade\u201d, diz Elton Kanomata, do Albert Einstein.<\/p>\n\n\n\n<p>Ant\u00f4nio Geraldo da Silva, da ABP, tamb\u00e9m ressalta quem t\u00e3o importante quanto a terapia e o uso de medicamentos, \u00e9 a mudan\u00e7a no estilo de vida do paciente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPraticar esportes, desenvolver estrat\u00e9gias para gerenciar o estresse, ter uma boa qualidade de sono, realizar atividades de lazer e ter tempo de qualidade com familiares e amigos \u00e9 muito importante neste processo\u201d, pontua Silva.<\/p>\n\n\n\n<p>O especialista ressalta que, quando n\u00e3o tratado, o burnout pode levar ao desencadeamento de outros transtornos mentais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u2018Muitos achavam que era frescura\u2019<\/h2>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos sintomas f\u00edsicos, cognitivos e emocionais, \u00e9 comum que pessoas com burnout enfrentem durante o tratamento o preconceito contra s\u00edndromes e transtornos mentais \u2014 a chamada psicofobia.<\/p>\n\n\n\n<p>A pedagoga K\u00e1tia Aparecida Mantovani Corr\u00eaa, de 45 anos, diz que, quando sentiu os primeiros sintomas de burnout, foi comum enfrentar coment\u00e1rios de pessoas ao seu redor dizendo que ela queria chamar aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEra dif\u00edcil para muita gente entender que a K\u00e1tia proativa, polivalente sempre pronta e disposta para agir em qualquer situa\u00e7\u00e3o, de repente deu pane. Muitos achavam que era frescura e que eu queria chamar a aten\u00e7\u00e3o\u201d, diz a pedagoga.<\/p>\n\n\n\n<p>O diagn\u00f3stico veio em 2023. Acostumada a trabalhar sem parar, no in\u00edcio, ela achou que os sintomas que sentia h\u00e1 cerca de um ano eram devido ao cansa\u00e7o e estresse di\u00e1rio. Mas, nas f\u00e9rias, percebeu que aquilo n\u00e3o era normal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cLembro que n\u00e3o conseguia desligar meus pensamentos, mesmo de f\u00e9rias. Minha cabe\u00e7a estava a milh\u00e3o. Foi quando resolvi procurar ajuda\u201d, conta K\u00e1tia.<\/p>\n\n\n\n<p>Trabalhando desde os 12 anos de idade, ela diz que, em um primeiro momento, n\u00e3o admitiu ter burnout.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cLevei quase um ano para esse processo de autoconhecimento, aceita\u00e7\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o. Hoje, levo a vida mais tranquila e mais concentrada. Digo que aprendi a import\u00e2ncia de dizermos n\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Outro problema comum s\u00e3o empresas que lidam negativamente com um diagn\u00f3stico de burnout, pontuam especialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso faz com que muitos trabalhadores procurem ajuda especializada tardiamente, quando os sintomas est\u00e3o mais graves ou desencadeando outros transtornos mentais, como a depress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O gerente de projetos Lucca Zanini, de 26 anos, diz que, quando foi afastado do trabalho pela primeira vez por n\u00e3o estar bem mentalmente, sua preocupa\u00e7\u00e3o s\u00f3 aumentou.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Sabia que a empresa n\u00e3o veria isso com bons olhos e meu maior medo era de ser demitido assim que eu voltasse\u201d, diz Lucca.<\/p>\n\n\n\n<p>Temor que se confirmou. Ao voltar ao trabalho, ele conta que os colegas passaram a trat\u00e1-lo de forma diferente. \u201cN\u00e3o demorou para eu ser desligado.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A demiss\u00e3o fez Lucca procurar ajuda especializada. Hoje, em um novo emprego, ele diz que a vida \u00e9 outra.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, al\u00e9m dos medicamentos e atividades f\u00edsicas semanais, Lucca diz que separa um tempo somente para fam\u00edlia e outro para o trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAprendi a falar n\u00e3o. N\u00e3o aceito mais atividades que excedam minha capacidade de trabalho. Foco em minhas responsabilidades pessoais e dou a devida import\u00e2ncia ao que vale a pena.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-epocanegocios.glbimg.com\/sw7t-chSIApVUpH-kN6_SMbbKfg=\/0x0:1920x1080\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_e536e40f1baf4c1a8bf1ed12d20577fd\/internal_photos\/bs\/2024\/l\/z\/LLqVBMRnSdjDH4jrUhEQ\/imagem-bbc\" alt=\"BBC News fonte \u2014 Foto: Lucca Zanini, de 26 anos, se amparou na fam\u00edlia ap\u00f3s ser demitido do trabalho depois de ser diagnosticado com transtornos mentais e comportamentais\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">BBC News fonte \u2014 Foto: Lucca Zanini, de 26 anos, se amparou na fam\u00edlia ap\u00f3s ser demitido do trabalho depois de ser diagnosticado com transtornos mentais e comportamentais<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Alexandrina Meleiro, da ANAMT, ressalta que, se for comprovado que a empresa ajudou a desencadear o burnout, pode ser responsabilizada judicialmente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO grande desafio \u00e9 comprovar isso. Algumas empresas j\u00e1 s\u00e3o penalizadas por causarem burnout no funcion\u00e1rio, principalmente na Europa, mas ainda \u00e9 muito dif\u00edcil estabelecer o nexo causal\u201d, ressalta Meleiro.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, em 2022, uma operadora de turismo foi condenada pela Justi\u00e7a do trabalho a pagar indeniza\u00e7\u00e3o de R$ 20 mil por danos morais a uma profissional que teve burnout.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os autos, a profissional afirmou que se sentia sobrecarregada com o volume excessivo de atividades e pelas cobran\u00e7as insistentes por parte dos chefes a qualquer momento, o que foi comprovado por meio de mensagens.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Bruno Ribeiro, da UFF, \u00e9 necess\u00e1rio um maior engajamento das empresas brasileiras para prevenir o burnout.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA preven\u00e7\u00e3o envolve mudan\u00e7as na cultura da organiza\u00e7\u00e3o do trabalho, estabelecimento de restri\u00e7\u00f5es \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do desempenho individual, diminui\u00e7\u00e3o da intensidade de trabalho, diminui\u00e7\u00e3o da competitividade e busca de metas coletivas que incluam o bem-estar de cada um.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte \u00c9poca Neg\u00f3cios <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00famero de afastamentos por exaust\u00e3o profissional pelo INSS cresceu quase 1.000% em uma d\u00e9cada. Entenda o que \u00e9 &#8216;burnout&#8217; e como trat\u00e1-lo. A jornada de\u00a0trabalho\u00a0que chegava a durar 16 horas por dia, o excesso de responsabilidades e o sentimento de viver em fun\u00e7\u00e3o do\u00a0emprego\u00a0foram cruciais para que Juliana Ramos de Castro, de 41 anos, desenvolvesse [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":24089,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"rop_custom_images_group":[],"rop_custom_messages_group":[],"rop_publish_now":"initial","rop_publish_now_accounts":[],"rop_publish_now_history":[],"rop_publish_now_status":"pending","footnotes":""},"categories":[205],"tags":[],"class_list":["post-24088","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24088","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24088"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24088\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24090,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24088\/revisions\/24090"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24089"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24088"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24088"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24088"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}