{"id":25274,"date":"2024-12-30T08:52:54","date_gmt":"2024-12-30T11:52:54","guid":{"rendered":"https:\/\/imais.online\/portal\/?p=25274"},"modified":"2024-12-30T08:52:56","modified_gmt":"2024-12-30T11:52:56","slug":"juros-e-dolar-em-alta-devem-aumentar-inadimplencia-de-empresas-em-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imais.online\/portal\/juros-e-dolar-em-alta-devem-aumentar-inadimplencia-de-empresas-em-2025\/","title":{"rendered":"Juros e d\u00f3lar em alta devem aumentar inadimpl\u00eancia de empresas em 2025"},"content":{"rendered":"<div class=\"imais-before-content-placement\" id=\"imais-2405704291\"><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8787528412751566\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display:block;\" data-ad-client=\"ca-pub-8787528412751566\" \ndata-ad-slot=\"\" \ndata-ad-format=\"auto\"><\/ins>\n<script> \n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); \n<\/script>\n<\/div>\n<p>A inadimpl\u00eancia atingiu o recorde de 7 milh\u00f5es de empresas no Brasil neste ano, quase um ter\u00e7o das companhias existentes, de acordo com dados do Serasa Experian. Com a eleva\u00e7\u00e3o da taxa Selic e alta do d\u00f3lar, a expectativa \u00e9 que as empresas tenham ainda mais dificuldades em 2025. S\u00f3 com o aumento da Selic em setembro, cerca de 100 mil novas empresas se tornaram inadimplentes em outubro, quebrando uma estabilidade que j\u00e1 durava cinco meses.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA taxa de juros \u00e9 uma vari\u00e1vel muito importante para a inadimpl\u00eancia das empresas, assim como a infla\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para a inadimpl\u00eancia do consumidor. Nesse cen\u00e1rio de infla\u00e7\u00e3o e juros subindo, as duas inadimpl\u00eancias v\u00e3o ficar pressionadas. Ent\u00e3o, nos pr\u00f3ximos dois trimestres, n\u00e3o esperamos nenhum tipo de arrefecimento nessa tend\u00eancia\u201d, diz Luiz Rabi, economista-chefe do Serasa.<\/p>\n\n\n\n<p>Junta-se a isso a escalada de 27,6% do d\u00f3lar neste ano, que afeta sobretudo as grandes empresas com d\u00edvida em moeda estrangeira. Um levantamento feito pela Elos Ayta Consultoria, com 101 empresas de capital aberto com endividamento em d\u00f3lar, mostra que quase 40% da d\u00edvida total estava em moeda estrangeira at\u00e9 setembro deste ano. Isso significa R$ 353 bilh\u00f5es. Desse total, R$ 68,9 bilh\u00f5es s\u00e3o de curto prazo e R$ 284 bilh\u00f5es, de longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPor\u00e9m, no quarto trimestre, o d\u00f3lar subiu para mais de R$ 6. Assim, mantido o mesmo estoque, estima-se que a d\u00edvida total em moeda estrangeira dessas 102 empresas tenha passado de R$ 353 bilh\u00f5es para R$ 392 bilh\u00f5es\u201d, afirma Einar Rivero, respons\u00e1vel pelo levantamento. Segundo ele, a valoriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar no \u00faltimo trimestre ir\u00e1 impactar significativamente o resultado das empresas. \u201cA despesa extra gerada pela varia\u00e7\u00e3o cambial tem o potencial de corroer uma parte importante dos lucros, o que, na aus\u00eancia de alguma estrat\u00e9gia de cobertura cambial, pode afetar negativamente n\u00e3o apenas o balan\u00e7o das companhias, mas tamb\u00e9m sua capacidade de investimento e expans\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Na vis\u00e3o de Rabi, o cen\u00e1rio macroecon\u00f4mico tende a melhorar apenas se o governo federal aprovar um corte de gastos efetivo e convencer o mercado de que seu regime fiscal mudou, priorizando o equil\u00edbrio das contas p\u00fablicas. De acordo com o mais recente relat\u00f3rio Focus, do Banco Central, a Selic, hoje em 12,25%, deve superar o patamar de 15% ao ano em 2025. J\u00e1 a infla\u00e7\u00e3o deste ano deve estourar o teto da meta, de 4,5%, e terminar o ano acima 4,7%.<\/p>\n\n\n\n<p>Economistas avaliam que, mais uma vez, as empresas foram pegas no contrap\u00e9. A alta da taxa b\u00e1sica de juros, por exemplo, n\u00e3o estava no radar delas. No in\u00edcio do ano, por exemplo, a expectativa era de que a Selic iria encerrar o ano em 9%, um cen\u00e1rio bem diferente do atual. J\u00e1 o d\u00f3lar estava em R$ 4,85.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde setembro, o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) passou a elevar a Selic. Ela saiu de 10,75% ao ano para 12,25%. Na reuni\u00e3o de dezembro, a alta foi de 1 ponto porcentual, e o BC j\u00e1 indicou que deve promover mais dois aumentos de 1 ponto.<\/p>\n\n\n\n<p>No cen\u00e1rio atual, grandes bancos j\u00e1 colocam no radar a possibilidade de a taxa b\u00e1sica de juros aumentar ainda mais em rela\u00e7\u00e3o ao que j\u00e1 foi indicado pelo Copom. O Ita\u00fa projeta que a Selic deve encerrar o pr\u00f3ximo ano em 15%. O Bradesco ainda trabalha para fechar o seu cen\u00e1rio, mas projeta que ela deve chegar ao patamar de 14,5% e 15,25%.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCom um juro real entre 9% e 10% como o que vamos chegar, as empresas com d\u00edvida v\u00e3o ter um resultado financeiro pior, portanto, ter\u00e3o de fazer ajustes operacionais, reduzir custos, demitir para poder lidar com esse resultado financeiro pior. E o cr\u00e9dito, na margem, vai ficar mais caro\u201d, afirmou Fernando Honorato, economista-chefe do banco Bradesco, em entrevista concedida na semana passada.<\/p>\n\n\n\n<p>O alerta tamb\u00e9m foi feito pelo economista e fil\u00f3sofo Eduardo Giannetti, em entrevista recente ao Estad\u00e3o. Segundo ele, esse aumento de juros que o Pa\u00eds enfrenta prejudica o setor real da economia. \u201cAs empresas que est\u00e3o endividadas hoje e pagam juros est\u00e3o tendo perdas, \u00e0s vezes, por resultado de um enorme esfor\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o e rentabilidade apenas por conta de uma reuni\u00e3o do Copom. Muitas delas v\u00e3o ter dificuldade para honrar compromissos financeiros.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O consultor da RK Partners, Ricardo Knoepfelmacher, um dos maiores reestruturadores de empresas do Pa\u00eds, afirma que 2025 ser\u00e1 um ano dif\u00edcil para muitas empresas. Com a Selic em torno de 15%, mais de um ter\u00e7o das empresas n\u00e3o vai conseguir honrar as d\u00edvidas que contra\u00edram. Para piorar, avalia ele, vai haver um aperto no cr\u00e9dito, com linhas sendo extintas e outras n\u00e3o renovadas. \u201cPara empresas que estejam 2,5 a 3 vezes o Ebtida (lucro antes de juros, impostos, deprecia\u00e7\u00e3o e amortiza\u00e7\u00e3o) alavancadas, vai ser um ano muito dif\u00edcil\u201d, diz o consultor.<\/p>\n\n\n\n<p>Ricardo K., como \u00e9 conhecido no mercado, afirma que o Pa\u00eds ver\u00e1 algumas renegocia\u00e7\u00f5es e reestrutura\u00e7\u00f5es for\u00e7adas. \u201cEssa \u00e9 uma realidade que estamos vivendo de uma pol\u00edtica monet\u00e1ria de contra\u00e7\u00e3o e com um juro real muito alto.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">RJ e Extrajudicial<\/h3>\n\n\n\n<p>Neste ano, apesar do crescimento econ\u00f4mico, muitas empresas entraram com pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial ou preferiram a modalidade extrajudicial. Em ambos os casos houve recorde. Segundo especialistas, a modalidade extrajudicial cresceu devido \u00e0 sofistica\u00e7\u00e3o e \u00e0 flexibilidade oferecida pelo instrumento, uma vez que as negocia\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas diretamente entre devedores e credores.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFoi um momento em que muitos bancos estavam tendo de fazer reestrutura\u00e7\u00f5es bilaterais para evitar que as empresas entrassem em recupera\u00e7\u00e3o judicial e eles fossem obrigados a provisionar o que n\u00e3o tinha garantia real ou extraconcursal, como aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria\u201d, explicou Ricardo K. Entre as empresas que optaram por esse caminho, est\u00e3o a gigante InterCement, terceira maior fabricante de cimento do Pa\u00eds, Casas Bahia, Araguaia N\u00edquel Metais e Tok&amp;Stok. O valor total dos pedidos de recupera\u00e7\u00e3o extrajudicial que chegaram \u00e0 Justi\u00e7a neste ano somou R$ 31 bilh\u00f5es, mais de 300% acima do total de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso da recupera\u00e7\u00e3o judicial, balan\u00e7o da Serasa mostrou que 1,7 mil empresas pediram recupera\u00e7\u00e3o judicial neste ano, at\u00e9 setembro, 73% a mais do que no mesmo per\u00edodo de 2023, quando crises na Americanas e na Light atra\u00edram maior aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade financeira das companhias brasileiras. \u00c9 o maior n\u00famero, entre iguais per\u00edodos, da s\u00e9rie estat\u00edstica de 19 anos, sendo compar\u00e1vel apenas a 2016. Segundo Rabi, da Serasa, o ano de 2024 terminar\u00e1 com mais de 2 mil pedidos de recupera\u00e7\u00e3o judicial, patamar que supera o antigo recorde registrado na crise econ\u00f4mica de 2015 e 2016.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Perfil<\/h3>\n\n\n\n<p>Segundo a Serasa, hoje as micro e pequenas empresas representam a grande maioria de inadimplentes do Pa\u00eds, pois elas t\u00eam menor resili\u00eancia financeira para lidar com ventos macroecon\u00f4micos desfavor\u00e1veis. Mas as m\u00e9dias e grandes tamb\u00e9m t\u00eam sofrido com o elevado endividamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Ricardo Teixeira, professor do MBA de gest\u00e3o financeira da FGV, afirma que um impacto secund\u00e1rio do aumento do endividamento das empresas \u00e9 que elas podem precisar repassar o custo do financiamento das d\u00edvidas nos pre\u00e7os para o consumidor, gerando impacto tamb\u00e9m nas vendas. No caso das grandes empresas, as alternativas para contornar os problemas do aumento dos juros v\u00e3o al\u00e9m do cr\u00e9dito banc\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs grandes empresas podem ter ativos para dar em garantia de financiamentos, ou t\u00eam vendas programadas que tamb\u00e9m podem ser dadas em garantia. Al\u00e9m disso, elas t\u00eam acesso a linhas de cr\u00e9dito diferenciadas devido ao porte do neg\u00f3cio\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma a cada tr\u00eas empresas inadimplentes \u00e9 do setor que mais emprega no Pa\u00eds, o de servi\u00e7os, seguido por bancos e cart\u00f5es e por telefonia.<\/p>\n\n\n\n<p>A d\u00edvida m\u00e9dia das empresas era de R$ 22.417,20 em outubro, um avan\u00e7o de 18% em 2024. O valor \u00e9 o maior da s\u00e9rie hist\u00f3rica do Serasa. Para efeito de compara\u00e7\u00e3o, em 2022 o valor era de R$ 18.845,10 em 2019 e subiu gradualmente at\u00e9 o atual n\u00edvel recorde.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Efici\u00eancia<\/h3>\n\n\n\n<p>A busca por efici\u00eancia operacional no Pa\u00eds se tornou um santo graal para as PMEs devido \u00e0s dificuldades de manter os neg\u00f3cios funcionando e gerando lucros. Com isso, startups surgiram nos \u00faltimos anos para ajud\u00e1-las nessa miss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 o caso da Conta Simples, que surgiu como uma empresa de cart\u00f5es corporativos e evoluiu para uma plataforma de gest\u00e3o financeira para empresas de todos os setores. Para Rodrigo Tognini, CEO e cofundador da Conta Simples, que captou em janeiro R$ 200 milh\u00f5es em uma rodada liderada pelo fundo Base10 Partners, conta que as empresas brasileiras que utilizam sua plataforma economizaram R$ 38 milh\u00f5es devido \u00e0 efici\u00eancia de processos de pagamento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA efici\u00eancia \u00e9 o novo lucro, e as empresas que adotarem essa mentalidade estar\u00e3o melhor preparadas para desafios como juros altos. Paralelamente, \u00e9 fundamental revisar despesas operacionais, eliminando gastos desnecess\u00e1rios e otimizando processos. A tecnologia desempenha papel essencial nesse contexto\u201d, diz Tognini.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro neg\u00f3cio que surgiu para ajudar na gest\u00e3o financeira das PMEs \u00e9 a Neofin. Fundada por Laura Camargo, a companhia oferece uma plataforma de intelig\u00eancia financeira para evitar atraso de contas e automatizar lan\u00e7amentos de gastos. O neg\u00f3cio tem hoje cerca de 300 clientes. \u201cO caixa \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o das empresas. Apesar disso, as tecnologias e os processos envolvidos na gest\u00e3o de caixa n\u00e3o passaram por uma evolu\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, quando voc\u00ea v\u00ea sistemas de marketing, vendas, eles s\u00e3o super sofisticados. Nas cobran\u00e7as, o pessoal ainda faz tudo no Excel, fazendo muitas tarefas super operacionais\u201d, afirma Laura.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte Jornal de Bras\u00edlia <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A inadimpl\u00eancia atingiu o recorde de 7 milh\u00f5es de empresas no Brasil neste ano, quase um ter\u00e7o das companhias existentes, de acordo com dados do Serasa Experian. Com a eleva\u00e7\u00e3o da taxa Selic e alta do d\u00f3lar, a expectativa \u00e9 que as empresas tenham ainda mais dificuldades em 2025. 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