{"id":25715,"date":"2025-02-16T16:29:04","date_gmt":"2025-02-16T19:29:04","guid":{"rendered":"https:\/\/imais.online\/portal\/?p=25715"},"modified":"2025-02-16T16:29:05","modified_gmt":"2025-02-16T19:29:05","slug":"segundo-cerebro-o-que-a-ciencia-ja-sabe-sobre-a-importancia-do-intestino-na-saude-da-mente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imais.online\/portal\/segundo-cerebro-o-que-a-ciencia-ja-sabe-sobre-a-importancia-do-intestino-na-saude-da-mente\/","title":{"rendered":"\u2018Segundo c\u00e9rebro\u2019: o que a ci\u00eancia j\u00e1 sabe sobre a import\u00e2ncia do intestino na sa\u00fade da mente"},"content":{"rendered":"<div class=\"imais-before-content-placement\" id=\"imais-3140897667\"><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8787528412751566\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display:block;\" data-ad-client=\"ca-pub-8787528412751566\" \ndata-ad-slot=\"\" \ndata-ad-format=\"auto\"><\/ins>\n<script> \n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); \n<\/script>\n<\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O estudo do microbioma intestinal pode fornecer explica\u00e7\u00f5es para a epidemia de doen\u00e7as cr\u00f4nicas n\u00e3o contagiosas, como transtornos do humor e doen\u00e7as neurodegenerativas<\/h2>\n\n\n\n<p>O&nbsp;<a href=\"https:\/\/noticias.r7.com\/saude\/10-mitos-sobre-a-saude-intestinal-que-voce-precisa-saber-09022025\/\">intestino<\/a>&nbsp;exerce uma profunda influ\u00eancia sobre o nosso sistema nervoso. Essa afirma\u00e7\u00e3o est\u00e1 suportada por uma grande quantidade de estudos cient\u00edficos que n\u00e3o apenas comprovam, mas aprofundam o conhecimento sobre essas rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Um grande conjunto de evid\u00eancias cient\u00edficas corrobora a no\u00e7\u00e3o de que o microbioma intestinal pode influenciar o desenvolvimento, estrutura e fun\u00e7\u00e3o cerebrais por diferentes mecanismos, principalmente neuroimunes e neuroendocrinol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Altera\u00e7\u00f5es no microbioma intestinal t\u00eam sido consistentemente documentadas, por exemplo, em diferentes transtornos neuropsiqui\u00e1tricos, como TDAH, autismo, depress\u00e3o, transtorno bipolar e doen\u00e7as neurodegenerativas, embora ainda se investigue se essas rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o causais ou apenas correlacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Para compreender como essa interfer\u00eancia se d\u00e1, \u00e9 necess\u00e1rio entender um pouco mais sobre o papel da microbiota e do microbioma intestinais.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Microrganismos do nosso trato gastrointestinal<\/h3>\n\n\n\n<p>Composta por trilh\u00f5es de microrganismos, a microbiota intestinal \u00e9 essencial para diversas fun\u00e7\u00f5es do organismo, como digest\u00e3o de nutrientes, s\u00edntese de vitaminas e defesa imunol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o de metab\u00f3litos \u2014 que s\u00e3o o produto resultante do metabolismo de um organismo, no caso da microbiota, metabolismo de microrganismos. Entre esses metab\u00f3litos, est\u00e3o os \u00e1cidos graxos de cadeia curta como o butirato, que atua como modulador neuroprotetor e anti-inflamat\u00f3rio, tamb\u00e9m influenciando a produ\u00e7\u00e3o de neurotransmissores (os \u201cmensageiros qu\u00edmicos\u201d do c\u00e9rebro) e neurotrofinas (prote\u00ednas que auxiliam no desenvolvimento e sobreviv\u00eancia dos neur\u00f4nios).<\/p>\n\n\n\n<p>Praticamente todo nosso corpo possui uma microbiota, mas as popula\u00e7\u00f5es microbianas encontradas no trato gastrointestinal, particularmente no c\u00f3lon, s\u00e3o de longe as mais abundantes e diversas, incluindo bact\u00e9rias e os menos estudados fungos, v\u00edrus, arqueas e protozo\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o termo microbioma intestinal refere-se ao genoma da microbiota intestinal e \u00e0 mir\u00edade de mol\u00e9culas produzidas por estes microrganismos, bem como as complexas intera\u00e7\u00f5es entre eles.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de haver um n\u00famero semelhante de microrganismos e c\u00e9lulas humanas convivendo em simbiose (uma rela\u00e7\u00e3o aproximada de 1:1,3), o n\u00famero de genes do microbioma intestinal excede o do genoma humano &#8211; s\u00e3o mais de 22 milh\u00f5es de genes identificados no microbioma intestinal em compara\u00e7\u00e3o com 23.000 genes no genoma humano (um fator de quase 1.000).<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso inclui a codifica\u00e7\u00e3o de sistemas enzim\u00e1ticos e metab\u00f3licos, com a digest\u00e3o de celulose, por exemplo, que \u00e9 inexistente em nosso organismo, mas dos quais podemos nos beneficiar atrav\u00e9s de intera\u00e7\u00f5es simbi\u00f3ticas com o nosso microbioma.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Eixo Intestino-C\u00e9rebro<\/h3>\n\n\n\n<p>No Eixo Intestino-C\u00e9rebro, o microbioma intestinal interage de forma \u00edntima e complexa com o chamado conectoma intestinal \u2013 formado por uma extensa rede de receptores intestinais, c\u00e9lulas enteroend\u00f3crinas (que controlam v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es do sistema gastrointestinal, como a digest\u00e3o), proje\u00e7\u00f5es do sistema nervoso ent\u00e9rico (situado no revestimento de \u00f3rg\u00e3os como est\u00f4mago e intestinos) e nervo vago (nervo que controla fun\u00e7\u00f5es vitais, como a frequ\u00eancia card\u00edaca, respira\u00e7\u00e3o e movimentos do trato digest\u00f3rio).<\/p>\n\n\n\n<p>Microbioma e conectoma intestinais se conectam de forma rec\u00edproca com o conectoma cerebral, modulando conjuntamente imunidade, metabolismo, ciclo circadiano e comportamento, de forma crucial para a integra\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica do nosso corpo.<\/p>\n\n\n\n<p>Interessante notar que, ao longo da vida humana, da inf\u00e2ncia ao envelhecimento, parecem ocorrer mudan\u00e7as na composi\u00e7\u00e3o e diversidade da microbiota intestinal em paralelo com as mudan\u00e7as t\u00edpicas do desenvolvimento, matura\u00e7\u00e3o e envelhecimento cerebrais.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o conceito de intera\u00e7\u00f5es intestino-c\u00e9rebro n\u00e3o seja novo e tenha sido aplicado \u00e0 fisiopatologia da s\u00edndrome do intestino irrit\u00e1vel e \u00e0 regula\u00e7\u00e3o da ingest\u00e3o de alimentos por d\u00e9cadas, o surgimento da ci\u00eancia do microbioma e, em particular, a demonstra\u00e7\u00e3o das intera\u00e7\u00f5es entre o c\u00e9rebro e o microbioma intestinal revolucionaram nossa compreens\u00e3o acerca da fisiologia humana na sa\u00fade e na doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 gerou novos campos de pesquisa, como a psiquiatria nutricional, mas tamb\u00e9m forneceu explica\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas plaus\u00edveis para a epidemia de doen\u00e7as cr\u00f4nicas n\u00e3o contagiosas em desenvolvimento, como os transtornos do humor, as doen\u00e7as neurodegenerativas (como as doen\u00e7as de Alzheimer e Parkinson, por exemplo), s\u00edndrome metab\u00f3lica e doen\u00e7as cardiovasculares.<\/p>\n\n\n\n<p>Este conhecimento tamb\u00e9m nos permite compreender melhor o porqu\u00ea de transtornos mentais como ansiedade e depress\u00e3o frequentemente ocorrerem juntamente com condi\u00e7\u00f5es como s\u00edndrome metab\u00f3lica, doen\u00e7as cardiovasculares, dist\u00farbios gastrointestinais, dor cr\u00f4nica e c\u00e2ncer.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora n\u00e3o sejam \u00f3bvias \u00e0 primeira vista, diabetes tipo 2, obesidade, s\u00edndrome metab\u00f3lica, doen\u00e7as cardiovasculares, dist\u00farbios neurodegenerativos e do neurodesenvolvimento, e at\u00e9 mesmo c\u00e2ncer de c\u00f3lon e doen\u00e7as inflamat\u00f3rias intestinais, foram todos associados a um envolvimento desadaptativo do sistema imunol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p>O intestino cont\u00e9m cerca de 70% das c\u00e9lulas imunol\u00f3gicas do corpo e os microrganismos intestinais est\u00e3o interagindo intimamente com nossos alimentos e com o sistema imunol\u00f3gico associado ao intestino. Portanto, a estreita liga\u00e7\u00e3o entre dieta, microbioma intestinal, nosso sistema imunol\u00f3gico e v\u00e1rias de nossas doen\u00e7as cr\u00f4nicas mais comuns n\u00e3o \u00e9 surpreendente.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Sa\u00fade intestinal e bem-estar mental<\/h3>\n\n\n\n<p>Lan\u00e7ado recentemente, o livro \u201cEixo Intestino-C\u00e9rebro: teorias e aplica\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas\u201d, da Editora Manole, apresenta o pensamento atual da ci\u00eancia sobre o impacto da sa\u00fade intestinal no bem-estar mental.<\/p>\n\n\n\n<p>A obra foi organizada por pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Faculdade S\u00edrio-Liban\u00eas e da Universidade da Calif\u00f3rnia (UCLA). Ela re\u00fane, de forma in\u00e9dita no Brasil, as evid\u00eancias cient\u00edficas sobre a rela\u00e7\u00e3o bidirecional entre o sistema nervoso central e o intestino, destacando como essa conex\u00e3o regula de forma fina o equil\u00edbrio homeost\u00e1tico do nosso corpo, incluindo a neurotransmiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os autores exploraram tamb\u00e9m as potenciais implica\u00e7\u00f5es de desequil\u00edbrios neste sistema para o desenvolvimento de diferentes condi\u00e7\u00f5es gastrointestinais e neuropsiqui\u00e1tricas, as possibilidades diagn\u00f3sticas e as terap\u00eauticas associadas.<\/p>\n\n\n\n<p>O livro \u00e9 resultado da colabora\u00e7\u00e3o de diversos especialistas, incluindo nutricionistas, farmac\u00eauticos, microbiologistas e m\u00e9dicos. Carla e eu organizamos a obra, juntamente com o gastroenterologista e neurocientista Emeran A. Mayer, professor da David Geffen School of Medicine da UCLA (EUA), pioneiro nos estudos sobre o eixo intestino-c\u00e9rebro e quem primeiro descreveu esse conceito, no in\u00edcio dos anos 2000.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Novas possibilidades terap\u00eauticas<\/h3>\n\n\n\n<p>Como discutido no livro, interven\u00e7\u00f5es focadas em diferentes alvos dentro do Eixo Intestino-C\u00e9rebro v\u00eam sendo propostas como novas possibilidades terap\u00eauticas no tratamento tanto dos dist\u00farbios da intera\u00e7\u00e3o c\u00e9rebro-intestino (antigamente chamados de dist\u00farbios gastrointestinais funcionais) como de diferentes transtornos neuropsiqui\u00e1tricos.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudos com nutrac\u00eauticos com efeito prebi\u00f3tico (fibras, compostos bioativos e outros nutrientes que servem de alimento \u00e0 microbiota), probi\u00f3ticos (microrganismos vivos que s\u00e3o ben\u00e9ficos \u00e0 sa\u00fade) e transplante de microbiota fecal t\u00eam sido conduzidos para o tratamento de diferentes condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, inclusive transtornos mentais graves, com resultados ainda preliminares.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o microbioma intestinal sofre grande influ\u00eancia dos h\u00e1bitos de vida, como alimenta\u00e7\u00e3o, atividade f\u00edsica, gerenciamento de estresse e uso de medicamentos e subst\u00e2ncias (\u00e1lcool, por exemplo) em geral, fatores estes bastantes impactados nos pacientes com transtornos mentais graves.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste sentido, \u00e9 importante destacar que interven\u00e7\u00f5es do estilo de vida t\u00eam se mostrado importantes instrumentos terap\u00eauticos, cujas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o em grande parte mediadas pelo Eixo Intestino-C\u00e9rebro. Por exemplo, uma dieta amplamente baseada em vegetais, com uma grande variedade de frutas, folhas, gr\u00e3os, legumes, castanhas, e incluindo uma variedade de alimentos fermentados naturalmente, exerce um efeito positivo sobre o microbioma intestinal ao mesmo tempo em as evid\u00eancias cient\u00edficas demonstram efeitos tanto preventivos como terap\u00eauticos para a sa\u00fade intestinal e cerebral.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Carla R. Taddei recebe financiamento da Fapesp (Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Marcus V. Zanetti n\u00e3o presta consultoria, trabalha, possui a\u00e7\u00f5es ou recebe financiamento de qualquer empresa ou organiza\u00e7\u00e3o que poderia se beneficiar com a publica\u00e7\u00e3o deste artigo e n\u00e3o revelou nenhum v\u00ednculo relevante al\u00e9m de seu cargo acad\u00eamico.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte R7<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O estudo do microbioma intestinal pode fornecer explica\u00e7\u00f5es para a epidemia de doen\u00e7as cr\u00f4nicas n\u00e3o contagiosas, como transtornos do humor e doen\u00e7as neurodegenerativas O&nbsp;intestino&nbsp;exerce uma profunda influ\u00eancia sobre o nosso sistema nervoso. Essa afirma\u00e7\u00e3o est\u00e1 suportada por uma grande quantidade de estudos cient\u00edficos que n\u00e3o apenas comprovam, mas aprofundam o conhecimento sobre essas rela\u00e7\u00f5es. 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