{"id":26457,"date":"2025-04-01T11:29:18","date_gmt":"2025-04-01T14:29:18","guid":{"rendered":"https:\/\/imais.online\/portal\/?p=26457"},"modified":"2025-04-01T11:29:20","modified_gmt":"2025-04-01T14:29:20","slug":"diabetes-na-terceira-idade-quando-o-controle-rigoroso-se-torna-um-risco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imais.online\/portal\/diabetes-na-terceira-idade-quando-o-controle-rigoroso-se-torna-um-risco\/","title":{"rendered":"Diabetes na terceira idade: quando o controle rigoroso se torna um risco"},"content":{"rendered":"<div class=\"imais-before-content-placement\" id=\"imais-128817630\"><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8787528412751566\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display:block;\" data-ad-client=\"ca-pub-8787528412751566\" \ndata-ad-slot=\"\" \ndata-ad-format=\"auto\"><\/ins>\n<script> \n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); \n<\/script>\n<\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O tratamento intensivo da doen\u00e7a n\u00e3o compensa, pois quando o paciente envelhece tem mais chances de desenvolver hipoglicemia<\/h2>\n\n\n\n<p>A esta altura, Ora Larson reconhece os sinais: \u201cParece que estou tremendo por dentro. Fico agitada, ansiosa.\u201d Se algu\u00e9m lhe pergunta se quer uma salada no almo\u00e7o, ela n\u00e3o sabe o que responder. Este ano, teve v\u00e1rios epis\u00f3dios desse tipo, que parecem estar se tornando mais frequentes. \u201cEla olha fixamente, empalidece e depois fica confusa. \u00c9 muito assustador\u201d, disse sua filha, Susan Larson, de 61 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00a0<a href=\"https:\/\/record.r7.com\/sp-no-ar\/videos\/saiba-como-identificar-crises-de-hipoglicemia-22102018\/\">hipoglicemia<\/a>\u00a0ocorre quando os n\u00edveis de a\u00e7\u00facar no sangue, ou glicose, caem demais; a defini\u00e7\u00e3o aceita \u00e9 a medi\u00e7\u00e3o abaixo de 70 miligramas por decilitro. Pode afetar qualquer pessoa que tome medicamentos para controlar a condi\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 mais frequente em pessoas com idade avan\u00e7ada. \u201cSe voc\u00ea \u00e9 diab\u00e9tico h\u00e1 anos, \u00e9 prov\u00e1vel que j\u00e1 tenha passado por um epis\u00f3dio\u201d, comentou Sei Lee, geriatra da Universidade da Calif\u00f3rnia, em San Francisco, que pesquisa o diabetes em adultos mais velhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ora Larson, de 85 anos, tem&nbsp;<a href=\"https:\/\/record.r7.com\/fala-brasil\/video\/cientistas-dizem-ter-descoberto-cura-da-diabetes-tipo-2-24052024\/\">diabetes tipo 2<\/a>&nbsp;h\u00e1 d\u00e9cadas. Atualmente, seu endocrinologista e seu cl\u00ednico geral temem que a hipoglicemia cause quedas, fraturas \u00f3sseas, arritmias card\u00edacas e danos cognitivos. Ambos aconselharam que ela deixe sua hemoglobina A1c, uma medida da glicemia m\u00e9dia no decorrer de v\u00e1rios meses, ficar acima de 7%. \u201cEles dizem: \u2018N\u00e3o se preocupe tanto com os n\u00edveis altos \u2014 queremos evitar os baixos\u2019\u201d, contou Susan Larson.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas sua m\u00e3e passou 35 anos tentando manter sua A1c abaixo de 7% \u2014 recomenda\u00e7\u00e3o comum, destacada com frequ\u00eancia em comerciais farmac\u00eauticos. Ela aplica fielmente o medicamento que lhe foi prescrito, Victoza, cerca de tr\u00eas vezes por semana, e monitora sua dieta. \u00c9 a aluna mais velha da turma de hidrogin\u00e1stica para artrite em uma piscina local de Saint Paul, Minnesota. Por isso, quando seus m\u00e9dicos recomendaram uma A1c mais alta, ela resistiu. \u201cAcho que \u00e9 bobagem. N\u00e3o faz sentido para mim\u201d, afirmou Larson.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEla sempre foi muito encorajada a controlar o diabetes, e os m\u00e9dicos reconheciam seu esfor\u00e7o, sua disciplina. Sempre elogiavam seu \u2018controle rigoroso\u2019. Para uma pessoa que foi t\u00e3o dedicada durante todos esses anos, parece que as regras mudaram\u201d, explicou sua filha.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, mudaram. H\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, a Sociedade Americana de Geriatria recomendou uma hemoglobina A1c entre 7,5 e 8% para a maioria dos diab\u00e9ticos mais velhos e entre 8 e 9% para aqueles com m\u00faltiplas doen\u00e7as cr\u00f4nicas e expectativa de vida limitada. (Ora Larson tem esclerose m\u00faltipla e hipertens\u00e3o.) Outras sociedades m\u00e9dicas e grupos de defesa, como a Associa\u00e7\u00e3o Americana do Diabetes e a Sociedade de Endocrinologia, tamb\u00e9m revisaram suas diretrizes para pacientes mais velhos. A flexibiliza\u00e7\u00e3o de um tratamento agressivo pode significar suspender um medicamento, diminuir a dose ou trocar por outro, abordagem conhecida como desintensifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O surgimento de novos medicamentos eficazes contra o diabetes \u2014 os agonistas do receptor de GLP-1, como o Ozempic, e os inibidores de SGLT2, como o Jardiance \u2014 mudou ainda mais o cen\u00e1rio. Alguns pacientes podem substituir essas medica\u00e7\u00f5es mais seguras por outras mais antigas, que apresentam mais riscos. Mas os novos medicamentos tamb\u00e9m podem tornar as decis\u00f5es mais dif\u00edceis, porque nem todos os pacientes mais velhos podem fazer a substitui\u00e7\u00e3o \u2014 e, para aqueles que podem, os conv\u00eanios podem hesitar diante dos pre\u00e7os elevados e negar a cobertura. Assim, a desintensifica\u00e7\u00e3o avan\u00e7a, mas de forma muito lenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo de 2021 com benefici\u00e1rios do Medicare, programa de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade dos Estados Unidos, que tinham diabetes, analisou pacientes que foram ao pronto-socorro ou que foram hospitalizados em decorr\u00eancia de hipoglicemia. Menos da metade teve a medica\u00e7\u00e3o ajustada nos \u00faltimos cem dias. \u201cOs que vivem em asilos s\u00e3o os que mais sofrem\u201d, disse Joseph Ouslander, geriatra da Universidade Atl\u00e2ntica da Fl\u00f3rida e editor-chefe do \u201cThe Journal of the American Geriatrics Society\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro estudo de 2021, feito em asilos de Ont\u00e1rio, descobriu que mais da metade dos residentes que tomavam medicamentos para diabetes tipo 2 tinham n\u00edveis de A1c abaixo de 7%. Aqueles com maior comprometimento cognitivo eram submetidos a um tratamento mais agressivo. Ouslander calculou, com base em um estudo nacional, que aproximadamente 40 mil visitas anuais ao pronto-socorro entre 2007 e 2011 resultaram do tratamento excessivo do diabetes em idosos. Ele acredita que os n\u00fameros sejam muito maiores agora.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma breve introdu\u00e7\u00e3o: o&nbsp;<a href=\"https:\/\/noticias.r7.com\/saude\/diabetes-causa-ao-menos-50-amputacoes-por-dia-no-brasil-14112024\/\">diabetes pode causar complica\u00e7\u00f5es graves<\/a>&nbsp;\u2014 infarto do mioc\u00e1rdio, AVC, perda de vis\u00e3o e audi\u00e7\u00e3o, doen\u00e7a renal cr\u00f4nica, amputa\u00e7\u00f5es \u2014, de modo que o chamado controle rigoroso da glicemia faz sentido na idade adulta jovem e na meia-idade. Mas esse controle, como qualquer tratamento m\u00e9dico, implica um per\u00edodo antes de trazer benef\u00edcios \u00e0 sa\u00fade. No&nbsp;<a href=\"https:\/\/noticias.r7.com\/jr-na-tv\/series\/videos\/diabetes-a-epidemia-silenciosa-aprenda-como-prevenir-a-doenca-que-atinge-cada-vez-mais-brasileiros-04122023\/\">caso do diabetes<\/a>, o tempo \u00e9 longo, provavelmente de oito a dez anos. Por isso, pessoas mais velhas que j\u00e1 enfrentam v\u00e1rios problemas de sa\u00fade podem n\u00e3o viver o suficiente para se beneficiar do controle rigoroso por tanto tempo. \u201cEra muito importante quando voc\u00ea tinha 50 anos. Agora, \u00e9 menos relevante\u201d, observou Lee, acrescentando que os idosos diab\u00e9ticos nem sempre aceitam bem essa mudan\u00e7a: \u201cAchei que ficariam felizes, mas muitos resistem. \u00c9 quase como se eu estivesse tirando algo deles.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O risco de que o controle rigoroso tamb\u00e9m cause hipoglicemia aumenta com o envelhecimento. A condi\u00e7\u00e3o pode causar suor excessivo, p\u00e2nico e fadiga. \u201cNos casos mais graves, a pessoa pode perder a consci\u00eancia. Ficar confusa. Se estiver dirigindo, pode sofrer um acidente. Mesmo epis\u00f3dios mais leves tendem a prejudicar a qualidade de vida se ocorrerem com frequ\u00eancia, gerando ansiedade nos pacientes e possivelmente os levando a limitar suas atividades\u201d, explicou Scott Pilla, cl\u00ednico geral e pesquisador de diabetes da Universidade Johns Hopkins.<\/p>\n\n\n\n<p>Os especialistas destacam dois tipos de medicamentos antigos muito associados \u00e0 hipoglicemia: a insulina e as sulfonilureias, como a gliburida, a glipizida e a glimepirida. Para pessoas com diabetes tipo 1, cujo corpo n\u00e3o produz insulina, as inje\u00e7\u00f5es da subst\u00e2ncia continuam sendo imprescind\u00edveis. \u201cMas a insulina \u00e9 amplamente reconhecida como um medicamento perigoso em raz\u00e3o do risco de hipoglicemia e deve ser monitorada com cuidado\u201d, frisou Lee, acrescentando que \u201cas sulfonilureias est\u00e3o sendo cada vez menos usadas, porque, embora menos arriscadas do que a insulina, tamb\u00e9m podem causar hipoglicemia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A grande maioria dos idosos diab\u00e9ticos tem o tipo 2, o que lhes d\u00e1 mais op\u00e7\u00f5es. Podem complementar o medicamento mais comumente prescrito, a metformina, com os novos f\u00e1rmacos GLP-1 e SGLT2, que tamb\u00e9m trazem benef\u00edcios card\u00edacos e renais. Se necess\u00e1rio, podem adicionar insulina ao tratamento. Mas um dos efeitos mais populares dos novos medicamentos \u00e9 a perda de peso. \u201cNo caso de idosos, se forem fr\u00e1geis e pouco ativos, n\u00e3o queremos que percam peso\u201d, observou Pilla. Al\u00e9m disso, a metformina e os medicamentos GLP-1 e SGLT2 podem ter efeitos colaterais gastrointestinais ou geniturin\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 15 anos, Dan Marsh, de 69 anos, contador de Media, na Pensilv\u00e2nia, tem tratado seu diabetes tipo 2 aplicando dois tipos de insulina diariamente. Contou que, quando injeta uma quantidade excessiva, acorda durante a noite com \u201cquedas de glicose infernais\u201d e precisa comer e tomar comprimidos de glicose. Ainda assim, sua A1c continua elevada, e no ano passado os m\u00e9dicos lhe amputaram parte de um dedo do p\u00e9. Como j\u00e1 toma muitos outros medicamentos para diferentes condi\u00e7\u00f5es, ele e seu m\u00e9dico decidiram n\u00e3o testar tratamentos novos para o diabetes. \u201cSei que h\u00e1 outras op\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o seguimos esse caminho\u201d, comentou Marsh.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCom tantas possibilidades novas, incluindo monitores cont\u00ednuos de glicose, descobrir qual \u00e9 o tratamento ideal est\u00e1 se tornando cada vez mais dif\u00edcil. Mas, no fim das contas, os idosos superestimam o benef\u00edcio da redu\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar no sangue e subestimam os riscos dos medicamentos\u201d, afirmou Pilla. Muitas vezes, o m\u00e9dico deles n\u00e3o explicou como essas compensa\u00e7\u00f5es mudam com o avan\u00e7o da idade e com o ac\u00famulo de problemas de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Ora Larson, que carrega comprimidos mastig\u00e1veis de glicose para epis\u00f3dios de hipoglicemia (sucos de fruta e barras de doces tamb\u00e9m s\u00e3o ant\u00eddotos populares), pretende conversar com seus m\u00e9dicos a respeito do tratamento para o diabetes. Essa \u00e9 uma boa decis\u00e3o. \u201cO maior fator de risco para a hipoglicemia grave \u00e9 j\u00e1 ter tido hipoglicemia antes. Se voc\u00ea tiver um epis\u00f3dio, deve consider\u00e1-lo como um alerta. Cabe ao seu m\u00e9dico investigar: por que isso ocorreu? O que podemos fazer para evitar que sua glicose fique perigosamente baixa?\u201d, disse Lee.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>c. 2025 The New York Times Company<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: R7<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tratamento intensivo da doen\u00e7a n\u00e3o compensa, pois quando o paciente envelhece tem mais chances de desenvolver hipoglicemia A esta altura, Ora Larson reconhece os sinais: \u201cParece que estou tremendo por dentro. Fico agitada, ansiosa.\u201d Se algu\u00e9m lhe pergunta se quer uma salada no almo\u00e7o, ela n\u00e3o sabe o que responder. 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