{"id":26541,"date":"2025-04-07T09:31:25","date_gmt":"2025-04-07T12:31:25","guid":{"rendered":"https:\/\/imais.online\/portal\/?p=26541"},"modified":"2025-04-07T09:31:27","modified_gmt":"2025-04-07T12:31:27","slug":"alta-de-precos-x-queda-de-popularidade-como-inflacao-afeta-imagem-dos-governantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imais.online\/portal\/alta-de-precos-x-queda-de-popularidade-como-inflacao-afeta-imagem-dos-governantes\/","title":{"rendered":"Alta de pre\u00e7os X queda de popularidade: como infla\u00e7\u00e3o afeta imagem dos governantes"},"content":{"rendered":"<div class=\"imais-before-content-placement\" id=\"imais-3213493967\"><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8787528412751566\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display:block;\" data-ad-client=\"ca-pub-8787528412751566\" \ndata-ad-slot=\"\" \ndata-ad-format=\"auto\"><\/ins>\n<script> \n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); \n<\/script>\n<\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Especialistas ouvidos pelo R7 explicam por que descontentamento popular cresce quando itens como arroz, feij\u00e3o e carne encarecem<\/h2>\n\n\n\n<p>A alta da&nbsp;<a href=\"https:\/\/noticias.r7.com\/brasilia\/alckmin-diz-que-inflacao-provocada-por-seca-e-dolar-alto-e-responsavel-por-desgaste-de-lula-04042025\/\">infla\u00e7\u00e3o<\/a>&nbsp;\u2014 especialmente a dos alimentos \u2014 tem impacto direto na percep\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o sobre o governo. Quando o pre\u00e7o de itens b\u00e1sicos, como arroz, feij\u00e3o, carne e caf\u00e9 sobe, o descontentamento cresce, e isso se reflete diretamente nos \u00edndices de aprova\u00e7\u00e3o dos governantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com avan\u00e7os em \u00e1reas como o emprego e o crescimento do\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.r7.com\/jr-na-tv\/video\/pib-brasileiro-cresce-34-em-2024-e-chega-a-r-117-trilhoes-07032025\/\">PIB<\/a>\u00a0(Produto Interno Bruto, soma de todos os bens e servi\u00e7os finais produzidos no pa\u00eds), o brasileiro m\u00e9dio reage ao que sente no bolso.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos meses, o presidente&nbsp;<a href=\"https:\/\/noticias.r7.com\/brasilia\/em-meio-a-baixa-popularidade-lula-mantem-reunioes-quase-diarias-com-ministro-da-secom-01042025\/\">Luiz In\u00e1cio Lula da Silva<\/a>&nbsp;tem visto sua popularidade recuar, em especial devido \u00e0 alta dos pre\u00e7os dos alimentos. Pesquisas recentes mostram que a&nbsp;<a href=\"https:\/\/noticias.r7.com\/brasilia\/desaprovacao-do-governo-lula-sobe-de-49-para-56-desde-janeiro-segundo-pesquisa-02042025\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">desaprova\u00e7\u00e3o ao governo continua crescendo<\/a>. Levantamento da&nbsp;<a href=\"https:\/\/noticias.r7.com\/brasilia\/governo-lula-e-aprovado-por-54-enquanto-43-o-desaprovavam-diz-genialquaest-10072024\/\">Genial\/Quaest<\/a>&nbsp;divulgado na quarta-feira (2) apontou que 56% dos entrevistados desaprovam a gest\u00e3o do petista. Em janeiro, esse grupo representava 49%. J\u00e1 a aprova\u00e7\u00e3o caiu de 47% para 41%.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo reconhece o problema e tenta conter os danos com medidas emergenciais, como a redu\u00e7\u00e3o de impostos de importa\u00e7\u00e3o sobre alimentos. No entanto, especialistas ouvidos pelo\u00a0<strong>R7\u00a0<\/strong>afirmam que a solu\u00e7\u00e3o exige mais do que a\u00e7\u00f5es pontuais. Eles explicam por que a infla\u00e7\u00e3o percebida pesa mais na avalia\u00e7\u00e3o popular do que outros indicadores econ\u00f4micos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Hugo Garbe, professor de economia do Mackenzie e economista chefe da G11 Finance, a rela\u00e7\u00e3o entre a alta dos pre\u00e7os e a queda de popularidade dos governantes est\u00e1 ligada \u00e0 perda de poder de compra, que mexe com a rotina das fam\u00edlias, principalmente das que ganham menos e que v\u00eaem uma parcela maior do or\u00e7amento sendo consumida por itens b\u00e1sicos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA sensa\u00e7\u00e3o que se instala \u00e9 a de que tudo est\u00e1 mais caro \u2014 e n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 impress\u00e3o. Isso corr\u00f3i o sentimento de bem-estar e gera uma percep\u00e7\u00e3o de que o pa\u00eds est\u00e1 desorganizado, o que recai diretamente sobre o governo. Afinal, na cabe\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o, se a vida est\u00e1 mais dif\u00edcil, algu\u00e9m precisa ser responsabilizado \u2014 e quem est\u00e1 no poder costuma ser o primeiro alvo\u201d, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, controlar a infla\u00e7\u00e3o sem perder o apoio popular \u00e9 um dos dilemas cl\u00e1ssicos da economia. O professor afirma que, para conter a alta dos pre\u00e7os, o governo ou o Banco Central costuma subir os juros, cortar gastos ou segurar o cr\u00e9dito, mas, para quem est\u00e1 na ponta, isso pode significar juros mais altos no cart\u00e3o, menos empregos e crescimento mais lento. \u201cOu seja, o rem\u00e9dio pode amargar a vida das pessoas no curto prazo\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, os principais picos de infla\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos 20 anos ocorreram em momentos espec\u00edficos, geralmente impulsionados por crises econ\u00f4micas, alta do d\u00f3lar, choques de oferta e fatores externos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Veja alguns exemplos:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Infla\u00e7\u00e3o de 2002-2003 (Transi\u00e7\u00e3o FHC-Lula)<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Em meio a um cen\u00e1rio de incerteza pol\u00edtica com a primeira elei\u00e7\u00e3o de Lula e a desvaloriza\u00e7\u00e3o do real, o IPCA (\u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo), a infla\u00e7\u00e3o oficial do pa\u00eds, chegou a 12,53% em 2002 e 9,3% no ano seguinte. Apesar do in\u00edcio turbulento, o governo adotou uma pol\u00edtica econ\u00f4mica ortodoxa, com foco no controle da infla\u00e7\u00e3o e responsabilidade fiscal, o que ajudou a recuperar a confian\u00e7a do mercado e estabilizar a economia nos anos seguintes.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Infla\u00e7\u00e3o de 2015-2016 (Governo Dilma)<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>A crise econ\u00f4mica do segundo mandato da ex-presidente Dilma Rousseff foi marcada por uma combina\u00e7\u00e3o de fatores internos e externos que levaram o pa\u00eds a uma forte recess\u00e3o. O descontrole fiscal e a perda de credibilidade tamb\u00e9m influenciaram nesse cen\u00e1rio, e a infla\u00e7\u00e3o chegou a 10,67% em 2015. Al\u00e9m disso, o aumento do desemprego e a queda na renda das fam\u00edlias agravaram a insatisfa\u00e7\u00e3o popular, contribuindo para o desgaste pol\u00edtico do governo e abrindo caminho para o processo de impeachment em 2016.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Infla\u00e7\u00e3o de 2021-2022 (Pandemia e Guerra na Ucr\u00e2nia)<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Durante o governo Jair Bolsonaro, a infla\u00e7\u00e3o voltou a subir, especialmente entre 2021 e 2022, impulsionada por fatores globais como a pandemia de Covid-19, que desorganizou cadeias de suprimentos, e a guerra na Ucr\u00e2nia, que elevou os pre\u00e7os do petr\u00f3leo e alimentos. Em 2021, o IPCA fechou em 10,06% \u2014 o maior \u00edndice desde 2015 \u2014 e, embora tenha desacelerado em 2022, ainda foi alto, chegando a 5,79%. Esse cen\u00e1rio afetou diretamente o custo de vida da popula\u00e7\u00e3o e pressionou a popularidade do governo, em meio a cr\u00edticas sobre a condu\u00e7\u00e3o da economia e o combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">\u2018Bolso \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o do ser humano\u2019<\/h3>\n\n\n\n<p>O cientista pol\u00edtico Andr\u00e9 C\u00e9sar, s\u00f3cio da Hold Assessoria Legislativa, explica que politicamente esse \u00e9 um assunto \u201cmuito sens\u00edvel\u201d, j\u00e1 que \u201co bolso \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o do ser humano\u201d. Pelo senso comum, segundo ele, as pessoas tendem a responsabilizar a gest\u00e3o federal e, por isso, h\u00e1 historicamente uma preocupa\u00e7\u00e3o de todos os governos em controlar a infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEntra governo, sai governo, n\u00e3o importa o matiz, a colora\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de quem est\u00e1 no poder, essa \u00e9 a quest\u00e3o [controlar a infla\u00e7\u00e3o]. Perdendo o controle da infla\u00e7\u00e3o, voc\u00ea perde o controle sobre a gest\u00e3o. Se voc\u00ea quer se reeleger ou eleger algu\u00e9m do teu grupo pol\u00edtico, uma infla\u00e7\u00e3o corroendo o poder de compra da popula\u00e7\u00e3o coloca isso em risco. N\u00e3o adianta ter outros resultados positivos, pol\u00edticas p\u00fablicas eficientes se n\u00e3o tem controle sobre os pre\u00e7os\u201d, completou.<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00e9sar cita ainda que, em um cen\u00e1rio de infla\u00e7\u00e3o alta, \u00e9 necess\u00e1rio que o governante adote medidas \u201cradicais dr\u00e1sticas para cortar o mal pela raiz\u201d. Do contr\u00e1rio, segundo ele, n\u00e3o h\u00e1 como conseguir avan\u00e7ar nessa quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O especialista lembrou do pico da hiperinfla\u00e7\u00e3o no Brasil, alcan\u00e7ada em mar\u00e7o de 1990, durante o governo Jos\u00e9 Sarney, dias antes do ex-presidente Fernando Collor assumir. Naquele m\u00eas, a infla\u00e7\u00e3o atingiu 82,39% em apenas um m\u00eas, segundo o \u00edndice IPC-Fipe.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Sarney come\u00e7ou o mandato com apoio popular e terminou de uma maneira muito baixa, saiu quase escorra\u00e7ado. Ent\u00e3o, se voc\u00ea n\u00e3o tomar medidas dr\u00e1sticas e eficazes, efetivas de verdade, s\u00f3 piora o quadro. Se perde o controle, \u00e9 dif\u00edcil retomar as as r\u00e9deas\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Impactos da polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica<\/h3>\n\n\n\n<p>O cientista pol\u00edtico afirmou que o cen\u00e1rio de polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica enfrentado pelo Brasil nos \u00faltimos anos impacta diretamente na falta de toler\u00e2ncia da popula\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao aumento dos pre\u00e7os. Segundo ele, hoje, uma parcela significativa da popula\u00e7\u00e3o entrou em um modo de \u201ctoler\u00e2ncia zero\u201d, o que faz o debate deixar de existir.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA infla\u00e7\u00e3o em alta, infla\u00e7\u00e3o dos alimentos em especial, acaba se tornando ainda mais politicamente sens\u00edvel. As pessoas falam: \u2018Est\u00e1 vendo? N\u00e3o d\u00e1, esse governo n\u00e3o d\u00e1\u2018. \u00c9 algo muito ruim\u201d, reitera.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Equil\u00edbrio, transpar\u00eancia e di\u00e1logo<\/h3>\n\n\n\n<p>Garbe explica que o desafio \u00e9 equilibrar. Alguns governos, ele diz, tentam compensar os efeitos negativos com pol\u00edticas sociais \u2014 como programas de transfer\u00eancia de renda \u2014 ou com cortes de impostos em setores estrat\u00e9gicos, como combust\u00edveis e energia. Mas mesmo essas medidas t\u00eam limite: gastar demais para agradar hoje pode piorar o cen\u00e1rio amanh\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO ideal \u00e9 transpar\u00eancia e di\u00e1logo: explicar por que as medidas s\u00e3o necess\u00e1rias, mostrar que s\u00e3o tempor\u00e1rias e que existe um plano claro de recupera\u00e7\u00e3o. A confian\u00e7a \u00e9 um ativo valioso na economia \u2014 e na pol\u00edtica tamb\u00e9m\u201d, completou.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte R7<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialistas ouvidos pelo R7 explicam por que descontentamento popular cresce quando itens como arroz, feij\u00e3o e carne encarecem A alta da&nbsp;infla\u00e7\u00e3o&nbsp;\u2014 especialmente a dos alimentos \u2014 tem impacto direto na percep\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o sobre o governo. 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