{"id":26576,"date":"2025-04-09T08:49:23","date_gmt":"2025-04-09T11:49:23","guid":{"rendered":"https:\/\/imais.online\/portal\/unesp-lidera-projeto-de-r-5-milhoes-para-desenvolver-diesel-verde-a-partir-de-biomassa\/"},"modified":"2025-04-09T08:49:23","modified_gmt":"2025-04-09T11:49:23","slug":"unesp-lidera-projeto-de-r-5-milhoes-para-desenvolver-diesel-verde-a-partir-de-biomassa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imais.online\/portal\/unesp-lidera-projeto-de-r-5-milhoes-para-desenvolver-diesel-verde-a-partir-de-biomassa\/","title":{"rendered":"Unesp lidera projeto de R$ 5 milh\u00f5es para desenvolver diesel verde a partir de biomassa"},"content":{"rendered":"<div class=\"imais-before-content-placement\" id=\"imais-2212365949\"><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8787528412751566\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display:block;\" data-ad-client=\"ca-pub-8787528412751566\" \ndata-ad-slot=\"\" \ndata-ad-format=\"auto\"><\/ins>\n<script> \n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); \n<\/script>\n<\/div><p class=\"has-text-align-center\">Iniciativa financiada pela Fapesp ser\u00e1 conduzida pelo IQ, em parceria com o ITA, e busca criar uma plataforma nacional de pesquisa em combust\u00edvel sustent\u00e1vel<\/p>\n<p>Ambientalistas e autoridades do clima do mundo todo s\u00e3o un\u00e2nimes: o futuro do planeta depende da redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa. Parte essencial dessa miss\u00e3o passa pela substitui\u00e7\u00e3o dos combust\u00edveis f\u00f3sseis por fontes renov\u00e1veis. E \u00e9 justamente nesse contexto que o Instituto de Qu\u00edmica (IQ) da Unesp, em Araraquara, d\u00e1 in\u00edcio ao projeto \u201cMateriais aplicados na transforma\u00e7\u00e3o de biomassa em diesel verde: do laborat\u00f3rio ao piloto\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>A iniciativa, aprovada pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp) e liderada pela professora Sandra Helena Pulcinelli, do IQ, prev\u00ea o investimento de cerca de R$ 5 milh\u00f5es ao longo dos pr\u00f3ximos cinco anos em vistas de desenvolver diesel verde, tamb\u00e9m conhecido como HVO (Hydrotreated Vegetable Oil).<\/p>\n<p>\u201cEsse projeto foi concebido com a proposta de somar compet\u00eancias para gerar algo novo e relevante para o Brasil. O diesel verde j\u00e1 \u00e9 produzido em outros pa\u00edses, mas sua explora\u00e7\u00e3o aqui ainda \u00e9 praticamente nula\u201d, explica a professora.<\/p>\n<p>Produzido a partir de mat\u00e9rias-primas renov\u00e1veis como \u00f3leo de cozinha usado, gordura animal e rejeitos da ind\u00fastria, o HVO se diferencia do biodiesel tradicional por utilizar hidrog\u00eanio em sua produ\u00e7\u00e3o. Segundo a professora Sandra, isso garante uma s\u00e9rie de vantagens: menor emiss\u00e3o de poluentes, maior efici\u00eancia na queima, estabilidade t\u00e9rmica, resist\u00eancia \u00e0 oxida\u00e7\u00e3o, versatilidade no uso, entre outras. \u201cEle pode ser utilizado puro ou misturado com diesel convencional ou mesmo com biodiesel\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>De acordo com o professor Rodrigo Fernando Costa Marques, tamb\u00e9m do IQ e coordenador do Centro de Monitoramento e Pesquisa em Qualidade de Combust\u00edveis (Cempec), a ideia do projeto surgiu a partir de uma visita da embaixatriz da Su\u00e9cia ao IQ, em 2021. Na ocasi\u00e3o, um representante da comitiva manifestou interesse em importar HVO do Brasil. \u201cComecei a procurar produtores nacionais e n\u00e3o encontrei nenhum. A\u00ed acendeu uma luz: se h\u00e1 demanda internacional e n\u00f3s n\u00e3o produzimos, existe uma grande oportunidade para a pesquisa e para o pa\u00eds\u201d, relata.<\/p>\n<p>A partir dessa constata\u00e7\u00e3o, uma equipe multidisciplinar foi montada, reunindo pesquisadores experientes em cat\u00e1lise, an\u00e1lise de combust\u00edveis, reatores e motores. Al\u00e9m da professora Sandra e do professor Rodrigo, o projeto conta com os professores Leandro Pierroni Martins e Celso Valentim Santilli, tamb\u00e9m do IQ, e com o docente Pedro Lacava, do Instituto Tecnol\u00f3gico de Aeron\u00e1utica (ITA), respons\u00e1vel pelos testes em motores.<\/p>\n<p>\u201cVamos trabalhar desde a sele\u00e7\u00e3o da biomassa \u00e0 caracteriza\u00e7\u00e3o do diesel produzido, passando pelo desenvolvimento de catalisadores e pela produ\u00e7\u00e3o em escala piloto. \u00c9 um projeto que cobre toda a cadeia do combust\u00edvel renov\u00e1vel\u201d, explica o professor Leandro, coordenador do\u00a0 Grupo de Pesquisa em Cat\u00e1lise (GPCat).\u00a0<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.maisindaia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Pesquisa.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-344\" \/><\/figure>\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Foto: IQ Unesp<\/em><\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como o projeto est\u00e1 estruturado<\/h2>\n<p>O projeto est\u00e1 dividido em quatro etapas interligadas, que v\u00e3o desde a escolha das mat\u00e9rias-primas at\u00e9 os testes em motores reais.\u00a0<\/p>\n<p>Na primeira fase, a equipe busca identificar quais fontes de biomassa brasileiras t\u00eam maior potencial para a produ\u00e7\u00e3o de HVO. A ideia \u00e9 priorizar mat\u00e9rias-primas sustent\u00e1veis e que n\u00e3o compitam com a produ\u00e7\u00e3o de alimentos. Por isso, al\u00e9m de \u00f3leos vegetais brutos e \u00f3leo de fritura industrial, o grupo avalia tamb\u00e9m fontes n\u00e3o convencionais, como o \u00f3leo extra\u00eddo de larvas que se alimentam de res\u00edduos org\u00e2nicos.\u00a0<\/p>\n<p>Em paralelo \u00e0 sele\u00e7\u00e3o das biomassas, os pesquisadores trabalham no desenvolvimento dos catalisadores \u2014 componentes fundamentais para a rea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica que transforma os \u00f3leos vegetais em diesel verde. O processo ocorre por hidrogena\u00e7\u00e3o: o hidrog\u00eanio \u00e9 incorporado \u00e0s mol\u00e9culas org\u00e2nicas dos \u00f3leos, substituindo o oxig\u00eanio e resultando em um combust\u00edvel mais limpo, est\u00e1vel e eficiente.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Segundo o professor Leandro, os catalisadores ser\u00e3o desenvolvidos com metais como n\u00edquel e cobalto, mais baratos que os metais nobres tradicionais, como platina e pal\u00e1dio: \u201cQueremos um catalisador eficiente, dur\u00e1vel e acess\u00edvel\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Essas rea\u00e7\u00f5es ser\u00e3o conduzidas inicialmente em escala de bancada, com volumes reduzidos (de miligramas a mililitros), e depois escaladas para reatores maiores. Para isso, o projeto prev\u00ea a aquisi\u00e7\u00e3o de dois reatores de alta press\u00e3o: um com capacidade de cerca de um litro e outro de 50 litros. Esses equipamentos permitir\u00e3o produzir diesel verde em escala piloto, quantidade suficiente para os testes em motores. \u201cO objetivo \u00e9 produzir diesel verde em volume suficiente para testes em motores reais, com foco no desempenho e nas emiss\u00f5es\u201d, explica Leandro Martins.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a produ\u00e7\u00e3o, o diesel verde passa por uma an\u00e1lise que averigua sua qualidade, viscosidade, fluidez, estabilidade t\u00e9rmica, composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica e poder calor\u00edfico. A ideia \u00e9 garantir que o HVO atenda aos crit\u00e9rios estabelecidos pela Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo (ANP). A \u00faltima etapa do projeto ser\u00e1 realizada no ITA, atrav\u00e9s do Laborat\u00f3rio de Combust\u00e3o, Propuls\u00e3o e Energia, quando finalmente o diesel ser\u00e1 testado quanto ao seu desempenho, pot\u00eancia, torque e, principalmente, as emiss\u00f5es de poluentes.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cEsperamos que o HVO reduza o material particulado emitido, o que \u00e9 uma vantagem tanto ambiental quanto econ\u00f4mica. Motores a diesel exigem sistemas caros de p\u00f3s-tratamento, como filtros catal\u00edticos. Se o combust\u00edvel for mais limpo, esses custos diminuem\u201d, aponta Lacava. Ele tamb\u00e9m destaca o potencial do HVO como substituto do biodiesel, que sofre resist\u00eancia das montadoras por provocar problemas como corros\u00e3o e entupimento de filtros.<\/p>\n<p>Outro ponto forte do projeto \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos. Alunos de gradua\u00e7\u00e3o, mestrado e p\u00f3s-doutorado participar\u00e3o das diferentes etapas, sendo concedidas bolsas de pesquisa. \u201cA pesquisa avan\u00e7a com gente e precisamos de mentes e m\u00e3os engajadas nessa miss\u00e3o\u201d, enfatiza a professora Sandra.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma plataforma de pesquisa para o Brasil\u00a0<\/h2>\n<p>Mais do que desenvolver um novo combust\u00edvel, o projeto visa criar uma plataforma nacional de pesquisa em HVO. Isso inclui conhecimento t\u00e9cnico, infraestrutura compartilhada e metodologias que poder\u00e3o ser utilizadas por outros grupos no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cA Fapesp exige que os equipamentos adquiridos com recursos p\u00fablicos sejam multiusu\u00e1rios. Nosso objetivo \u00e9 que os reatores e o know-how desenvolvidos aqui possam servir de base para outras pesquisas em diesel verde\u201d, explica Rodrigo Marques.<\/p>\n<p>A tecnologia, ali\u00e1s, n\u00e3o se limita ao HVO. A mesma rota de hidrogena\u00e7\u00e3o pode, segundo os pesquisadores, gerar outros produtos com alto valor agregado, como a gasolina renov\u00e1vel (bionafta) e o querosene de avia\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel (SAF), considerado fundamental para a descarboniza\u00e7\u00e3o do setor a\u00e9reo. \u201cO Brasil pode se posicionar estrategicamente nesse mercado, aproveitando sua biodiversidade e capacidade t\u00e9cnica\u201d, afirma Rodrigo.<\/p>\n<p>Para a professora Sandra Pulcinelli, a iniciativa tem o potencial de influenciar diretamente a pol\u00edtica energ\u00e9tica do pa\u00eds. \u201cJ\u00e1 h\u00e1 sinais de que o governo pretende valorizar o diesel verde. Nossa pesquisa pode embasar regulamenta\u00e7\u00f5es, contribuir com dados t\u00e9cnicos e mostrar que \u00e9 poss\u00edvel produzir um combust\u00edvel limpo, eficiente e economicamente vi\u00e1vel\u201d, finaliza.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Iniciativa financiada pela Fapesp ser\u00e1 conduzida pelo IQ, em parceria com o ITA, e busca criar uma plataforma nacional de pesquisa em combust\u00edvel sustent\u00e1vel Ambientalistas e autoridades do clima do mundo todo s\u00e3o un\u00e2nimes: o futuro do planeta depende da redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa. 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