{"id":27516,"date":"2025-06-01T16:19:06","date_gmt":"2025-06-01T19:19:06","guid":{"rendered":"https:\/\/imais.online\/portal\/?p=27516"},"modified":"2025-06-01T16:19:08","modified_gmt":"2025-06-01T19:19:08","slug":"bacteria-comum-na-boca-pode-ajudar-a-prever-evolucao-do-cancer-de-cabeca-e-pescoco-aponta-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imais.online\/portal\/bacteria-comum-na-boca-pode-ajudar-a-prever-evolucao-do-cancer-de-cabeca-e-pescoco-aponta-estudo\/","title":{"rendered":"Bact\u00e9ria comum na boca pode ajudar a prever evolu\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o, aponta estudo"},"content":{"rendered":"<div class=\"imais-before-content-placement\" id=\"imais-266919920\"><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8787528412751566\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display:block;\" data-ad-client=\"ca-pub-8787528412751566\" \ndata-ad-slot=\"\" \ndata-ad-format=\"auto\"><\/ins>\n<script> \n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); \n<\/script>\n<\/div>\n<p>Ao analisar amostras de pacientes, pesquisadores do Hospital de Amor identificaram a esp\u00e9cie\u00a0Fusobacterium nucleatum\u00a0em quase 60% dos casos, com maior preval\u00eancia em tumores de orofaringe. Microrganismo tamb\u00e9m j\u00e1 foi associado ao desenvolvimento de c\u00e2ncer colorretal<\/p>\n\n\n\n<p>Por d\u00e9cadas, os cuidados com a sa\u00fade bucal foram associados principalmente \u00e0 preven\u00e7\u00e3o de c\u00e1ries e doen\u00e7as gengivais. No entanto, a ci\u00eancia tem tornado cada vez mais evidente a import\u00e2ncia do microbioma oral \u2013 um conjunto de microrganismos que habitam naturalmente a cavidade bucal. Estudos recentes t\u00eam demonstrado liga\u00e7\u00f5es entre desequil\u00edbrios nesse ecossistema microbiano e o desenvolvimento de c\u00e2nceres de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o, al\u00e9m de associa\u00e7\u00f5es cada vez mais s\u00f3lidas com o c\u00e2ncer colorretal.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as esp\u00e9cies microbianas que mais t\u00eam chamado a aten\u00e7\u00e3o da comunidade cient\u00edfica est\u00e1 a&nbsp;<em>Fusobacterium nucleatum<\/em>, uma bact\u00e9ria normalmente encontrada em baixos n\u00edveis na flora bucal de indiv\u00edduos saud\u00e1veis. Sua prolifera\u00e7\u00e3o descontrolada, no entanto, tem sido associada a doen\u00e7as inflamat\u00f3rias (como periodontite e outros problemas da cavidade bucal) e, mais recentemente, ao aumento do risco de desenvolver tumores malignos em outras partes do corpo.<\/p>\n\n\n\n<p>A associa\u00e7\u00e3o da&nbsp;<em>F. nucleatum<\/em>&nbsp;com tumores despertou, h\u00e1 alguns anos, o interesse de pesquisadores do Hospital de Amor (antigo Hospital de C\u00e2ncer de Barretos), que iniciaram estudos sobre o papel do microrganismo no c\u00e2ncer colorretal. Mais recentemente, com&nbsp;<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/206671\/perfil-microbioma-fecal-como-biomarcador-de-deteccao-precoce-em-cancer-colorretal-em-biopsia-liquida\/?q=21\/13861-0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">apoio<\/a>&nbsp;da Fapesp e de outras ag\u00eancias de fomento, o grupo expandiu as investiga\u00e7\u00f5es para entender sua poss\u00edvel atua\u00e7\u00e3o nos tumores de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o. Descobriu que, nesses casos, a presen\u00e7a da bact\u00e9ria est\u00e1 associada a melhor progn\u00f3stico e maior sobrevida. Os resultados foram&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/full\/10.1080\/20002297.2025.2487644#abstract\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">publicados<\/a>&nbsp;no&nbsp;<em>Journal of Oral Microbiology<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Liderado pelo pesquisador&nbsp;<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/en\/pesquisador\/103562\/rui-manuel-vieira-reis\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Rui Manuel Reis<\/a>, diretor cient\u00edfico do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital de Amor, o estudo utilizou uma metodologia ultrassens\u00edvel (o PCR digital) para detectar a presen\u00e7a da&nbsp;<em>F. nucleatum<\/em>&nbsp;no tecido tumoral. Para isso, os pesquisadores analisaram 94 amostras de pacientes com diferentes tipos de c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o tratados na institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cRealizamos a an\u00e1lise intratumoral a partir de material de arquivo parafinado [conservado em parafina], que foi usado originalmente para diagn\u00f3stico desses pacientes\u201d, explica Reis. \u201cCom as metodologias mais tradicionais, seria dif\u00edcil identificar a presen\u00e7a dessa bact\u00e9ria com a mesma precis\u00e3o em material degradado, como o de parafina. No entanto, a t\u00e9cnica de PCR ultrassens\u00edvel oferece uma alta confiabilidade e sensibilidade \u2013 at\u00e9 mesmo tra\u00e7os m\u00ednimos de DNA bacteriano podem ser detectados\u201d, destaca.<\/p>\n\n\n\n<p>O diferencial, segundo o pesquisador, foi detectar a bact\u00e9ria dentro das c\u00e9lulas tumorais, um achado surpreendente. \u201cSe analisarmos a saliva de uma pessoa, \u00e9 prov\u00e1vel que encontremos essa bact\u00e9ria, j\u00e1 que ela est\u00e1 normalmente presente na cavidade bucal e comp\u00f5e o biofilme dental. O que n\u00e3o se esperava, por\u00e9m, \u00e9 que ela estivesse localizada dentro do microambiente tumoral\u201d, ressalta Reis.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Melhor progn\u00f3stico<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Ao longo de aproximadamente cinco anos, os pesquisadores acompanharam os dados cl\u00ednicos dos pacientes e constataram que a presen\u00e7a da&nbsp;<em>F. nucleatum<\/em>&nbsp;nos tumores estava associada a um progn\u00f3stico mais favor\u00e1vel. Ela foi identificada em 59,6% dos casos, com maior preval\u00eancia em tumores de orofaringe (62,1%) do que de cavidade oral (53,6%).<\/p>\n\n\n\n<p>Pacientes cujos tumores apresentavam a bact\u00e9ria tiveram sobrevida m\u00e9dia de 60 meses, enquanto os demais viveram, em m\u00e9dia, 36 meses \u2013 uma diferen\u00e7a significativa. \u201cN\u00e3o esper\u00e1vamos esse resultado, pois, em outros tipos de c\u00e2ncer, como o colorretal, a presen\u00e7a da bact\u00e9ria costuma estar associada a maior agressividade e menor sobrevida\u201d, comenta Reis.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do achado promissor, os pesquisadores ainda n\u00e3o compreendem completamente o motivo dessa associa\u00e7\u00e3o positiva entre a presen\u00e7a da&nbsp;<em>F. nucleatum<\/em>&nbsp;e o melhor progn\u00f3stico nos casos de c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o. Uma das hip\u00f3teses \u00e9 que a bact\u00e9ria atue na regula\u00e7\u00e3o de fatores imunol\u00f3gicos, potencializando a resposta do sistema imune e, assim, tornando o tumor menos agressivo. \u201cAinda n\u00e3o temos essa resposta, mas vamos aprofundar as investiga\u00e7\u00f5es. Esse ser\u00e1 o pr\u00f3ximo passo\u201d, diz o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra linha de estudo buscar\u00e1 entender se a presen\u00e7a da&nbsp;<em>F. nucleatum<\/em>&nbsp;nos tumores pode influenciar a resposta \u00e0s terapias, o que abriria caminho para abordagens mais personalizadas no tratamento desses pacientes. Se confirmada, a bact\u00e9ria poder\u00e1 se tornar um importante biomarcador para o progn\u00f3stico do c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMostramos que mesmo usando material antigo e em pequenas quantidades conseguimos detectar essa bact\u00e9ria. Ou seja, se no futuro ela for validada como biomarcador, j\u00e1 temos uma t\u00e9cnica eficaz para identific\u00e1-la no tecido tumoral\u201d, destaca Reis.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Uma poss\u00edvel oncobact\u00e9ria?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Reis, a an\u00e1lise do microbioma oral torna-se cada vez mais essencial na compreens\u00e3o da oncologia moderna. \u201cMais do que apresentar um resultado definitivo, este \u00e9 um estudo pioneiro, que chama a aten\u00e7\u00e3o para a relev\u00e2ncia dessa bact\u00e9ria no contexto tumoral, e n\u00e3o apenas em doen\u00e7as bucais\u201d, afirmou Reis.<\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 apenas o come\u00e7o de uma nova linha de investiga\u00e7\u00e3o. \u201cEssa bact\u00e9ria est\u00e1 emergindo como uma importante moduladora no contexto do c\u00e2ncer e pode consolidar o uso do termo \u2018oncobact\u00e9ria\u2019\u201d, afirma. \u201cSe for comprovado que ela participa da origem do c\u00e2ncer, antibi\u00f3ticos poder\u00e3o at\u00e9 ser considerados como terapia complementar \u00e0 quimioterapia e \u00e0 radioterapia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisas futuras poder\u00e3o revelar se a presen\u00e7a da&nbsp;<em>F. nucleatum<\/em>&nbsp;est\u00e1 relacionada a diferentes respostas ao tratamento, abrindo caminho para estrat\u00e9gias mais personalizadas. A partir desse conhecimento, ser\u00e1 poss\u00edvel identificar com mais precis\u00e3o quais terapias s\u00e3o potencialmente mais eficazes para cada tipo de c\u00e2ncer, com base na presen\u00e7a ou aus\u00eancia da bact\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A doen\u00e7a no Brasil<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o engloba uma s\u00e9rie de tumores malignos que podem aparecer na boca, orofaringe, laringe, nariz, seios nasais, nasofaringe, \u00f3rbita ocular, pesco\u00e7o e tireoide. De acordo com o Instituto Nacional de C\u00e2ncer (Inca), os principais fatores de risco s\u00e3o tabagismo, etilismo e infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus HPV, m\u00e1 higiene bucal e a desnutri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Dados do Inca apontam que aproximadamente 80% dos casos diagnosticados no Brasil entre 2000 e 2017 foram identificados em est\u00e1gios avan\u00e7ados, o que reduz significativamente as chances de sucesso no tratamento. Esses n\u00fameros refor\u00e7am a import\u00e2ncia de estrat\u00e9gias para o diagn\u00f3stico precoce e o desenvolvimento de novas ferramentas progn\u00f3sticas, como as apontadas neste estudo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao analisar amostras de pacientes, pesquisadores do Hospital de Amor identificaram a esp\u00e9cie\u00a0Fusobacterium nucleatum\u00a0em quase 60% dos casos, com maior preval\u00eancia em tumores de orofaringe. Microrganismo tamb\u00e9m j\u00e1 foi associado ao desenvolvimento de c\u00e2ncer colorretal Por d\u00e9cadas, os cuidados com a sa\u00fade bucal foram associados principalmente \u00e0 preven\u00e7\u00e3o de c\u00e1ries e doen\u00e7as gengivais. 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