{"id":29172,"date":"2025-09-29T09:53:25","date_gmt":"2025-09-29T12:53:25","guid":{"rendered":"https:\/\/imais.online\/portal\/?p=29172"},"modified":"2025-09-29T09:54:45","modified_gmt":"2025-09-29T12:54:45","slug":"tecnologia-vestivel-pode-ser-aliada-na-recuperacao-de-lesoes-no-joelho-em-atletas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imais.online\/portal\/tecnologia-vestivel-pode-ser-aliada-na-recuperacao-de-lesoes-no-joelho-em-atletas\/","title":{"rendered":"Tecnologia vest\u00edvel pode ser aliada na recupera\u00e7\u00e3o de les\u00f5es no joelho em atletas"},"content":{"rendered":"<div class=\"imais-before-content-placement\" id=\"imais-272015714\"><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8787528412751566\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display:block;\" data-ad-client=\"ca-pub-8787528412751566\" \ndata-ad-slot=\"\" \ndata-ad-format=\"auto\"><\/ins>\n<script> \n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); \n<\/script>\n<\/div>\n<p class=\"has-text-align-center\">Ao coletar dados biomec\u00e2nicos praticamente em tempo real, equipamento auxilia treinadores a avaliar se o indiv\u00edduo lesionado est\u00e1 apto a retornar aos treinos<\/p>\n\n\n\n<p>As les\u00f5es no joelho representam uma das maiores amea\u00e7as \u00e0 longevidade da carreira de atletas de alto rendimento, sobretudo no futebol profissional. Entre elas, a ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA) se destaca como uma das mais temidas \u2013 n\u00e3o tanto pela frequ\u00eancia, mas pela gravidade e o longo per\u00edodo de recupera\u00e7\u00e3o exigido ap\u00f3s a cirurgia, fatores que podem marcar decisivamente o futuro do jogador.<\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Escola de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica e Esporte de Ribeir\u00e3o Preto da Universidade de S\u00e3o Paulo (EEFERP-USP), com&nbsp;apoio&nbsp;da Fapesp, chama a aten\u00e7\u00e3o para aspectos ainda pouco discutidos dentro do processo de recupera\u00e7\u00e3o e traz \u00e0 tona um alerta: o tempo de reabilita\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a cirurgia pode n\u00e3o ser suficiente para garantir que o atleta esteja de fato pronto para retornar ao campo. Os resultados foram&nbsp;<a href=\"https:\/\/esskajournals.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1002\/ksa.12679\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">publicados<\/a>&nbsp;na revista cient\u00edfica&nbsp;<em>Knee Surgery, Sports Traumatology, Arthroscopy<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo os pesquisadores, \u00e9 essencial que a articula\u00e7\u00e3o volte a suportar for\u00e7as e cargas com efici\u00eancia, ou seja, que a fun\u00e7\u00e3o biomec\u00e2nica do joelho seja plenamente restabelecida \u2013 e o trabalho demonstrou que isso nem sempre acontece dentro do prazo. O processo de reabilita\u00e7\u00e3o do movimento exige uma reaprendizagem motora complexa, que foi avaliada pelo grupo com mais precis\u00e3o por meio do uso de tecnologias vest\u00edveis (ou&nbsp;<em>wearable technology<\/em>, em ingl\u00eas), dispositivos eletr\u00f4nicos que s\u00e3o acoplados ao corpo para captar dados biomec\u00e2nicos em tempo real.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs les\u00f5es no ligamento cruzado t\u00eam um impacto enorme no futebol. Quando um atleta sofre esse tipo de les\u00e3o, ele fica afastado dos campos por cerca de um ano. Isso gera uma preocupa\u00e7\u00e3o significativa, especialmente no esporte profissional, pois envolve n\u00e3o s\u00f3 um grande investimento e uma log\u00edstica complexa do clube para lidar com a aus\u00eancia do jogador, mas tamb\u00e9m o aspecto emocional do pr\u00f3prio atleta, que deseja retornar \u00e0s atividades o quanto antes\u201d, destaca&nbsp;Paulo Roberto Santiago, orientador do estudo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Teste de corrida com mudan\u00e7a de dire\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Para chegar aos resultados, um experimento foi realizado com 26 jogadores da elite do futebol do Catar: 10 deles haviam sido submetidos \u00e0 cirurgia de reconstru\u00e7\u00e3o do ligamento cruzado anterior e os outros 16 formavam o grupo-controle, sem hist\u00f3rico de les\u00f5es. Todos os atletas passaram por uma bateria de testes de movimento em campo.<\/p>\n\n\n\n<p>Utilizando sensores de movimento fixados na pelve, coxas, canelas, p\u00e9s, al\u00e9m de palmilhas com medidores de press\u00e3o, os pesquisadores analisaram, com alta precis\u00e3o, como o corpo dos atletas reagia a movimentos t\u00edpicos do futebol \u2013 entre eles uma mudan\u00e7a abrupta de dire\u00e7\u00e3o em 90 graus, que exige desacelera\u00e7\u00e3o e torque articular (ou seja, o esfor\u00e7o que faz um corpo ou parte dele girar em torno de um ponto de piv\u00f4 ou eixo, como as articula\u00e7\u00f5es do corpo), sendo um dos momentos mais cr\u00edticos para o joelho.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados chamaram a aten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores. Quando eles analisaram o tempo para execu\u00e7\u00e3o da tarefa, atletas operados e n\u00e3o operados tiveram desempenhos semelhantes na mudan\u00e7a de dire\u00e7\u00e3o para direita e esquerda \u2013 levando em considera\u00e7\u00e3o a compara\u00e7\u00e3o do atleta com ele mesmo. No entanto, os sensores revelaram que aqueles atletas que passaram pela cirurgia apresentavam altera\u00e7\u00f5es sutis, mas significativas, na mec\u00e2nica do movimento. A perna lesionada mostrava menor flex\u00e3o de joelho e aplicava menos for\u00e7a durante a execu\u00e7\u00e3o da manobra, mesmo ap\u00f3s nove meses de reabilita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO tempo de execu\u00e7\u00e3o da tarefa era praticamente o mesmo nos dois lados do corpo. Isso levaria qualquer t\u00e9cnico ou profissional de reabilita\u00e7\u00e3o a acreditar que o jogador est\u00e1 apto para retornar. Mas os sensores mostraram outra realidade. Detectamos menor flex\u00e3o no joelho da perna operada, al\u00e9m de menor for\u00e7a aplicada. Isso indica que, mesmo recuperado clinicamente, o atleta ainda apresenta um padr\u00e3o de movimento compensat\u00f3rio, o que pode aumentar o risco de nova les\u00e3o\u201d, explica Santiago.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas adapta\u00e7\u00f5es compensat\u00f3rias, segundo Jo\u00e3o Belleboni Marques, profissional de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica e autor principal do estudo, s\u00e3o respostas inconscientes do corpo, que tenta proteger a articula\u00e7\u00e3o operada durante movimentos de alta carga.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cObservamos menor \u00e2ngulo de flex\u00e3o no joelho ao executar a mudan\u00e7a de dire\u00e7\u00e3o, o que indica menor capacidade de absorver impacto. Esse padr\u00e3o est\u00e1 diretamente associado ao mecanismo de les\u00e3o do ligamento cruzado anterior\u201d, conta. O problema \u00e9 que essa compensa\u00e7\u00e3o biomec\u00e2nica pode, a longo prazo, sobrecarregar outras estruturas, como o joelho oposto, meniscos e cartilagens \u2013 aumentando o risco de les\u00f5es em outros locais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Impacto na pr\u00e1tica<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Para Santiago, o estudo mostra que \u00e9 preciso rever os crit\u00e9rios atualmente usados para liberar um atleta de volta aos treinos. \u201cHoje, o tempo que o jogador leva para completar uma tarefa ou o ganho de for\u00e7a muscular s\u00e3o os principais par\u00e2metros para definir quem volta a campo. Mas essas evid\u00eancias mostram que isso \u00e9 insuficiente. Precisamos observar a qualidade do movimento. S\u00f3 porque o atleta consegue correr ou saltar, n\u00e3o significa que est\u00e1 pronto para voltar ao jogo\u201d, alerta.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, a abordagem mais criteriosa n\u00e3o elimina totalmente o risco de novas les\u00f5es, mas certamente ajuda a prolongar a vida \u00fatil do atleta. \u201cSaber que existe uma assimetria entre os dois lados permite ao profissional de reabilita\u00e7\u00e3o trabalhar de forma mais direcionada. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel garantir que o atleta n\u00e3o v\u00e1 se machucar novamente, mas podemos controlar melhor os fatores de risco e talvez evitar que ele se lesione logo ap\u00f3s o retorno\u201d, afirmou o orientador do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Marques concorda e complementa: \u201cEmbora o desempenho em tempo na tarefa tenha sido recuperado, a estrat\u00e9gia de movimento ainda apresenta falhas. Esse padr\u00e3o deficit\u00e1rio, muitas vezes causado por limita\u00e7\u00f5es na for\u00e7a exc\u00eantrica do quadr\u00edceps, precisa ser corrigido antes da volta definitiva aos campos\u201d, diz o autor.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto destacado pelos pesquisadores \u00e9 o custo relativamente acess\u00edvel das tecnologias utilizadas, especialmente quando se leva em considera\u00e7\u00e3o que envolveria investimento de grandes clubes. Embora ainda concentradas em centros de pesquisa e cl\u00ednicas especializadas, essas ferramentas de tecnologias vest\u00edveis devem, em breve, se popularizar entre clubes de futebol e outros esportes de alto rendimento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO melhor cen\u00e1rio \u00e9 que o atleta volte o quanto antes, claro. H\u00e1 todo um investimento e interesse em t\u00ea-lo dispon\u00edvel. Mas existe um ponto ideal entre o retorno r\u00e1pido e o retorno seguro. \u00c9 esse equil\u00edbrio que a biomec\u00e2nica pode ajudar a encontrar\u201d, conclui Santiago.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao coletar dados biomec\u00e2nicos praticamente em tempo real, equipamento auxilia treinadores a avaliar se o indiv\u00edduo lesionado est\u00e1 apto a retornar aos treinos As les\u00f5es no joelho representam uma das maiores amea\u00e7as \u00e0 longevidade da carreira de atletas de alto rendimento, sobretudo no futebol profissional. Entre elas, a ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA) se [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":29173,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"rop_custom_images_group":[],"rop_custom_messages_group":[],"rop_publish_now":"initial","rop_publish_now_accounts":[],"rop_publish_now_history":[],"rop_publish_now_status":"pending","footnotes":""},"categories":[205],"tags":[],"class_list":["post-29172","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29172","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29172"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29172\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29174,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29172\/revisions\/29174"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29173"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29172"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29172"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29172"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}