{"id":31045,"date":"2026-03-13T07:47:00","date_gmt":"2026-03-13T10:47:00","guid":{"rendered":"https:\/\/imais.online\/portal\/?p=31045"},"modified":"2026-03-08T21:11:16","modified_gmt":"2026-03-09T00:11:16","slug":"pesquisadores-do-instituto-butantan-encontram-moleculas-com-potencial-antibiotico-em-veneno-de-sapo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imais.online\/portal\/pesquisadores-do-instituto-butantan-encontram-moleculas-com-potencial-antibiotico-em-veneno-de-sapo\/","title":{"rendered":"Pesquisadores do Instituto Butantan encontram mol\u00e9culas com potencial antibi\u00f3tico em veneno de sapo"},"content":{"rendered":"<div class=\"imais-before-content-placement\" id=\"imais-212226857\"><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8787528412751566\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display:block;\" data-ad-client=\"ca-pub-8787528412751566\" \ndata-ad-slot=\"\" \ndata-ad-format=\"auto\"><\/ins>\n<script> \n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); \n<\/script>\n<\/div>\n<p class=\"has-text-align-center\">An\u00e1lises das prote\u00ednas do veneno do sapo tamb\u00e9m trouxeram novas respostas sobre a biologia do animal, ainda pouco estudado pela ci\u00eancia<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><br>Um estudo conduzido pelo Instituto Butantan descreveu as prote\u00ednas presentes no veneno do sapo-cururu (<em>Rhaebo guttatus<\/em>), da Amaz\u00f4nia, e identificou pept\u00eddeos (fragmentos de prote\u00edna) com potencial para combater bact\u00e9rias. O artigo foi&nbsp;publicado na Toxicon&nbsp;e contou com a colabora\u00e7\u00e3o de equipes da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) e do Centro de Estudos em Biomol\u00e9culas Aplicadas \u00e0 Sa\u00fade da Fiocruz, em Rond\u00f4nia, que cedeu as amostras do veneno.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm um contexto de resist\u00eancia antimicrobiana, a busca por novos compostos antibi\u00f3ticos na natureza \u00e9 uma estrat\u00e9gia importante para o desenvolvimento futuro de f\u00e1rmacos capazes de combater bact\u00e9rias resistentes\u201d, destaca o biom\u00e9dico e coordenador do trabalho, Daniel Pimenta, atualmente pesquisador do Laborat\u00f3rio de Ecologia e Evolu\u00e7\u00e3o do Butantan. A pesquisa foi desenvolvida no Laborat\u00f3rio de Bioqu\u00edmica, tamb\u00e9m do Instituto, onde o cientista atuou por quase 20 anos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"750\" height=\"500\" src=\"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/alaboratorio_interna-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-31047\" srcset=\"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/alaboratorio_interna-1.jpg 750w, https:\/\/imais.online\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/alaboratorio_interna-1-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Nos sapos, o veneno \u00e9 armazenado em gl\u00e2ndulas localizadas na pele. Ele age como um \u201cescudo\u201d, protegendo o animal n\u00e3o s\u00f3 contra predadores, mas tamb\u00e9m contra poss\u00edveis agentes patog\u00eanicos presentes no ambiente \u2013 v\u00edrus, bact\u00e9rias, fungos. Por ter essa dupla fun\u00e7\u00e3o, a secre\u00e7\u00e3o cut\u00e2nea de anf\u00edbios, de modo geral, \u00e9 composta por elementos com diversos efeitos biol\u00f3gicos, incluindo antibacteriano e\/ou antiviral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Diversos dos pept\u00eddeos identificados pelos pesquisadores\u00a0demonstraram poss\u00edvel propriedade antimicrobiana, a partir de an\u00e1lises estruturais e funcionais feitas\u00a0<em>in silico<\/em>, ou seja, com ferramentas computacionais que ajudam a prever ou compreender a fun\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica de mol\u00e9culas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">De forma inesperada, a an\u00e1lise do veneno tamb\u00e9m revelou a presen\u00e7a de BASP1, uma prote\u00edna que at\u00e9 o momento n\u00e3o havia sido identificada em venenos de anuros (ordem que inclui&nbsp;sapos, r\u00e3s e pererecas), sendo comumente encontrada no sistema nervoso de humanos e animais. A hip\u00f3tese dos cientistas \u00e9 que a BASP1 pode desempenhar um papel na contra\u00e7\u00e3o e na regenera\u00e7\u00e3o da gl\u00e2ndula da pele, que sofre um processo inflamat\u00f3rio natural quando o veneno \u00e9 secretado.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m foram identificadas prote\u00ednas relacionadas \u00e0 contra\u00e7\u00e3o muscular, ao estresse oxidativo e \u00e0 imunidade do sapo-cururu.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs resultados demonstram como esses estudos,&nbsp;al\u00e9m de buscar mol\u00e9culas terap\u00eauticas, tamb\u00e9m podem ajudar a trazer respostas sobre a biologia b\u00e1sica do animal&nbsp;\u2013 quem ele \u00e9, o que ele secreta, como ele se defende\u201d, destaca o pesquisador Daniel Pimenta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">A pesquisa foi financiada pela Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (CAPES) e pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (FAPESP).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">An\u00e1lise minuciosa<\/h2>\n\n\n\n<p>Dentro da complexa mistura de centenas de mol\u00e9culas que comp\u00f5em o veneno, os cientistas buscaram separar e identificar somente as prote\u00ednas \u2013 uma an\u00e1lise chamada de&nbsp;prote\u00f4mica, expertise de Daniel. Para isso, o primeiro desafio foi transformar a secre\u00e7\u00e3o viscosa e amarelada em uma solu\u00e7\u00e3o (mistura homog\u00eanea), que \u00e9 a forma adequada para que os equipamentos de laborat\u00f3rio possam processar a amostra.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois, os componentes do veneno s\u00e3o separados utilizando a chamada cromatografia l\u00edquida. As fra\u00e7\u00f5es resultantes s\u00e3o inseridas no espectr\u00f4metro de massas, aparelho que analisa cada mol\u00e9cula do veneno individualmente. Ele fornece uma \u201cfotografia\u201d que ajuda a identificar as subst\u00e2ncias presentes na amostra.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAl\u00e9m de ter contribu\u00eddo para o conhecimento sobre essa esp\u00e9cie amaz\u00f4nica, que \u00e9 muito pouco estudada, e ter identificado pept\u00eddeos com potencial antibi\u00f3tico, n\u00f3s observamos que seu veneno possui muitas semelhan\u00e7as com o do sapo-cururu do sudeste do Brasil [<em>Rhinella icterica<\/em>] e com o da esp\u00e9cie introduzida na Austr\u00e1lia [<em>Rhinella marina<\/em>]\u201d, explica Daniel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os sapos conhecidos como \u201ccururu\u201d s\u00e3o nativos da Am\u00e9rica do Sul, mas algumas esp\u00e9cies foram introduzidas em pa\u00edses da \u00c1sia e nos Estados Unidos na tentativa de controlar pragas agr\u00edcolas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"750\" height=\"500\" src=\"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/interna-daniel2.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-31048\" srcset=\"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/interna-daniel2.webp 750w, https:\/\/imais.online\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/interna-daniel2-300x200.webp 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sapo-cururu \u2018espirra\u2019 veneno<\/h2>\n\n\n\n<p>Em estudo anterior com o<em>&nbsp;Rhaebo guttatus<\/em>, conduzido em 2011 em colabora\u00e7\u00e3o com o pesquisador cient\u00edfico Carlos Jared, diretor do Laborat\u00f3rio de Biologia Estrutural e Funcional do Butantan, os pesquisadores haviam descoberto que a esp\u00e9cie \u00e9 capaz de ejetar veneno \u2013 o que, at\u00e9 aquele momento, acreditava-se ser um mito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho,&nbsp;publicado na Amphibia-Reptilia, mostrou que o sapo amaz\u00f4nico lan\u00e7a o veneno das gl\u00e2ndulas localizadas atr\u00e1s de seus olhos quando se sente amea\u00e7ado. Foi a primeira vez que esse tipo de comportamento foi descrito na literatura cient\u00edfica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>An\u00e1lises das prote\u00ednas do veneno do sapo tamb\u00e9m trouxeram novas respostas sobre a biologia do animal, ainda pouco estudado pela ci\u00eancia Um estudo conduzido pelo Instituto Butantan descreveu as prote\u00ednas presentes no veneno do sapo-cururu (Rhaebo guttatus), da Amaz\u00f4nia, e identificou pept\u00eddeos (fragmentos de prote\u00edna) com potencial para combater bact\u00e9rias. 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