{"id":31267,"date":"2026-03-22T16:15:26","date_gmt":"2026-03-22T19:15:26","guid":{"rendered":"https:\/\/imais.online\/portal\/?p=31267"},"modified":"2026-03-22T16:15:26","modified_gmt":"2026-03-22T19:15:26","slug":"por-que-cancer-colorretal-cresce-tanto-entre-pessoas-de-ate-50-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imais.online\/portal\/por-que-cancer-colorretal-cresce-tanto-entre-pessoas-de-ate-50-anos\/","title":{"rendered":"Por que c\u00e2ncer colorretal cresce tanto entre pessoas de at\u00e9 50 anos"},"content":{"rendered":"<div class=\"imais-before-content-placement\" id=\"imais-195964720\"><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8787528412751566\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display:block;\" data-ad-client=\"ca-pub-8787528412751566\" \ndata-ad-slot=\"\" \ndata-ad-format=\"auto\"><\/ins>\n<script> \n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); \n<\/script>\n<\/div>\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Assustador&#8221;. &#8220;Preocupante&#8221;. &#8220;Problema global&#8221;. &#8220;Alerta mundial&#8221;. Esses foram alguns dos termos usados por m\u00e9dicos entrevistados pela BBC News Brasil para descrever o crescimento dos casos de c\u00e2ncer colorretal na popula\u00e7\u00e3o mais jovem, com menos de 50 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, mortes de pessoas conhecidas tamb\u00e9m passaram a aparecer com mais frequ\u00eancia nessa estat\u00edstica. Casos como os da cantora e apresentadora Preta Gil, que morreu aos 50 anos, e de outras figuras p\u00fablicas diagnosticadas antes dos 50 ajudaram a chamar a aten\u00e7\u00e3o para o avan\u00e7o da doen\u00e7a em faixas et\u00e1rias mais baixas.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse tipo de c\u00e2ncer, que afeta o intestino grosso (o c\u00f3lon) e o reto, est\u00e1 entre os mais impactantes na sa\u00fade e na qualidade de vida. E, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, uma tend\u00eancia estranha chamou a aten\u00e7\u00e3o dos especialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em v\u00e1rias partes do mundo, os casos de c\u00e2ncer colorretal permaneceram relativamente est\u00e1veis entre os mais velhos \u2014 que proporcionalmente continuam a representar a maioria dos acometidos pela enfermidade. No entanto, as taxas de casos desse tumor come\u00e7aram a subir com rapidez entre indiv\u00edduos com menos de 50 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os fatores por tr\u00e1s desse fen\u00f4meno ainda n\u00e3o s\u00e3o completamente conhecidos, mas estudos sugerem que o estilo de vida, a obesidade, o padr\u00e3o alimentar, o uso de antibi\u00f3ticos e a gen\u00e9tica podem ter alguma influ\u00eancia (entenda mais a seguir).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se voc\u00ea comparar os n\u00fameros atuais com a taxa que t\u00ednhamos h\u00e1 30 anos, alguns trabalhos chegam a apontar um aumento de 70% na incid\u00eancia de c\u00e2ncer colorretal em pacientes jovens&#8221;, resume o oncologista cl\u00ednico Paulo Hoff, presidente da Oncologia D\u2019Or.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa diferen\u00e7a nas estat\u00edsticas j\u00e1 provocou algumas mudan\u00e7as de&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/c340q430z4vt\">sa\u00fade p\u00fablica<\/a>: nos Estados Unidos, um dos primeiros pa\u00edses a detectar o fen\u00f4meno, a idade m\u00ednima para a realiza\u00e7\u00e3o de exames preventivos que flagram o tumor colorretal precocemente (sobre os quais falaremos adiante) caiu de 50 para 45 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, alguns dados preliminares obtidos pela reportagem tamb\u00e9m apontam para um crescimento da doen\u00e7a numa idade precoce.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"O-que-dizem-os-n\u00fameros\">O que dizem os n\u00fameros<\/h2>\n\n\n\n<p>Um relat\u00f3rio da Sociedade Americana de C\u00e2ncer&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.cancer.org\/content\/dam\/cancer-org\/research\/cancer-facts-and-statistics\/colorectal-cancer-facts-and-figures\/colorectal-cancer-facts-and-figures-2023.pdf\">divulgado no in\u00edcio de 2023<\/a>&nbsp;calculou que 20% dos diagn\u00f3sticos de tumor colorretal realizados nos EUA em 2019 aconteceram em pacientes com menos de 55 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa taxa \u00e9 o dobro do que era observado em 1995. Os autores do documento calculam que as taxas de detec\u00e7\u00e3o dessa enfermidade em est\u00e1gio avan\u00e7ado cresceram cerca de 3% ao ano entre indiv\u00edduos que ainda n\u00e3o completaram 50 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2023, as estimativas americanas apontam 19,5 mil casos e 3,7 mil mortes por c\u00e2ncer colorretal entre os mais jovens.<\/p>\n\n\n\n<p>Tend\u00eancias parecidas foram observadas em diversos pa\u00edses europeus, como o Reino Unido.<\/p>\n\n\n\n<p>A BBC News Brasil consultou o Instituto Nacional de C\u00e2ncer (Inca) para descobrir se um cen\u00e1rio parecido tamb\u00e9m acontece no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Para responder os questionamentos da reportagem, a epidemiologista Marianna Cancela, da Coordena\u00e7\u00e3o de Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o do Inca, analisou as taxas ajustadas por idade da incid\u00eancia de c\u00e2ncer colorretal no Brasil entre 2000 e 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;No caso do c\u00e2ncer colorretal, \u00e9 verdade que h\u00e1 um aumento no Brasil, mas isso ainda ocorre em todas as faixas et\u00e1rias&#8221;, diz ela.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A gente observa que, no ano 2000, havia em torno de 5 casos desse tumor por 100 mil habitantes entre homens de 20 a 49 anos. Em 2017, tivemos cerca de 6 casos. Isso \u00e9 algo estatisticamente significativo&#8221;, calcula a especialista.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Entre as mulheres mais jovens, tamb\u00e9m observamos essa tend\u00eancia de aumento, mas ela ainda n\u00e3o \u00e9 significativa do ponto de vista estat\u00edstico.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras faixas et\u00e1rias \u2014 entre 50 e 59 anos e acima dos 60 anos \u2014 tamb\u00e9m h\u00e1 um crescimento, numa magnitude maior (uma vez que a doen\u00e7a se torna mais comum conforme envelhecemos).<\/p>\n\n\n\n<p>A nova Estimativa 2026\u20132028 do Instituto Nacional de C\u00e2ncer (INCA), divulgada no \u00faltimo Dia Mundial do C\u00e2ncer, projeta 781 mil novos casos anuais no tri\u00eanio considerando todos os tipos de c\u00e2ncer, n\u00famero que cai para 518 mil quando exclu\u00eddos os tumores de pele n\u00e3o melanoma.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse total, o c\u00e2ncer colorretal \u00e9 respons\u00e1vel por 10,3% dos tumores entre homens e 10,5% entre mulheres, se consolidando como a segunda neoplasia mais incidente em ambos os sexos no Brasil, atr\u00e1s apenas dos c\u00e2nceres de pr\u00f3stata e mama.<\/p>\n\n\n\n<p>Cancela ainda destacou duas pesquisas que ela publicou recentemente sobre o tema.&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.frontiersin.org\/journals\/oncology\/articles\/10.3389\/fonc.2022.1060608\/full\">Numa delas<\/a>, o grupo de cientistas analisou se o Brasil ser\u00e1 capaz de cumprir as metas da ONU de redu\u00e7\u00e3o das mortes prematuras por c\u00e2ncer.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora em nenhum dos tumores o Brasil deva alcan\u00e7ar os objetivos tra\u00e7ados pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas, a maioria deles ter\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o significativa na mortalidade quando comparados os per\u00edodos de 2011-2015 e 2026-2030.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00fanica exce\u00e7\u00e3o da lista \u00e9 justamente o c\u00e2ncer colorretal, que possui uma previs\u00e3o de crescimento nos \u00f3bitos no futuro, tanto para homens como para mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC10577440\/#:~:text=Results,women%3A%20Int%2438.8%20billion\">Um segundo artigo publicado<\/a>&nbsp;por Cancela mostra como esse tumor vem ganhando protagonismo no Brasil. Ela analisou a quantidade de anos de vida produtiva que s\u00e3o perdidos para v\u00e1rios tipos de c\u00e2ncer.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 2001 e 2005, o c\u00e2ncer colorretal era o s\u00e9timo tumor mais impactante para os homens, seguindo esse crit\u00e9rio \u2014 atr\u00e1s de pulm\u00e3o\/traqueia; est\u00f4mago; c\u00e9rebro\/sistema nervoso central; leucemia; boca e garganta; es\u00f4fago.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 em 2026-2030, ele ocupar\u00e1 a terceira posi\u00e7\u00e3o do ranking, perdendo apenas para est\u00f4mago e pulm\u00e3o\/traqueia.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as mulheres, os tumores colorretais estavam na sexta posi\u00e7\u00e3o em 2001-2005 (atr\u00e1s de mama; colo de \u00fatero; c\u00e9rebro; pulm\u00e3o; leucemia). Em 2026-2030, a doen\u00e7a estar\u00e1 no terceiro lugar (atr\u00e1s apenas de mama e colo de \u00fatero).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/ace\/ws\/640\/cpsprodpb\/e13e\/live\/042ec190-00ad-11ef-8fbb-975a5f7e9af9.jpg.webp\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o de les\u00e3o na parede do intestino\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Legenda da foto,Mortalidade por c\u00e2ncer colorretal deve aumentar bastante no Brasil nos pr\u00f3ximos anos, mostram proje\u00e7\u00f5es<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Paulo Hoff observou uma tend\u00eancia parecida do Instituto do C\u00e2ncer do Estado de S\u00e3o Paulo (Icesp), do qual ele \u00e9 diretor.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Em 2019, publicamos um trabalho em que mostramos claramente um aumento substancial na chegada de pacientes mais jovens com c\u00e2ncer colorretal&#8221;, diz o m\u00e9dico, que tamb\u00e9m \u00e9 professor titular de Oncologia da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMUSP).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Num per\u00edodo de 10 anos, essa eleva\u00e7\u00e3o tinha sido na ordem de 15%. Mas \u00e9 muito prov\u00e1vel que esse n\u00famero esteja subestimado&#8221;, calcula o oncologista.<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00e9dico Alexandre J\u00e1come tamb\u00e9m realizou um levantamento sobre o tema na Oncocl\u00ednicas, onde ele atua como l\u00edder nacional de oncologia gastrointestinal.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00f3s n\u00e3o encontramos um aumento significativo da incid\u00eancia desse tumor nos pacientes jovens em paralelo a uma estabiliza\u00e7\u00e3o entre os mais velhos, como acontece nos EUA&#8221;, destaca ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Os especialistas trabalham agora para analisar com mais profundidade todas as estat\u00edsticas dispon\u00edveis no Brasil \u2014 e avaliar se \u00e9 necess\u00e1rio tomar alguma atitude para proteger essa popula\u00e7\u00e3o mais jovem contra o c\u00e2ncer colorretal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"O-que-explica-o-fen\u00f4meno\">O que explica o fen\u00f4meno?<\/h2>\n\n\n\n<p>Para o oncologista Samuel Aguiar Jr., l\u00edder do Centro de Refer\u00eancia de Tumores Colorretais do A.C. Camargo Cancer Center, em S\u00e3o Paulo, os dados representam um &#8220;alerta mundial&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Vemos essa realidade no nosso dia a dia, e \u00e9 assustador. J\u00e1 virou normal ver pessoas jovens, de 35 ou 40 anos, chegarem no consult\u00f3rio com o diagn\u00f3stico desse tumor&#8221;, relata ele.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esse cen\u00e1rio preocupa, pois o impacto do c\u00e2ncer colorretal numa pessoa jovem \u00e9 muito grande&#8221;, concorda J\u00e1come, que tamb\u00e9m \u00e9 membro do Comit\u00ea de Tumores Gastrointestinais Baixos da Sociedade Brasileira de Oncologia Cl\u00ednica (Sboc).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Falamos de indiv\u00edduos que est\u00e3o na idade de se estabilizar no emprego, de casar, de ter o primeiro filho\u2026 Ou seja, h\u00e1 uma s\u00e9rie de sonhos que ainda n\u00e3o foram realizados.&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, afinal, o que explica esse cen\u00e1rio? Por que os tumores colorretais est\u00e3o subindo tanto entre jovens, a ponto de chamar a aten\u00e7\u00e3o de especialistas do mundo todo?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Existem algumas hip\u00f3teses e teorias, mas nenhuma delas foi confirmada at\u00e9 o momento&#8221;, responde Hoff.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A primeira delas est\u00e1 relacionada \u00e0 mudan\u00e7a dram\u00e1tica que ocorreu nas \u00faltimas d\u00e9cadas, em que n\u00f3s sa\u00edmos de uma civiliza\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria e rural para uma sociedade predominantemente urbana. Isso alterou v\u00e1rios aspectos da vida, com o avan\u00e7o de uma dieta baseada em produtos ultraprocessados, com menor presen\u00e7a de alimentos naturais, e mais sedentarismo&#8221;, contextualiza o m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se essa hip\u00f3tese se confirmar, estamos diante de um quadro alarmante, uma vez que os produtos industrializados se tornaram a base da alimenta\u00e7\u00e3o moderna, inclusive da merenda escolar das crian\u00e7as&#8221;, comenta Aguiar Jr.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabe-se que o sobrepeso e a obesidade s\u00e3o fatores que est\u00e3o relacionados a esse tumor \u2014 e os quilos extras s\u00e3o um problema que afeta cada vez mais pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos aspectos que envolvem o estilo de vida, os pesquisadores tamb\u00e9m levantam outras suspeitas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Tamb\u00e9m n\u00e3o podemos descartar o impacto de algumas pr\u00e1ticas, como o uso indiscriminado de antibi\u00f3ticos, seja diretamente para tratar as pessoas ou na produ\u00e7\u00e3o pecu\u00e1ria, em aves e bovinos&#8221;, destaca J\u00e1come.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns estudos recentes relacionam o uso frequente desses rem\u00e9dios, usados para tratar infec\u00e7\u00f5es bacterianas, com maior incid\u00eancia de c\u00e2ncer colorretal na popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda n\u00e3o h\u00e1 consenso sobre os mecanismos que explicam essa liga\u00e7\u00e3o, algo que ainda precisa ser melhor estudado pelos cientistas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/ace\/ws\/640\/cpsprodpb\/9516\/live\/31e0c110-00ad-11ef-8fbb-975a5f7e9af9.jpg.webp\" alt=\"Homem deitado no sof\u00e1 com comida numa mesa\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Legenda da foto,Obesidade, sedentarismo e consumo de alimentos ultraprocessados s\u00e3o alguns dos fatores que podem estar por tr\u00e1s do aumento nos tumores colorretais<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"O-que-fazer\">O que fazer?<\/h2>\n\n\n\n<p>Como mencionado no in\u00edcio da reportagem, as mudan\u00e7as nas estat\u00edsticas sobre o c\u00e2ncer colorretal nos EUA modificaram os programas de detec\u00e7\u00e3o precoce no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de 2021, as autoridades americanas passaram a indicar a realiza\u00e7\u00e3o de exames preventivos para todo mundo com mais de 45 anos \u2014 antes, esses testes eram preconizados apenas para quem estivesse acima dos 50.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, n\u00e3o existe nenhum esquema p\u00fablico de rastreamento do c\u00e2ncer colorretal (como a mamografia para o c\u00e2ncer de mama ou o papanicolau para o c\u00e2ncer de \u00fatero), mas o Inca est\u00e1 debatendo um programa espec\u00edfico para essa doen\u00e7a, que deve ser lan\u00e7ado nos pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu sei que essas discuss\u00f5es est\u00e3o ocorrendo, porque temos notado um aumento na incid\u00eancia e uma necessidade de rastreamento&#8221;, diz Cancela.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso espec\u00edfico desse tumor, existem dois testes principais que podem ser utilizados: o exame de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia.<\/p>\n\n\n\n<p>Como o pr\u00f3prio nome indica, a primeira op\u00e7\u00e3o investiga se h\u00e1 sangue no coc\u00f4 de um indiv\u00edduo. Embora a presen\u00e7a do l\u00edquido vermelho ali n\u00e3o seja um sinal direto de c\u00e2ncer (pode ser um indicativo de uma \u00falcera mais simples, por exemplo), ela levanta um sinal amarelo para uma investiga\u00e7\u00e3o mais aprofundada.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a colonoscopia envolve inserir pelo \u00e2nus uma c\u00e2nula com c\u00e2mera na ponta. Essa abordagem permite que o especialista visualize em tempo real o interior do intestino e detecte algo de anormal nas paredes desse \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante esse procedimento, tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel remover p\u00f3lipos, les\u00f5es que podem se desenvolver e virar um c\u00e2ncer no futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas qual dos testes \u00e9 melhor? Depende do ponto de vista.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A colonoscopia \u00e9 o exame padr\u00e3o ouro, porque tem uma sensibilidade maior, ou seja, uma capacidade superior de detectar as les\u00f5es com acur\u00e1cia&#8221;, aponta J\u00e1come.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Al\u00e9m disso, ela j\u00e1 \u00e9 capaz de remover na mesma hora algumas dessas les\u00f5es&#8221;, complementa ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas existem alguns problemas aqui, como a baixa disponibilidade de equipamentos e profissionais capazes de fazer esse procedimento. Al\u00e9m disso, precisamos levar em conta que esse teste exige toda uma prepara\u00e7\u00e3o, o indiv\u00edduo fica sedado por algumas horas e perde um dia de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 praticamente imposs\u00edvel para qualquer pa\u00eds do mundo implantar um programa de rastreamento do c\u00e2ncer colorretal baseado apenas na colonoscopia&#8221;, defende Hoff.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O exame de sangue oculto nas fezes \u00e9 barat\u00edssimo, f\u00e1cil de fazer e, se realizado uma vez ao ano, consegue detectar sinais precoces da doen\u00e7a, como sangramentos&#8221;, lista o oncologista.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Mesmo nos grandes programas de rastreamento populacional da Europa, que oferecem gratuitamente a colonoscopia, a ades\u00e3o das pessoas \u00e9 baix\u00edssima. Menos de 20% da popula\u00e7\u00e3o realiza esse exame com periodicidade&#8221;, calcula Aguiar Jr.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguindo essa linha de racioc\u00ednio, o que os especialistas prop\u00f5em \u00e9 basicamente um esquema de funil: o exame de sangue oculto nas fezes deveria ser indicado a todo mundo com mais de 45 anos, como uma esp\u00e9cie de triagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqueles que n\u00e3o apresentarem nenhuma altera\u00e7\u00e3o, est\u00e3o liberados e voltam para um novo check-up daqui a um ano. J\u00e1 os indiv\u00edduos que tiverem a presen\u00e7a de sangue no coc\u00f4 devem ser encaminhados para uma avalia\u00e7\u00e3o mais aprofundada, com a colonoscopia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Em m\u00e9dia, 5% da popula\u00e7\u00e3o vai ter algum achado no exame de sangue oculto nas fezes e precisar\u00e1 de uma colonoscopia. Ou seja, essa estrat\u00e9gia \u00e9 capaz de adiar esse segundo exame para os 95% restantes&#8221;, estima Aguiar Jr.<\/p>\n\n\n\n<p>E que fique claro: o achado de sangue nas fezes n\u00e3o significa que esses 5% est\u00e3o com c\u00e2ncer. Isso apenas sinaliza a necessidade de uma avalia\u00e7\u00e3o mais aprofundada, segundo os especialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na vis\u00e3o dos m\u00e9dicos, essa seria uma maneira de economizar recursos e s\u00f3 fazer testes mais caros naquelas pessoas que precisam.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/ace\/ws\/640\/cpsprodpb\/93e4\/live\/5a4ad2d0-00ad-11ef-8fbb-975a5f7e9af9.jpg.webp\" alt=\"Profissional de sa\u00fade realizando uma colonoscopia\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Legenda da foto,A colonoscopia \u00e9 uma das ferramentas para fazer o diagn\u00f3stico do c\u00e2ncer colorretal<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Um-cen\u00e1rio-cada-vez-mais-otimista\">Um cen\u00e1rio (cada vez mais) otimista<\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar da preocupa\u00e7\u00e3o relacionada ao crescimento de casos entre os mais jovens, a boa not\u00edcia \u00e9 que o progn\u00f3stico do c\u00e2ncer colorretal tem melhorado.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso s\u00f3 foi poss\u00edvel gra\u00e7as aos avan\u00e7os nas t\u00e9cnicas cir\u00fargicas, que s\u00e3o a primeira escolha de tratamento nos casos iniciais. Tamb\u00e9m foram lan\u00e7ados rem\u00e9dios que ajudam a lidar com a enfermidade nos quadros mais avan\u00e7ados, como algumas drogas que pertencem \u00e0 classe dos quimioter\u00e1picos e dos imunoter\u00e1picos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quando esse tumor \u00e9 detectado precocemente, as chances de cura ultrapassam os 95%&#8221;, diz Hoff.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos casos mais graves, em que a doen\u00e7a j\u00e1 se espalhou para outras partes do organismo num processo conhecido como met\u00e1stase, a taxa de sucesso diminui \u2014 mas melhorou consideravelmente nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Mesmo quando n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel buscar a cura, a expectativa de vida do paciente com esse tumor \u00e9 de tr\u00eas a quatro vezes mais alta do que t\u00ednhamos h\u00e1 20 anos\u201d&#8221;, avalia Hoff.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Nos anos 1990, ter o diagn\u00f3stico de c\u00e2ncer colorretal metast\u00e1tico era praticamente uma senten\u00e7a de morte. Hoje temos um n\u00famero consider\u00e1vel de pacientes que se curaram. H\u00e1 uma mudan\u00e7a total de perspectiva&#8221;, diz o m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, Aguiar Jr. sugere que todas as pessoas fiquem atentas aos sintomas de que algo n\u00e3o vai bem no intestino \u2014 independentemente da idade que tenham.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se voc\u00ea est\u00e1 com sangue nas fezes, apresenta alguma altera\u00e7\u00e3o no ritmo intestinal, sofre com c\u00f3licas abdominais ou qualquer outro inc\u00f4modo no sistema digestivo, \u00e9 importante procurar um m\u00e9dico e investigar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esses sintomas n\u00e3o devem nunca ser negligenciados \u2014 mesmo que voc\u00ea seja jovem&#8221;, conclui ele.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Esta reportagem foi publicada originalmente em abril de 2024 e atualizada em agosto de 2025.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte BBC.COM<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Assustador&#8221;. &#8220;Preocupante&#8221;. &#8220;Problema global&#8221;. &#8220;Alerta mundial&#8221;. Esses foram alguns dos termos usados por m\u00e9dicos entrevistados pela BBC News Brasil para descrever o crescimento dos casos de c\u00e2ncer colorretal na popula\u00e7\u00e3o mais jovem, com menos de 50 anos. Nos \u00faltimos anos, mortes de pessoas conhecidas tamb\u00e9m passaram a aparecer com mais frequ\u00eancia nessa estat\u00edstica. Casos como [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":31269,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"rop_custom_images_group":[],"rop_custom_messages_group":[],"rop_publish_now":"yes","rop_publish_now_accounts":[],"rop_publish_now_history":[],"rop_publish_now_status":"pending","footnotes":""},"categories":[205],"tags":[73],"class_list":["post-31267","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude","tag-featured"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31267","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31267"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31267\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31270,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31267\/revisions\/31270"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31269"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31267"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31267"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31267"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}