{"id":31375,"date":"2026-04-01T15:07:19","date_gmt":"2026-04-01T18:07:19","guid":{"rendered":"https:\/\/imais.online\/portal\/?p=31375"},"modified":"2026-03-29T15:17:31","modified_gmt":"2026-03-29T18:17:31","slug":"alteracoes-na-respiracao-podem-estar-ligadas-a-hipertensao-mostra-pesquisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imais.online\/portal\/alteracoes-na-respiracao-podem-estar-ligadas-a-hipertensao-mostra-pesquisa\/","title":{"rendered":"Altera\u00e7\u00f5es na respira\u00e7\u00e3o podem estar ligadas \u00e0 hipertens\u00e3o, mostra pesquisa"},"content":{"rendered":"<div class=\"imais-before-content-placement\" id=\"imais-2982772082\"><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8787528412751566\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display:block;\" data-ad-client=\"ca-pub-8787528412751566\" \ndata-ad-slot=\"\" \ndata-ad-format=\"auto\"><\/ins>\n<script> \n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); \n<\/script>\n<\/div>\n<p class=\"has-text-align-center\">Cientistas da USP descobriram que neur\u00f4nios de uma regi\u00e3o chamada parafacial lateral contraem vasos sangu\u00edneos durante a expira\u00e7\u00e3o, contribuindo com picos de press\u00e3o arterial<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Altera\u00e7\u00f5es nos padr\u00f5es respirat\u00f3rios podem explicar o fato de que cerca de 40% das pessoas com hipertens\u00e3o continuam com press\u00e3o alta, mesmo tomando medicamentos. A descoberta \u00e9 de pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo e aponta caminhos para a\u00a0busca de novos tratamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os estudos indicam que altera\u00e7\u00f5es nos padr\u00f5es respirat\u00f3rios, especialmente envolvendo fortes contra\u00e7\u00f5es dos m\u00fasculos abdominais (expira\u00e7\u00e3o ativa), podem desencadear hipertens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em modelos animais (ratos), os cientistas descobriram que neur\u00f4nios da regi\u00e3o parafacial lateral (pFL na sigla em ingl\u00eas) modulam a atividade simp\u00e1tica durante a expira\u00e7\u00e3o, contraindo vasos sangu\u00edneos e contribuindo para picos de press\u00e3o arterial e hipertens\u00e3o neurog\u00eanica (caracterizada por disfun\u00e7\u00f5es no sistema nervoso central).<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, a inibi\u00e7\u00e3o desses neur\u00f4nios normaliza a press\u00e3o arterial em casos de hipertens\u00e3o neurog\u00eanica induzida por hip\u00f3xia cr\u00f4nica intermitente, uma das principais caracter\u00edsticas da apneia obstrutiva do sono, quando h\u00e1 altern\u00e2ncia repetitiva entre per\u00edodos de baixa oxigena\u00e7\u00e3o nos tecidos e n\u00edveis normais.<\/p>\n\n\n\n<p>Respons\u00e1vel por controlar a expira\u00e7\u00e3o ativa, a pFL est\u00e1 localizada na por\u00e7\u00e3o mais inferior do tronco encef\u00e1lico (bulbo), que conecta o c\u00e9rebro \u00e0 medula espinhal. O estudo foi&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ahajournals.org\/doi\/10.1161\/CIRCRESAHA.125.326674\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>publicado<\/strong><\/a>&nbsp;na revista cient\u00edfica&nbsp;<em>Circulation Research<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cFicamos surpresos com esse resultado de que os neur\u00f4nios da expira\u00e7\u00e3o ativa t\u00eam a capacidade de impactar a fun\u00e7\u00e3o cardiovascular. Isso tem implica\u00e7\u00f5es em condi\u00e7\u00f5es patol\u00f3gicas, como a hipertens\u00e3o arterial. Por isso, propusemos que a regi\u00e3o parafacial lateral seja um poss\u00edvel alvo terap\u00eautico para tratamento da hipertens\u00e3o\u201d, explica \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia FAPESP<\/strong>&nbsp;o professor&nbsp;<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/85821\/davi-jose-de-almeida-moraes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Davi Jos\u00e9 de Almeida Moraes<\/strong><\/a>, do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas (ICB) da USP e autor correspondente do artigo.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Segundo Moraes, a proposta do ponto de vista terap\u00eautico n\u00e3o \u00e9 modular o sistema nervoso central diretamente, mas sim manipular farmacologicamente os sensores de oxig\u00eanio para reduzir a atividade dos neur\u00f4nios da pFL por meio dos receptores para o ATP (adenosina trifosfato). Al\u00e9m de ser fonte energ\u00e9tica para atividades celulares, o ATP tamb\u00e9m funciona como um neurotransmissor no sistema nervoso central e perif\u00e9rico (transmiss\u00e3o purin\u00e9rgica).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCome\u00e7amos a mostrar,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/nm.4173\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>dez anos atr\u00e1s<\/strong><\/a>, que inibindo esses receptores no corp\u00fasculo carot\u00eddeo, localizado nas art\u00e9rias car\u00f3tidas, foi poss\u00edvel reduzir a atividade simp\u00e1tica e a press\u00e3o arterial na hipertens\u00e3o neurog\u00eanica. Agora mostramos que isso depende dos neur\u00f4nios da pFL\u201d, diz Moraes, que tem&nbsp;<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/109276\/papel-dos-receptores-purinergicos-do-corpusculo-carotideo-na-insuficiencia-cardiaca\/?q=21\/06886-7\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>apoio<\/strong><\/a>&nbsp;da FAPESP.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho contou ainda com financiamento da Funda\u00e7\u00e3o por meio de outros cinco projetos e bolsas (<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/104956\/modulacao-astrocitica-dos-neuronios-bulbares-envolvidos-com-a-geracao-e-controle-das-atividades-simp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>18\/15957-2<\/strong><\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/en\/bolsas\/206836\/experimental-periodontitis-in-genetically-modified-mice-vacht-and-super-vacht-cardiovascular-and-inf\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>22\/07579-3<\/strong><\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/en\/bolsas\/210031\/involvement-of-the-somatostatinergic-interneurons-of-the-lateral-parafacial-region-in-the-generation\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>23\/02560-5<\/strong><\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/201897\/participacao-dos-astrocitos-da-regiao-parafacial-lateral-na-geracao-central-da-atividade-expiratoria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>22\/02138-9<\/strong><\/a>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/194811\/contribuicao-do-grupo-respiratorio-parafacial-nas-respostas-inspiratorias-expiratorias-e-cardiovascu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>19\/24060-9<\/strong><\/a>).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u201cMal silencioso\u201d<\/h2>\n\n\n\n<p>A hipertens\u00e3o \u00e9 o fator de risco isolado mais importante para doen\u00e7as cardiovasculares, sendo uma das principais causas de ataques card\u00edacos, acidente vascular cerebral (AVC) e doen\u00e7as renais cr\u00f4nicas. V\u00e1rios fatores influenciam os n\u00edveis de press\u00e3o arterial, entre eles fumo, consumo de bebidas alco\u00f3licas, obesidade, estresse, elevado consumo de sal, altos n\u00edveis de colesterol e falta de atividade f\u00edsica.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo preven\u00edvel e trat\u00e1vel, estima-se que 1,4 bilh\u00e3o de pessoas tenham hipertens\u00e3o. Somente uma em cada cinco consegue controlar a condi\u00e7\u00e3o com medicamentos ou por meio de a\u00e7\u00f5es sobre fatores de risco, segundo o \u00faltimo&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.who.int\/publications\/i\/item\/9789240115569\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>relat\u00f3rio<\/strong><\/a>&nbsp;da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), divulgado em 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>No ano passado, uma nova recomenda\u00e7\u00e3o das sociedades Brasileira de Cardiologia (SBC), de Hipertens\u00e3o (SBH) e de Nefrologia (SBN) alterou o patamar de press\u00e3o arterial considerada de risco, alinhando as diretrizes a padr\u00f5es internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>O famoso \u201c12 x 8\u201d (press\u00e3o arterial sist\u00f3lica de 120 mmHg e diast\u00f3lica de 80 mmHg) passou a ser classificado como pr\u00e9-hipertens\u00e3o, um alerta que merece aten\u00e7\u00e3o visando refor\u00e7ar medidas preventivas. O padr\u00e3o normal tem de ficar abaixo desse patamar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Metodologia da pesquisa<\/h2>\n\n\n\n<p>Os cientistas utilizaram t\u00e9cnicas avan\u00e7adas para manipular e registrar a atividade neuronal nos ratos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os neur\u00f4nios da pFL foram manipulados por transfec\u00e7\u00e3o viral, uma t\u00e9cnica que introduz genes em c\u00e9lulas por meio de v\u00edrus modificados com o objetivo n\u00e3o de causar doen\u00e7a, mas sim de reprogramar c\u00e9lulas espec\u00edficas e entender como o c\u00e9rebro controla algumas fun\u00e7\u00f5es, como a press\u00e3o arterial e a respira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por meio de modula\u00e7\u00e3o optogen\u00e9tica e farmacogen\u00e9tica, os neur\u00f4nios da pFL foram excitados ou inibidos, enquanto as atividades simp\u00e1tica e respirat\u00f3ria e a press\u00e3o arterial foram registradas em diferentes condi\u00e7\u00f5es experimentais.<\/p>\n\n\n\n<p>Como resultado, a ativa\u00e7\u00e3o optogen\u00e9tica desencadeou expira\u00e7\u00e3o ativa e modulou positivamente a atividade simp\u00e1tica, elevando a press\u00e3o arterial. J\u00e1 a inibi\u00e7\u00e3o farmacogen\u00e9tica eliminou a excita\u00e7\u00e3o simp\u00e1tica relacionada \u00e0 expira\u00e7\u00e3o e normalizou a press\u00e3o arterial em ratos hipertensos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNunca tinha sido demonstrado que os neur\u00f4nios que geram atividade expirat\u00f3ria se comunicavam com os que controlam a atividade simp\u00e1tica e o di\u00e2metro dos vasos sangu\u00edneos para impactar a press\u00e3o arterial. Esse foi um resultado in\u00e9dito do trabalho\u201d, completa Moraes, que contou com a parceria de pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto (FMRP-USP) e do Centro de Pesquisa Card\u00edaca da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da Universidade de Auckland (Nova Zel\u00e2ndia).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">O artigo&nbsp;<em>Lateral parafacial neurons evoked expiratory oscillations driving neurogenic hypertension<\/em>&nbsp;pode ser lido em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ahajournals.org\/doi\/10.1161\/CIRCRESAHA.125.326674\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>ahajournals.org\/doi\/10.1161\/CIRCRESAHA.125.326674<\/strong><\/a>.<br><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas da USP descobriram que neur\u00f4nios de uma regi\u00e3o chamada parafacial lateral contraem vasos sangu\u00edneos durante a expira\u00e7\u00e3o, contribuindo com picos de press\u00e3o arterial Altera\u00e7\u00f5es nos padr\u00f5es respirat\u00f3rios podem explicar o fato de que cerca de 40% das pessoas com hipertens\u00e3o continuam com press\u00e3o alta, mesmo tomando medicamentos. 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