{"id":31461,"date":"2026-04-08T14:32:59","date_gmt":"2026-04-08T17:32:59","guid":{"rendered":"https:\/\/imais.online\/portal\/?p=31461"},"modified":"2026-04-05T16:00:41","modified_gmt":"2026-04-05T19:00:41","slug":"estudo-mapeia-potenciais-alvos-geneticos-contra-a-esquistossomose","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imais.online\/portal\/estudo-mapeia-potenciais-alvos-geneticos-contra-a-esquistossomose\/","title":{"rendered":"Estudo mapeia potenciais alvos gen\u00e9ticos contra a esquistossomose"},"content":{"rendered":"<div class=\"imais-before-content-placement\" id=\"imais-3562888993\"><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8787528412751566\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display:block;\" data-ad-client=\"ca-pub-8787528412751566\" \ndata-ad-slot=\"\" \ndata-ad-format=\"auto\"><\/ins>\n<script> \n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); \n<\/script>\n<\/div>\n<p class=\"has-text-align-center\">Pesquisadores da USP e do Butantan identificaram milhares de mol\u00e9culas reguladoras no genoma do parasita Schistosoma mansoni; resultados apontam caminhos para terapias mais eficazes<\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo conduzido por pesquisadores do Instituto Butantan e da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) estabeleceu um novo marco na compreens\u00e3o gen\u00e9tica do&nbsp;<em>Schistosoma mansoni<\/em>, o verme respons\u00e1vel pela esquistossomose. Publicado na revista&nbsp;<em>Non-Coding RNA<\/em>, o trabalho utilizou m\u00e9todos de bioinform\u00e1tica para identificar milhares de novos RNAs longos n\u00e3o codificantes (lncRNAs) no genoma do parasita. Os resultados ampliam significativamente o conhecimento sobre a biologia do organismo e abrem caminho para a identifica\u00e7\u00e3o de novos alvos terap\u00eauticos capazes de superar limita\u00e7\u00f5es dos tratamentos atuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Conhecida popularmente como barriga d\u2019\u00e1gua, a esquistossomose \u00e9 uma infec\u00e7\u00e3o parasit\u00e1ria causada por vermes do g\u00eanero&nbsp;<em>Schistosoma<\/em>. A transmiss\u00e3o ocorre em ambientes de \u00e1gua doce contaminada, onde larvas microsc\u00f3picas liberadas por caramujos, chamadas cerc\u00e1rias, penetram ativamente pela pele durante o contato com a \u00e1gua. \u201cVoc\u00ea n\u00e3o precisa ter uma ferida para ela entrar. Ela secreta proteases que \u2018comem\u2019 a pele e permitem a penetra\u00e7\u00e3o\u201d, explica o professor Sergio Verjovski-Almeida, coordenador do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s atravessar a pele, a cerc\u00e1ria perde a cauda e se transforma em esquistoss\u00f4mulo. Nesse est\u00e1gio, o parasita entra na corrente sangu\u00ednea, passa pelo cora\u00e7\u00e3o e pelos pulm\u00f5es e segue at\u00e9 as veias do f\u00edgado. Ali, alimenta-se de sangue e amadurece at\u00e9 a fase adulta, diferenciando-se em macho ou f\u00eamea. O macho, mais robusto, possui uma estrutura chamada canal ginec\u00f3foro, onde a f\u00eamea, mais delgada, se aloja, formando um par que permanece unido por toda a vida. Juntos, migram para as veias mesent\u00e9ricas, que drenam o intestino.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da\u00ed, a f\u00eamea passa a produzir ovos: parte deles \u00e9 eliminada nas fezes, permitindo a continuidade do ciclo, mas outra parte fica retida no hospedeiro humano e \u00e9 levada pela circula\u00e7\u00e3o, desencadeando inflama\u00e7\u00f5es e les\u00f5es, especialmente no f\u00edgado.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, o tratamento da esquistossomose depende do praziquantel, \u00fanico medicamento recomendado pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). Apesar de amplamente utilizado, o f\u00e1rmaco apresenta limita\u00e7\u00f5es importantes. Ele n\u00e3o \u00e9 eficaz contra as formas iniciais do parasita e s\u00f3 passa a agir ap\u00f3s a sua matura\u00e7\u00e3o. Nesse est\u00e1gio, as les\u00f5es no f\u00edgado j\u00e1 podem ter come\u00e7ado.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o medicamento n\u00e3o impede as reinfec\u00e7\u00f5es. \u201cEm \u00e1reas end\u00eamicas, a popula\u00e7\u00e3o de parasitas \u00e9 exposta a doses repetidas de praziquantel, o que pode favorecer o surgimento de resist\u00eancia\u201d, afirma Verjovski-Almeida. J\u00e1 h\u00e1 ind\u00edcios de redu\u00e7\u00e3o na efic\u00e1cia do tratamento. \u201cPara interromper o ciclo da doen\u00e7a, seria fundamental identificar novos alvos terap\u00eauticos que atuem logo ap\u00f3s a infec\u00e7\u00e3o e, idealmente, at\u00e9 uma vacina\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Com esse objetivo, os pesquisadores voltaram sua aten\u00e7\u00e3o para os genes n\u00e3o codificantes, especialmente os que d\u00e3o origem aos RNAs longos n\u00e3o codificantes (lncRNAs). Embora n\u00e3o produzam prote\u00ednas, esses genes geram mol\u00e9culas de RNA capazes de regular diversos processos biol\u00f3gicos no parasita.<\/p>\n\n\n\n<p>Diferentemente dos genes codificadores, que tendem a ser altamente conservados entre esp\u00e9cies, os lncRNAs apresentam grande variabilidade. Na pr\u00e1tica, isso significa que os lncRNAs podem ser alvos mais espec\u00edficos do parasita, com menor risco de afetar o hospedeiro humano, reduzindo significativamente a possibilidade de toxicidade ou efeitos colaterais no uso de f\u00e1rmacos baseados em silenciamento g\u00eanico.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Transcriptoma<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Para construir o estudo \u2013 apoiado pela&nbsp;<a href=\"https:\/\/fapesp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Fapesp<\/a>&nbsp;\u2013, os pesquisadores reuniram quase 1.800 conjuntos de dados p\u00fablicos de transcriptoma (conjunto de RNAs transcritos por uma c\u00e9lula, tecido ou organismo) e os integraram \u00e0 vers\u00e3o mais atualizada e completa do genoma de&nbsp;<em>Schistosoma mansoni<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipe adotou uma abordagem de \u201cmontagem hier\u00e1rquica do transcriptoma\u201d. Em vez de analisar uma amostra mista, os cientistas processaram separadamente os dados de cada est\u00e1gio do ciclo de vida do parasita: ovo, mirac\u00eddio, esporocisto, cerc\u00e1ria, forma juvenil e adultos (macho e f\u00eamea). Segundo Verjovski-Almeida, essa estrat\u00e9gia permitiu detectar transcritos de baixa express\u00e3o, como os lncRNAs, que normalmente passam despercebidos em an\u00e1lises globais dominadas por genes mais abundantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao todo, foram identificados mais de 10 mil novos genes de lncRNA, somando quase 17 mil novos transcritos. Muitos desses RNAs apresentam marcas epigen\u00e9ticas t\u00edpicas de genes funcionalmente ativos, o que indica que n\u00e3o se trata apenas de \u201cru\u00eddo gen\u00e9tico\u201d, mas de elementos regulat\u00f3rios relevantes. O estudo tamb\u00e9m mostra que cerca de 42% dos lncRNAs s\u00e3o expressos em apenas uma fase do ciclo de vida do parasita, sugerindo fun\u00e7\u00f5es altamente especializadas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Machos e f\u00eameas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/57616.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-133008\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Micrografia eletr\u00f4nica de varredura de um casal de Schistosoma mansoni<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Um dos achados mais importantes do estudo est\u00e1 na rela\u00e7\u00e3o entre lncRNAs e o dimorfismo sexual do parasita. Ao comparar vermes machos e f\u00eameas, os pesquisadores identificaram quase 2 mil genes diferencialmente expressos, incluindo 635 lncRNAs. Nos machos, esses RNAs est\u00e3o associados principalmente a processos estruturais, como o desenvolvimento muscular, essencial para o acasalamento. J\u00e1 nas f\u00eameas, regulam processos ligados \u00e0 replica\u00e7\u00e3o de DNA e ao metabolismo, refletindo a intensa produ\u00e7\u00e3o de ovos.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse resultado \u00e9 particularmente relevante porque a f\u00eamea do parasita tem uma capacidade reprodutiva extremamente alta. \u201cA f\u00eamea coloca 300 a 500 ovos por dia. Isso exige uma maquinaria de replica\u00e7\u00e3o muito grande\u201d, explica o coordenador do estudo. Como os ovos s\u00e3o os principais respons\u00e1veis pelos danos ao organismo, interferir nesse processo pode ser uma estrat\u00e9gia eficaz de controle. \u201cTalvez n\u00e3o seja necess\u00e1rio matar o parasita. Se ela n\u00e3o colocar ovos, voc\u00ea interrompe a transmiss\u00e3o e tamb\u00e9m evita a destrui\u00e7\u00e3o do f\u00edgado\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pr\u00f3ximos passos da pesquisa envolvem validar experimentalmente esses candidatos e explorar seu potencial terap\u00eautico. Segundo Verjovski-Almeida, a ideia \u00e9 avan\u00e7ar para testes funcionais que confirmem o papel desses RNAs no parasita. \u201cO pr\u00f3ximo passo ser\u00e1 o silenciamento desses genes&nbsp;<em>in vitro<\/em>&nbsp;e, posteriormente,&nbsp;<em>in vivo<\/em>\u201d, diz. Paralelamente, o grupo segue aprimorando as an\u00e1lises computacionais. \u201cEstamos aperfei\u00e7oando as an\u00e1lises em larga escala com ferramentas de bioinform\u00e1tica para priorizar os candidatos mais promissores como alvos terap\u00eauticos, com potencial para controlar a prolifera\u00e7\u00e3o do parasita\u201d, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores da USP e do Butantan identificaram milhares de mol\u00e9culas reguladoras no genoma do parasita Schistosoma mansoni; resultados apontam caminhos para terapias mais eficazes Um estudo conduzido por pesquisadores do Instituto Butantan e da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) estabeleceu um novo marco na compreens\u00e3o gen\u00e9tica do&nbsp;Schistosoma mansoni, o verme respons\u00e1vel pela esquistossomose. 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