{"id":32183,"date":"2026-06-01T10:46:15","date_gmt":"2026-06-01T13:46:15","guid":{"rendered":"https:\/\/imais.online\/portal\/?p=32183"},"modified":"2026-06-01T10:46:16","modified_gmt":"2026-06-01T13:46:16","slug":"alcool-ou-drogas-estao-presentes-em-53-das-mortes-violentas-no-brasil-aponta-estudo-da-usp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imais.online\/portal\/alcool-ou-drogas-estao-presentes-em-53-das-mortes-violentas-no-brasil-aponta-estudo-da-usp\/","title":{"rendered":"\u00c1lcool ou drogas est\u00e3o presentes em 53% das mortes violentas no Brasil, aponta estudo da USP"},"content":{"rendered":"<div class=\"imais-before-content-placement\" id=\"imais-3257739924\"><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8787528412751566\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display:block;\" data-ad-client=\"ca-pub-8787528412751566\" \ndata-ad-slot=\"\" \ndata-ad-format=\"auto\"><\/ins>\n<script> \n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); \n<\/script>\n<\/div>\n<p>Pesquisadores da USP analisaram amostras de 3.577 v\u00edtimas de diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds; 90% eram homens, 56% tinham 30 anos ou mais e 67% morreram por homic\u00eddio<br><br>Estudo feito na&nbsp;<a href=\"https:\/\/www5.usp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de S\u00e3o Paulo (USP<\/a>) constatou que mais da metade (53%) das v\u00edtimas de mortes violentas ocorridas em quatro capitais brasileiras apresentavam \u00e1lcool ou drogas no organismo em an\u00e1lises feitas logo ap\u00f3s o \u00f3bito. Foram avaliados 3.577 casos em Bel\u00e9m, Recife, Vit\u00f3ria e Curitiba, representando, respectivamente, as regi\u00f5es Norte, Nordeste, Sudeste e Sul. Os resultados foram divulgados na revista Toxics.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO objetivo foi produzir dados padronizados e compar\u00e1veis sobre o papel de subst\u00e2ncias psicoativas em mortes por causas externas no Brasil\u201d, conta o biom\u00e9dico toxicologista Henrique Silva Bombana, pesquisador de p\u00f3s-doutorado na Faculdade de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas da Universidade de S\u00e3o Paulo (FCF-USP) e primeiro autor do artigo.<\/p>\n\n\n\n<p>As an\u00e1lises laboratoriais inclu\u00edram \u00e1lcool, um conjunto de drogas il\u00edcitas e medicamentos psicoativos, com protocolos padronizados. A equipe tamb\u00e9m adotou cuidados operacionais para reduzir perdas por degrada\u00e7\u00e3o. \u201cPrincipalmente no caso do \u00e1lcool, se a amostra n\u00e3o for armazenada de maneira adequada, a subst\u00e2ncia pode se degradar e mascarar o resultado\u201d, explica o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cA associa\u00e7\u00e3o entre a subst\u00e2ncia e a morte violenta no caso de homic\u00eddio \u00e9 muito complicada, porque a gente est\u00e1 olhando s\u00f3 para a v\u00edtima, n\u00e3o est\u00e1 olhando para o agressor. Ainda assim, \u00e9 poss\u00edvel atribuir a presen\u00e7a elevada de coca\u00edna n\u00e3o apenas ao uso agudo da subst\u00e2ncia, mas ao contexto social e econ\u00f4mico em que opera o mercado ilegal, ao ambiente de tr\u00e1fico, venda e compra que caracteriza o que chamamos de viol\u00eancia estrutural\u201d, argumenta Bombana.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Bombana conta que o estudo foi viabilizado a partir de um conv\u00eanio firmado em 2020 entre a USP e a Secretaria Nacional de Pol\u00edticas sobre Drogas e Gest\u00e3o de Ativos (Senad) para fazer o mapeamento da rela\u00e7\u00e3o entre uso de \u00e1lcool e drogas e mortes violentas. As quatro capitais foram escolhidas pela combina\u00e7\u00e3o de dois crit\u00e9rios: magnitude do problema e relev\u00e2ncia estrat\u00e9gica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssas cidades foram selecionadas com base na taxa de mortalidade por causas externas e por serem pontos estrat\u00e9gicos da rota de tr\u00e1fico de droga\u201d, explica o pesquisador. A escolha levou em conta tamb\u00e9m o papel do pa\u00eds como corredor de circula\u00e7\u00e3o internacional: \u201cMuitas vezes a droga vem de outros pa\u00edses e passa pelo Brasil para ser distribu\u00edda para os Estados Unidos, Europa, \u00c1frica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A coleta ocorreu entre 2022 e meados de 2024. \u201cMontamos e treinamos equipes de quatro pesquisadores em cada uma dessas cidades para colher amostras de sangue durante necr\u00f3psias. Esse material era congelado e enviado para o nosso laborat\u00f3rio na USP, onde t\u00ednhamos uma equipe de cinco pesquisadores para fazer as an\u00e1lises\u201d, explica Bombana.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Homens s\u00e3o maioria<\/h3>\n\n\n\n<p>O perfil das v\u00edtimas reflete a face mais recorrente da mortalidade violenta no pa\u00eds: 90% eram homens, 56% tinham 30 anos ou mais e 67% morreram por homic\u00eddio. Esse \u00faltimo dado \u00e9 especialmente relevante quando comparado aos percentuais de morte por acidentes de tr\u00e2nsito (15%) e suic\u00eddios (9%). No Norte e Nordeste, a porcentagem maior foi de indiv\u00edduos caracterizados como \u201cpardos\u201d, segundo a nomenclatura adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), enquanto no Sudeste e Sul a maioria foi composta por \u201cbrancos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre todas as v\u00edtimas, 53% testaram positivo para ao menos uma subst\u00e2ncia psicoativa. As mais detectadas foram: coca\u00edna (30%), \u00e1lcool (28%), benzodiazep\u00ednicos (7%) e cannabis (2%). \u201cO predom\u00ednio da coca\u00edna foi muito expressivo nos casos de homic\u00eddios, enquanto o \u00e1lcool foi a subst\u00e2ncia mais detectada em mortes por acidentes de tr\u00e2nsito. Os benzodiazep\u00ednicos prevaleceram em suic\u00eddios\u201d, relata Bombana.<\/p>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a de \u00e1lcool em mortes no tr\u00e2nsito \u00e9 um problema antigo no pa\u00eds. \u201cO tema vem sendo discutido h\u00e1 pelo menos 30 anos, sem que se tenha obtido uma solu\u00e7\u00e3o. A legisla\u00e7\u00e3o \u00e9 bem robusta, mas o que falta talvez seja um controle maior sobre a comercializa\u00e7\u00e3o do \u00e1lcool. Alguns pa\u00edses t\u00eam regras bem mais rigorosas e restritivas para a venda\u201d, pondera.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Sinais de risco<\/h3>\n\n\n\n<p>A pesquisa transversal n\u00e3o permite estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito. \u00c9 um tipo de estudo em que os dados s\u00e3o coletados em um \u00fanico \u201crecorte\u201d no tempo, como se compusessem uma fotografia da realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pesquisa, para cada v\u00edtima, os pesquisadores registraram o tipo de morte (homic\u00eddio, tr\u00e2nsito, suic\u00eddio etc.) e o resultado da an\u00e1lise toxicol\u00f3gica p\u00f3s-morte (coca\u00edna, \u00e1lcool, benzodiazep\u00ednicos etc.). Depois, compararam os dois grupos de dados. Isso possibilita medir a preval\u00eancia \u2013 por exemplo: \u201c53% tinham alguma subst\u00e2ncia no sangue\u201d \u2013 e identificar associa\u00e7\u00f5es \u2013 por exemplo: a coca\u00edna apareceu mais em homic\u00eddios; o \u00e1lcool, em mortes no tr\u00e2nsito. Mas a pesquisa n\u00e3o permite provar, por causa e efeito, que a coca\u00edna \u201ccausou\u201d o homic\u00eddio. Do mesmo modo, o desenho transversal, sozinho, n\u00e3o \u201cfecha\u201d a cadeia causal entre consumo de \u00e1lcool e morte no tr\u00e2nsito. \u201cO que se pode afirmar, com seguran\u00e7a, \u00e9 a exist\u00eancia de sinais consistentes de risco\u201d, destaca Bombana.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao analisar os registros policiais associados aos casos de homic\u00eddio, a equipe constatou que cerca de 85% das mortes foram resultantes de ferimentos por arma de fogo. \u201cIsso ocorreu em um momento em que, por meio de decretos e portarias, o ent\u00e3o governo federal flexibilizou regras para compra e porte, aumentou limites de armas e muni\u00e7\u00f5es, ampliou categorias autorizadas e reduziu mecanismos de controle e fiscaliza\u00e7\u00e3o, um contexto que ajuda a caracterizar o padr\u00e3o de letalidade observado\u201d, enfatiza Bombana.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto aos suic\u00eddios, o destaque para benzodiazep\u00ednicos levanta quest\u00f5es sobre uso medicamentoso, automedica\u00e7\u00e3o e vulnerabilidade. O pesquisador sugere uma hip\u00f3tese plaus\u00edvel, sem atribuir causalidade direta: \u201cO uso dessas subst\u00e2ncias pode acabar servindo como um gatilho para passar da idea\u00e7\u00e3o suicida para as vias de fato\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>De forma mais ampla, essa observa\u00e7\u00e3o resume um mecanismo comum \u00e0s diferentes modalidades de morte violenta: o consumo das subst\u00e2ncias pode levar o indiv\u00edduo a se inserir em ambientes com maior periculosidade (no caso dos homic\u00eddios) ou agir de forma mais perigosa (no caso dos acidentes no tr\u00e2nsito).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Interven\u00e7\u00f5es sob medida<\/h3>\n\n\n\n<p>O mapa das ocorr\u00eancias fatais n\u00e3o \u00e9 uniforme. H\u00e1 diferen\u00e7as de padr\u00e3o entre as quatro capitais estudadas: Recife com preval\u00eancia de mortes associadas ao \u00e1lcool (sozinho ou combinado); Vit\u00f3ria e Bel\u00e9m com maior concentra\u00e7\u00e3o de mortes associadas ao uso de drogas ilegais (sem \u00e1lcool); e Curitiba com o \u00e1lcool preponderando sobre as drogas ilegais. \u201cO Brasil tem dimens\u00f5es continentais e cada cidade apresenta especificidades sociais, culturais, sanit\u00e1rias e de seguran\u00e7a. O padr\u00e3o de uso de subst\u00e2ncias reflete essas especificidades\u201d, comenta Bombana. Para o pesquisador, essa heterogeneidade deve orientar interven\u00e7\u00f5es sob medida, subsidiando pol\u00edticas p\u00fablicas focadas na realidade de cada cidade ou regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora ressalte n\u00e3o ser um especialista em pol\u00edticas p\u00fablicas, Bombana defende que o enfrentamento do problema tende a ser mais efetivo quando centrado em sa\u00fade p\u00fablica e redu\u00e7\u00e3o de danos e n\u00e3o em repress\u00e3o. \u201cTalvez a pol\u00edtica criminalizadora, a chamada \u2018guerra \u00e0s drogas\u2019, n\u00e3o seja a melhor op\u00e7\u00e3o. Portugal descriminalizou e viu diminui\u00e7\u00e3o no n\u00famero de usu\u00e1rios, de pequenos delitos, de homic\u00eddios e de overdoses. As diferen\u00e7as entre Portugal e o Brasil s\u00e3o enormes, \u00e9 claro. A come\u00e7ar pelos tamanhos dos territ\u00f3rios e das popula\u00e7\u00f5es. Ainda assim, o exemplo portugu\u00eas sugere que uma pol\u00edtica de redu\u00e7\u00e3o de danos talvez seja o caminho mais interessante.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo foi conduzido pelo grupo \u201c\u00c1lcool, Drogas e Viol\u00eancia\u201d da Faculdade de Medicina (FM) da USP, coordenado por Bombana e pela professora Vilma Leyton, que tamb\u00e9m assina o artigo, e recebeu apoio da Fapesp por meio de Bolsa de P\u00f3s-Doutorado concedida a Bombana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores da USP analisaram amostras de 3.577 v\u00edtimas de diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds; 90% eram homens, 56% tinham 30 anos ou mais e 67% morreram por homic\u00eddio Estudo feito na&nbsp;Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) constatou que mais da metade (53%) das v\u00edtimas de mortes violentas ocorridas em quatro capitais brasileiras apresentavam \u00e1lcool ou drogas no [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":32184,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"rop_custom_images_group":[],"rop_custom_messages_group":[],"rop_publish_now":"yes","rop_publish_now_accounts":[],"rop_publish_now_history":[],"rop_publish_now_status":"pending","footnotes":""},"categories":[189],"tags":[],"class_list":["post-32183","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32183","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32183"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32183\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32185,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32183\/revisions\/32185"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32184"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32183"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32183"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32183"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}