{"id":32718,"date":"2026-07-01T10:00:54","date_gmt":"2026-07-01T13:00:54","guid":{"rendered":"https:\/\/imais.online\/portal\/?p=32718"},"modified":"2026-07-01T10:00:54","modified_gmt":"2026-07-01T13:00:54","slug":"depressao-cronica-altera-forma-como-as-redes-cerebrais-se-comunicam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imais.online\/portal\/depressao-cronica-altera-forma-como-as-redes-cerebrais-se-comunicam\/","title":{"rendered":"Depress\u00e3o cr\u00f4nica altera forma como as redes cerebrais se comunicam"},"content":{"rendered":"<div id=\"imais-304653610\" class=\"imais-before-content-placement imais-entity-placement\"><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8787528412751566\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display:block;\" data-ad-client=\"ca-pub-8787528412751566\" \ndata-ad-slot=\"\" \ndata-ad-format=\"auto\"><\/ins>\n<script> \n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); \n<\/script>\n<\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pesquisa ajuda a entender como o transtorno evolui com o passar do tempo, abrindo caminhos para tratamentos personalizados no futuro<\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Para entender o impacto da depress\u00e3o no organismo, um dos aspectos mais investigados \u00e9 a gravidade dos sintomas. Mas um estudo realizado por cientistas da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e da Universidade de Oxford, no Reino Unido, sugere que a dura\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a tamb\u00e9m \u00e9 um fator determinante para as mudan\u00e7as estruturais que ocorrem no c\u00e9rebro.<\/p>\n\n\n\n<p>Os autores analisaram imagens cerebrais de 46 pacientes com transtorno depressivo maior (TDM), uma condi\u00e7\u00e3o grave, caracterizada por tristeza persistente, desesperan\u00e7a e perda de interesse em atividades di\u00e1rias. Os resultados, publicados em fevereiro&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-026-40364-2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">na revista&nbsp;<em>Scientific Reports<\/em><\/a>, indicam que a dura\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a est\u00e1 associada a mudan\u00e7as na forma como determinadas redes cerebrais se comunicam. Esse achado pode ajudar a entender por que a depress\u00e3o se manifesta de maneiras t\u00e3o diferentes entre os pacientes e, no futuro, contribuir para o desenvolvimento de tratamentos personalizados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIdentificamos que pacientes cr\u00f4nicos [com mais de 24 meses de depress\u00e3o] e n\u00e3o cr\u00f4nicos apresentam padr\u00f5es distintos de conex\u00e3o entre duas redes funcionais importantes do c\u00e9rebro, que desempenham pap\u00e9is complementares: a Rede Executiva Central e a Rede de Modo Padr\u00e3o\u201d, conta Tamires Zan\u00e3o, bolsista de p\u00f3s-doutorado da FAPESP na Faculdade de Medicina da USP e primeira autora do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Respons\u00e1vel pelo chamado \u201ccontrole executivo\u201d, que envolve fun\u00e7\u00f5es como aten\u00e7\u00e3o, planejamento e tomada de decis\u00e3o, a Rede Executiva Central \u00e9 mais recrutada durante tarefas que exigem foco no ambiente externo. J\u00e1 a Rede de Modo Padr\u00e3o est\u00e1 associada a processos mentais internos, como autorreflex\u00e3o, mem\u00f3ria autobiogr\u00e1fica e imagina\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n\n\n\n<p>Em condi\u00e7\u00f5es t\u00edpicas, o c\u00e9rebro alterna entre essas duas redes de maneira coordenada, usando uma terceira rede (chamada de rede de sali\u00eancia) como um interruptor. Na depress\u00e3o, por\u00e9m, esse equil\u00edbrio pode ser desfeito.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsse descompasso pode favorecer a predomin\u00e2ncia de pensamentos introspectivos, frequentemente com vi\u00e9s negativo. Isso ajuda a explicar por que pessoas com depress\u00e3o tendem a ficar presas a pensamentos ruins [rumina\u00e7\u00e3o] e podem ter dificuldade em direcionar a aten\u00e7\u00e3o para o ambiente quando necess\u00e1rio\u201d, explica Zan\u00e3o \u00e0&nbsp;<em>Ag\u00eancia FAPESP<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Din\u00e2mica cerebral<\/h2>\n\n\n\n<p>Devido \u00e0 sua alta complexidade, a Rede de Modo Padr\u00e3o \u00e9 frequentemente dividida em sub-redes. Uma regi\u00e3o espec\u00edfica dessa rede de pensamentos internos (o pr\u00e9-c\u00faneo) funciona como uma esp\u00e9cie de \u201cponte\u201d com a rede do controle cognitivo (a Executiva Central). \u00c9 justamente nessa din\u00e2mica que o fator &#8220;tempo&#8221; se revelou decisivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores observaram que, em pessoas com epis\u00f3dios mais recentes de depress\u00e3o, quanto mais graves eram os sintomas, mais fraca ficava a conex\u00e3o entre a rede do foco e a da introspec\u00e7\u00e3o. J\u00e1 em pacientes com depress\u00e3o de longa dura\u00e7\u00e3o (cr\u00f4nica) foi identificado o oposto: quanto maior a severidade, mais forte se tornava a conectividade entre essas redes \u2013 o que pode refletir mudan\u00e7as progressivas na forma como elas se comunicam.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudos anteriores com indiv\u00edduos saud\u00e1veis observaram uma correla\u00e7\u00e3o positiva entre a Rede Executiva Central e a por\u00e7\u00e3o da Rede de Modo Padr\u00e3o associada ao pr\u00e9-c\u00faneo. No estudo, embora n\u00e3o tenha havido compara\u00e7\u00e3o direta com indiv\u00edduos sem a doen\u00e7a, os pacientes com depress\u00e3o de curta dura\u00e7\u00e3o e menos sintomas apresentaram padr\u00f5es de conectividade muito mais pr\u00f3ximos do perfil considerado t\u00edpico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs resultados refor\u00e7am a hip\u00f3tese de que as altera\u00e7\u00f5es na conectividade cerebral associadas \u00e0 depress\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o est\u00e1ticas. Estudos anteriores indicam que, em fases mais iniciais da doen\u00e7a, algumas redes podem apresentar redu\u00e7\u00e3o da conectividade, enquanto casos recorrentes ou mais prolongados tendem a exibir padr\u00f5es distintos de comunica\u00e7\u00e3o entre regi\u00f5es cerebrais\u201d, explica Zan\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mudan\u00e7as na massa cinzenta<\/h2>\n\n\n\n<p>Outra conclus\u00e3o do estudo \u00e9 que a gravidade dos sintomas est\u00e1 associada ao volume de massa cinzenta (tecido cerebral rico em neur\u00f4nios) em duas regi\u00f5es espec\u00edficas: o c\u00f3rtex cingulado anterior (que funciona como ponte entre a emo\u00e7\u00e3o e o pensamento, atuando na regula\u00e7\u00e3o emocional) e o c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal dorsolateral direito (regi\u00e3o ligada ao controle da aten\u00e7\u00e3o e ao processamento de emo\u00e7\u00f5es negativas).<\/p>\n\n\n\n<p>Embora em pessoas saud\u00e1veis um volume maior de massa cinzenta costume indicar um melhor funcionamento da regi\u00e3o, nas pesquisas sobre depress\u00e3o esses dados variam muito. Parte disso ocorre porque o uso de antidepressivos pode alterar a estrutura f\u00edsica do c\u00e9rebro. Como o estudo da USP incluiu apenas pacientes que n\u00e3o estavam tomando medicamentos no momento da an\u00e1lise, foi poss\u00edvel investigar altera\u00e7\u00f5es cerebrais potencialmente relacionadas \u00e0 depress\u00e3o sem a interfer\u00eancia do tratamento farmacol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p>A descoberta est\u00e1 alinhada com exames de tomografia e estimula\u00e7\u00e3o magn\u00e9tica transcraniana, que sugerem que a depress\u00e3o envolve um desequil\u00edbrio no c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal (a central de comando do c\u00e9rebro), gerando menor atividade no lado esquerdo e maior atividade no lado direito.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUma das hip\u00f3teses propostas para explicar a depress\u00e3o prop\u00f5e que o c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal esquerdo est\u00e1 mais relacionado ao processamento de emo\u00e7\u00f5es positivas, enquanto o direito estaria mais associado \u00e0s negativas. O fato de termos encontrado um aumento de volume justamente no c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal direito \u00e9 compat\u00edvel com essa hip\u00f3tese. No entanto, a rela\u00e7\u00e3o entre altera\u00e7\u00f5es no c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal e os sintomas depressivos continua sendo objeto de investiga\u00e7\u00e3o, e ainda n\u00e3o existe consenso sobre sua utilidade como marcador biol\u00f3gico da doen\u00e7a\u201d, diz a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o futuro, avaliam os autores, os achados devem auxiliar no desenvolvimento de tratamentos mais personalizados. \u201cA escolha do tratamento da depress\u00e3o ainda envolve um processo de ajuste individualizado ao longo do tempo, j\u00e1 que a resposta varia consideravelmente entre os pacientes. Estudos como este ajudam a avan\u00e7ar, mas precisamos de mais dados antes que essas informa\u00e7\u00f5es guiem as decis\u00f5es m\u00e9dicas no consult\u00f3rio\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados de imagem cerebral dos 46 pacientes com depress\u00e3o integram um ensaio cl\u00ednico coordenado pelo professor da USP Andr\u00e9 Brunoni, atualmente na University of Texas Southwestern Medical Center. As an\u00e1lises para este estudo foram feitas durante o p\u00f3s-doutorado de Zan\u00e3o na Universidade de Oxford, com apoio da FAPESP.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Revista Galileu <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa ajuda a entender como o transtorno evolui com o passar do tempo, abrindo caminhos para tratamentos personalizados no futuro Para entender o impacto da depress\u00e3o no organismo, um dos aspectos mais investigados \u00e9 a gravidade dos sintomas. 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