{"id":33474,"date":"2026-08-28T10:36:20","date_gmt":"2026-08-28T13:36:20","guid":{"rendered":"https:\/\/imais.online\/portal\/?p=33474"},"modified":"2026-08-28T10:36:20","modified_gmt":"2026-08-28T13:36:20","slug":"super-el-nino-pode-gerar-cadeia-de-impactos-alerta-cientista-do-mma-a-frente-da-preparacao-para-fenomeno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imais.online\/portal\/super-el-nino-pode-gerar-cadeia-de-impactos-alerta-cientista-do-mma-a-frente-da-preparacao-para-fenomeno\/","title":{"rendered":"Super El Ni\u00f1o pode gerar &#8216;cadeia de impactos&#8217;, alerta cientista do MMA \u00e0 frente da prepara\u00e7\u00e3o para fen\u00f4meno"},"content":{"rendered":"<div id=\"imais-2719699832\" class=\"imais-before-content-placement imais-entity-placement\"><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8787528412751566\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display:block;\" data-ad-client=\"ca-pub-8787528412751566\" \ndata-ad-slot=\"\" \ndata-ad-format=\"auto\"><\/ins>\n<script> \n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); \n<\/script>\n<\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Climatologista que assumiu posto no governo federal diz que n\u00e3o h\u00e1 tempo para grandes reformas estruturais de adapta\u00e7\u00e3o, mas uma s\u00e9ride de medidas podem atenuar peso do evento sobre o Brasil<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A preocupa\u00e7\u00e3o com o &#8220;Super El Ni\u00f1o&#8221; de 2026, o aquecimento muito acentuado das \u00e1guas do Pac\u00edfico, j\u00e1 est\u00e1 mobilizando agricultores e gestores urbanos no Brasil, que temem secas, enchentes e deslizamentos. Mas eventos deste tipo s\u00e3o s\u00f3 o come\u00e7o da lista de preocupa\u00e7\u00f5es, diz o cientista Lincoln Alves, um dos maiores especialistas do pa\u00eds na rela\u00e7\u00e3o entre clima global e eventos locais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2014 Um El Ni\u00f1o muito forte n\u00e3o \u00e9 um problema exclusivamente meteorol\u00f3gico nem agr\u00edcola. Ele pode gerar uma cadeia de impactos sociais, econ\u00f4micos, ambientais e de sa\u00fade \u2014 explica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Licenciado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Alves assumiu no ano passado a coordenadoria-geral do Departamento de Pol\u00edticas para Adapta\u00e7\u00e3o e Resili\u00eancia \u00e0 Mudan\u00e7a do Clima do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente (MMA), e est\u00e1 na linha de frente da prepara\u00e7\u00e3o do pa\u00eds para lidar com o fen\u00f4meno. Em entrevista ao GLOBO, o cientista conta o que podemos esperar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O El Ni\u00f1o normalmente provoca seca na Amaz\u00f4nia e Nordeste, e chuvas fortes no Sudeste e no Sul. O atual chamado &#8220;Super El Ni\u00f1o&#8221; deve seguir esse padr\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em linhas gerais, esperamos algo pr\u00f3ximo do padr\u00e3o cl\u00e1ssico do El Ni\u00f1o, mas com uma ressalva importante: esse padr\u00e3o n\u00e3o funciona como um mapa fixo. No Brasil, o sinal mais consistente \u00e9 de menos chuva em partes da Amaz\u00f4nia e do Nordeste e mais chuva no Sul. No Sudeste e parte do Centro-Oeste, a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 muito menos direta e varia bastante de um evento para outro e tamb\u00e9m ao longo das esta\u00e7\u00f5es do ano. Isso acontece porque o El Ni\u00f1o \u00e9 uma influ\u00eancia importante, mas n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica pe\u00e7a do sistema clim\u00e1tico. O Atl\u00e2ntico Tropical, a posi\u00e7\u00e3o das frentes frias, a circula\u00e7\u00e3o sobre a Am\u00e9rica do Sul e podem refor\u00e7ar, enfraquecer ou deslocar seus efeitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Que outros eventos extremos podem ser influenciados por ele?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No centro do Brasil, Norte e parte do Nordeste, preocupam sobretudo ondas de calor, per\u00edodos prolongados de baixa umidade, secas, redu\u00e7\u00e3o de vaz\u00f5es e aumento das condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis a inc\u00eandios florestais. No Sul, o problema pode ser quase o oposto: epis\u00f3dios repetidos de chuva intensa, cheias, enxurradas, deslizamentos e tempestades severas. Tamb\u00e9m h\u00e1 efeitos indiretos sobre abastecimento de \u00e1gua, gera\u00e7\u00e3o de energia, navega\u00e7\u00e3o, agricultura e sa\u00fade p\u00fablica. \u00c9 importante usar sempre a express\u00e3o &#8220;aumenta a probabilidade&#8221;. O El Ni\u00f1o n\u00e3o provoca sozinho cada tempestade, inc\u00eandio ou onda de calor. Ele altera o pano de fundo sobre o qual esses eventos acontecem.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-oglobo.glbimg.com\/N_8FQXcKVH3SPjzZp7JB9r0Cgpw=\/0x147:912x1226\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8\/internal_photos\/bs\/2026\/W\/W\/ZVp7j5RomepmstbLQf7Q\/img-0389.jpg\" alt=\"O cientista Lincoln Alves, coordenador do Departamento de Pol\u00edticas para Adapta\u00e7\u00e3o e Resili\u00eancia \u00e0 Mudan\u00e7a do Clima no MMA \u2014 Foto: MMA\/Divulga\u00e7\u00e3o\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O cientista Lincoln Alves, coordenador do Departamento de Pol\u00edticas para Adapta\u00e7\u00e3o e Resili\u00eancia \u00e0 Mudan\u00e7a do Clima no MMA \u2014 Foto: MMA\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O impacto j\u00e1 come\u00e7ou? Quando as diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds devem esperar sentir de forma mais intensa a influ\u00eancia do El Ni\u00f1o em 2026?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim. O El Ni\u00f1o j\u00e1 est\u00e1 estabelecido e seus primeiros sinais j\u00e1 fazem parte do sistema clim\u00e1tico. Em julho, a NOAA (ag\u00eancia clim\u00e1tica dos EUA) registrava um \u00edndice semanal de cerca de acr\u00e9scimo d 1,2\u00b0C e indicava que o fen\u00f4meno continuaria se fortalecendo ao longo de 2026. Hoje, a expectativa \u00e9 de fortalecimento at\u00e9 a primavera e o come\u00e7o do ver\u00e3o, com pico provavelmente entre outubro e dezembro de 2026, e persist\u00eancia do fen\u00f4meno no in\u00edcio de 2027.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>At\u00e9 que ponto faz sentido chamar o El Ni\u00f1o deste ano de &#8220;super&#8221;? H\u00e1 j\u00e1 uma confirma\u00e7\u00e3o de que ele ser\u00e1 mais forte que outros?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Super El Ni\u00f1o&#8221; n\u00e3o \u00e9 uma categoria oficial utilizada para classificar o fen\u00f4meno. Tecnicamente falamos em eventos fracos, moderados, fortes ou muito fortes. O que mudou em julho \u00e9 que a possibilidade de um evento excepcional aumentou bastante. A previs\u00e3o oficial da NOAA divulgada em julho indica 81% de probabilidade de o El Ni\u00f1o atingir a categoria &#8220;muito forte&#8221; entre outubro e dezembro, o que o colocaria entre os maiores eventos do registro hist\u00f3rico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O que ele tem de &#8220;super&#8221; \u00e9 a combina\u00e7\u00e3o com um momento mais grave da mudan\u00e7a clim\u00e1tica?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o duas coisas que precisamos separar. Quando se classifica a intensidade do El Ni\u00f1o, estamos olhando principalmente para o comportamento do Pac\u00edfico tropical. A mudan\u00e7a clim\u00e1tica n\u00e3o entra na defini\u00e7\u00e3o de um El Ni\u00f1o &#8220;forte&#8221; ou &#8220;muito forte&#8221;. Mas, quando passamos da classifica\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno para os impactos, a\u00ed a mudan\u00e7a do clima se torna fundamental. *O El Ni\u00f1o de 2026 est\u00e1 acontecendo em um planeta muito mais quente do que aquele dos grandes eventos de v\u00e1rias d\u00e9cadas atr\u00e1s. Isso significa que ondas de calor partem de temperaturas de fundo maiores, a evapora\u00e7\u00e3o pode ser mais intensa e a vegeta\u00e7\u00e3o pode secar mais rapidamente.* Ao mesmo tempo, uma atmosfera mais quente consegue armazenar mais vapor de \u00e1gua, o que pode favorecer chuvas mais intensas quando as condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas s\u00e3o prop\u00edcias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como governos podem se preparar para enfrentar os impactos previstos? H\u00e1 tempo para melhorias de infraestrutura?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 preciso diferenciar prepara\u00e7\u00e3o operacional de grandes obras estruturais. N\u00e3o \u00e9 realista imaginar que uma cidade v\u00e1 construir um novo sistema de macrodrenagem ou resolver suas \u00e1reas de risco at\u00e9 outubro. Mas h\u00e1 uma quantidade enorme de a\u00e7\u00f5es que pode ser feita para reduzir bastante os impactos. \u00c9 hora de revisar planos de conting\u00eancia, verificar drenagens e sistemas de bombeamento, inspecionar encostas, limpar canais, atualizar rotas de evacua\u00e7\u00e3o e abrigos, avaliar reservat\u00f3rios. Ainda h\u00e1 tempo para refor\u00e7ar equipes de Defesa Civil e sa\u00fade, organizar brigadas de inc\u00eandio e garantir comunica\u00e7\u00e3o r\u00e1pida com a popula\u00e7\u00e3o. Estados e Uni\u00e3o precisam trabalhar com os munic\u00edpios, porque muitos deles simplesmente n\u00e3o disp\u00f5em sozinhos de estrutura t\u00e9cnica e financeira suficiente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>As preocupa\u00e7\u00f5es mais salientes at\u00e9 aqui t\u00eam sido impacto na agropecu\u00e1ria e nas \u00e1reas de risco habitadas em cidades. H\u00e1 outros pontos de aten\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">V\u00e1rios. Eu colocaria seguran\u00e7a h\u00eddrica e inc\u00eandios florestais muito alto nessa lista. Uma seca prolongada pode afetar rios, reservat\u00f3rios, comunidades ribeirinhas, abastecimento urbano, navega\u00e7\u00e3o e gera\u00e7\u00e3o de energia. Outro ponto frequentemente subestimado \u00e9 a sa\u00fade. Ondas de calor aumentam a press\u00e3o sobre idosos, crian\u00e7as e pessoas que trabalham ao ar livre. Inc\u00eandios significam tamb\u00e9m fuma\u00e7a e piora da qualidade do ar, inclusive a centenas de quil\u00f4metros das \u00e1reas queimadas. Depois v\u00eam infraestrutura de energia, telecomunica\u00e7\u00f5es, estradas, pontes&#8230; Ou seja, um *El Ni\u00f1o muito forte n\u00e3o \u00e9 um problema exclusivamente meteorol\u00f3gico nem agr\u00edcola. Ele pode gerar uma cadeia de impactos sociais, econ\u00f4micos, ambientais e de sa\u00fade*.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Qual foi o papel do Super El Ni\u00f1o no super vendaval que afetou o Rio em julho?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu teria bastante cuidado em fazer essa liga\u00e7\u00e3o. A causa direta daquela ventania foi um sistema meteorol\u00f3gico, associado \u00e0 passagem de uma frente e \u00e0 circula\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica de escala regional, n\u00e3o o El Ni\u00f1o atuando diretamente sobre Rio e S\u00e3o Paulo. O El Ni\u00f1o pode modificar o ambiente de grande escala e alterar a frequ\u00eancia ou a trajet\u00f3ria de determinados sistemas meteorol\u00f3gicos. Mas da\u00ed a afirmar que aquela ventania espec\u00edfica &#8220;foi causada pelo El Ni\u00f1o&#8221; existe uma dist\u00e2ncia grande. Para isso precisar\u00edamos analisar detalhadamente a circula\u00e7\u00e3o daquele epis\u00f3dio e, se quisermos falar de mudan\u00e7a clim\u00e1tica, fazer um estudo de atribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u00c9 verdade que o Sudeste \u00e9 a regi\u00e3o do Brasil onde \u00e9 mais dif\u00edcil de prever o impacto do El Ni\u00f1o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim. O Sudeste est\u00e1 praticamente em uma zona de transi\u00e7\u00e3o entre sinais clim\u00e1ticos mais claros: ao sul, a tend\u00eancia de aumento das chuvas; mais ao norte, a tend\u00eancia de redu\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o clima do Sudeste depende muito do Atl\u00e2ntico, da chegada de frentes frias e da condi\u00e7\u00e3o de umidade do continente. Em determinadas \u00e9pocas do ano, esses fatores podem ter tanta ou mais import\u00e2ncia que o El Ni\u00f1o. Por isso, \u00e9 arriscado dizer simplesmente &#8220;El Ni\u00f1o significa mais chuva no Sudeste&#8221;. Em S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Rio podemos ter respostas bastante diferentes entre si.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O Brasil possui um plano nacional de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Ele vai ajudar no preparo contra o El Ni\u00f1o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Plano Clima Adapta\u00e7\u00e3o tem um papel importante porque ele ajuda a transformar uma rea\u00e7\u00e3o epis\u00f3dica a um El Ni\u00f1o em uma pol\u00edtica permanente de gest\u00e3o de risco clim\u00e1tico. Isso \u00e9 importante porque o El Ni\u00f1o passa, mas muitos dos riscos permanecem e tendem a aumentar com a mudan\u00e7a do clima. Uma cidade n\u00e3o deveria preparar sua drenagem somente quando aparece a previs\u00e3o de El Ni\u00f1o. Da mesma maneira, agricultura, sa\u00fade ou recursos h\u00eddricos precisam incorporar risco clim\u00e1tico permanentemente ao planejamento. Um evento forte em 2026 pode inclusive funcionar como teste de estresse para a adapta\u00e7\u00e3o brasileira: mostrar onde temos boa capacidade de antecipa\u00e7\u00e3o e onde ainda existem lacunas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Na agricultura, quais culturas precisam de mais aten\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para os pr\u00f3ximos meses, \u00e9 preciso ter aten\u00e7\u00e3o com pastagens, culturas perenes e agricultura familiar no Norte, onde chuva abaixo da m\u00e9dia e calor podem reduzir a umidade do solo. No Nordeste, h\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o com cultivos ainda em desenvolvimento e com \u00e1gua para a pecu\u00e1ria. No Centro-Oeste, temperaturas elevadas e d\u00e9ficit h\u00eddrico no fim da esta\u00e7\u00e3o seca exigem aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pastagens. No Sudeste, o caf\u00e9 merece aten\u00e7\u00e3o especial, E no Sul, culturas de inverno podem inicialmente se beneficiar da chuva, mas excesso de umidade aumenta o risco de doen\u00e7as f\u00fangicas e pode dificultar opera\u00e7\u00f5es no campo. Conforme entrarmos na safra de ver\u00e3o, ser\u00e1 necess\u00e1rio acompanhar continuamente soja, milho e arroz, principalmente se a chuva se tornar muito persistente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Nas \u00e1reas urbanas do pa\u00eds, quais s\u00e3o as zonas de risco priorit\u00e1rias?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais do que fazer uma lista fixa de cidades, eu olharia para tipos de territ\u00f3rio. S\u00e3o priorit\u00e1rias as ocupa\u00e7\u00f5es em encostas suscet\u00edveis a deslizamentos, as \u00e1reas baixas e plan\u00edcies de inunda\u00e7\u00e3o, as margens de rios, c\u00f3rregos e canais e os bairros com drenagem insuficiente, al\u00e9m dos trechos urbanos onde a impermeabiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 muito alta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Sul, onde a expectativa de chuva acima da m\u00e9dia \u00e9 mais consistente, esse acompanhamento precisa ser particularmente pr\u00f3ximo. Mas o Sudeste tamb\u00e9m n\u00e3o pode baixar a guarda. Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo e seus litorais possuem grande concentra\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00e3o e infraestrutura exposta a enxurradas, alagamentos e movimentos de massa sempre que ocorrem epis\u00f3dios de chuva intensa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E h\u00e1 um segundo mapa de risco que n\u00e3o podemos esquecer: o do calor. Bairros muito impermeabilizados, pouco arborizados e com popula\u00e7\u00e3o socialmente vulner\u00e1vel tendem a sofrer mais durante ondas de calor, mesmo quando n\u00e3o est\u00e3o em \u00e1reas cl\u00e1ssicas de inunda\u00e7\u00e3o ou deslizamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O painel de cientistas do clima da ONU, o IPCC, est\u00e1 preparando mais um relat\u00f3rio. O que deve entrar de importante nele sobre a rela\u00e7\u00e3o entre o El Ni\u00f1o e a mudan\u00e7a clim\u00e1tica?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 cedo para dizer qual ser\u00e1 o consenso do pr\u00f3ximo relat\u00f3rio, porque o IPCC come\u00e7ou agora a avaliar toda a literatura dispon\u00edvel, incluindo os estudos publicados depois do \u00faltimo relat\u00f3rio. Mas alguns temas provavelmente ser\u00e3o centrais. Um deles \u00e9 entender melhor como os impactos do El Ni\u00f1o mudam em um planeta mais quente, e n\u00e3o apenas se o Pac\u00edfico ficar\u00e1 mais ou menos quente durante um El Ni\u00f1o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a Am\u00e9rica do Sul, eu esperaria um olhar ainda maior sobre eventos compostos: El Ni\u00f1o combinado com ondas de calor, seca e inc\u00eandios na Amaz\u00f4nia; ou El Ni\u00f1o combinado com uma atmosfera mais quente e epis\u00f3dios de chuva extrema no sudeste da Am\u00e9rica do Sul. Tamb\u00e9m ser\u00e1 importante entender melhor a intera\u00e7\u00e3o entre Pac\u00edfico e Atl\u00e2ntico, porque ela \u00e9 fundamental para explicar por que os impactos variam tanto dentro do continente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>J\u00e1 se sabe se a mudan\u00e7a clim\u00e1tica em si, que \u00e9 causada pelo CO2 e o efeito estufa, pode elevar a frequ\u00eancia de El Ni\u00f1os?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 uma resposta para isso, mas ela exige cuidado. Ainda n\u00e3o podemos afirmar que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica simplesmente far\u00e1 &#8220;haver mais El Ni\u00f1os&#8221; de maneira geral. O sistema tem uma variabilidade natural muito grande, e o registro instrumental \u00e9 relativamente curto para separar perfeitamente essa variabilidade do efeito do aquecimento causado pelo ser humano. O \u00faltimo relat\u00f3rio de avalia\u00e7\u00e3o do IPCC concluiu que n\u00e3o existe consenso entre os modelos sobre uma mudan\u00e7a sistem\u00e1tica na amplitude da temperatura do Pac\u00edfico associada a El Ni\u00f1o e ao La Ni\u00f1a. Tamb\u00e9m n\u00e3o encontramos, nas observa\u00e7\u00f5es, uma tend\u00eancia de longo prazo suficientemente clara que permita dizer que todo tipo de El Ni\u00f1o j\u00e1 esteja ficando mais frequente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A evid\u00eancia \u00e9 mais forte quando falamos de eventos extremos e de seus impactos. H\u00e1 estudos indicando aumento da frequ\u00eancia dos El Ni\u00f1os extremos em um clima mais quente, embora ainda existam incertezas. E h\u00e1 uma conclus\u00e3o mais robusta: mesmo que a frequ\u00eancia total dos El Ni\u00f1os n\u00e3o mude muito, a variabilidade das chuvas associadas a eles tende a se tornar maior. Ou seja, talvez a pergunta mais importante para a sociedade n\u00e3o seja apenas &#8220;teremos mais El Ni\u00f1os?&#8221;, mas &#8220;quando um El Ni\u00f1o ocorrer, seus impactos extremos poder\u00e3o ser maiores?&#8221;. Para essa segunda pergunta, a ci\u00eancia j\u00e1 tem raz\u00f5es bem mais fortes para preocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fonte: Reprodu\u00e7\u00e3o O Globo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Climatologista que assumiu posto no governo federal diz que n\u00e3o h\u00e1 tempo para grandes reformas estruturais de adapta\u00e7\u00e3o, mas uma s\u00e9ride de medidas podem atenuar peso do evento sobre o Brasil A preocupa\u00e7\u00e3o com o &#8220;Super El Ni\u00f1o&#8221; de 2026, o aquecimento muito acentuado das \u00e1guas do Pac\u00edfico, j\u00e1 est\u00e1 mobilizando agricultores e gestores urbanos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":33475,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"rop_custom_images_group":[],"rop_custom_messages_group":[],"rop_publish_now":"yes","rop_publish_now_accounts":[],"rop_publish_now_history":[],"rop_publish_now_status":"pending","footnotes":""},"categories":[189],"tags":[73],"class_list":["post-33474","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","tag-featured"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33474","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33474"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33474\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33476,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33474\/revisions\/33476"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33475"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33474"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33474"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33474"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}