{"id":33765,"date":"2026-09-28T07:37:02","date_gmt":"2026-09-28T10:37:02","guid":{"rendered":"https:\/\/imais.online\/portal\/?p=33765"},"modified":"2026-09-28T07:37:02","modified_gmt":"2026-09-28T10:37:02","slug":"musculacao-faz-celulas-de-gordura-encolherem-antes-mesmo-da-perda-de-peso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imais.online\/portal\/musculacao-faz-celulas-de-gordura-encolherem-antes-mesmo-da-perda-de-peso\/","title":{"rendered":"Muscula\u00e7\u00e3o faz c\u00e9lulas de gordura encolherem antes mesmo da perda de peso"},"content":{"rendered":"<div id=\"imais-951040359\" class=\"imais-before-content-placement imais-entity-placement\"><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8787528412751566\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display:block;\" data-ad-client=\"ca-pub-8787528412751566\" \ndata-ad-slot=\"\" \ndata-ad-format=\"auto\"><\/ins>\n<script> \n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); \n<\/script>\n<\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estudo com camundongos feito na Unicamp mostra que sete dias de treinamento de for\u00e7a foram suficientes para ativar os mecanismos de quebra de lip\u00eddios<br><br>Sete dias de muscula\u00e7\u00e3o foram suficientes para aumentar a queima de gordura visceral de camundongos obesos, mesmo antes de qualquer redu\u00e7\u00e3o de peso aparecer na balan\u00e7a. Em um experimento realizado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), pesquisadores observaram que o curto per\u00edodo de treinamento de for\u00e7a ativou mecanismos envolvidos na quebra da gordura, reduziu o tamanho das c\u00e9lulas adiposas e diminuiu a adiposidade ao redor do intestino dos animais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo, publicado na revista <em>Life Sciences<\/em>, buscou entender o que acontece com o tecido adiposo logo no in\u00edcio da pr\u00e1tica de muscula\u00e7\u00e3o, antes que o emagrecimento possa interferir nos resultados. O trabalho, apoiado pela FAPESP, integra uma linha de pesquisa que h\u00e1 quase 20 anos investiga como o exerc\u00edcio f\u00edsico interfere na sa\u00fade metab\u00f3lica. Desde 2007, o grupo estuda os mecanismos envolvidos nos efeitos da atividade f\u00edsica sobre condi\u00e7\u00f5es como obesidade e diabetes. Com o avan\u00e7o das t\u00e9cnicas de an\u00e1lise molecular, os pesquisadores passaram a investigar n\u00e3o apenas os efeitos vis\u00edveis do exerc\u00edcio, como perda de peso ou ganho de massa muscular, mas tamb\u00e9m as mudan\u00e7as que come\u00e7am a ocorrer dentro das c\u00e9lulas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA gente sempre ouviu falar que fazer exerc\u00edcio f\u00edsico queima gordura e emagrece. Mas poucas vezes paramos para pensar como isso acontece, quanto tempo de exerc\u00edcio \u00e9 necess\u00e1rio e o que significa essa queima de gordura\u201d, afirma Leandro Moura, m\u00e9dico e profissional de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, professor da Unicamp, autor do estudo e coordenador do Exercise Cell Biology Lab (Ecebil), grupo dedicado ao estudo das adapta\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas, metab\u00f3licas e biomoleculares induzidas pelo exerc\u00edcio f\u00edsico e pelo esporte.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O treinamento<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os testes foram conduzidos com camundongos machos. Um grupo recebeu alimenta\u00e7\u00e3o padr\u00e3o e outro foi submetido a uma dieta rica em gordura para induzir a obesidade. Depois, os animais obesos foram subdivididos em dois grupos: um permaneceu sedent\u00e1rio e o outro iniciou o treinamento de for\u00e7a. A dieta rica em gordura foi mantida durante o per\u00edodo de exerc\u00edcio, justamente para que a \u00fanica diferen\u00e7a entre os dois grupos fosse a pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica, de modo a isolar os efeitos da muscula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para simular o treino de for\u00e7a, os camundongos tinham de subir uma escada de 70 cent\u00edmetros carregando uma carga na cauda. As sess\u00f5es foram realizadas com 70% da capacidade m\u00e1xima e inclu\u00edram 20 subidas, com intervalos de 60 a 90 segundos. Ao todo, foram sete sess\u00f5es. \u201cA gente calculou quanto de carga cada camundongo conseguia carregar subindo uma escada. Obviamente, n\u00e3o d\u00e1 para reproduzir os mesmos exerc\u00edcios de muscula\u00e7\u00e3o feitos por uma pessoa, mas conseguimos provocar no organismo um esfor\u00e7o semelhante ao da muscula\u00e7\u00e3o, com uma contra\u00e7\u00e3o mais intensa, mimetizando bem uma sess\u00e3o de muscula\u00e7\u00e3o para humanos\u201d, explica Moura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O foco das an\u00e1lises foi o tecido adiposo mesent\u00e9rico, a camada de gordura que fica presa ao redor dos intestinos. Segundo Moura, esse tecido \u00e9 o principal representante do que chamamos de \u201cgordura visceral\u201d nos seres humanos \u2013 aquela que se acumula profundamente no abd\u00f4men, entre os \u00f3rg\u00e3os vitais. Esse tecido gorduroso \u00e9 muito mais prejudicial \u00e0 sa\u00fade do que o subcut\u00e2neo (localizado logo abaixo da pele). Quando em excesso, a gordura visceral libera subst\u00e2ncias inflamat\u00f3rias diretamente na corrente sangu\u00ednea, o que altera o metabolismo do corpo inteiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pesquisador explicou que a escolha de acompanhar o impacto da muscula\u00e7\u00e3o nos animais por apenas sete dias foi proposital. Eles queriam observar o que a muscula\u00e7\u00e3o fazia no tecido adiposo antes de qualquer perda de peso, j\u00e1 que o pr\u00f3prio emagrecimento desencadeia diversos benef\u00edcios no organismo que poderiam confundir os efeitos provocados diretamente pelo exerc\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cQuando conseguimos manter o mesmo peso corporal e observamos o que aconteceu no organismo, podemos isolar diretamente o que o exerc\u00edcio f\u00edsico favoreceu antes do emagrecimento\u201d, explica Moura. Os dois grupos de animais obesos continuaram com a mesma dieta durante o experimento justamente para evitar a introdu\u00e7\u00e3o de outra vari\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora o peso corporal total dos animais n\u00e3o tenha diminu\u00eddo no per\u00edodo, os camundongos que fizeram muscula\u00e7\u00e3o apresentaram menor massa de tecido adiposo mesent\u00e9rico em compara\u00e7\u00e3o com os animais obesos sedent\u00e1rios. Al\u00e9m disso, os adip\u00f3citos (c\u00e9lulas respons\u00e1veis por armazenar gordura) tamb\u00e9m eram menores. E o tamanho dessas c\u00e9lulas importa muito para a sa\u00fade metab\u00f3lica. Em indiv\u00edduos obesos, o adip\u00f3cito incha tanto que sofre estresse cr\u00f4nico, come\u00e7ando a secretar subst\u00e2ncias inflamat\u00f3rias na circula\u00e7\u00e3o. O fato de o exerc\u00edcio encolher essas c\u00e9lulas prova que o tecido deixou de estar inflamado, tornando-se metabolicamente saud\u00e1vel antes mesmo de qualquer movimento da balan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O mecanismo metab\u00f3lico envolvido<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao investigar o que estava acontecendo dentro dessas c\u00e9lulas, os pesquisadores descobriram que a obesidade havia prejudicado a a\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas importantes para a lip\u00f3lise (processo de quebra da gordura armazenada nas c\u00e9lulas adiposas para que ela possa ser usada como fonte de energia). Depois das sete sess\u00f5es de muscula\u00e7\u00e3o, parte desse mecanismo voltou a funcionar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre as prote\u00ednas analisadas estavam PLIN1 (perilipina-1), ABHD5 e ATGL. De forma simplificada, a PLIN1 atua ajudando a controlar a gordura armazenada dentro das c\u00e9lulas adiposas. Quando h\u00e1 um est\u00edmulo do exerc\u00edcio, a PLIN1 sofre uma altera\u00e7\u00e3o e libera outra prote\u00edna, a ABHD5, que funciona como uma esp\u00e9cie de ativadora da quebra de gordura. Livre, a ABHD5 consegue se ligar \u00e0 ATGL, enzima que participa do primeiro passo da quebra dos triglic\u00e9rides armazenados na c\u00e9lula. O estudo tamb\u00e9m encontrou uma redu\u00e7\u00e3o na express\u00e3o do gene <em>Scd1<\/em>, envolvido na s\u00edntese da mol\u00e9cula de gordura. Na pr\u00e1tica, isso sugere que o organismo se tornou menos propenso a estocar as calorias da dieta no tecido adiposo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos camundongos obesos sedent\u00e1rios, a quantidade de ABHD5 estava reduzida, por isso o mecanismo de quebra de gordura n\u00e3o estava ativado de forma significativa. O treinamento de for\u00e7a aumentou a intera\u00e7\u00e3o do eixo ABHD5-ATGL e ativou outros marcadores envolvidos na lip\u00f3lise. \u201cA popula\u00e7\u00e3o tem uma ideia de que fez muscula\u00e7\u00e3o por dois meses, n\u00e3o emagreceu e, portanto, n\u00e3o adiantou nada. Mas o que vimos nesse estudo \u00e9 que, com apenas sete dias de treinamento de for\u00e7a, mesmo quando ainda n\u00e3o havia perda de peso, vias moleculares que favorecem o ac\u00famulo de gordura estavam menos ativas, enquanto aquelas que estimulam a quebra estavam mais ativas\u201d, comenta Moura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o pesquisador, os resultados ajudam a desfazer a ideia de que apenas o exerc\u00edcio aer\u00f3bico atuaria no emagrecimento, enquanto a muscula\u00e7\u00e3o serviria apenas para aumento de massa muscular. \u201cOs dois tipos de exerc\u00edcio ativam vias semelhantes, em intensidades diferentes, e tamb\u00e9m vias diferentes. Por isso, a associa\u00e7\u00e3o dos dois continua sendo a melhor recomenda\u00e7\u00e3o e a melhor estrat\u00e9gia para quem quer emagrecer\u201d, afirma Moura.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Pr\u00f3ximos passos<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Importante ressaltar que os achados ainda s\u00e3o experimentais. Ou seja, n\u00e3o se deve imaginar que fazer sete dias de muscula\u00e7\u00e3o produzir\u00e1 os mesmos efeitos em humanos. O trabalho foi feito apenas com camundongos machos, avaliou um \u00fanico dep\u00f3sito de gordura e analisou somente genes, prote\u00ednas e sinais moleculares relacionados \u00e0 quebra de gordura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pr\u00f3ximo passo da equipe \u00e9 acompanhar per\u00edodos mais longos de treinamento para entender como essas respostas evoluem quando a perda de peso come\u00e7a a ocorrer. Os pesquisadores tamb\u00e9m est\u00e3o investigando os efeitos do exerc\u00edcio sobre outros dep\u00f3sitos de gordura, inclusive aquele localizado ao redor do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Moura, o estudo traz uma mensagem para quem come\u00e7a a se exercitar e espera uma resposta imediata da balan\u00e7a. \u201cMesmo que a gente n\u00e3o esteja vendo nada ainda a olho nu, metabolicamente, l\u00e1 dentro do nosso organismo, v\u00e1rias sinaliza\u00e7\u00f5es ben\u00e9ficas para a sa\u00fade, inclusive para o emagrecimento, est\u00e3o acontecendo. Por isso n\u00e3o devemos nos desencorajar diante da falta de resultados vis\u00edveis ap\u00f3s um curto per\u00edodo de muscula\u00e7\u00e3o\u201d, conclui o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O artigo <em>Strength training induces ABHD5-ATGL axis to counteract mesenteric fat accumulation in obese Swiss mice<\/em> pode ser lido em: <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0024320526003553\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0024320526003553<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo com camundongos feito na Unicamp mostra que sete dias de treinamento de for\u00e7a foram suficientes para ativar os mecanismos de quebra de lip\u00eddios Sete dias de muscula\u00e7\u00e3o foram suficientes para aumentar a queima de gordura visceral de camundongos obesos, mesmo antes de qualquer redu\u00e7\u00e3o de peso aparecer na balan\u00e7a. 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