{"id":7107,"date":"2022-06-08T07:51:10","date_gmt":"2022-06-08T10:51:10","guid":{"rendered":"https:\/\/imais.online\/portal\/?p=7107"},"modified":"2022-06-08T07:53:30","modified_gmt":"2022-06-08T10:53:30","slug":"leite-materno-e-usado-para-tratar-covid-19-longa-em-paciente-com-imunodeficiencia-grave","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imais.online\/portal\/leite-materno-e-usado-para-tratar-covid-19-longa-em-paciente-com-imunodeficiencia-grave\/","title":{"rendered":"Leite materno \u00e9 usado para tratar COVID-19 longa em paciente com imunodefici\u00eancia grave"},"content":{"rendered":"<div class=\"imais-before-content-placement\" id=\"imais-2832295160\"><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8787528412751566\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display:block;\" data-ad-client=\"ca-pub-8787528412751566\" \ndata-ad-slot=\"\" \ndata-ad-format=\"auto\"><\/ins>\n<script> \n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); \n<\/script>\n<\/div>\n<p class=\"has-text-align-center\">V\u00edrus foi eliminado gra\u00e7as \u00e0 ingest\u00e3o, durante uma semana, do leite de doadora imunizada contra o SARS-CoV-2<\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) recorreram a um m\u00e9todo nada convencional para tratar a COVID-19 em uma paciente com uma doen\u00e7a gen\u00e9tica rara que torna seu sistema imune incapaz de combater v\u00edrus e outros pat\u00f3genos. Durante uma semana, ela foi orientada a ingerir 30 mililitros de leite materno \u2013 de uma doadora vacinada contra o SARS-CoV-2 \u2013 a cada tr\u00eas horas. Ap\u00f3s esse per\u00edodo, o resultado do teste de RT-PCR \u2013 que h\u00e1 mais de 120 dias vinha indicando a presen\u00e7a do RNA viral \u2013 finalmente veio negativo.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso foi relatado em&nbsp;<a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/35632784\/\"><strong>artigo<\/strong><\/a>&nbsp;publicado na revista&nbsp;<em>Viruses<\/em>. Os autores receberam apoio da FAPESP (Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo) por meio de quatro projetos (<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/95761\/patogenese-e-neurovirulencia-de-virus-emergentes-no-brasil\/?q=16\/00194-8\"><strong>16\/00194-8<\/strong><\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/106303\/spiica-rede-internacional-sao-paulo-imperial-college-uk-de-estudo-das-correlacoes-imunologicas-em-ar\/?q=18\/14372-0\"><strong>18\/14372-0<\/strong><\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/103130\/centro-conjunto-brasil-reino-unido-para-descoberta-diagnostico-genomica-e-epidemiologia-de-arbovirus\/?q=18\/14389-0\"><strong>18\/14389-0<\/strong><\/a>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/106222\/caracterizacao-de-fatores-de-risco-intrinsecos-e-o-desenvolvimento-de-novas-alternativas-de-diagnost\/?q=20\/04558-0\"><strong>20\/04558-0<\/strong><\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTenho acompanhado essa paciente desde crian\u00e7a e quando ela me contou que estava com COVID-19 eu fiquei muito apreensiva. O erro inato da imunidade que ela apresenta deixa seu sistema de defesa todo desregulado. Sua resposta inflamat\u00f3ria \u00e9 deficit\u00e1ria, h\u00e1 poucas c\u00e9lulas se mobilizando para o local da inflama\u00e7\u00e3o e baixa produ\u00e7\u00e3o de anticorpos. As caracter\u00edsticas de virul\u00eancia dos agentes infeciosos podem levar a dois desfechos nesses casos: infec\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica ou morte\u201d, conta a pediatra&nbsp;<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/7370\/maria-marluce-dos-santos-vilela\"><strong>Maria Marluce dos Santos Vilela<\/strong><\/a>, professora da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas (FCM-Unicamp) e autora principal do artigo.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora explica que o sistema imune humano e dos demais mam\u00edferos produz normalmente cinco tipos de anticorpos: as imunoglobulinas IgM, IgG, IgA, IgE e IgD. Portadores dessa doen\u00e7a \u2013 conhecida como s\u00edndrome de imunodesregula\u00e7\u00e3o \u2013 geralmente t\u00eam pouco IgE e, em alguns casos, aus\u00eancia completa de IgA, o principal anticorpo neutralizante de v\u00edrus e outros pat\u00f3genos, que costuma estar presente no leite materno, nas secre\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias e gastrintestinais. Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma produ\u00e7\u00e3o muito baixa de IgG, normalmente o anticorpo mais abundante no sangue e respons\u00e1vel por reconhecer e neutralizar ant\u00edgenos com os quais o organismo j\u00e1 teve contato pr\u00e9vio. H\u00e1 apenas 157 casos do tipo descritos no mundo, caracterizados em estudo&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC8246418\"><strong>publicado<\/strong><\/a>&nbsp;no&nbsp;<em>Journal of Allergy and Clinical Immunology<\/em>, do qual Vilela \u00e9 coautora.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNossa estrat\u00e9gia foi manter a paciente isolada em casa, sob os cuidados da m\u00e3e \u2013 que monitorou a oxigena\u00e7\u00e3o, temperatura corporal e a nutri\u00e7\u00e3o. No hospital ela poderia contrair uma infec\u00e7\u00e3o bacteriana, o que tornaria o quadro ainda mais grave. E desde o diagn\u00f3stico, em mar\u00e7o de 2021, n\u00f3s a acompanhamos periodicamente por v\u00eddeo\u201d, conta a m\u00e9dica.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos primeiros 15 dias de infec\u00e7\u00e3o a paciente apresentou febre, perda de apetite e de peso, tosse e indisposi\u00e7\u00e3o. Mas para surpresa e al\u00edvio de Vilela, o pulm\u00e3o e demais sistemas mantiveram-se inalterados. Passados dois meses, o quadro permanecia o mesmo e o grupo ent\u00e3o decidiu testar, em parceria com o Hemocentro da Unicamp, o tratamento com plasma de convalescente, ou seja, a transfus\u00e3o de anticorpos produzidos por pessoas que haviam se curado da COVID-19, principalmente os do tipo IgG.<\/p>\n\n\n\n<p>O procedimento foi feito e promoveu melhora dos sintomas e redu\u00e7\u00e3o de marcadores inflamat\u00f3rios no sangue. Mas, ap\u00f3s 15 dias, o exame de RT-PCR permanecia positivo e a paciente seguia apresentando sintomas leves e sinais do que os m\u00e9dicos chamam de adinamia, que \u00e9 uma grande fraqueza muscular associada a processos infecciosos prolongados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFicamos receosos de que a infec\u00e7\u00e3o se prolongasse por muito tempo, o que a debilitaria ainda mais e aumentaria o risco de contaminar outras pessoas. Nessa mesma \u00e9poca, sa\u00edram os resultados de um estudo mostrando que mulheres lactantes imunizadas com a vacina da Pfizer produziam leite com uma quantidade razo\u00e1vel de IgA. Decidimos ent\u00e3o fazer a experi\u00eancia assistencial de reposi\u00e7\u00e3o de IgA via leite materno\u201d, conta Vilela.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora conta que s\u00f3 foi poss\u00edvel fazer o ensaio porque h\u00e1 no pa\u00eds uma legisla\u00e7\u00e3o r\u00edgida que garante a seguran\u00e7a dos bancos de leite. Somente podem doar mulheres saud\u00e1veis, com testes negativos para doen\u00e7as infecciosas como Aids, s\u00edfilis e hepatite, entre outras. E o sistema tamb\u00e9m permite saber se a doadora foi imunizada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cRecomendamos a ela o consumo do leite por via oral, pois o IgA funciona como uma \u2018vassoura\u2019, ou seja, vai grudando nos pat\u00f3genos ao longo de todo o trato gastrointestinal e tudo que \u00e9 impr\u00f3prio \u00e9 eliminado nas fezes. O intervalo de tr\u00eas horas entre as doses \u2013 exceto no per\u00edodo noturno \u2013 foi pensado para n\u00e3o dar chance de o v\u00edrus continuar se replicando\u201d, conta a pediatra.<\/p>\n\n\n\n<p>O teste negativou ap\u00f3s uma semana e outros dois exames, feitos com intervalos de dez dias cada, tamb\u00e9m n\u00e3o detectaram a presen\u00e7a do SARS-CoV-2. \u201cE ainda seguimos fazendo testes de RT-PCR para SARS-CoV-2. Nossa preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que, com as novas variantes, ela adquira uma infec\u00e7\u00e3o assintom\u00e1tica\u201d, diz a m\u00e9dica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sempre o mesmo v\u00edrus<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo dados do artigo, a paciente permaneceu ao menos 124 dias com o v\u00edrus ativo em seu organismo. Para ter certeza de que se tratava do mesmo pat\u00f3geno, e n\u00e3o de infec\u00e7\u00f5es sucessivas, os pesquisadores da Unicamp sequenciaram o genoma do SARS-CoV-2 isolado de tr\u00eas amostras coletadas em diferentes momentos para fins de diagn\u00f3stico. Em duas amostras tamb\u00e9m foi poss\u00edvel quantificar o n\u00famero de part\u00edculas virais. Essa parte da investiga\u00e7\u00e3o foi liderada pelo professor&nbsp;<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/39705\/jose-luiz-proenca-modena\"><strong>Jos\u00e9 Luiz Proen\u00e7a M\u00f3dena<\/strong><\/a>, coordenador do Laborat\u00f3rio de Estudos de V\u00edrus Emergentes (<a href=\"https:\/\/leve.ib.unicamp.br\/\"><strong>Leve<\/strong><\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs resultados de sequenciamento demonstraram que a paciente foi infectada pela variante gama (P.1) do SARS-CoV-2, aquela que surgiu em Manaus no final de 2020 e causou um colapso no sistema de sa\u00fade por l\u00e1 no in\u00edcio de 2021. Al\u00e9m disso, os dados mostraram que a paciente foi cronicamente infectada por esse mesmo v\u00edrus e n\u00e3o sucessivamente infectada por v\u00edrus diferentes, j\u00e1 que nenhuma muta\u00e7\u00e3o no genoma viral foi encontrada nas tr\u00eas rea\u00e7\u00f5es de sequenciamento realizadas com amostras da paciente coletada em momentos diferentes\u201d, relata M\u00f3dena.<\/p>\n\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Vilela, o ensaio s\u00f3 foi poss\u00edvel gra\u00e7as aos recursos oferecidos pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). \u201cFoi a rede do SUS que permitiu o resgate das amostras para as an\u00e1lises gen\u00f4micas. E, al\u00e9m disso, garantiu a seguran\u00e7a tanto do plasma de convalescente quanto do leite materno usado no tratamento. E como o controle de qualidade da rede \u00e9 o mesmo em todo o pa\u00eds, eu pude instruir um colega do Acre a atender um paciente com uma imunodefici\u00eancia similar\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>M\u00f3dena ressaltou ainda a import\u00e2ncia da \u201cintera\u00e7\u00e3o entre as \u00e1reas cl\u00ednicas e b\u00e1sicas, por meio de uma pesquisa colaborativa, multidisciplinar e translacional, muito incentivada pela FAPESP\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo&nbsp;<em>Clearance of Persistent SARS-CoV-2 RNA Detection in a NF<\/em><em>\u03ba<\/em><em>B-Deficient Patient in Association with the Ingestion of Human Breast Milk: A Case Report<\/em>&nbsp;pode ser lido em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.mdpi.com\/1999-4915\/14\/5\/1042\"><strong>www.mdpi.com\/1999-4915\/14\/5\/1042<\/strong><\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>V\u00edrus foi eliminado gra\u00e7as \u00e0 ingest\u00e3o, durante uma semana, do leite de doadora imunizada contra o SARS-CoV-2 Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) recorreram a um m\u00e9todo nada convencional para tratar a COVID-19 em uma paciente com uma doen\u00e7a gen\u00e9tica rara que torna seu sistema imune incapaz de combater v\u00edrus e outros pat\u00f3genos. 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