{"id":7285,"date":"2022-06-14T15:49:54","date_gmt":"2022-06-14T18:49:54","guid":{"rendered":"https:\/\/imais.online\/portal\/?p=7285"},"modified":"2022-06-14T15:49:56","modified_gmt":"2022-06-14T18:49:56","slug":"estupros-crescem-no-interior-de-sao-paulo-e-quase-77-das-vitimas-sao-criancas-ou-vulneraveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imais.online\/portal\/estupros-crescem-no-interior-de-sao-paulo-e-quase-77-das-vitimas-sao-criancas-ou-vulneraveis\/","title":{"rendered":"Estupros crescem no interior de S\u00e3o Paulo, e quase 77% das v\u00edtimas s\u00e3o crian\u00e7as ou vulner\u00e1veis"},"content":{"rendered":"<div class=\"imais-before-content-placement\" id=\"imais-835360612\"><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8787528412751566\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display:block;\" data-ad-client=\"ca-pub-8787528412751566\" \ndata-ad-slot=\"\" \ndata-ad-format=\"auto\"><\/ins>\n<script> \n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); \n<\/script>\n<\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Segundo Sou da Paz, foram 3.066 ocorr\u00eancias no estado no 1\u00ba trimestre do ano, sendo 1.864 casos apenas em cidades do interior\u00a0<\/h2>\n\n\n\n<p>Os casos de estupro ca\u00edram&nbsp;1,5% em todo o estado de S\u00e3o Paulo no primeiro trimestre do ano na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo de 2021, segundo dados do Instituto Sou da Paz divulgados na segunda-feira (13).&nbsp;Em tr\u00eas meses, foram 3.066 casos contra 3.113 no ano passado. No entanto, esse tipo de ocorr\u00eancia teve aumento de 3,6% no interior paulista.<\/p>\n\n\n\n<p>No primeiro trimestre de 2021, foram 1.800 registros no interior. Agora foram 1.864. J\u00e1 na capital, os estupros tiveram queda de 11,1% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior, passando de 647 para 575.<\/p>\n\n\n\n<p>Os estupros de vulner\u00e1veis, que s\u00e3o menores de 14 anos, pessoas alcoolizadas, idosas, com defici\u00eancia ou cujas condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade as impedem de discernir o ato violento, representam 76,7% dos registros no primeiro trimestre. Nesse p\u00fablico, os casos cresceram 4,7% no interior, enquanto na capital recuaram 7,7% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2021. Foram 2.352 ocorr\u00eancias neste ano, sendo 1.442 no interior.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 fundamental o registro, mas esse tipo de crime n\u00e3o depende s\u00f3 da pol\u00edcia. \u00c9 preciso ter outras frentes de atua\u00e7\u00e3o para evitar que o crime seja continuado. At\u00e9 porque demora para que a v\u00edtima perceba o crime e chegue a denunciar. Por ser t\u00e3o vulner\u00e1vel, precisa, primeiro, reconhecer que foi crime&#8221;, afirma Cristina Neme, coordenadora de projetos do Instituto Sou da Paz.<\/p>\n\n\n\n<p>No primeiro trimestre, cinco unidades do Deinter (Departamento de Pol\u00edcia Judici\u00e1ria do Interior) registraram aumento nas taxas de estupro em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo de 2021. A alta mais intensa foi na regi\u00e3o de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto, que tem uma taxa de 11,3% a cada 100 mil habitantes.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Crian\u00e7as n\u00e3o entendem que o que viveram \u00e9 abuso, n\u00e3o diferenciam de carinho, e precisam de ajuda, por isso demoram a verbalizar<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos casos de estupro de vulner\u00e1veis, novamente S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto registrou a pior taxa (9,2% a cada 100 mil habitantes), seguido por Presidente Prudente (7,9%) e Ara\u00e7atuba (6,8%).<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a advogada especialista em quest\u00f5es de g\u00eanero Marina Ruzzi, os registros n\u00e3o s\u00e3o em tempo real. &#8220;Apesar da facilidade do boletim de ocorr\u00eancia online, estando na presen\u00e7a dos agressores, isso dificulta a den\u00fancia. No caso dos vulner\u00e1veis, n\u00e3o s\u00e3o eles que fazem a den\u00fancia, s\u00e3o pais e m\u00e3es, e as v\u00edtimas precisam, primeiro, verbalizar a situa\u00e7\u00e3o e identificar o abuso&#8221;, conta.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/img.r7.com\/images\/estupro-crianca-violencia-vulneravel-21082020164353388?dimensions=771x420&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;resize=771x420&amp;crop=640x349+0+57&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;&amp;resize=771x420&amp;crop=640x349+0+57\" alt=\"Mais de 80% das v\u00edtimas de estupro s\u00e3o meninas de at\u00e9 13 anos\" title=\"Mais de 80% das v\u00edtimas de estupro s\u00e3o meninas de at\u00e9 13 anos\"\/><figcaption>Mais de 80% das v\u00edtimas de estupro s\u00e3o meninas de at\u00e9 13 anos<br>PIXABAY<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Perfil das v\u00edtimas<\/h3>\n\n\n\n<p>De acordo com um estudo realizado por pesquisadores do Sou da Paz entre 2016 e 2020, 83% das v\u00edtimas de estupro s\u00e3o crian\u00e7as e adolescentes de at\u00e9 14 anos, sendo 83% meninas. Tamb\u00e9m 60% das v\u00edtimas s\u00e3o brancas e 38% negras.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Acontece em todos os grupos, diferentemente do homic\u00eddio, que ocorre mais na popula\u00e7\u00e3o negra. O pico de viol\u00eancia contra meninas \u00e9 aos 13 anos. J\u00e1 os meninos s\u00e3o v\u00edtimas mais novos, por volta de 4 anos de idade&#8221;, relata a coordenadora.<\/p>\n\n\n\n<p>No relat\u00f3rio, foram analisados quase 39 mil boletins de ocorr\u00eancia do estado de S\u00e3o Paulo. Em 79% havia indica\u00e7\u00e3o de autoria do crime. Os agressores s\u00e3o, na grande maioria, familiares, conhecidos ou pessoas com v\u00ednculo afetivo \u00e0s v\u00edtimas.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o Paulo tem altos \u00edndices de viola\u00e7\u00f5es e viol\u00eancias contra crian\u00e7as, principalmente sexuais, mas \u00e9 o \u00fanico estado do pa\u00eds que n\u00e3o tem delegacia especializada de prote\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o crimes que ocorrem dentro de casa: 78,5% nas resid\u00eancias e 8,1% em via p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 um crime que apresenta padr\u00e3o e tem poucas varia\u00e7\u00f5es. Depende de pol\u00edticas p\u00fablicas integradas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o para enfrentamento. H\u00e1 uma alta preval\u00eancia de estupro de vulner\u00e1veis. A den\u00fancia \u00e9 fundamental para seguir \u00e0 Justi\u00e7a&#8221;, ressalta Cristina Neme.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Crescimento de estupros no interior<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/img.r7.com\/images\/crianca-violencia-14042021151502908?dimensions=442x241\" alt=\"Agressores s\u00e3o parentes ou conhecidos das v\u00edtimas\" width=\"444\" height=\"242\" title=\"Agressores s\u00e3o parentes ou conhecidos das v\u00edtimas\"\/><figcaption>Agressores s\u00e3o parentes ou conhecidos das v\u00edtimas<br>MARCELLO CASAL JR\/AG\u00caNCIA BRASIL<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ariel de Castro Alves, advogado e membro da Comiss\u00e3o da Crian\u00e7a e do Adolescente da OAB-SP e do Instituto Nacional dos Direitos da Crian\u00e7a e do Adolescente, afirma que em cidades do interior existe mais facilidade em denunciar os casos, por isso os n\u00fameros s\u00e3o maiores do que na capital.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As delegacias e conselhos tutelares est\u00e3o mais pr\u00f3ximos das pessoas. As pessoas conhecem os conselheiros, os policiais e existe uma comunicabilidade maior entre as pessoas, mais conviv\u00eancia comunit\u00e1ria&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Ariel de Castro, muitas regi\u00f5es s\u00e3o mal iluminadas e as fam\u00edlias moram em locais isolados no interior, o que favorece a viol\u00eancia sexual.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;S\u00e3o Paulo tem altos \u00edndices de viola\u00e7\u00f5es e viol\u00eancias contra crian\u00e7as e adolescentes,&nbsp; principalmente sexuais, mas \u00e9 o \u00fanico estado do pa\u00eds que n\u00e3o tem delegacia especializada. Al\u00e9m disso, em zonas rurais e no interior, o machismo e a viol\u00eancia interpessoal est\u00e3o mais arraigados, por isso que tem mais incid\u00eancia de crimes sexuais&#8221;, destaca o advogado.<\/p>\n\n\n\n<p>O pico de viol\u00eancia contra meninas \u00e9 aos 13 anos. J\u00e1 os meninos s\u00e3o v\u00edtimas mais novos, por volta de 4 anos de idade<\/p>\n\n\n\n<p>CRISTINA NEME, COORDENADORA DO SOU DA PAZ<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a subnotifica\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 uma realidade por envolver vulner\u00e1veis. A advogada Marina Ruzzi lembra tamb\u00e9m que &#8220;crian\u00e7as n\u00e3o entendem que o que viveram \u00e9 abuso, n\u00e3o diferenciam de carinho, e precisam de ajuda, por isso demoram a verbalizar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/img.r7.com\/images\/grafico-estupro-de-vulneraveis-13062022142500966\" alt=\"Gr\u00e1fico mostra o n\u00famero de casos de estupro de vulner\u00e1veis por regi\u00e3o\" title=\"Gr\u00e1fico mostra o n\u00famero de casos de estupro de vulner\u00e1veis por regi\u00e3o\"\/><figcaption>Gr\u00e1fico mostra o n\u00famero de casos de estupro de vulner\u00e1veis por regi\u00e3o<br>REPRODU\u00c7\u00c3O \/ INSTITUTO SOU DA PAZ<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Preven\u00e7\u00e3o e rede de apoio<\/h3>\n\n\n\n<p>O per\u00edodo mais cr\u00edtico foi em 2020, no pico do confinamento da pandemia de Covid-19, quando as v\u00edtimas ficaram presas em casa junto aos agressores.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Em abril de 2020, houve uma queda nos registros. Subiram no trimestre seguinte do mesmo ano. At\u00e9 agora manteve alta na s\u00e9rie hist\u00f3rica e voltamos ao patamar dos 3.000 casos por trimestre, sendo 2.300 de estupro de vulner\u00e1veis. No primeiro trimestre 2021-2022 houve uma queda de casos, mas pequena&#8221;, revela a coordenadora do Sou da Paz.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a flexibiliza\u00e7\u00e3o das atividades e o retorno \u00e0s escolas, a tend\u00eancia \u00e9 que mais casos de viol\u00eancia venham \u00e0 tona.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os professores podem perceber os sinais em alunos e notificar o Conselho Tutelar. Temos que ampliar a discuss\u00e3o sobre educa\u00e7\u00e3o sexual para fortalecer os vulner\u00e1veis, com foco em preven\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso conscientiza\u00e7\u00e3o social em rela\u00e7\u00e3o ao problema porque \u00e9 um crime muito silenciado, um tabu&#8221;, afirma Cristina Neme.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte R7<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo Sou da Paz, foram 3.066 ocorr\u00eancias no estado no 1\u00ba trimestre do ano, sendo 1.864 casos apenas em cidades do interior\u00a0 Os casos de estupro ca\u00edram&nbsp;1,5% em todo o estado de S\u00e3o Paulo no primeiro trimestre do ano na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo de 2021, segundo dados do Instituto Sou da Paz divulgados [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":7286,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"rop_custom_images_group":[],"rop_custom_messages_group":[],"rop_publish_now":"initial","rop_publish_now_accounts":[],"rop_publish_now_history":[],"rop_publish_now_status":"pending","footnotes":""},"categories":[195],"tags":[],"class_list":["post-7285","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sao-paulo"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7285","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7285"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7285\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7287,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7285\/revisions\/7287"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7286"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7285"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7285"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/imais.online\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7285"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}