{"id":7701,"date":"2022-07-03T15:43:09","date_gmt":"2022-07-03T18:43:09","guid":{"rendered":"https:\/\/imais.online\/portal\/?p=7701"},"modified":"2022-07-03T15:43:12","modified_gmt":"2022-07-03T18:43:12","slug":"poemas-recitados-por-enfermeira-em-hospital-trazem-esperanca-para-pacientes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imais.online\/portal\/poemas-recitados-por-enfermeira-em-hospital-trazem-esperanca-para-pacientes\/","title":{"rendered":"Poemas recitados por enfermeira em hospital trazem esperan\u00e7a para pacientes"},"content":{"rendered":"<div class=\"imais-before-content-placement\" id=\"imais-3409965769\"><script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8787528412751566\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display:block;\" data-ad-client=\"ca-pub-8787528412751566\" \ndata-ad-slot=\"\" \ndata-ad-format=\"auto\"><\/ins>\n<script> \n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); \n<\/script>\n<\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><\/h2>\n\n\n\n<p>Quando decidiu cursar\u00a0Enfermagem, Carolina Miranda, 40 anos, natural de Natal (RN), j\u00e1 sentia que poderia contribuir para melhorar a vida das pessoas por meio da profiss\u00e3o. A inje\u00e7\u00e3o de \u00e2nimo veio mesmo quando, al\u00e9m de cuidar dos pacientes em um hospital p\u00fablico, tomou a iniciativa de criar um cantinho da leitura para enfermos, acompanhantes e equipe hospitalar. Assim, a enfermeira viu muitas pessoas acamadas apresentarem melhora em seus quadros cl\u00ednicos e ainda descobriu uma nova voca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Carol transformou o seu local de trabalho. Os corredores frios ficaram aquecidos diante do acolhimento dado \u00e0s pessoas ali internadas. Mais do que mudar o ambiente, ela ajudou a ressignificar o momento de dor por meio de poemas. O retorno positivo rendeu-lhe a cria\u00e7\u00e3o de dois livros e a participa\u00e7\u00e3o em feiras liter\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma caixa e cinco livros\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O cantinho da leitura come\u00e7ou em 2017, na enfermaria onde Carol trabalhava, no Hospital Roberto Santos, em Salvador. \u201cEra uma caixinha de sapato com cinco livros doados por minha m\u00e3e. Esses cinco livros viraram mil com doa\u00e7\u00f5es de v\u00e1rias pessoas\u201d, relembra a\u00a0enfermeira.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao notar que seus pacientes ficavam muito tempo ociosos e angustiados, quando n\u00e3o estavam com olhos fixos \u00e0 tela do celular, Carol Miranda teve a ideia de criar o\u00a0cantinho da leitura\u00a0para que fosse um momento de prazer e distra\u00e7\u00e3o para as pessoas ali presentes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO primeiro paciente que pegou um dos livros chegou para mim e falou feliz que j\u00e1 estava na 12\u00aa p\u00e1gina. Uma outra pessoa, que estava internada, disse que os livros faziam com que ela sa\u00edsse pela janela da enfermaria e conhecesse o mundo. Ela fez uma cirurgia neurol\u00f3gica, ficou acamada, teve dificuldade para falar, mas quando passou a pegar os livros, come\u00e7ou a se restabelecer\u201d, conta entusiasmada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pandemia: vai como pode<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Durante a pandemia, Carol teve que\u00a0retirar os livros do local\u00a0para evitar o manuseio por diversas pessoas, em respeito a uma das regras sanit\u00e1rias de combate \u00e0 Covid-19. \u201cNessa de retirar os meus livros, eu pensei: \u2018e agora? O que vou fazer?\u2019. A\u00ed veio uma frase da minha av\u00f3 que dizia assim: \u2018Vai como pode!\u2019. E essa frase fez com que eu come\u00e7asse a recitar poemas de outros poetas e tamb\u00e9m da minha av\u00f3 Dulce, que fazia poesias escondidas para o meu av\u00f4\u201d, esclarece.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao recitar poemas, a enfermeira come\u00e7ou a escutar mais os pacientes e \u00e0s hist\u00f3rias, claro, tamb\u00e9m deu uma forma po\u00e9tica \u00e0s hist\u00f3rias de vida que ouvia com sensibilidade. \u201cEu escrevia as poesias e entregava para eles no final do plant\u00e3o\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>No hospital, Carol criou o campeonato de poesia. Os participantes recebiam um tema e ganhavam livros. Participavam do campeonato os pacientes, acompanhantes e funcion\u00e1rios. \u201cEles agradeceram muito, alguns nunca tinham escrito versos na vida e no leito come\u00e7aram a escrever. At\u00e9 hoje guardo poesias deles\u201d, comenta saudosa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Enfermeira e poeta<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A admira\u00e7\u00e3o pelas profiss\u00f5es da \u00e1rea de\u00a0sa\u00fade\u00a0corre na veia de Carol, bem como o gosto pela leitura incentivado pelos pais. Sua m\u00e3e \u00e9 professora de literatura e, o pai, ge\u00f3logo aposentado. Seu \u00fanico irm\u00e3o, o ca\u00e7ula da fam\u00edlia, \u00e9 cirurgi\u00e3o-geral.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua av\u00f3 Dulce costumava escrever poemas para o seu companheiro de vida, mas tinha vergonha de mostr\u00e1-los. O hobby passou para o pai de Carol, que tamb\u00e9m t\u00edmido para a escrita, se aventurou a escrever um livro sobre as mem\u00f3rias de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Pass\u00e9, munic\u00edpio baiano. \u201cMeus pais s\u00e3o refer\u00eancias para mim. Meu pai tem muitos dicion\u00e1rios e ama ler e escrever. J\u00e1 minha m\u00e3e me inspira pela for\u00e7a, ela nasceu na beira de rio, no engenho, e \u00e9 muito batalhadora\u201d, ressalta.<\/p>\n\n\n\n<p>A for\u00e7a da mulher que lhe serviu de exemplo em casa tamb\u00e9m virou poema. \u201cMulher, o que pensa nesse dia? Tudo mudou, adaptou, transformou. Fostes em busca do estudo, noites perdidas, milhares de x\u00edcaras de caf\u00e9. Valeu a pena? Claro que valeu. \u00c9s dona da sua vida. \u00c9s magn\u00edfica, \u00e9s mulher!\u201d, declama Carolina.<\/p>\n\n\n\n<p>A enfermeira explica que\u00a0faz as poesias\u00a0em casa, geralmente no per\u00edodo da noite. Contudo, \u00e9 comum que as inspira\u00e7\u00f5es surjam em diferentes momentos, inclusive durante suas viagens a trabalho. \u201cJ\u00e1 teve uma poesia que surgiu enquanto eu caminhava na pracinha perto de casa, quando vi duas pessoas dan\u00e7ando no meio da rua. Peguei o papel, escrevi uma poesia e entreguei para eles\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, Carol \u00e9 concursada e trabalha como apoiadora institucional na Secretaria de Sa\u00fade da Bahia fazendo acolhimento e palestras para profissionais de sa\u00fade. Quando viaja a trabalho faz poesias sobre os munic\u00edpios que visita. Apesar de n\u00e3o estar mais no hospital onde se descobriu poeta, o cantinho da leitura continua l\u00e1. \u201cMesmo eu tendo sa\u00eddo do hospital, ainda tenho contato com os pacientes. Fa\u00e7o quest\u00e3o de passar meu n\u00famero para eles\u201d, revela.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Do hospital para o Festival Liter\u00e1rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de dar conta de acolher os pacientes, a enfermeira Carol arranjou tempo para escrever livros. Autora de \u201cO Poetizar do Cantinho da Leitura\u201d e \u201cVai como pode \u2013 poesia ou saudade?\u201d, ela j\u00e1 se prepara para a terceira obra. \u201cOs livros t\u00eam poesias dos meus pacientes e o terceiro vem a\u00ed como homenagem a todos eles\u201d, revela.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse m\u00eas, a enfermeira-poeta participou do\u00a0Festival Baiano Liter\u00e1rio de Conta\u00e7\u00e3o de Hist\u00f3rias. Na ocasi\u00e3o, n\u00e3o perdeu tempo e fez aquilo que seu cora\u00e7\u00e3o pedia: criou poemas na hora e entregou para alguns escritores que estavam no local.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFoi fant\u00e1stico participar do festival e se houver outros estarei presente. J\u00e1 penso na Bienal do Livro, no final do ano, onde quero estar com os meus dois livros. Nunca passou pela minha cabe\u00e7a ser uma enfermeira e participar de festivais liter\u00e1rios. Tenho uma amiga que diz que quando precisei tirar os livros do hospital na pandemia, ali surgiu a poeta. Essa observa\u00e7\u00e3o me marcou\u201d, reflete.<\/p>\n\n\n\n<p>Parar com as poesias n\u00e3o est\u00e1 nos planos de Carol. Sua pretens\u00e3o \u00e9 continuar usando as palavras para tocar as pessoas. \u201cO que me motiva a fazer esse trabalho \u00e9 poder transformar o dia de algu\u00e9m e poder dar sentimento a tudo que pretendem ser no futuro, ou o que querem ser no momento. \u00c9 poder transform\u00e1-las atrav\u00e9s do sentimento\u201d, conta entusiasmada.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/d281e75zdqqlon.cloudfront.net\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/A-enfermeira-Carolina-Miranda-comecou-com-cantinho-da-leitura-em-hospital-publico-e-hoje-faz-poemas.-Foto-divulgacao-1-e1656845630229.jpeg\" alt=\"A enfermeira Carolina Miranda come\u00e7ou com cantinho da leitura em hospital p\u00fablico - Foto: divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"389\" height=\"500\"><\/p>\n\n\n\n<p id=\"caption-attachment-184571\">A enfermeira Carolina Miranda come\u00e7ou com cantinho da leitura em hospital p\u00fablico<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"417\" height=\"500\" src=\"https:\/\/d281e75zdqqlon.cloudfront.net\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/A-enfermeira-Carolina-Miranda-comecou-com-cantinho-da-leitura-em-hospital-publico-e-hoje-faz-poemas.-Foto-divulgacao-6-e1656845550432.jpeg\" alt=\"A enfermeira Carolina Miranda come\u00e7ou com cantinho da leitura em hospital p\u00fablico - Foto: divulga\u00e7\u00e3o\"><\/p>\n\n\n\n<p id=\"caption-attachment-184574\">A enfermeira Carolina Miranda come\u00e7ou com cantinho da leitura em hospital p\u00fablico <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"568\" src=\"https:\/\/d281e75zdqqlon.cloudfront.net\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/A-enfermeira-Carolina-Miranda-comecou-com-cantinho-da-leitura-em-hospital-publico-e-hoje-faz-poemas.-Foto-divulgacao-4-e1656845599165.jpeg\" alt=\"A enfermeira Carolina Miranda come\u00e7ou com cantinho da leitura em hospital p\u00fablico - Foto: divulga\u00e7\u00e3o\"><\/p>\n\n\n\n<p id=\"caption-attachment-184573\">A enfermeira Carolina Miranda come\u00e7ou com cantinho da leitura em hospital p\u00fablico <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"479\" height=\"500\" src=\"https:\/\/d281e75zdqqlon.cloudfront.net\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/A-enfermeira-Carolina-Miranda-comecou-com-cantinho-da-leitura-em-hospital-publico-e-hoje-faz-poemas.-Foto-divulgacao-2-e1656845619254.jpeg\" alt=\"A enfermeira Carolina Miranda come\u00e7ou com cantinho da leitura em hospital p\u00fablico - Foto: divulga\u00e7\u00e3o\"><\/p>\n\n\n\n<p id=\"caption-attachment-184572\">A enfermeira Carolina Miranda come\u00e7ou com cantinho da leitura em hospital p\u00fablico  divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fonte: Brenda Ch\u00e9rolet \u2013 Ag\u00eancia Educa Mais Brasil<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando decidiu cursar\u00a0Enfermagem, Carolina Miranda, 40 anos, natural de Natal (RN), j\u00e1 sentia que poderia contribuir para melhorar a vida das pessoas por meio da profiss\u00e3o. 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