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Padre Marcelo Previatelli: a marca da saudade na Matriz da Candelária 

Foto: reprodução/redes sociais
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Em Indaiatuba, a memória do Padre Marcelo Donizetti Previatelli transcende o tempo, revelando uma trajetória de dedicação, resiliência e um legado que continua a inspirar a comunidade, mesmo após sua partida precoce.

Indaiatuba guarda com carinho a lembrança de um homem que dedicou sua vida à fé e ao próximo. O Padre Marcelo Donizetti Previatelli, que por duas décadas foi o coração da Igreja Matriz Nossa Senhora da Candelária, deixou uma marca indelével na cidade, não apenas por sua liderança espiritual, mas por sua incansável luta contra uma doença que o acompanhou por anos, sem jamais abalar seu sorriso e sua missão.

Foto: reprodução/redes sociais

A Formação e o Chamado

Nascido em Pedreira, em 16 de junho de 1969, Marcelo Donizetti Previatelli demonstrou desde cedo uma mente organizada e um espírito voltado para o serviço. Sua formação inicial como técnico em contabilidade, longe de ser um desvio, revelou-se uma ferramenta valiosa em sua futura jornada sacerdotal. Essa habilidade com números e gestão seria fundamental para os grandes projetos que abraçaria em Indaiatuba.

Após a formação em Filosofia e Teologia, Marcelo foi ordenado diácono em 1994 e, em 28 de abril de 1995, recebeu o sacramento da ordem presbiteral. Seu caminho o levaria a Indaiatuba, onde, a partir de 1999, começaria a escrever um dos capítulos mais significativos de sua vida e da história religiosa local.

O Arquiteto da Fé e do Patrimônio

Em 2005, Padre Marcelo assumiu como pároco da Igreja Matriz Nossa Senhora da Candelária, tornando-se um verdadeiro pilar da comunidade. Sua gestão foi marcada por uma visão que unia a modernização da paróquia à preservação do rico patrimônio histórico da cidade. Ele foi o grande entusiasta e articulador das obras de restauração da Matriz, compreendendo que a manutenção física do templo era, intrinsecamente, a salvaguarda da memória e da identidade cultural de Indaiatuba.

Foto: reprodução/redes sociais

Seu trabalho estendeu-se para além dos muros da igreja. Padre Marcelo era uma presença constante em eventos cívicos e religiosos, desde a bênção na reabertura do Casarão Pau Preto até a organização das grandiosas celebrações de Corpus Christi, que anualmente reúnem milhares de fiéis. Sua voz, que transmitia firmeza e doçura, era um guia para muitos, e seu carisma se manifestava em um sorriso franco e uma risada contagiante, que aproximavam o sagrado do cotidiano das pessoas.

Foi também sob sua liderança que a Pastoral da Família foi criada em 2010, um reflexo de sua preocupação com a estrutura familiar e o apoio aos idosos, a quem dedicava missas de Ação de Graças que se tornaram um marco na cidade.

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A Batalha Silenciosa e a Honraria

Por trás da energia inesgotável e do semblante sereno, Padre Marcelo travava uma batalha particular e heroica. Por doze anos, ele enfrentou um câncer no pâncreas, uma enfermidade severa que ele carregou com discrição e resiliência. Submeteu-se a quimioterapias e internações sem jamais permitir que a doença o definisse ou o afastasse de sua missão. Sua fé e dedicação eram tamanhas que muitos fiéis só tomaram conhecimento da gravidade de seu estado nos momentos finais de sua vida.

Em reconhecimento à sua inestimável contribuição, Indaiatuba o homenageou em dezembro de 2018 com a Medalha João Tibiriçá Piratininga, a maior honraria do município. Recebida com humildade durante as celebrações dos 188 anos da cidade, a condecoração foi um testemunho em vida do profundo apreço e gratidão da comunidade por seu pastor.

A Partida e o Legado Vivo

Os últimos dias do Padre Marcelo foram de intensa oração e esperança. Internado no Hospital Centro Médico de Campinas em novembro de 2019, devido a complicações de sua enfermidade, o padre que tanto confortou e inspirou precisou, ele mesmo, do conforto e das preces de sua comunidade. A Arquidiocese de Campinas emitiu notas pedindo correntes de oração, enquanto o quadro de saúde se agravava. Padre Marcelo Donizetti Previatelli partiu na noite de 30 de novembro de 2019, aos 50 anos, deixando um vazio imenso, mas um legado que pulsa.

Sua memória não se restringe aos documentos de restauro da Matriz ou à medalha que ostentou. Ela está viva em cada vitral da Candelária que hoje brilha, em cada família que encontrou amparo em suas palavras e na forma como Indaiatuba aprendeu a valorizar sua própria história e suas tradições. As homenagens póstumas, como as incluídas nas celebrações de Corpus Christi, são a prova de que o “Padre do Sorriso” continua a caminhar pelas ruas e corações de Indaiatuba.

Padre Marcelo nos ensinou que a vida não se mede pela sua duração, mas pela intensidade com que é vivida e doada. Ele doou-se por inteiro, até o último suspiro, deixando para todos a lição de que, mesmo diante das maiores adversidades, é possível manter a fé inabalável, a esperança acesa e o coração aberto para o próximo. Um exemplo eterno de humanidade e amor.

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