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Bem Estar

Dormir pouco mais de 7 horas por dia pode ajudar a evitar diabetes tipo 2, sugere pesquisa

foto: reprodução internet
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Pesquisadores investigaram em uma amostra de mais de 23 mil pessoas a associação entre a duração do sono e a taxa estimada de eliminação de glicose

Dormir exatamente 7 horas e 18 minutos por noite pode ser o ideal para evitar o risco de resistência à insulina, quadro clínico da diabetes tipo 2. É o que mostra uma pesquisa publicada na terça-feira (3) na revista BMJ Open Diabetes Research & Care.

Por outro lado, dormir mais, sobretudo nos finais de semana, não é sinônimo de proteção contra o diabetes tipo 2, pelo contrário: está associado a um risco maior de comprometimento do metabolismo da glicose em pessoas que dormem além do limite ideal todas as noites.

Ainda que não seja totalmente claro qual é o papel do sono de recuperação nos fins de semana, não há dúvidas de que a duração do sono tem impacto na nossa saúde. Estudos anteriores já tinham indicado que uma melhor qualidade do sono está fortemente associada ao risco de distúrbios metabólicos relacionados à diabetes.

Sono e glicose

Os pesquisadores decidiram investigar a associação entre a duração do sono e a taxa estimada de eliminação de glicose (eGDR, na sigla em inglês), considerada um indicador confiável de resistência à insulina (condição que aumenta o risco de desenvolver diabetes tipo 2). Acontece que, quanto menor a eGDR – algo em torno de 6 a 7 mg/kg/min –, maior o risco de resistência ao hormônio e vice-versa.

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A equipe contou com 23.475 participantes, com idades entre 20 e 80 anos. Dessas pessoas, foram analisadas ondas sucessivas da Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição (NHANES), realizada entre 2009 e 2023. Entre todos os voluntários, 10.817 deles já tinham os seus dados referentes à duração do sono nos finais de semana disponíveis para acesso dos cientistas.

Padrão, qualidade e duração do sono podem estar associados com o desenvolvimento da diabetes tipo 2 — Foto: Marcos Santos/ USP Imagens
Padrão, qualidade e duração do sono podem estar associados com o desenvolvimento da diabetes tipo 2 — Foto: Marcos Santos/ USP Imagens

Em relação ao sono compensatório dos finais de semana, os pesquisadores o categorizaram em quatro possibilidades: nenhuma (sem horas dormidas), até 1 hora, de 1 a 2 horas e, por fim, mais de 2 horas.

Ponto ideal do sono

Foi descoberto que a taxa média de sonolência diária estimada entre os participantes foi de 8,23. Durante a semana, eles dormiram, em média, 7 horas e 30 minutos, com pouco mais de 48% deles tendo dormido um sono compensatório nos finais de semana.

Para calcular o eGDR, os pesquisadores utilizaram uma fórmula que envolvia a circunferência da cintura, a glicemia em jejum e a pressão arterial. Em conjunto, esses dados revelaram uma curva em forma de “U” invertido, que revelou como ponto ideal o limite de 7 horas e 18 minutos de sono.

Dormir menos horas que este limite e compensar mais tarde da noite foi associado a um eGDR mais alto – cerca de 10 mg/kg/min. Já, sobretudo entre as mulheres e pessoas na faixa etária dos 40 aos 59 anos, dormir mais que o limite resultou em um eGDR mais baixo.

Entre aqueles que dormiam menos do que o limite ideal durante a semana, dormir 1 a 2 horas de sono compensatório no fim de semana resultou em um eGDR mais elevado em comparação com a ausência de sono. Mas, para indivíduos que dormem mais do que o limite ideal de sono semanal, a soneca compensatória no fim de semana levou a um eGDR mais baixo. Isso mesmo considerando fatores potencialmente influentes, como estilo de vida, etnia, estado civil e nível de escolaridade.

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Em comunicado, os cientistas observaram que esses resultados têm potencial de se desenvolverem como ciclos viciosos, em que a desregulação metabólica interrompe os padrões normais de sono. Esse comportamento “dá abertura” para que o sono anormal resultante agrave ainda mais a saúde metabólica.

Porém, por ter sido um estudo observacional, eles ressaltam que ainda não foi possível chegar a conclusões definitivas sobre causa e efeito. Ainda assim, as revelações sugerem que os padrões de sono de recuperação nos fins de semana podem ser relevantes para a regulação metabólica e podem auxiliar profissionais e áreas da saúde.

Fonte Galileu

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