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Surto de diarreia causado por parasita avança: o que comer e o que evitar
Milhares de pessoas foram contaminadas nos Estados Unidos pelo parasita ‘Cyclospora’
Os casos de diarreia provocados pelo parasita Cyclospora continuam aumentando e, diante da ameaça de uma doença que pode durar semanas e da incerteza sobre a origem exata da contaminação, muitos consumidores se perguntam: há algo seguro para comer na seção de hortifrúti?
Autoridades de saúde de Michigan informaram que concluíram mais de 2.000 entrevistas com pessoas infectadas por ciclosporíase. Segundo elas, há evidências “muito fortes” de que um produto específico está ligado ao surto: alface-americana (iceberg) cortada e fornecida pela Taylor Farms. A alface contaminada foi servida em algumas unidades da rede Taco Bell.
O Taco Bell informou que retirou a alface da Taylor Farms de seus restaurantes e de sua cadeia de fornecimento nos Estados Unidos. Já a Taylor Fresh Foods afirmou que está removendo do mercado americano toda a sua alface-americana proveniente do centro do México.
Autoridades federais de saúde reforçam a importância de acompanhar os alertas sanitários e seguir procedimentos adequados de higiene ao lavar alimentos.
“O Cyclospora é um organismo muito interessante. É um parasita que já foi associado a surtos anteriores, geralmente transmitidos por alimentos”, afirmou o Dr. Nuwan Gunawardhana, epidemiologista hospitalar e especialista em doenças infecciosas do Centro Médico Irving da Universidade Columbia.
“Ele não é considerado contagioso de pessoa para pessoa. Quando falamos de surtos transmitidos por alimentos, trata-se de um organismo muito resistente, que consegue aderir com facilidade à superfície de frutas e vegetais frescos”, explicou.
Quem corre mais risco
A ciclosporíase é uma infecção intestinal causada pelo parasita microscópico Cyclospora. Os sintomas costumam surgir de dois dias a duas semanas após a exposição e incluem diarreia aquosa prolongada, cólicas abdominais, náusea, fadiga, perda de apetite e perda de peso.
Embora a infecção possa ser tratada com antibióticos específicos, a doença pode durar semanas se não for tratada e levar à desidratação.
Segundo dados enviados aos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), cerca de um em cada 11 casos necessita de hospitalização. Nenhuma morte foi registrada.
“Os grupos com maior risco são crianças pequenas, idosos e pessoas imunossuprimidas”, afirmou o Dr. Dan Barouch, diretor do Centro de Pesquisa em Virologia e Vacinas do Centro Médico Beth Israel Deaconess.
“Na maioria das pessoas saudáveis, a doença costuma ser leve. Faz sentido tomar precauções, especialmente entre os grupos de maior risco, mas não há motivo para pânico neste momento”, acrescentou.
O que evitar consumir
Ao comprar alface ou outras folhas, especialistas recomendam evitar produtos pré-cortados ou embalados, optando por vegetais inteiros, que normalmente passam por menos manipulação.
Misturas de saladas ensacadas já foram associadas a surtos anteriores de Cyclospora nos Estados Unidos e no Canadá, segundo autoridades de Michigan.
“Provavelmente é uma boa ideia evitar alfaces e saladas embaladas por enquanto. E, caso sejam consumidas, lavá-las novamente em casa, mesmo que venham identificadas como pré-lavadas, porque a origem exata do surto ainda não foi determinada”, disse Barouch.
Framboesas, manjericão, misturas para saladas, coentro, combinações de frutas vermelhas, alface e ervilhas-tortas já foram associados a surtos anteriores.
Também é recomendável evitar frutas e vegetais machucados, danificados ou com mofo.
Enquanto o surto continua, pessoas com o sistema imunológico enfraquecido podem considerar evitar completamente produtos frescos até que a fonte da contaminação seja identificada, segundo Gunawardhana.
O que comprar
Ainda assim, especialistas destacam que frutas e vegetais inteiros, incluindo verduras folhosas, não devem ser eliminados da dieta, pois continuam sendo importantes para uma alimentação saudável.
“Meu nível pessoal de tolerância ao risco me permite continuar consumindo normalmente frutas e vegetais, apenas com mais cuidado no preparo, porque a grande maioria dos produtos frescos disponíveis no mercado é segura para consumo”, afirmou Don Stoeckel, microbiologista ambiental da Produce Safety Alliance.
Autoridades de Michigan sugerem comprar pés inteiros de alface. Também recomendam descartar as duas ou três camadas externas de folhas e lavar cuidadosamente as folhas internas antes do consumo.
“Se você consumir frutas ou vegetais que possam ser descascados, essa é uma maneira muito eficiente de evitar a ingestão desses organismos, porque a casca contaminada é removida”, explicou Gunawardhana.
A maneira errada de lavar
A higienização adequada é fundamental, mas especialistas alertam que não se deve lavar alimentos com sabão, água sanitária ou produtos de limpeza domésticos.
“Evite sabões, detergentes e outros aditivos que não foram feitos para serem ingeridos. Desinfetantes diluídos não são eficazes contra protozoários como o Cyclospora e podem causar mais danos do que benefícios”, afirmou Stoeckel.
Gunawardhana acrescentou que o cloro também não é recomendado.
“Muitas pessoas pensam que pastilhas de cloro podem ajudar, mas o Cyclospora é altamente resistente ao cloro”, destacou.
O CDC orienta que, mesmo produtos identificados como “pré-lavados”, sejam higienizados novamente antes do consumo.
A maneira correta de lavar
Segundo Gunawardhana, três etapas ajudam a reduzir os riscos:
Lavar as mãos com água e sabão.
Colocar frutas e verduras sob água corrente limpa.
Esfregar ou escovar alimentos firmes, como pepinos, melões e batatas, para criar atrito e remover contaminantes.
“Isso não oferece proteção de 100%, mas pode ajudar”, disse.
Especialistas alertam, no entanto, que a lavagem não garante a eliminação total do parasita, especialmente em folhas, ervas e frutas delicadas.
Priorize alimentos cozidos
Uma das medidas mais eficazes para reduzir o risco de infecção é cozinhar os alimentos.
Segundo o Departamento de Saúde e Serviços Humanos de Michigan, cozinhar os alimentos a uma temperatura interna de pelo menos 70°C (158°F) elimina o Cyclospora.
“O melhor método para evitar a doença causada por esse organismo é cozinhá-lo completamente”, afirmou Gunawardhana.
Especialistas também ressaltam a importância de evitar a contaminação cruzada na cozinha. Produtos frescos ainda não lavados devem ficar separados de alimentos prontos para consumo e de carnes, aves ou frutos do mar crus.
“Uma recomendação universal, e não apenas durante surtos, é manter boas práticas de higiene no preparo dos alimentos”, concluiu Stoeckel.
“Lavar as mãos, manter superfícies limpas e cozinhar adequadamente os alimentos elimina muitos patógenos. A lavagem e, em alguns casos, o descascamento reduzem o risco, mas não removem tudo da superfície dos vegetais frescos. Mesmo pequenas quantidades do parasita podem causar doença.”
Fonte R7

