Indaiatuba
Estudo sobre prevenção do suicídio inicia em Indaiatuba e busca aprimorar atendimento a pacientes em crise
Pesquisa acompanhará cerca de 450 pacientes atendidos nos prontos-socorros da cidade e reúne especialistas brasileiros e internacionais em saúde mental
Indaiatuba passa a integrar um estudo inédito que pretende ampliar o conhecimento sobre estratégias de prevenção do suicídio em pacientes atendidos em situação de crise. A pesquisa, denominada SAVE Study, será realizada em parceria entre o Centro Universitário Max Planck (UniMAX), o Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM), a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e a Secretaria Municipal de Saúde.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo. No Brasil, o Ministério da Saúde registrou mais de 16 mil mortes em 2024, reforçando a importância de iniciativas voltadas à prevenção e ao atendimento rápido de pessoas em situação de risco.
O estudo acompanhará cerca de 450 pacientes, a partir de 14 anos de idade, atendidos nos prontos-socorros de Indaiatuba que se enquadrem nos critérios definidos pelos pesquisadores. O acompanhamento será realizado durante um ano.
O objetivo é identificar quais estratégias apresentam melhores resultados para reduzir pensamentos e comportamentos suicidas, contribuindo para o desenvolvimento de práticas e políticas públicas mais eficazes no atendimento à saúde mental.
“O SAVE Study é atualmente o maior estudo do mundo que investiga, em mundo real, duas promissoras intervenções para a prevenção do suicídio. Isso o posiciona como um estudo que possibilitará avaliar a eficiência de intervenções que têm o potencial de salvar vidas”, salienta o Dr. Rodolfo Furlan Damiano, pesquisador do CISM e coordenador do SAVE Study.
A pesquisa irá comparar três formas de cuidado já utilizadas ou estudadas na área da saúde mental: o tratamento habitual oferecido pelos serviços especializados; esse mesmo tratamento associado ao uso de cetamina, medicamento que vem sendo estudado por seu efeito rápido na redução dos sintomas de depressão em pacientes específicos; e o tratamento combinado com um Plano de Resposta à Crise, ferramenta desenvolvida junto ao paciente para ajudá-lo a reconhecer sinais de alerta, identificar estratégias de enfrentamento e acionar sua rede de apoio em momentos críticos.
De acordo com o psiquiatra e professor do curso de Medicina da UniMAX, Dr. William Augusto Araujo, a proposta é produzir evidências científicas que possam fortalecer o atendimento em situações de urgência. “O estudo busca avaliar alternativas que possam oferecer respostas mais rápidas durante momentos de crise e ampliar o conhecimento sobre intervenções capazes de reduzir o risco de suicídio”, explica.
Além da contribuição científica, a iniciativa também terá impacto na formação de futuros profissionais da saúde. Professores e estudantes do curso de Medicina da UniMAX participarão das etapas de seleção dos participantes, coleta de informações e desenvolvimento da pesquisa, sob supervisão da equipe responsável. Participam do estudo os professores William e Luiz David Finotti Carrijo, além de quatro alunos do curso de Medicina vinculados ao Programa de Iniciação Científica (PIC): Azuele Maria da Silva Taborda Rocha, Eduardo Gonzales Mussi, Leonardo de Almeida Prado e Roberta Cortes.
O estudo é coordenado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP e gerenciado pelo CISM, contando ainda com a colaboração de pesquisadores ligados às universidades de Yale e Vermont, nos Estados Unidos.

