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Luto

Cantor Netinho, ícone do axé music, morre aos 60 anos após lutar contra câncer

Crédito: Reprodução | Instagram
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Artista baiano ficou conhecido nacionalmente com sucessos como “Milla” e “Beijo na Boca” e marcou gerações com sua trajetória no Carnaval.

O cantor Netinho, um dos nomes mais conhecidos da axé music brasileira, morreu na manhã desta terça-feira (13 de outubro), aos 60 anos, em Salvador, na Bahia. A informação foi confirmada pela equipe do artista nas redes sociais. Ele enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B, que evoluiu para insuficiência renal e disfunção múltipla de órgãos.

Segundo comunicado divulgado pela assessoria, o cantor manteve uma postura de gratidão durante o período de tratamento. A equipe informou que ele partiu tranquilamente e relembrou palavras ditas pelo artista nos últimos meses: “Partirei feliz, realizado, pois a vida me deu muito mais do que eu sonhei. Levarei comigo o sorriso de cada fã que foi feliz com a minha arte”.

O velório e a cremação serão realizados em cerimônia reservada, restrita a familiares e amigos próximos, conforme o desejo manifestado pelo próprio cantor.

Diagnóstico e tratamento

Netinho recebeu o diagnóstico de linfoma não Hodgkin em março de 2025. Na ocasião, ficou internado por 25 dias após sentir fortes dores nas pernas e nas costas. Posteriormente, recebeu alta e chegou a retomar parte de sua agenda de apresentações.

Em 2026, porém, a doença voltou a comprometer sua saúde, e o cantor continuou o tratamento, incluindo sessões de quimioterapia. Segundo as informações divulgadas pela imprensa, o quadro clínico se agravou até evoluir para insuficiência renal e disfunção múltipla de órgãos.

O linfoma não Hodgkin é um tipo de câncer que se origina no sistema linfático, parte importante do sistema imunológico. A doença reúne diferentes subtipos, e sua evolução varia conforme as características do tumor e a resposta ao tratamento.

Da Banda Beijo ao sucesso nacional

Nascido em 12 de julho de 1966, em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, Ernesto de Souza Andrade Júnior, conhecido artisticamente como Netinho, começou a construir sua história musical ainda jovem. Depois de se mudar com a família para Salvador, aprendeu a tocar violão e desenvolveu sua ligação com a música baiana e o Carnaval.

Sua projeção nacional começou em 1988, quando assumiu os vocais da Banda Beijo. Com a música “Beijo na Boca”, o grupo conquistou espaço nas rádios e ajudou a ampliar a popularidade da axé music em diferentes regiões do Brasil.

Em 1989, Netinho participou do programa Domingão do Faustão, em um momento importante para a divulgação nacional do gênero. No ano seguinte, também integrou uma iniciativa histórica que levou um trio elétrico brasileiro à Itália durante a Copa do Mundo de 1990.

A experiência internacional ajudou a demonstrar a força da música baiana para além das fronteiras brasileiras, em uma época em que o axé se consolidava como um dos principais ritmos das festas populares do país.

Carreira solo e o fenômeno “Milla”

Em 1993, Netinho iniciou sua carreira solo com o álbum Um Beijo pra Você. O trabalho trouxe músicas como “Menina”, “Capricho dos Deuses” e “Total”, que contribuíram para firmar seu nome entre os artistas populares da década de 1990.

De acordo com a biografia oficial do cantor, o disco vendeu mais de 250 mil cópias e garantiu a ele um Disco de Platina. No ano seguinte, lançou Nada Vai Nos Separar, ampliando seu repertório com canções como “Jeito Diferente” e “Gostoso Demais”.

O auge comercial veio com o álbum Netinho ao Vivo, lançado em 1996. Foi nesse período que “Milla” se transformou em um dos maiores sucessos de sua carreira, tornando-se presença frequente em festas, shows e trios elétricos durante o Carnaval.

A canção atravessou gerações e se consolidou como um dos clássicos da axé music. Outros sucessos, como “Preciso de Você” e “A Vida é Festa”, também permaneceram associados à trajetória do artista.

Legado na música brasileira

Netinho integrou uma geração de artistas que ajudou a levar a música produzida na Bahia para todo o país. Com apresentações marcadas pela energia, pelo carisma e pela interação com o público, tornou-se uma figura reconhecida nos carnavais e nas micaretas brasileiras.

Sua trajetória acompanhou a expansão da axé music nas décadas de 1980 e 1990, período em que os trios elétricos ganharam ainda mais projeção e canções baianas passaram a ocupar espaço constante nas rádios e nas grandes festas populares.

Além dos sucessos que marcaram sua carreira, Netinho deixa uma história ligada à valorização da música baiana e à memória afetiva de milhares de fãs.

A morte do cantor encerra uma trajetória de décadas na música brasileira, mas suas canções continuam presentes na história do Carnaval e na lembrança de um público que encontrou em sua voz a trilha sonora de festas, encontros e celebrações.

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