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Estudo identifica mecanismo genético que pode explicar por que cães grandes envelhecem mais rápido

Estudo pode ajudar a criar terapias que prolonguem a vida saudável em humanos Pexels
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Análise do DNA de 864 cães identificou diferenças em marcas epigenéticas associadas ao envelhecimento, especialmente em regiões conhecidas como “genes saltadores”

Um estudo publicado na revista científica Science identificou um possível mecanismo biológico que ajuda a explicar por que cães de grande porte tendem a envelhecer mais rapidamente e viver menos do que os de pequeno porte. Pesquisadores da Universidade Estadual do Arizona, nos Estados Unidos, analisaram o DNA de 864 cães e encontraram diferenças genéticas e epigenéticas associadas ao ritmo de envelhecimento dos animais.

A pesquisa aponta que a perda de determinadas marcas químicas que regulam a atividade do DNA ocorre de maneira mais intensa em cães maiores. Essa diferença pode comprometer mecanismos responsáveis por manter a estabilidade do material genético e contribuir para o envelhecimento acelerado.

Embora a relação entre porte e expectativa de vida dos cães já seja conhecida, os resultados ajudam a esclarecer possíveis processos moleculares envolvidos nessa diferença.

Marcas químicas do DNA estão no centro da descoberta

O estudo investigou alterações epigenéticas, mecanismos que regulam a atividade dos genes sem modificar a sequência do DNA. Entre esses mecanismos está a metilação, processo no qual grupos químicos chamados metil são adicionados ao material genético, influenciando o funcionamento de determinadas regiões.

Com o avanço da idade, esses padrões de metilação podem sofrer alterações. Segundo os pesquisadores, algumas dessas mudanças são mais acentuadas em cães de grande porte, especialmente em regiões do genoma que abrigam os chamados elementos transponíveis.

Esses elementos, conhecidos popularmente como “genes saltadores”, são sequências de DNA capazes de produzir cópias de si mesmas e inseri-las em outras regiões do genoma. Quando não são devidamente controlados, podem interferir no funcionamento celular e na estabilidade genética.

Normalmente, mecanismos epigenéticos ajudam a limitar a atividade dessas sequências, mantendo sua ação sob controle.

Cães maiores apresentam perda mais intensa de marcas epigenéticas

Um dos principais resultados da pesquisa foi a identificação de uma perda de marcas químicas nos elementos transponíveis 31% mais intensa em cães de maior porte, em comparação com os menores.

Entre as sequências investigadas estão os elementos LINE-1, um tipo de elemento transponível encontrado no genoma de mamíferos. A regulação dessas sequências pode desempenhar um papel importante na manutenção da integridade do DNA ao longo da vida.

Para Noah Snyder-Mackler, um dos autores do estudo, os resultados indicam que o controle epigenético desses elementos pode estar relacionado às diferenças na velocidade de envelhecimento entre os cães.

A descoberta sugere que o ritmo de envelhecimento não depende apenas do tempo de vida, mas também de processos moleculares que influenciam a manutenção e o funcionamento das células.

Descoberta pode contribuir para pesquisas sobre longevidade humana

Além de ampliar o conhecimento sobre o envelhecimento dos cães, o estudo pode ajudar a orientar futuras pesquisas sobre a longevidade em humanos. Isso porque muitos mecanismos celulares relacionados ao envelhecimento são compartilhados entre diferentes espécies de mamíferos.

Segundo Snyder-Mackler, os elementos transponíveis podem representar uma peça importante para compreender como o envelhecimento ocorre e quais processos poderiam ser utilizados como alvo de intervenções futuras.

O pesquisador destaca que o controle desses elementos ou dos mecanismos responsáveis por regulá-los pode abrir caminhos para o desenvolvimento de terapias destinadas a prolongar o período de vida saudável.

No entanto, os resultados ainda não significam que exista um tratamento capaz de retardar o envelhecimento. São necessárias novas investigações para esclarecer a relação entre essas alterações epigenéticas, o porte dos animais e a expectativa de vida.

Por que o porte influencia a expectativa de vida dos cães?

Em geral, cães de raças grandes e gigantes apresentam expectativa de vida menor do que cães de raças pequenas. Embora fatores como genética, metabolismo, predisposição a doenças e características específicas de cada raça também influenciem a longevidade, os mecanismos que explicam essa diferença ainda não são totalmente compreendidos.

O novo estudo acrescenta evidências de que alterações na regulação do DNA podem fazer parte desse processo. Ao identificar diferenças na atividade epigenética dos elementos transponíveis, os pesquisadores oferecem uma nova linha de investigação sobre a relação entre tamanho corporal e envelhecimento.

A expectativa é que estudos futuros ajudem a determinar se esses mecanismos podem ser utilizados para desenvolver estratégias que favoreçam um envelhecimento mais saudável, tanto em cães quanto em humanos.

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