Internacional
Terremoto de magnitude 7.7 atinge Mianmar e deixa dezenas de desaparecidos na Tailândia

Tremor foi sentido até na capital da Tailândia; Balanço parcial aponta 144 mortos em Mianmar e oito no país vizinho
Um terremoto de magnitude 7.7 foi registrado na região central de Mianmar nesta sexta-feira, provocando tremores em uma vasta região do sudeste da Ásia e causando destruição em cidades como Bangcoc, na vizinha Tailândia. Balanços parciais dos dois países indicam 152 mortes até o momento — 144 em Mianmar, segundo a Junta Militar que governa o país, e oito na Tailândia, onde um prédio de 30 andares em construção desabou — o número pode subir, uma vez que as autoridades ainda realizam operações de resgate e falam em desaparecidos e centenas de feridos. Cenas da destruição circulam nas redes sociais, e mostram a queda do edifício, uma ponte derrubada e o desespero das pessoas.
O tremor principal, considerado forte pelos parâmetros que medem este tipo de fenômeno, foi registrado por volta das 12h50 (3h50 em Brasília). O Serviço Geológico dos EUA indicou que o epicentro foi localizado a uma profundidade “rasa”, de 9,6 km, nas proximidades da segunda maior cidade de Mianmar, Mandalay, onde vivem mais de um milhão de pessoas. Um tremor secundário, de magnitude 6,4, foi registrado 12 minutos depois.
Outras partes da Ásia também sentiram o terremoto, mas não está claro se também registraram danos estruturais. Em Bangladesh, incluindo na capital, Daca, houve relatos sobre o tremor. Prédios tremeram no Vietnã, incluindo em Hanói, a capital, e na Cidade de Ho Chi Minh, segundo o canal de notícias estatal VnExpress.
Em Mianmar, feridos foram levados às pressas para o Hospital Geral de Mandalay, onde dezenas de pacientes foram forçados a fugir para um estacionamento próximo, muitos deles ainda conectados a soro intravenoso e tanques de oxigênio. Um balanço divulgado pelo regime indica que 732 pessoas ficaram feridas. O ditador Min Aung Hlaing, chefe da junta, fez um apelo a países e organizações internacionais para enviarem auxílio diante da crise.
Daw Kyi Shwin, uma moradora de Mandalay de 45 anos, disse que sua filha de 3 anos morreu no terremoto. Elas estavam almoçando em casa quando o tremor aconteceu.
— Assim que começou, corri para o andar de baixo, mas não consegui chegar a tempo — disse Daw, ainda sangrando, em frente ao principal hospital. — Tentei correr até ela, mas antes que eu pudesse, tijolos caíram em mim também.
A imprensa do país asiático também confirmou danos a infraestruturas de outras cidades do país, incluindo Naypyidaw, a capital. A Junta Militar que tomou o poder da liderança civil há quatro anos declarou estado de emergência em seis regiões do país.
O acesso a informações sobre a extensão dos danos e número de vítimas surgem lentamente, em parte por causa da campanha de censura realizada pelos militares, com cortes de internet e de acesso às redes sociais, com objetivo de frustrar a dissidência. Diante de um fenômeno que potencialmente provocou danos às redes elétrica e de internet, as restrições podem dificultar ainda mais as atividades de resgate — grupos humanitários disseram que estavam tentando avaliar a situação, mas estavam tendo dificuldades porque as linhas de eletricidade e comunicação estavam inoperantes.
O Papa Francisco ofereceu orações aos mortos em Mianmar e aos trabalhadores das equipes de resgate. Segundo uma nota emitida pelo Vaticano, o Potífice, que ainda está convalescente da pneumonia bilateral que o deixou internado por mais de um mês, está “profundamente triste” pela perda de vidas e a devastação provocada pelo terremoto.
Além do epicentro, o terremoto também foi sentido com intensidade na vizinha Tailândia. Em Bangcoc, as ruas ficaram cheias de pessoas com medo de tremores secundários e que não foram autorizadas a voltar a suas casas. O trânsito ficou praticamente parado. O primeiro-ministro do país, Paetongtarn Shinawatra, declarou a capital como uma “área de emergência”. Há pelo menos 90 desaparecidos no país.
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Um edifício de 30 andares que estava em construção desabou em razão do tremor — incidente onde morreram sete das vítimas confirmadas pelas autoridades até o momento. Cerca de 70 trabalhadores de trabalhadores da construção ficaram presos nos escombros.
O trem elevado da cidade, conhecido como Skytrain, foi fechado e o tráfego nas principais vias da cidade ficou praticamente paralisado enquanto as pessoas tentavam voltar para casa. Vídeos mostraram água espirrando da piscina na cobertura de um hotel alto e escorrendo pela lateral do prédio.
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Região suscetível a tremores
A área central de Mianmar é particularmente suscetível a tremores de terremotos, embora sejam raros eventos desta magnitude. O país está localizado no extremo leste de uma das zonas de atividade sísmica mais ativas do mundo, o Cinturão Alpide, que se estende do Mar Mediterrâneo para o leste através da Turquia, Irã e Afeganistão, depois ao longo do Himalaia até Mianmar e finalmente a Indonésia.
Grandes placas da crosta terrestre estão em movimento em Mianmar. Essas placas estão lentamente se triturando. A placa na qual está a Índia gradualmente se move para o norte, em encontro ao oeste da China. É esse movimento de placas que empurra o Himalaia para cima, a cadeia de montanhas mais alta do mundo. Mas a borda oriental da Placa Indiana também está batendo sob a Placa da Birmânia, onde está Mianmar.
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Imagem que circula nas redes sociais mostra estragos após terremoto de magnitude 7.7 em Mianmar — Foto: Reprodução / redes sociais
A Placa da Birmânia também está em movimento porque o fundo do Mar de Andaman, que fica entre a Índia, Bangladesh, Mianmar e Tailândia, está se alargando lentamente. A interação complexa dessas placas produz muitas falhas no centro e norte de Mianmar, muitas das quais são mal compreendidas e algumas das quais nem sequer foram nomeadas por geólogos. (Com NYT e AFP)
Fonte O Globo