Saúde
Bactérias do intestino são associadas à ELA e demência, diz estudo
Pesquisa revela como bactérias intestinais podem desencadear danos no cérebro
Uma descoberta recente pode mudar a forma como entendemos doenças neurológicas graves. Cientistas identificaram um possível gatilho oculto no intestino que pode estar diretamente ligado ao desenvolvimento da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) e da Demência Frontotemporal (DFT).
O estudo, publicado na revista Cell Reports e liderado por Blake McCourt (2026), aponta que certas substâncias produzidas por bactérias intestinais podem desencadear reações inflamatórias capazes de danificar células cerebrais.
Conexão inesperada
A relação entre o intestino e o cérebro tem sido cada vez mais estudada. No entanto, essa pesquisa avança ao identificar um mecanismo específico.
Os cientistas descobriram que algumas bactérias intestinais produzem formas alteradas de glicogênio microbiano, um tipo de açúcar. Esse composto pode ativar o sistema imunológico de forma exagerada, levando à inflamação cerebral.
Além disso, o estudo mostrou que:
- Cerca de 70% dos pacientes com ELA e DFT apresentavam níveis elevados desse composto
- Em indivíduos sem essas doenças, esse número foi significativamente menor
Esses dados reforçam a hipótese de que o microbioma intestinal pode atuar como um fator determinante no desenvolvimento dessas condições.
Como ELA e demência afetam o organismo

Embora distintas, essas doenças compartilham características importantes.
A ELA compromete os neurônios motores, levando à perda progressiva da força muscular. Já a DFT afeta áreas do cérebro ligadas ao comportamento, linguagem e personalidade.
Apesar de fatores genéticos estarem envolvidos, a pesquisa publicada na Cell Reports por McCourt (2026) sugere que elementos ambientais, como o equilíbrio das bactérias intestinais, podem influenciar diretamente o surgimento dessas doenças.
Por que nem todos desenvolvem a doença?
Um dos aspectos mais importantes da pesquisa diz respeito a indivíduos que possuem alterações genéticas ligadas à ELA e à DFT.
Nem todos os portadores dessas alterações desenvolvem a doença, o que sempre foi um mistério. Agora, os resultados indicam que o microbioma intestinal pode funcionar como um gatilho adicional.
Ou seja, a combinação entre predisposição genética e fatores intestinais pode determinar o risco real.
Novos caminhos para tratamento
A descoberta abre portas para abordagens inovadoras. Em vez de focar apenas no cérebro, os cientistas agora consideram o intestino como um alvo terapêutico.
Entre as possibilidades destacadas estão:
- Redução dos níveis de glicogênio microbiano prejudicial
- Desenvolvimento de medicamentos que atuem no eixo intestino-cérebro
- Uso de biomarcadores para identificar pacientes em risco
Resultados experimentais já indicaram que a diminuição desses compostos pode melhorar a saúde cerebral e até prolongar a sobrevida em modelos estudados.
O papel da tecnologia nessa descoberta
O avanço só foi possível graças a métodos inovadores. Os pesquisadores utilizaram modelos de laboratório sem microrganismos, permitindo isolar o impacto específico das bactérias.
Essa abordagem possibilitou entender com maior precisão como o intestino influencia o cérebro, algo que métodos tradicionais não conseguiam demonstrar com clareza.
O que esperar dos próximos estudos
Apesar dos achados animadores, ainda são necessárias pesquisas mais abrangentes. As próximas etapas incluem:
- Analisar o microbioma de pacientes antes e após o início da doença
- Testar intervenções em humanos
- Avaliar a eficácia de terapias direcionadas
Segundo a publicação, ensaios clínicos podem surgir em breve para testar essas estratégias.
Fonte R7


