Campinas
Cesta básica sobe 5,99% em Campinas e se aproxima de recorde histórico
Tomate lidera a alta dos alimentos, com aumento de 57,57% em setembro. Custo médio chegou a R$ 882,86, comprometendo 54,4% do salário mínimo.
O preço da cesta básica voltou a subir em Campinas (SP) e se aproximou do recorde histórico registrado em junho de 2026. Em setembro, o conjunto de alimentos essenciais custou, em média, R$ 882,86, alta de 5,99% em relação a agosto, quando o valor era de R$ 832,99. Os dados são do Observatório PUC-Campinas.
O resultado de setembro ficou apenas R$ 19,26 abaixo do maior valor da série histórica, de R$ 902,12, registrado em junho deste ano.
Na comparação com setembro de 2025, quando a cesta custava R$ 774,37, houve aumento de R$ 108,49, equivalente a 14% em 12 meses.
Tomate e batata pressionam os preços
Entre os produtos pesquisados, o tomate apresentou a maior alta em setembro, de 57,57%. Segundo o economista Pedro de Miranda Costa, coordenador do levantamento, o aumento foi provocado por condições climáticas que prejudicaram a produção e reduziram a oferta.
O frio prolongado atrasou a maturação dos tomates. Posteriormente, o volume de chuvas dificultou a colheita, restringindo a disponibilidade do produto no mercado.
A batata também registrou elevação expressiva, de 30,02%, igualmente influenciada pelas chuvas. Outros alimentos que ficaram mais caros foram o arroz, com alta de 5,92%; o óleo, com 2,98%; o pão francês, com 2,95%; e a carne, com 1,38%.
Dos 13 produtos que compõem a cesta, seis tiveram aumento de preço e sete apresentaram redução.
O maior recuo foi registrado pela banana, que ficou 8,18% mais barata. O feijão teve queda de 5,14%. Também apresentaram redução o café (-2,52%), o leite (-2,09%), a farinha (-1,86%), a manteiga (-1,14%) e o açúcar (-1,02%).
Variação dos preços dos alimentos em setembro
| Produto | Variação mensal |
|---|---|
| Tomate | +57,57% |
| Batata | +30,02% |
| Arroz | +5,92% |
| Óleo | +2,98% |
| Pão francês | +2,95% |
| Carne | +1,38% |
| Açúcar | -1,02% |
| Manteiga | -1,14% |
| Farinha | -1,86% |
| Leite | -2,09% |
| Café | -2,52% |
| Feijão | -5,14% |
| Banana | -8,18% |
Fonte: Observatório PUC-Campinas. Variações informadas para setembro de 2026 em relação a agosto.
Cesta básica consome mais da metade do salário mínimo
Com o salário mínimo nacional fixado em R$ 1.621,00, o custo da cesta básica de setembro correspondeu a 54,4% da renda mensal de um trabalhador que recebe esse valor.
Cálculo do comprometimento da renda
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Salário mínimo mensal | R$ 1.621,00 |
| Custo da cesta básica | R$ 882,86 |
| Parcela do salário comprometida | 54,4% |
| Valor restante após a compra da cesta | R$ 738,14 |
O valor restante não considera outras despesas essenciais, como moradia, transporte, energia elétrica, água, saúde e educação.
A pesquisa considera a quantidade de alimentos necessária para atender um trabalhador adulto durante um mês. Para uma família de quatro pessoas, formada por dois adultos e duas crianças, o levantamento estima a necessidade de três cestas básicas.
Nesse cenário, o gasto mensal exclusivamente com alimentação chegaria a R$ 2.648,59.
Custo estimado para uma família de quatro pessoas
| Indicador | Cálculo | Valor |
|---|---|---|
| Uma cesta básica | — | R$ 882,86 |
| Três cestas básicas | R$ 882,86 × 3 | R$ 2.648,58 |
| Salário mínimo de referência | — | R$ 1.621,00 |
| Diferença entre o custo de três cestas e um salário mínimo | R$ 2.648,58 – R$ 1.621,00 | R$ 1.027,58 |
| Custo de três cestas em salários mínimos | R$ 2.648,58 ÷ R$ 1.621,00 | 1,63 |
Observação: o valor de R$ 2.648,59 divulgado na pesquisa apresenta diferença de R$ 0,01 em relação à multiplicação direta do valor arredondado de R$ 882,86 por três. O valor original foi mantido na descrição do levantamento.
Histórico mostra alta de 14% em um ano
A série histórica do Observatório PUC-Campinas indica que o custo da cesta básica passou por oscilações nos últimos quatro anos, com avanço expressivo no primeiro semestre de 2026.
Em setembro de 2022, o conjunto de alimentos custava R$ 688,67. Um ano depois, o valor era de R$ 694,01. Em setembro de 2024, chegou a R$ 714,38 e, em setembro de 2025, atingiu R$ 774,37.
Em 2026, a alta se intensificou a partir de março. O custo passou de R$ 831,77 naquele mês para R$ 885,18 em maio, até alcançar o recorde de R$ 902,12 em junho. Em julho, houve recuo para R$ 809,75, seguido de novas altas em agosto e setembro.
Evolução do preço da cesta básica em Campinas
| Mês de referência | Valor médio |
|---|---|
| Setembro/2022 | R$ 688,67 |
| Setembro/2023 | R$ 694,01 |
| Setembro/2024 | R$ 714,38 |
| Setembro/2025 | R$ 774,37 |
| Janeiro/2026 | R$ 790,47 |
| Fevereiro/2026 | R$ 776,46 |
| Março/2026 | R$ 831,77 |
| Abril/2026 | R$ 836,96 |
| Maio/2026 | R$ 885,18 |
| Junho/2026 | R$ 902,12 |
| Julho/2026 | R$ 809,75 |
| Agosto/2026 | R$ 832,99 |
| Setembro/2026 | R$ 882,86 |
Fonte: Observatório PUC-Campinas. Valores nominais da cesta básica.
Quais produtos compõem a cesta básica?
O levantamento acompanha 13 alimentos e as quantidades de referência estabelecidas historicamente para atender às necessidades mensais de um trabalhador adulto.
A metodologia segue os critérios utilizados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), respeitando os hábitos alimentares da região Sudeste.
Quantidades consideradas no levantamento
| Produto | Quantidade mensal |
|---|---|
| Açúcar | 3 kg |
| Arroz | 3 kg |
| Café | 600 g |
| Farinha | 1,5 kg |
| Feijão | 4,5 kg |
| Leite | 7,5 litros |
| Manteiga | 750 g |
| Óleo | 750 ml |
| Banana | 90 unidades |
| Batata | 6 kg |
| Carne | 6 kg |
| Pão francês | 6 kg |
| Tomate | 9 kg |
Como a pesquisa é realizada
O Observatório PUC-Campinas monitora mensalmente os preços da cesta básica desde setembro de 2022. Para calcular o valor médio, os pesquisadores levantam os preços dos produtos em 28 estabelecimentos comerciais, todos supermercados localizados em bairros próximos ao perímetro central de Campinas.
As coletas são realizadas entre a segunda e a terceira semana de cada mês, sempre no mesmo dia, para reduzir possíveis distorções provocadas por promoções em diferentes estabelecimentos.
O levantamento permite acompanhar a evolução do custo dos alimentos essenciais e avaliar o impacto das variações de preços sobre o orçamento das famílias.

