Brasil
Quanto custa a obesidade ao Brasil? Estudo revela impacto de R$ 44,6 bilhões em um único ano
Levantamento inédito do Instituto Cordial calcula pela primeira vez a conta fiscal da doença e projeta que custo poderá chegar a R$ 60,5 bilhões em 2033
Quando falamos em obesidade, quase sempre pensamos nos impactos para a saúde. Afinal, já está bem estabelecido que a doença aumenta o risco de desenvolver diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer e diversas outras comorbidades.
Mas uma pergunta ainda permanecia sem resposta: quanto a obesidade custa ao Brasil?
Um estudo realizado pelo Instituto Cordial e apresentado nesta quinta-feira (25), durante o 3º Fórum Brasileiro de Políticas Públicas em Obesidade, buscou responder justamente essa questão ao calcular, pela primeira vez, a chamada conta fiscal da obesidade.
Com base em dados de 2024, o levantamento estima que a doença gerou um impacto de R$ 44,6 bilhões para os cofres públicos. O cálculo reúne despesas com saúde, perda de arrecadação tributária, gastos com invalidez e aposentadorias e a receita indireta relacionada aos impactos da doença.
Mais do que retratar o cenário atual, o estudo faz um alerta para os próximos anos. Mantido o ritmo de crescimento da obesidade no país, a projeção é que esse custo alcance R$ 60,5 bilhões em 2033.
Como essa conta foi calculada?
Os pesquisadores reuniram diferentes componentes do impacto econômico provocado pela obesidade.
A maior parcela corresponde aos custos relacionados à saúde, que somaram R$ 29,56 bilhões em 2024. Nesse valor estão incluídas despesas com consultas, exames, medicamentos, hospitalizações, cirurgias bariátricas, tratamento da obesidade e também das doenças associadas ao excesso de peso e ao IMC elevado.
Além disso, o estudo estimou uma perda de arrecadação tributária de R$ 9,94 bilhões, reflexo da redução da produtividade e da menor participação de pessoas com obesidade no mercado de trabalho.
Outro componente importante são os R$ 6,05 bilhões relacionados à invalidez e às aposentadorias.
No cálculo da conta fiscal também foi considerada a receita indireta, estimada em -R$ 0,91 bilhão.
Somados esses fatores, o impacto líquido chega aos R$ 44,6 bilhões.
O custo pode ser ainda maior
Os pesquisadores alertam que esse valor provavelmente está subestimado.
Isso porque a obesidade ainda aparece pouco registrada como diagnóstico nos sistemas de saúde. Em muitos casos, o paciente é atendido por diabetes, infarto, acidente vascular cerebral (AVC) ou outras doenças relacionadas ao excesso de peso, sem que a obesidade seja registrada oficialmente como condição associada.
Na prática, isso significa que parte dos custos provocados pela doença continua invisível nas estatísticas.
Tratar a obesidade também é investir no país
Os resultados reforçam um debate que vem ganhando força entre especialistas: ampliar o acesso ao tratamento da obesidade não beneficia apenas quem convive com a doença.
O diagnóstico precoce, o acompanhamento contínuo e o tratamento baseado em evidências podem reduzir complicações, evitar hospitalizações, diminuir afastamentos do trabalho e aposentadorias precoces, além de aliviar a pressão sobre as contas públicas.
Os números apresentados no Fórum deixam um recado importante: a obesidade não representa apenas um desafio para a saúde pública. Ela também tem um impacto significativo sobre a economia brasileira.
Ignorar uma doença crônica como a obesidade custa caro. Investir em prevenção, diagnóstico e tratamento pode ser uma das formas mais eficientes de reduzir esse impacto no futuro.
Fonte R7

