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Meio Ambiente

Semelhante a um ‘peixinho’, lambari-roxo tem potencial de planta ornamental e de invasora

Tradescantia zebrina, conhecida como lambari-roxo — Foto: kjemde / iNaturalist
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Especialista alerta para perigos de consumo da espécie por crianças e animais domésticos.

Podendo chegar a 30 cm de altura, a planta lambari-roxo (Tradescantia zebrina) é uma erva bastante ramificada, com ramos de prostrados e até eretos. Suas folhas são um pouco carnosas com formato oval, de base arredondada e ápice agudo, parecidas com o formato de um “peixinho”.

A face superior da folha é de cor verde-escura a arroxeada no centro, com duas listras prateadas ao longo das margens. Já a face inferior é geralmente arroxeada. Suas flores possuem três pétalas livres, com cor que varia entre o rosa e o lilás.

A descrição é da bióloga Maria do Carmo Estanislau do Amaral, especialista em Botânica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Segundo ela, embora seja apreciada por sua beleza, a plantinha muito usada para fins ornamentais também tem potencial de planta invasora.

“Ela pertence à família Commelinaceae, que inclui muitas plantas ornamentais, mas também plantas invasoras de culturas e de jardins, como diversas espécies pertencentes ao gênero Commelina“, explica Maria do Carmo.

Conhecida também como trapoeraba-roxa ou zebrina, o nome popular “lambari-roxo” pode ter surgido em razão do formato de suas folhas, que possuem estrias prateadas e se assemelham a um pequeno peixe, como o lambari.

Flor da espécie mexicana Tradescantia zebrina — Foto: voleman / iNaturalist

Flor da espécie mexicana Tradescantia zebrina — Foto: voleman / iNaturalist

A doutora em Botânica pela USP Ribeirão Preto Carolina Ferreira alerta para o perigo de consumir a espécie em forma de refeições ou chás, recomendações encontradas em muitos sites na internet.

“Isso é muito perigoso! Alguns estudos mencionam que o contato prolongado com a planta pode causar irritação e há informações de que a planta não deve ser consumida crua por crianças e animais, por conter uma grande quantidade de oxalato de cálcio”, reforça a doutora Carolina.

Invasora rasteira

Maria do Carmo comenta que a planta é nativa do México e da América Central, mas é encontrada crescendo de forma subespontânea ou naturalizada, muitas vezes escapando de cultivo e tornando-se uma planta invasora, em países com regiões de clima quente.

“No Brasil, é reportada como uma planta invasora em campos e na Mata Atlântica, tendo sido coletada em áreas de parques e de matas desde o Ceará até o Rio Grande do Sul e também nos estados do Acre, Amazonas, Pará e Mato Grosso”, completa.

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Lambari-roxo foi notificada como espécie invasora em muitos ecossistemas — Foto: Abby / iNaturalist

Lambari-roxo foi notificada como espécie invasora em muitos ecossistemas — Foto: Abby / iNaturalist

De acordo com Carolina Ferreira, a lambari-roxo vem causando problemas em outros lugares do mundo por afetar negativamente as áreas que invade, já que domina o sub-bosque e atrapalha a recuperação de áreas degradadas.

“A espécie é considerada uma competidora agressiva, já que resultados de estudos mostram um impacto negativo de T. zebrina no número de plântulas (pequena planta resultante do desenvolvimento inicial do embrião) das espécies nativas. Após a remoção da exótica, em poucos meses, o número de plântulas nativas aumentou, o que mostra que o manejo da invasora se faz necessário”, diz Carolina.

Dicas de cultivo doméstico

Embora tenha potencial de planta invasora na natureza, o plantio doméstico e controlado da espécie pode ser feito sem problemas. Para ajudar nesse tarefa, Carolina dá algumas dicas de cultivo da lambari-roxo.

Folhas podem ficam com tom mais roxo se expostas a luz por períodos prolongados — Foto: paulacaroo / iNaturalist

Folhas podem ficam com tom mais roxo se expostas a luz por períodos prolongados — Foto: paulacaroo / iNaturalist

  • A planta possui adaptação à sombra e pode ser utilizado como forração em jardim ou em vasos pendentes;
  • Deve ser cultivada em solo fértil e as regas devem ser feitas frequentemente, evitando encharcar o solo;
  • Como não possui raízes profundas, não é necessário ser cultivada em vasos fundos, sendo um sugestão os vasos do tipo bacia;
  • Planta tipicamente tropical, não é tolerante ao frio rigoroso e às geadas, mas adapta-se muito bem às estufas em locais de clima temperado.

Segundo Maria do Carmo, a planta pode crescer em luminosidade intensa, quando as folhas ficam mais verdes, até em ambientes geralmente úmidos e sombreados, onde as folhas ficam mais arroxeadas.

Fonte G1

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