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Urinar sentado ou em pé: estudo com 52 homens investiga se a posição faz diferença para a saúde
Pesquisa publicada em revista científica comparou o fluxo urinário nas duas posições e encontrou resultados semelhantes entre homens jovens e saudáveis. Para quem tem problemas urinários, porém, sentar pode trazer benefícios.
Afinal, para os homens, é melhor fazer xixi sentado ou em pé? A dúvida, que costuma dividir opiniões dentro e fora de casa, também desperta o interesse da ciência. Uma nova pesquisa, publicada em outubro de 2026 na revista Neurourology and Urodynamics, investigou se a posição adotada durante a micção interfere no funcionamento do sistema urinário. A conclusão foi que, entre homens jovens e saudáveis, as diferenças são pequenas e não indicam uma vantagem clínica significativa de uma posição sobre a outra.
O estudo foi conduzido por pesquisadores do Colombian Urology Research Group, na Colômbia, e contou com a participação de 52 homens saudáveis, com idades entre 18 e 39 anos. O objetivo era comparar parâmetros do fluxo urinário durante a micção em pé e sentado.
Para realizar a análise, os voluntários participaram de um experimento randomizado cruzado, metodologia em que todos os participantes são submetidos às duas condições avaliadas, mas em sequências diferentes. Parte dos homens começou urinando sentado e, após um intervalo mínimo de 24 horas, repetiu o procedimento em pé. O restante fez o caminho inverso.
Durante os testes, os pesquisadores utilizaram a urofluxometria, exame que registra a velocidade e o volume da urina eliminada. Entre os indicadores avaliados estavam o fluxo urinário máximo (Qmax), que representa a maior velocidade atingida durante a micção; o volume total eliminado; e o tempo necessário para alcançar esse fluxo máximo (tQmax).
Os resultados não apontaram diferenças estatisticamente significativas entre as posições em relação ao fluxo máximo ou ao volume de urina eliminado. Em outras palavras, os participantes apresentaram resultados semelhantes ao urinar sentados ou em pé nesses dois indicadores.
A única diferença identificada foi no tempo necessário para atingir o fluxo máximo. Em média, os homens demoraram aproximadamente 3,3 segundos a mais para alcançar esse pico quando urinavam em pé. Apesar de estatisticamente significativa, a diferença foi considerada pequena e de provável baixa relevância clínica pelos próprios autores. Parte do resultado também foi influenciada por um único participante com valores muito diferentes dos demais.
Os pesquisadores ressaltaram que o número reduzido de voluntários não permite afirmar que as duas posições sejam completamente equivalentes. O estudo também não avaliou o volume de urina que permanece na bexiga depois da micção, um parâmetro importante para investigar possíveis dificuldades de esvaziamento.
O que dizem os estudos anteriores?
A discussão sobre urinar sentado ou em pé não é nova na literatura médica. Em 2014, uma revisão sistemática com metanálise publicada na revista PLOS ONE reuniu 11 estudos para comparar os efeitos das duas posições sobre o funcionamento urinário.
Os pesquisadores analisaram separadamente homens saudáveis e pacientes com sintomas do trato urinário inferior, como dificuldade para iniciar a micção, jato fraco e sensação de esvaziamento incompleto da bexiga.
Entre os homens saudáveis, a revisão não encontrou diferenças relevantes nos parâmetros avaliados, incluindo fluxo urinário máximo, duração da micção e volume residual de urina.
Já entre os participantes com sintomas urinários, a posição sentada apresentou uma vantagem: foi associada a uma redução média de aproximadamente 25 mililitros no volume de urina que permanecia na bexiga após a micção, em comparação com a posição em pé.
Esse resultado sugere que sentar pode facilitar o esvaziamento da bexiga em determinados pacientes, embora os estudos disponíveis apresentem diferenças metodológicas e não permitam estabelecer uma recomendação universal.
E qual é a melhor posição?
Uma das explicações para os possíveis benefícios da posição sentada é o relaxamento da musculatura do assoalho pélvico, região que participa do controle da micção. Em algumas pessoas com dificuldades urinárias, essa condição pode favorecer a saída da urina.
A questão merece atenção principalmente entre homens com hiperplasia prostática benigna (HPB), condição caracterizada pelo aumento não canceroso da próstata. Com o avanço da idade, a próstata pode crescer e comprimir a uretra, dificultando a passagem da urina.
Nesses casos, sintomas como jato urinário fraco, demora para começar a urinar, necessidade de fazer força e sensação de que a bexiga não esvaziou completamente podem aparecer. A posição sentada pode ajudar alguns pacientes, mas não substitui a avaliação médica nem o tratamento adequado.
Para homens jovens e sem sintomas, entretanto, as evidências disponíveis não apontam uma razão médica consistente para abandonar uma posição em favor da outra.
A conclusão, portanto, é simples: urinar sentado ou em pé é, na maioria dos casos, uma questão de preferência e conforto. Mais importante do que a posição é observar possíveis alterações no padrão urinário. Dificuldade para urinar, dor, sangue na urina ou mudanças persistentes no jato merecem avaliação de um profissional de saúde.

