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Saúde

Diabetes e coração: por que olhar apenas a glicose é um erro

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Hoje, controlar a glicemia é apenas parte da estratégia para proteger coração, rins e aumentar a qualidade de vida

Durante décadas, o sucesso do tratamento do diabetes foi medido principalmente por um número: a glicemia. Quanto mais próximo do normal estivesse o açúcar no sangue, melhor parecia estar o controle da doença.

Mas a ciência evoluiu, e hoje sabemos que tratar o diabetes vai muito além de reduzir a glicose.

Por que as complicações cardiovasculares preocupam tanto?

O diabetes tipo 2 é uma doença complexa, que afeta praticamente todo o organismo. O excesso de glicose é apenas uma das manifestações de um problema muito maior, que envolve inflamação crônica, resistência à insulina, excesso de gordura visceral, alterações renais, disfunção dos vasos sanguíneos e aumento expressivo do risco cardiovascular.

Não por acaso, a principal causa de morte entre pessoas com diabetes não é a glicose elevada em si, mas as complicações cardiovasculares, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e doença renal crônica.

Por muitos anos, tivemos medicamentos capazes de controlar a glicemia sem necessariamente modificar o risco de eventos graves. Hoje, porém, vivemos uma verdadeira mudança de paradigma. Novas terapias demonstraram que é possível reduzir não apenas os níveis de açúcar no sangue, mas também proteger o coração, os rins e aumentar a expectativa de vida com qualidade.

As novas terapias mudaram o tratamento do diabetes

Estudos recentes mostraram que as novas terapias medicamentosas , os inibidores de SGLT2 e análogos de GLP-1. conseguem reduzir o risco de infarto, AVC, hospitalizações por insuficiência cardíaca e a progressão da doença renal, benefícios que vão muito além do controle glicêmico. Isso significa que o objetivo atual do tratamento não é apenas alcançar uma meta laboratorial, mas mudar a trajetória da doença.

Da mesma forma, passamos a entender que o excesso de peso, especialmente a gordura abdominal e visceral, desempenha papel central no desenvolvimento das complicações do diabetes. Reduzir essa carga metabólica significa diminuir inflamação, melhorar a função vascular e reduzir o risco cardiovascular global.

Essa nova visão também mudou a forma como médicos e pacientes devem enxergar o tratamento. O sucesso não pode ser medido apenas pelo resultado de um exame. Precisamos avaliar o risco cardiovascular, a saúde dos rins, a presença de obesidade, a qualidade de vida e a capacidade funcional do paciente.

Em outras palavras, controlar a glicose continua sendo importante, mas já não é suficiente.

Fonte Folha Vitória

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